Santos 0 x 0 Independiente-ARG

Data: 28/08/2018, terça-feira, 19h30.
Competição: Copa Libertadores – Oitavas de final – Jogo de volta
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 36.566 pessoas (33.642 pagantes e 2.924 não pagantes.)
Renda: R$ 964.598,50.
Árbitro: Julio Bascúnan (CHI).
Auxiliares: Carlos Astroza e Claudio Rios (ambos do CHI).
Cartões amarelos: Gustavo Henrique, Alison e Derlis González (S); Brítez e Bustos (I).

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo (Robson Bambu) e Diego Pituca; Alison (Jean Mota), Carlos Sánchez e Derlis González; Rodrygo, Gabriel e Bruno Henrique (Bryan Ruiz).
Técnico: Cuca

INDEPENDIENTE
Campaña; Figal, Brítez, Franco e Gastón Silva; Francisco Silva, Bustos (Domingo) e Pablo Hernández; Silvio Romero (Braian Romero), Meza e Gigliotti.
Técnico: Ariel Holan



Santos volta a empatar com o Independiente e aguarda pela Justiça

Em partida de pouca criatividade e muita “pilha”, o Santos empatou em 0 a 0 com o Independiente-ARG na noite desta terça-feira, no Pacaembu. Com o resultado, o Peixe está por ora eliminado por conta da punição da Conmebol. A partida terminou antes do fim, aos 35 minutos do segundo tempo, por conta de arremessos de bomba e tentativas de invasão ao gramado.

A confederação declarou o Peixe como derrotado por 3 a 0 na ida, em Avellaneda, pela suposta escalação irregular de Carlos Sánchez. Em campo, as equipes empataram em 0 a 0 lá.

O alvinegro promete ir até as “últimas consequências” pela reversão do resultado. Se obter sucesso, o 0 a 0 da ida seria mantido e, com o mesmo placar na volta, a Conmebol precisaria encontrar solução, como uma disputa de pênaltis ou nova partida entre os clubes.

Se não obter sucesso, o Santos será eliminado nas oitavas de final da Libertadores. O Independiente espera para enfrentar Racing ou River Plate nas quartas.

O jogo

Motivado pela decisão da Conmebol, o Santos transformou a raça em pilhação e errou muitos passes, exagerou nas faltas e pouco criou.

A maioria das jogadas foram tentadas pelo alto – e em vão. O melhor lance veio numa arrancada de Rodrygo, com passe perfeito para Gabigol. O camisa 10, sozinho, parou no goleiro Campana, aos sete minutos.

O Independiente, copeiro, picou o jogo, valorizou cada saída de bola e deixou o tempo passar.

O Peixe só voltou a finalizar aos 30 minutos, quando Derlis González atravessou o jogo e Bruno Henrique chutou colocado, mas fraco, para o goleiro encaixar.

Aos 38, Sánchez enfiou boa bola para Gabigol na ponta direita. O atacante chutou cruzado e Campana desviou para escanteio.

E aos 43, quase veio o castigo. Sánchez cobrou um de vários escanteios ruins e, após contra-ataque perfeito, o goleiro Vanderlei cometeu pênalti com a defesa exposta e três dos visitantes contra um. O camisa 1 deu esperança à equipe e defendeu a cobrança de Meza.

A nova tentativa do técnico Cuca num 4-4-2 com quatro atacantes não funcionou, mesmo com o diferencial de Rodrygo pela esquerda e Bruno Henrique por dentro. Faltou criatividade na etapa inicial.

O Santos voltou para o segundo tempo com esquema tático diferente (e corrigido). Bryan Ruiz entrou na vaga de Bruno Henrique.

Sem quatro atacantes, o Peixe passou a criar mais. Aos seis minutos, Victor Ferraz cruzou e Gabigol, na pequena área, desviou para fora. E aos 10, Sánchez cruzou, Bryan Ruiz e Gustavo Henrique desviaram e a bola foi para fora.

A resposta do Independiente veio quando o placar marcava 17 minutos. Francisco Silva chutou de fora da área e Vanderlei se esticou inteiro para defender com a ponta dos dedos.

O Independiente passou a dominar o jogo e ficar mais perto do gol. O Santos piorou com o passar do tempo e viu uma bola no travessão de Vanderlei, em chute de Hernández aos 28.

Aos 35, após uma bomba no gramado, o jogo foi paralisado. Outras foram arremessadas e, com tentativas de invasão e policiamento em campo, a arbitragem encerrou a eliminatória.

Bastidores – Santos TV:

Cuca não poupa Santos por erro com Sánchez: “Tem que melhorar muito”

O técnico Cuca não teve papas na língua ao falar sobre o episódio envolvendo o uruguaio Carlos Sánchez, que, segundo a Conmebol, foi escalado de maneira irregular no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, contra o Independiente, em Avellaneda. Após a partida, que foi cancelada por falta de segurança nesta terça-feira, no Pacaembu, o treinador santista foi bastante crítico à diretoria do clube.

“Podem amanhã até me mandarem embora, mas tenho que falar: o Santos tem que melhorar muito profissionalmente, internamente, muito, não é pouca coisa. Isso que ocorreu é um erro muito grave, porque é o bê-a-bá, isso resulta em tudo o que aconteceu hoje, sem poder dormir em cima dos erros que foram causados, que não foram por nós, mas de uma forma geral é nosso, porque é o Santos”, afirmou Cuca.

Revoltada por conta da decisão da Conmebol em punir o Santos, a torcida do clube ameaçou invadir o gramado já na reta final da partida. Alguns torcedores chegaram a pular o alambrado do estádio, mas foram contidos pelos policiais. Um deles, inclusive, fez com que Cuca se intrometesse na confusão, pedindo aos militares para que maneirassem na forma com a qual lidava com os santistas mais exaltados.

“Quero poder ajudar o Santos com a experiência que eu tenho vivida em outros clubes, até recentemente, nos clubes de São Paulo, poder mostrar algum caminho para o pessoal, mas o pessoal tem que abrir os braços, melhorar junto”, completou Cuca.

Com a eliminação na Copa Libertadores, o Santos terá apenas o Campeonato Brasileiro para disputar até o final da temporada. Atualmente, o time figura na 12ª colocação na tabela, último posto que garante vaga na Copa Sul-Americana do ano que vem. Basta saber se a diretoria irá manter Cuca no cargo mesmo após as duras críticas por conta da falta de profissionalismo de quem hoje dirige o Peixe.

Cuca se envolve em confusão com a PM para defender torcedor

O técnico Cuca se envolveu em uma grande confusão na noite desta terça-feira, após o fim adiantado do confronto com o Independiente, no Pacaembu, pela volta das oitavas de final da Copa Libertadores. Isso porque o treinador santista foi tentar defender um dos torcedores detidos pelos policiais, fato que não agradou os militares.

Segundo Cuca, a força que estava sendo utilizada pelos soldados para deter os torcedores que invadiram o gramado era desnecessária. Além da invasão, pedaços de cadeiras, sinalizadores e bombas foram arremessadas no gramado, o suficiente para que a Polícia Militar entrasse em confronto com os santistas.

“Quando estava saindo de campo, um torcedor tentou invadir, os policiais o detiveram, mas do jeito que o menino estava, tentei tirar a gravata que o policial deu nele, porque o olho dele já estava saindo, ele estava desesperado. Faria isso por qualquer pessoa. Queria só tirar a mão do policial, “você está matando o menino, calma, não precisa fazer tanta força assim”. Faria isso por um argentino, brasileiro, qualquer um. Força exagerada demais em cima do menino, não era necessário”, disse Cuca em entrevista coletiva.

Ao lado de seguranças do Santos e alguns jogadores, Cuca rapidamente se viu cercado pela imprensa, policiais e outras pessoas que tinham acesso ao gramado. Apesar da grande confusão, o treinador conseguiu se dirigir ao vestiário posteriormente e, mais calmo, explicou a situação, garantindo que não possui qualquer rusga com a polícia.

“Está errado o rapaz de invadir o campo, mas não precisava disso. Mas não teve o que falaram, não levei porrada, só fui tentar acalmar uma situação, o Vladimir também estava. Enfim, já passou. Não tem nada demais, respeito e muito o trabalho da polícia, sempre vou respeitar”, completou.

Com o fim da partida aos 37 minutos do segundo tempo, o Santos foi eliminado da Libertadores graças à Conmebol, que decidiu penalizar o Peixe com uma derrota simbólica de 3 a 0 após a escalação de Carlos Sánchez, que, na visão da entidade, tinha de ter cumprido suspensão no jogo de ida contra o Independiente.

Victor Ferraz desabafa após eliminação no Santos: “Um dos piores dias da minha vida”

Capitão do Santos, Victor Ferraz desabafou após o empate em 0 a 0 com o Independiente na noite desta terça-feira, no Pacaembu, e a eliminação nas oitavas de final da Libertadores da América.

O lateral-direito lamentou a decisão da Conmebol – ainda mais por ter sido horas antes da partida -, e se colocou no lugar do torcedor santista.

“Sou um cara extremamente centrado, mas até para mim foi muito difícil. Você se sente incapaz. Fugiu do que a gente poderia fazer. Se a gente toma os 3 a 0 na ida, a culpa era nossa. Agradecemos ao torcedor que acreditou, mas não deu. Era o jogo da minha vida. Acordei de manhã, olhava a internet, não tinha saído o resultado, dormia mais um pouquinho. São duas copas perdidas estranhamente”, disse Victor Ferraz.

“Agora, com a cabeça mais fria, ele (árbitro) foi prudente. A situação era perigosa. Eu queria na hora que ele não acabasse o jogo. Sabia que não faríamos três gols, mas queria pelo menos um, para que a nossa luta tivesse recompensa. O futebol é feito para os torcedores. Os caras pegaram dois dias de ônibus para um jogo que não valeu (em Avellaneda) Recebemos várias mensagens de torcedores que fizeram loucuras para nos ver. Isso não valeu de nada. O jogo não valeu, a Conmebol tirou o resultado. Fomos com a motivação, apoio da torcida. Fizemos o que dava. Essa noite foi uma das piores da minha vida”, completou.

Gabigol mininiza chances perdidas: “Decidiram o jogo fora do campo”

Gabigol perdeu as duas principais chances do Santos, uma em cada tempo, no empate em 0 a 0 com o Independiente na noite desta terça-feira, no Pacaembu. O camisa 10, porém, minimizou os lances.

“Não foi isso que decidiu. O jogo foi decidido fora do campo. Fomos muito prejudicados. Ficamos tristes pela confusão, não queremos brigas, mas entendemos a revolta. Fomos injustiçados na Copa do Brasil (contra o Cruzeiro) e hoje resolveram fora de campo”, disse o atacante.

O Santos promete recorrer na Conmebol, mesmo que não tenha vencido. A confederação declarou o Peixe derrotado por 3 a 0 por conta da escalação irregular de Carlos Sánchez na ida das oitavas de final da Libertadores da América, em Avellaneda. Se o departamento jurídico conseguir, o 0 a 0 seria mantido e, com a nova igualdade no Pacaembu, alguma solução teria que ser tomada, como apenas uma disputa de pênaltis.

“Se derem 0 a 0 lá e 0 a 0 aqui, a gente vem e bate os pênaltis, a torcida iria comparecer, mas é difícil”, explicou.

Por fim, Gabriel prometeu entrega máxima do elenco até o fim do ano, mesmo sem a disputa de títulos. O Santos tem apenas o Campeonato Brasileiro e é o 12º colocado, com 24 pontos.

“Estamos jogando no Santos, um clube imenso, com uma grande torcida. Não há motivação maior. Se só tivesse amistosos até o fim do ano, teríamos a mesma vontade”, concluiu.

Rodrygo diz que faria o mesmo da torcida e lamenta última Libertadores

A partida entre Santos e Independiente-ARG terminou em 0 a 0 antes do fim por conta de atos de parte da torcida – tentativas de invasão e bombas arremessadas ao gramado. Em entrevista após o apito final, Rodrygo entendeu o ocorrido e disse que faria o mesmo.

“Eu sou torcedor, sei como é, e faria a mesma coisa dos santistas no estádio. A gente ficou tranquilo (com as bombas e tentativas de invasão”, disse o atacante.

A joia disse que todos sabiam da dificuldade de reverter o 3 a 0 imposto pela Conmebol na ida pela escalação irregular de Carlos Sánchez, mas acreditava numa virada histórica.

“Entramos tentando fazer história, mas sabíamos que seria difícil. Uma vez ou outra isso acontece”, afirmou.

Por fim, Rodrygo lamentou a última Libertadores pelo Santos. Ele se apresentará no Real Madrid em julho de 2019 e só poderá atuar num possível retorno à Vila Belmiro.

“Não sei quando vou jogar Libertadores de novo pelo Santos. Fico muito triste. Posso jogar se talvez eu voltar um dia”, concluiu.