Corinthians 2 x 0 Santos

Data: 06/12/1998, domingo, 18h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinais – 2º jogo de 3
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 37.370
Renda: R$ 631.650,00
Árbitro: Francisco Dacildo da Silva Mourão Albuquerque (CE).
Cartões amarelos: Gilmar e Didi (C); Eduardo Marques, Róbson Luís e Alessandro (S).
Cartão vermelho: Narciso (32-1, S)
Gols: Marcelinho Carioca (27-1, de pênalti) e Edílson (15-2).

CORINTHIANS
Nei; Índio, Batata, Gamarra e Silvinho; Gilmar (Ricardinho), Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca; Edílson e Didi (Dinei).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Jorginho) e Róbson Luis (Fernandes); Alessandro (Élder) e Viola.
Técnico: Emerson Leão



Corinthians vence Santos e “catimba”

Time de Vanderlei Luxemburgo derrota rival em jogo nervoso e reverte vantagem na semifinal do Brasileiro

Em partida nervosa, marcada por muitas discussões e empurra-empurra entre os atletas, o Corinthians bateu o Santos por 2 a 0, ontem, no Pacaembu, e reverteu a vantagem do rival nas semifinais do Campeonato Brasileiro.

As duas equipes voltam a se enfrentar na quarta-feira à noite no mesmo Pacaembu. Para passar à final, o time de Vanderlei Luxemburgo, que fora derrotado no primeiro jogo em Santos, por 2 a 1, depende agora de um empate.

O clássico paulista de ontem já começou truncado. Até os 15 minutos iniciais, os times haviam cometido 15 faltas -oito do Santos e sete do Corinthians.

Após a abertura de placar e a expulsão de Narciso, ainda no primeiro tempo, os corintianos passaram a evitar as discussões.

O árbitro cearense Francisco Dacildo Mourão, porém, foi pouco rigoroso durante todo o jogo. Complacente com as jogadas faltosas, mostrou apenas dois cartões amarelos, além do vermelho a Narciso, durante os 90 minutos.

Com dois jogadores abertos nas pontas -Alessandro na direita e Robson Luís na esquerda-, o Santos era mais perigoso no início com o avanço dos laterais.

Mas o time de Emerson Leão começou a dar liberdade a Vampeta, que centralizava a ligação com o ataque no meio-campo.

Aos 9min, o Corinthians quase abriu o placar após tabela de Vampeta e Marcelinho. Na área, Edílson recebeu de Vampeta e, livre, bateu em cima de Zetti.

A torcida santista só se animou quando Zetti deixou a área aos 16min para desarmar o atacante Didi e, na sequência, dar um chapéu em Edílson.
Mas a equipe santista não acertou a marcação e deu espaço para que o adversário chegasse com perigo próximo à área.

Aos 23min, o lateral Índio invadiu a área e foi desarmado por Claudiomiro, em jogada que os corintianos pediram pênalti.

Um minuto depois, em lance parecido, Edílson entrou na área santista e foi derrubado por Claudiomiro. Pênalti que, aos 27min, Marcelinho converteu, chutando fraco no canto esquerdo de Zetti.

O gol desestruturou ainda mais os santistas, que passaram a tentar pressionar o árbitro Dacildo Mourão e trocar empurrões com os corintianos a cada lance faltoso.

Aos 32min, Narciso foi expulso após cometer falta violenta em Marcelinho. Antes de deixar o campo, ainda tentou brigar com Rincón e Vampeta.

Com um atleta a mais, o time de Vanderlei Luxemburgo passou a ter mais facilidade nos avanços.

Aos 41min, Vampeta recebeu passe de calcanhar de Rincón e cruzou com perigo.

Na última oportunidade no primeiro tempo, Marcelinho bateu falta por cima do gol aos 46min.

No intervalo, antes de descer ao vestiário, o técnico Emerson Leão foi reclamar com o juiz cearense.

Na segunda etapa, o Santos não acertou a marcação do meio para trás e continuou permitindo os avanços perigosos corintianos.

Além disso, o time de Wanderley Luxemburgo contava com mais um meia ofensivo -Ricardinho substituiu Gilmar no intervalo- e com os deslocamentos de Edílson, que confundia ainda mais o sistema defensivo santista.

E foi Edílson quem ampliou o placar aos 15min. Livre dentro da área, o meia apenas desviou de cabeça cruzamento de Marcelinho.

Um minuto depois, Marcelinho roubou a bola na intermediária santista e tocou para Didi. O atacante acionou Edílson, que invadiu a área mas chutou em cima do goleiro Zetti.

Edílson teve nova oportunidade aos 22min, mas tentou driblar um defensor santista antes de finalizar e teve o chute bloqueado.

O Corinthians ainda teve chance para ampliar aos 36min, quando Dinei recebeu de Edílson e bateu à direita do gol de Zetti.

Treinador sintetiza nervosismo santista

O técnico Emerson Leão sintetizou a imagem do nervosismo santista durante o jogo de ontem. Tanto no intervalo quanto no final da partida, o técnico santista fez questão de reclamar com o trio de arbitragem.

Segundo Leão, o juiz cearense Francisco Dacildo Mourão teve apenas um erro durante os 90 minutos de jogo, “capital’ em sua opinião de técnico. “Ele deveria ter expulsado o Narciso e o Marcelinho antes de dar o vermelho para o nosso jogador. Eles trocaram socos na frente dele”, afirmou Leão, sobre o aumento da dificuldade de seu time após a expulsão de Narciso, aos 32min do primeiro tempo.

O treinador fez questão de ressaltar que concordava com a marcação do pênalti que originou o primeiro gol corintiano e com o cartão vermelho a Narciso, mas não deixou de fazer críticas a um dos bandeirinhas.

No final da partida, ele se dirigiu ao paulista Válter José dos Reis e cobrou sua participação no jogo em voz alta. “Não tenho mais nada a reclamar da arbitragem, só acho que esse paulista careca é muito ruim”, justificou Leão.

O bandeirinha preferiu ironizar a situação: “Ele deve estar preocupado, pois o time dele perdeu. Mas eu não sou artilheiro e não posso fazer nada”.

Derrota merecida

Já os jogadores preferiram um mea-culpa e admitiram que mereceram a derrota. Segundo o zagueiro Argel, o time não teve competência para manter a vantagem de jogar os dois jogos por dois empates.

“Temos que ser mais inteligentes, saber a hora certa para atacar e a hora para recuar.”

Mas o atleta santista minimizou a perda de vantagem. “O que o Corinthians ganhou? A vantagem do empate, que nós tínhamos hoje e acabamos perdendo”, afirmou.

Já o meia Claudiomiro, que vem jogando improvisado de zagueiro, admitiu culpa nos lances que levaram aos dois gols corintianos. “Reconheço que errei nos dois gols, mas também o time deu muito espaço e todos têm que reconhecer que erraram”, afirmou o jogador.

Pelé faz oferta aos santistas

O Santos estuda uma proposta da Pelé Sports & Marketing para transformar seu departamento de futebol profissional em empresa, o que adequaria o clube à determinação da Lei Pelé.

Segundo o presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, além da empresa de Edson Arantes do Nascimento, o clube também está sendo sondado por outras companhias.

“O banco Bozano, Simonsen também já nos procurou. Mas vamos analisar com calma para escolher o que for melhor para o clube”, afirmou o dirigente.
O Corinthians acerta acordo semelhante com o banco Icatu, com duração de 20 anos.

Santos vai punir Narciso (Em 08/12/1998)

O volante Narciso será punido com multa pela diretoria do Santos devido à expulsão no clássico do último domingo em que o time perdeu por 2 a 0 para o Corinthians, no Pacaembu.

A avaliação do técnico Leão e dos dirigentes é de que a expulsão foi determinante para a derrota da equipe, que precisa vencer amanhã para ir à final.

“O atleta é reincidente. Isso (a expulsão) prejudicou não só ele como toda a equipe”, disse o vice-presidente José Paulo Fernandes ao justificar a multa, de valor não revelado.

Narciso afirmou que acatará a punição, mas disse não se sentir arrependido pelo episódio que resultou na expulsão -uma falta violenta sobre o meia Marcelinho, do Corinthians.

“Não me arrependo de nada do que fiz. A única coisa da qual me arrependo é de ter deixado minha equipe com dez homens em campo”, declarou Narciso, capitão do time.

Ele afirmou que o lance foi decorrência de “uma dose excessiva” de vontade. “Acho que acabei ultrapassando um pouco o limite. Mas meu pensamento não era pegá-lo (Marcelinho). Era pegar a bola”, disse.

A diretoria e a comissão técnica discutiam a possibilidade de ingressar no tribunal da CBF com um pedido de efeito suspensivo da expulsão de Narciso, para que o jogador possa atuar na partida decisiva. As chances de êxito são pequenas devido ao prazo curto para adotar qualquer medida, já que o jogo é amanhã.

Ontem, o técnico Leão promoveu uma reunião a portas fechadas com os jogadores para tentar recuperar o moral do time.



Dupla gaúcha motiva o Santos

Apesar de possuir o ataque mais positivo do Brasileiro (54 gols), o Santos confia no retrospecto de sua dupla de zaga para tentar garantir no jogo de hoje uma das vagas para a final do campeonato.

O time não perdeu nenhum jogo em que a zaga foi formada pelos gaúchos Argel, zagueiro de ofício, e Claudiomiro, volante improvisado no setor. Foram cinco jogos, com quatro vitórias e um empate.

Nas ocasiões em que os dois estiveram juntos, mas em setores diferentes (Claudiomiro como volante, no meio-campo), os números também foram positivos. Em nove jogos, foram quatro vitórias, quatro empates e apenas uma derrota.

A formação da dupla foi a maneira encontrada pelo técnico Emerson Leão para dar equilíbrio à zaga. À exceção de Claudiomiro, todos os demais zagueiros do grupo (Argel, Jean e Sandro) são destros.

Foi somente na oitava rodada da primeira fase que Leão achou a solução para o problema, escalando Claudiomiro no lado esquerdo da zaga, ao lado de Jean -naquela partida, Argel cumpriu suspensão.

“Nossos temperamentos são iguais, temos personalidades parecidas. Somos criados na mesma escola gaúcha”, afirma Argel, natural de Santa Rosa.

Para Claudiomiro, nascido em Santana do Livramento, o segredo da dupla é a “intimidade” -os dois são companheiros de quarto nas concentrações.

“A presença dos dois é garantia de jogo eficiente”, afirma Leão.