Santos 2 x 2 União Barbarense

Data: 09/05/1999, domingo, 18h30.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 7.995 pagantes
Renda: R$ 43.337,00
Árbitro: Oscar Roberto Godói
Gols: Viola (15-1, de pênalti), Wilson (20-1); Edinan (21-2) e Alessandro (45-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Andrei e Gustavo Nery; Marcos Bazílio, Narciso, Jorginho (Caíco) e Rodrigo Fabri (Aristizábal); Alessando e Viola.
Técnico: Emerson Leão

UNIÃO AGRÍCOLA BARBARENSE
Alexandre; Edinan, Wilson, Cléber Lima e Cleomir; Élson, Caniggia, Beto e Bira (Henrique); Alaor e Mazinho Loyola.
Técnico: Jair Picerni



Santos garante a vaga no último minuto

Gol de Alessandro evita derrota em casa e leva equipe às semifinais; resultado mantém chances do Barbarense

O Santos marcou ontem no último minuto para empatar com o União Barbarense em 2 a 2 e se classificar para a segunda fase do Campeonato Paulista.

O empate, no entanto, evitou que o Santos assegurasse por antecipação a primeira colocação do Grupo 4. A equipe do litoral tem agora oito pontos de vantagem sobre o Corinthians, segundo colocado, faltando três rodadas para o final desta fase do Paulista. Seus próximos jogos serão contra Mogi Mirim (em casa, no próximo domingo), Corinthians (fora) e Guarani (em casa).

O Barbarense, por sua vez, está agora com dois pontos de desvantagem para o Corinthians, com quem disputa a outra vaga da chave para as semifinais. A equipe do interior terá pela frente o Guarani (fora, no domingo), o Mogi Mirim (em casa) e a Santista (fora).

Para o Santos, o resultado de ontem frustrou a esperada revanche contra o Barbarense, único time do interior que conseguiu vencê-lo.

No jogo de ontem, o Santos abusou do jogo aéreo, mas encontrou uma defesa bem posicionada. Logo a 1min de jogo, em cobrança de falta, Ânderson cruzou na área, mas Rodrigo errou.

Lutando pela classificação, o Barbarense -time que mais finaliza no torneio (24,7 vezes em média por jogo)- não se intimidou por estar jogando na Vila Belmiro e foi à frente. Aos 8min, Bira bateu de fora da área, mas Zetti pegou.

Três minutos depois, nova chance do time do interior, com Cleomir batendo falta no canto esquerdo de Zetti, que defendeu.

Em seguida, Rodrigo, do Santos, caiu na área em lance com Cléber, mas não foi marcado pênalti.

Aos 14 min, Ânderson cruzou a bola da direita. Élson, do Barbarense, fez pênalti ao segurar o zagueiro Argel, que tentava completar o lance. Viola cobrou o pênalti no canto esquerdo de Alexandre -que quase fez a defesa- para marcar 1 a 0.

A reação do Barbarense veio sete minutos mais tarde, com Wilson, em cobrança de escanteio, cabeceando no canto esquerdo de Zetti para empatar.

No primeiro tempo, o Santos ainda teria duas boas chances em cruzamentos, desperdiçadas por Alessandro e Rodrigo.

Pressionado pelo empate, o time do técnico Emerson Leão voltou mais afobado para a segunda etapa, permitindo ao Barbarense alguma tranquilidade na partida.

Logo após Leão colocar em campo Caíco e Aristizábal, numa tentativa de tornar seu time mais ofensivo, a equipe do interior obteve a virada. Num forte chute de fora da área, aos 21min, Edinan fez 2 a 1 para o Barbarense.

O mesmo Edinan teve a chance de fazer o terceiro gol do Barbarense, em cobrança de falta aos 25min, mas Zetti defendeu.

Aos 34min, Alessandro recebeu a bola dentro da área, mas chutou por cima.

Dez minutos depois, o mesmo Alessandro aproveitou uma sobra de bola dentro da área para empatar a partida e garantir a vaga do time santista nas semifinais.

Leão vê gosto de derrota

O empate em casa teve um “gosto amargo de derrota”, segundo o técnico do Santos, Emerson Leão.

“O Santos esqueceu da técnica e da tática. Perdemos o meio-campo e fomos jogar na base do entusiasmo, da pressão e do coração. E foi só com o coração que conseguimos empatar”, declarou o treinador.

O diagnóstico do zagueiro Argel coincidiu com o de Leão. Para ele, a equipe foi mal porque não conseguiu ganhar o meio-campo.

“Perdemos bastante o meio-campo e isso complica. Temos também de dar mérito ao União Barbarense, que veio aqui e jogou um futebol de toque, com estilo. Mas dos males o menor: conseguimos ao menos o empate”, afirmou.

Viola deixou o campo indignado com o resultado, reclamando do fato de, segundo ele, o time ter dado espaços e proporcionado em vários momentos ao Barbarense o domínio.

Claudiomiro faz time voltar à rotina de contusões

Depois de conseguir se manter durante uma semana no mês passado sem jogadores contundidos no grupo, o Santos volta a viver a rotina de lesões.

Há uma semana, o volante Marcos Assunção se recupera de uma fratura no dedo mínimo da perna esquerda. Ontem, foi a vez do zagueiro Claudiomiro.
Ele teve de ser cortado do jogo contra o Barbarense devido às dores que começou a sentir na panturrilha da perna esquerda antes do treino coletivo de sábado.

O problema de Claudiomiro obrigou o técnico Leão a abrir mão do meia-atacante Lúcio, que ficaria no banco de reservas e ontem teve de atuar no time de aspirantes, na partida preliminar.

Lúcio, cujo passe pertence ao Flamengo, foi sacado porque o Santos tem cinco jogadores emprestados por outros clubes e o regulamento do Paulista só permite o aproveitamento, entre titulares e reservas, de quatro emprestados.

Claudiomiro foi substituído por Andrei, cedido pelo Betis (Espanha). Os outros emprestados são Viola (Palmeiras), Rodrigo (Real Madrid) e Aristizábal (São Paulo).



Santos quer vingar tropeço interiorano (Em 09/05/1999)

Líder, time de Leão recebe em seu estádio o Barbarense, que já venceu os santistas e precisa de novo triunfo

O Santos tenta na partida de hoje contra o Barbarense, na Vila Belmiro, recuperar os três pontos perdidos para o adversário no jogo de ida, em Santa Bárbara d’Oeste.

É consenso entre os jogadores que aquela foi a pior apresentação da equipe no Paulista. O time perdeu por 2 a 0, na única vez em que o ataque santista não conseguiu marcar na competição.

A derrota foi uma do par sofrido pelo Santos no campeonato -a outra foi o 2 a 1 para o São Paulo- e a única para um time do interior.

“Temos de descontar os três pontos que perdemos naquela tarde em que não existimos. O time esteve realmente muito mal, e ninguém conseguiu se destacar”, afirmou o meia e capitão Jorginho.

Segundo ele, a “sonolência” da equipe naquele jogo decretou a derrota. Para o jogador, o time sucumbiu à rígida marcação e aos contra-ataques do adversário.

“Não estivemos no nosso normal, porque demos muita chance. Desta vez, vamos fazer uma marcação forte no campo deles, para diminuir os espaços”, declarou.

O técnico Emerson Leão também criticou o comportamento do Santos naquele jogo, mas ressalvou que, mesmo quando atua mal, o time consegue criar situações de gol. “Não deixamos de perder gols contra o Barbarense, sinal de que tivemos criatividade mesmo em um dia ruim”, declarou.

Além de tentar apagar a má impressão deixada no primeiro jogo contra o Barbarense, o Santos poderá ter uma dose adicional de estímulo para vencer a partida. A equipe entrará em campo, às 18h30, já sabendo do resultado do clássico entre Palmeiras e São Paulo, que jogarão às 16h, no Morumbi.
Um eventual insucesso do São Paulo proporciona ao Santos a chance de se aproximar do rival na classificação geral.

Santos e São Paulo lideram seus grupos -o Santos, com 26 pontos, no Grupo 4, e o São Paulo, com 32, no 3. Por considerar que a classificação para a semifinal já está garantida, o time tem como nova meta o primeiro lugar na soma geral de pontos da segunda fase.

O regulamento do Paulista garante a classificação e o título de campeão à equipe com melhor desempenho na fase anterior, em caso de dois empates contra os adversários da semifinal e final.

Por seu lado, o Barbarense precisa da vitória para se distanciar do Corinthians, que o derrotou por 3 a 1 anteontem e o alcançou na vice-liderança do Grupo 4. O time de Santa Bárbara, porém, tem a vantagem no saldo de gols.

Mudança faz equipe adotar receita do jogo aéreo

O atacante Viola se tornou o principal beneficiário do jogo aéreo do Santos depois que retornou à equipe. Ele marcou três dos seus cinco gols no Paulista de cabeça -em cruzamentos de Rodrigo (dois) e Alessandro.

As bolas alçadas na área adversária estão entre as principais alternativas ofensivas utilizadas pelo Santos no campeonato. Jogadores fizeram gols de cabeça -a partir de cruzamentos na área- em 7 dos 12 jogos disputados pelo Santos. Os gols de cabeça representam 25,8% do total de 31 que o time marcou na competição.

O atacante Alessandro afirma que o esquema tático adotado pelo técnico Leão favorece esse tipo de jogo. Quando o Santos está no ataque, ele e o meia Rodrigo frequentemente se posicionam como pontas ao estilo antigo.

“Como somos velocistas, conseguimos fazer a jogada de linha de fundo e cruzar a bola alta para o Viola”, afirmou Alessandro.

Rodrigo, cuja escalação para o jogo de hoje não estava garantida, vem se adaptando a uma função diferente da qual estava habituado e está se tornando um dos principais assistentes do Santos.

Viola atrai com marketing

Os gols e o marketing pessoal do atacante Viola devolveram ao jogador -após um período de 29 dias de afastamento devido a uma lesão muscular- a condição de principal alvo do assédio de torcida e da imprensa dentre os integrantes do grupo santista.

Antes da lesão, Viola havia participado de apenas quatro jogos pelo Paulista, sem conseguir fazer gols. Desde que retornou, duas semanas atrás, na vitória por 4 a 2 sobre o Corinthians, ele marcou em todas as três partidas e já é o artilheiro do Santos no Paulista, com cinco gols.

Depois dos três que fez na última quarta-feira contra a Portuguesa Santista, o atacante, cujo empréstimo termina em junho, passou a concentrar as atenções após declarar que o Betis (Espanha) e o Corinthians pretendiam contratá-lo -informação desmentida pela Parmalat, multinacional italiana que patrocina o Palmeiras e é proprietária de seu passe.

O técnico Leão atribui o estilo peculiar de Viola a uma estratégia de autopromoção e ao interesse em se valorizar, às vésperas do encerramento do seu atual contrato.

Dias antes do clássico contra o Corinthians, o treinador chegou a afirmar que o atacante estava “sentindo falta de jornal” depois de Viola dar a impressão de ter se machucado, ao cair no gramado durante um treino.

Para o técnico, Viola não vai fazer bom negócio se trocar o Santos por outro clube. “O que o Viola encontrou aqui não vai achar em lugar nenhum. Só fizemos bem ao Viola”, declarou Leão, em referência ao ambiente do jogador no clube e na cidade.

Viola diz que sua permanência depende exclusivamente do Santos, que tem a prioridade de compra do seu passe, avaliado em R$ 5 milhões.
Como já pagou R$ 800 mil pelo empréstimo, o clube teria de pagar outros R$ 4,2 milhões.

“A partir do momento em que terminar meu contrato e nenhuma das partes me chamar para conversar, vou deixar o número do meu telefone, pegar meus familiares e viajar para a Espanha. Estarei curtindo Valencia, e quem quiser poderá me encontrar lá”, afirmou o jogador.