Palmeiras 3 x 2 Santos

Data: 03/11/2018, sábado, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 32ª rodada
Local: Allianz Parque, em São Paulo, SP.
Público: 38.938 pagantes
Renda: R$ 2.723.126,86
Árbitro: Braulio Machado
Auxiliares: Kleber Lucio Gil e Neuza Ines Back.
Cartões amarelos: Edu Dracena, Dudu Lucas Lima (P); Diego Pituca, Victor Ferraz, Luiz Felipe, Derlis González e Gabriel (S).
Cartão vermelho: Diego Pituca (S).
Gols: Dudu (13-1) e Edu Dracena (39-1); Copete (09-2), Dodô (19-2) e Victor Luis (25-2).

PALMEIRAS
Weverton; Jean (Guerra), Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis; Thiago Santos, Bruno Henrique e Lucas Lima (Felipe Melo); Gustavo Scarpa, Dudu e Borja (Deyverson).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Dodô; Alison (Bryan Ruiz), Diego Pituca e Sánchez; Rodrygo (Copete), Derlis González (Bruno Henrique) e Gabriel.
Técnico: Cuca



Palmeiras passa sufoco, mas vence Santos e abre sete pontos na liderança

O Palmeiras é mais líder do que nunca. Neste sábado, o Verdão passou sufoco, mas venceu o Santos por 3 a 2 em clássico no Allianz Parque, e abriu sete pontos de vantagem sobre o segundo colocado Flamengo (que enfrenta o São Paulo, domingo, no Morumbi). São 17 partidas de invencibilidade da equipe de Luiz Felipe Scolari, que terá mais seis jogos para tentar confirmar o título.

A derrota faz o Santos desperdiçar a oportunidade de aparecer no G-6 do Brasileirão. O Peixe permanece em sétimo, com 46 pontos, mesmo número do Atlético-MG, sexto, derrotado em casa pelo Grêmio nesta rodada.

O jogo

O Palmeiras atropelou o Santos no primeiro tempo. Para quem esperava um Verdão cabisbaixo e desanimado pela eliminação na semifinal da Copa Libertadores, se surpreendeu e presenciou o poder de Luiz Felipe Scolari em transformar a frustração em ânimo.

Comandado por Dudu e com Thiago Santos fazendo uma partida inspirada, os donos da casa dominaram o clássico desde o início. E pelo lado direito, setor formado por duas incógnitas – Gustavo Scarpa, voltando a ser titular, e Jean, retornando após lesão e criticado pela torcida – o Maior Campeão do Brasil abriu o placar.

Aos 13 minutos, Weverton mostrou qualidade na saída de bola e abriu com Jean. O lateral avançou desde o campo de defesa e esperou o momento certo para fazer a enfiada para Borja, quando Gustavo Henrique desmontou a linha santista para sair na marcação. O colombiano girou e chutou forte, Vanderlei espalmou e Dudu empurrou para as redes.

Maior artilheiro do Allianz Parque (26), o Baixola se tornou com o tento sobre o rival o maior goleador do Palmeiras neste século, igualando Vagner Love (54). Para animar ainda mais os palestrinos, todas as vezes que Dudu marcou na casa alviverde, o Verdão nunca perdeu. E a profecia se manteve.

Desorganizado em campo, o Santos teve apenas Derlis González e Gabigol buscando o jogo, mas com ambos apagados em campo. A falta de inspiração alvinegra se refletiu nos números: ao final do primeiro tempo, os visitantes terminaram com 58% de posse de bola, mas apenas uma finalização, já aos 43 minutos, quando já perdiam por 2 a 0.

Quatro minutos antes, com 39 jogados, a bagunça praiana apareceu também no sistema defensivo. Dudu cobrou escanteio para a área e Dodô, de 1,77m, não conseguiu impedir o cabeceio de Edu Dracena, 10cm mais alto que o lateral. Resultado: o camisa 3 mandou para as redes e anotou seu primeiro gol em 107 jogos pelo clube.

O Santos não se encontrava em campo, mas Cuca precisou de apenas 15 minutos para arrumar sua equipe. O treinador voltou do intervalo com Bryan Ruíz e Copete nas vagas de Alison e Rodrygo, o suficiente para voltar a criar. Com apenas dois jogados, o Peixe criou mais do que nos 45 iniciais e quase descontou com Derlis González.

O jogo ficou aberto e o Palmeiras teve oportunidades de matar o clássico com Dudu, que levou azar na conclusão, e Gustavo Scarpa, que quase anotou um golaço no ângulo. Após as chances perdidas, porém, o Palestra foi punido.

Aos nove, Dodô levantou na área e, após desvio, Edu Dracena tentou um chutão, mas espanou. A bola sobrou para Copete, que estava em posição de impedimento, mas o desvio errado do palmeirense anulou a condição irregular do colombiano, que mandou no ângulo de Weverton.

Todo o nervosismo esperado pelos mandantes antes do jogo apareceu com o primeiro gol santista. O Peixe passou a dominar a partida e chegou ao empate aos 19 minutos. Copete cruzou, Edu Dracena foi mal de novo, desta vez em disputa com Derlis González, e a bola sobrou para Dodô, que chutou por baixo de Weverton na saída do goleiro.

O jogo era outro em relação ao primeiro tempo e o nervosismo era palpável nos mais de 38 mil presentes no Allianz Parque, incluindo os 11 vestindo verde no gramado. Sofrendo muito com os avanços de Copete e Dodô, Felipão deslocou Thiago Santos para a lateral direita, abriu Jean pelo mesmo lado do ataque, e sacou Lucas Lima para a entrada de Felipe Melo, deixando Gustavo Scarpa centralizado.

A alteração não foi positiva para o líder do Campeonato Brasileiro, que perdeu o controle do jogo, mas foi então que a sorte sorriu para o Alviverde. Aos 25 minutos, Victor Luis cobrou falta com força, a bola tocou nas costas de Derlis González e foi no canto. Apesar do desvio, Vanderlei chegou bem no chute defensável, mas falhou e permitiu o gol da vitória palmeirense.

Com o Palmeiras de novo na frente, Felipão teve a percepção de fazer uma nova mudança para acertar a equipe e tirou Jean para a entrada de Guerra. No Santos, Cuca também mexeu e colocou Bruno Henrique na vaga de Derlis González.

A situação do time praiano piorou na reta final com a expulsão de Diego Pituca, que levou o segundo cartão amarelo. Mesmo assim, o Peixe se lançou ao ataque para o tudo ou nada e chegou a pressionar pelo novo empate com bolas levantadas na área, mas terminou o clássico derrotado.

Cuca elogia gringos e manda recado aos santistas: “Não podem ficar decepcionados”

Autêntico, como quase sempre costuma ser, Cuca não escondeu seus sentimentos após a derrota do Santos para o Palmeiras no clássico desse sábado, no Allianz Parque. A reação alvinegra depois do rival abrir dois gols de vantagem mexeu com o brio do técnico santista, que mesmo frustrado, fez questão de passar o orgulho que sua equipe lhe deu na etapa final.

“Dominamos o segundo tempo inteiro, posse de bola foi o dobro e tivemos a chance de fazer o 3 a 3, mesmo tomando gol numa infelicidade. A bola desviou em algum jogador o efeito acabou traindo o Vanderlei”, avaliou Cuca, responsável por uma mudança tática do Peixe para os últimos 45 minutos do jogo. .

“Mesmo com 2 o 2, a gente sentiu o Palmeiras fechar o time, pondo marcador, tirando meia, porque o jogo estava para nós, e com o Bruno (Henrique) para entrar. Íamos para ganhar o jogo”, explicou, antes de mandar um recado direcionado aos torcedores.

“Lamentamos a derrota, mas jogamos para ganhar. O torcedor pode ficar triste, mas não decepcionado. Ficamos com um a menos (Pituca expulso), e ficamos com o segundo a menos com a lesão muscular do Luiz Felipe. E, mesmo com nove, o jogo estava perigoso para o Palmeiras até o fim”, disse.

“Não acho que estava um pouco melhor, a gente estava bem melhor. O jogo estava a nossa feição, se desenhando e tínhamos mais uma troca para fazer. O jogo estava para nós. A fatalidade nos tirou os três pontos”, completou.

Cuca também falou sobre as participações de Bryan Ruiz e Copete. O costarriquenho e o colombiano foram, talvez, os grandes responsáveis por uma mudança de postura do Santos no jogo e pela busca do empate em pouco tempo. O primeiro a receber elogios foi Bryan Ruiz.

“Entrou bem no jogo, estava difícil o controle da bola, campo molhando, adiantamos o Sánchez, pusemos o Pituca como primeiro volante, o Palmeiras sentiu isso, tanto que colocou um volante, desafogou um pouco. Ele está melhorando no aspecto físico, daqui a pouco ele tem condição de jogar um jogo inteiro”.

As sequência, Cuca falou sobre Copete.

“Ele está trenando bem, está pedindo para jogar e nós vamos dar um jeito de fazer ele jogar. Chega nessa época aqui, quem está com mais força é quem vai jogar. Entrou bem, em um jogo que precisava de força, de bola aérea. Melhoramos muito, perdeu gol, fez outro, é profissional que treina bem e não reclama de nada”, concluiu o treinador.

Cuca avalia falha de Vanderlei e admite preocupação com desfalques

O prejuízo do Santos no primeiro tempo do clássico contra o Palmeiras durou pouco tempo. Com nova postura e um time modificado, os santistas rapidamente chegaram à igualdade na etapa final. O que ninguém esperava é que uma falha de Vanderlei pudesse garantir a vitória alviverde no Allianz Parque.

A frustração foi inevitável depois do camisa 1 aceitar cobrança de falta de Vitor Luis, mas Cuca fez questão de sair em defesa de seu goleiro na entrevista coletiva concedida logo após o revés nessa 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.

“A bola desviou na barreira, campo molhado. O Vanderlei tem muito crédito, nos salvou muitas vezes, como no primeiro tempo. São coisas que ocorrem”, resumiu o técnico do Peixe, preocupado mesmo é com os desfalques para o confronto com a Chapecoense, na próxima rodada.

“Agora, vamos nos mobilizar. Perdemos jogadores suspensos, machucados, mas vamos fazer força para atingir objetivo, que é a vaga na Libertadores”.

Gabriel, Victor Ferraz e Pituca terão de cumprir suspensão. Além do trio, o zagueiro Luiz Felipe sentiu uma lesão muscular no clássico e Lucas Veríssimo ainda não está 100% recuperado.

Evitando pegar pesado com o árbitro Braulio Machado, Cuca não concordou principalmente com o cartão apresentado ao seu camisa 10.

“(Deu cartão) porque ele (Gabriel) jogou a bola, disse o árbitro. Mas ele não jogou a bola. A arbitragem foi boa, mas foi muito rigorosa nos cartões. Os jogadores estão todos pendurados nessa fase, mas é cartão, cartão. Mas, ele não apitou mal, não”.

Foi a primeira vez de Cuca no Allianz Parque desde que largou o comando do clube alviverde, equipe por onde atuou como jogador e também conquistou, como técnico, o título Brasileiro de 2016. Em uma rápida análise do hoje rival, Cuca ainda não enxerga o campeonato encaminhado ao Verdão.

“Para mim, foi prazeroso. Lugar muito bom, tive uma conquista maravilhosa aqui. Foi bom, podia ser melhor, se tivesse um resultado melhor, mas fica um orgulho por ter representado o Santos hoje. Tinha quatro (pontos de diferença para o vice-líder), passou a sete, pode voltar a quatro, mas no futebol tudo pode acontecer. Próximo jogo é lá em Minas, não tem nada definido. Tem muita coisa para rolar”, concluiu.