Portuguesa 0 x 2 Santos

Data: 16/09/1995, sábado.
Competição: Campeonato Brasileiro – 7ª rodada
Local: Estádio do Canindé, em São Paulo, SP.
Público: 4.977 pagantes
Renda: R$ 47.055,00
Árbitro: João Paulo Araújo (SP)
Cartões amarelos: Roque e Rodrigo Fabri (P); Marcos Adriano, Marquinhos Capixaba e Robert (S).
Gols: Robert (16-1) e Giovanni (04-2).

PORTUGUESA
Neneca; Edinho, Jorginho, Luisão e Zé Roberto; Capitão, Roque, Betinho (Leandro Amaral) e Rodrigo Fabri; Leto e Tiba.
Técnico: Levir Culpi.

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Jean e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos (Whelliton), Giovanni e Robert; Jamelli e Camanducaia.
Técnico: Cabralzinho



Técnico do Santos atribui vitória à defesa

A melhora no posicionamento da defesa foi o segredo da vitória do Santos contra a Portuguesa, anteontem, no Canindé, por 2 a 0. A opinião é do técnico Cabralzinho.

“O segredo é jogar com simplicidade”, disse o treinador santista, referindo-se ao sistema defensivo. “Zagueiro não pode pensar em enfeitar os lances, tem que jogar o feijão-com-arroz.”

Cabralzinho elogiou os jogadores do Santos, que, segundo ele, estão assimilando seu sistema de jogo. “O entrosamento está melhorando.”

O treinador, que ao assumir o comando da equipe tinha dito que o entrosamento só viria na metade do Brasileiro, negou que pretenda priorizar a Supercopa dos Campeões da Libertadores.

Na estréia do Santos no torneio, na semana passada, contra o Independiente, na Argentina, a equipe empatou em 1 a 1.

“Não há muito tempo para decidirmos priorizar um ou outro torneio. O importante é jogar o melhor futebol que pudermos quando entrarmos em campo.”
O técnico santista também ficou satisfeito com o toque de bola apresentado contra a Portuguesa.

“Tocamos bem a bola, envolvendo a Portuguesa. Assim fica mais fácil, porque os jogadores não precisam correr tanto.”

O lateral Marcos Adriano, que já defendeu São Paulo e Flamengo e estreou anteontem no Santos, ficou satisfeito com sua atuação.

“Deu para mostrar um bom futebol”, disse. “Com uma sequência de jogos, o time ainda vai evoluir muito.”

A atuação do juiz João Paulo Araújo foi criticada pelas duas equipes. A Portuguesa acusou o árbitro de marcar um impedimento inexistente e de não assinalar pênalti de Marquinhos Capixaba no lateral Zé Roberto. O Santos reclamou de pênalti do goleiro Neneca em Camanducaia.

Edinho acha defesa ‘melhor’

O goleiro Edinho, 25, do Santos, teve participação decisiva no jogo contra a Portuguesa, anteontem.

Aos 23min do primeiro tempo, o juiz João Paulo Araújo marcou um pênalti de Marcos Adriano em Tiba, quando a partida estava 1 a 0 e a Portuguesa pressionava.

A cobrança de Betinho foi defendida pelo goleiro, que saltou para seu lado direito. Além dessa, Edinho fez apenas mais uma defesa, já que o ataque da Portuguesa esteve apático.

Na volta para o segundo tempo, Edinho teve seu nome gritado pela torcida. Nos últimos jogos, a torcida vinha vaiando o goleiro e pedindo a sua saída da equipe.

Repórter – Hoje a torcida grita seu nome…
Edinho – Isso é por causa do pênalti que defendi.

Repórter – Você acha que foi um lance decisivo dentro da partida?
Edinho – Acredito que tenha sido um lance muito importante, porque a Portuguesa estava um pouco melhor naquele momento e, se marcassem o gol, no mínimo eles voltariam para o segundo tempo com o empate. Teriam mais tranquilidade.

Repórter – A defesa esteve mais segura hoje. A situação está melhorando?
Edinho – O entrosamento está melhorando. Desde a partida contra o Atlético-MG (no sábado passado) já deu para sentir que a defesa estava melhor. A partida ficou difícil porque o Marcos Paulo foi expulso.

Repórter – O recuo dos jogadores de meio para a defesa, principalmente do volante Gallo, é fundamental?
Edinho – Acho necessário que haja sempre um meio-campista reforçando a defesa.
Tem sempre um adversário chegando como elemento surpresa, nossos zagueiros saem da área para dar combate, ou para ficar na cobertura, o que desguarnece o setor.

Repórter – Então essa é a forma ideal de jogar?
Edinho – Quanto a isso, eu não opino. Isso é com o treinador.

Edinho jogou como goleiro de time grande
por Alberto Helena Jr.

Bastou Edinho cumprir uma performance de goleiro de time grande, enquanto a zaga central se firmava com a presença do garoto Jean, para o Santos dar a volta por cima no torneio no qual se arrastava lá pelas rabeiras.

Sim, porque este tem sido o calvário santista: sua defesa instável e vulnerável, apesar de toda a proteção que Gallo e Pintado (ou Carlinhos) têm-lhe dado. Pois, do meio-campo para a frente, é um time para jogar de igual para igual com qualquer outro. E com uma vantagem: Giovanni, um craque capaz de desequilibrar as partidas, embora, sábado, na vitória de 2 a 0 sobre a até então invicta Lusa, tenha sido discreto.

Discreto, mas nem tanto. Afinal, o primeiro gol, de Robert, nasceu de uma sutil triscada na bola de Giovanni, que deixou o companheiro na cara de Neneca. E o segundo foi de sua inteira autoria.

Santistas negam pedido de dispensa da seleção

O Santos negou ontem que vá pedir para a Confederação Brasileira de Futebol dispensar o zagueiro Narciso e o meia Giovanni caso ambos sejam convocados para defender a seleção. O Brasil enfrenta no dia 27 a Hungria, em Belo Horizonte, em 4 de outubro a Líbia, em Trípoli, e, em 11 de outubro, o Uruguai, em Salvador.

“Os dois fariam muita falta, mas temos que respeitar a convocação do Zagallo. Se eles forem chamados, vamos aceitar”, disse o técnico Cabralzinho.

No jogo de ontem, Giovanni, que participou do primeiro gol e marcou o segundo, foi o segundo jogador da equipe que mais recebeu faltas (5). Segundo o Datafolha, o jogador mais visado do Santos foi o atacante Camanducaia, que recebeu 6 das 23 faltas da Portuguesa. O Santos cometeu 31.

Para o próximo jogo da equipe no Brasileiro, amanhã, na Vila Belmiro, contra o São Paulo, o volante Pintado, que já cumpriu suspensão automática, pode voltar.

Caso o Santos vença, chegará aos 13 pontos e continuará com chances matemáticas de classificação. “Está difícil, mas ainda não é hora de fazer contas”, disse o atacante Jamelli.

Além de enfrentar o São Paulo, o Santos terá outros três jogos pelo primeiro turno.

Para Culpi, ataque ‘foi muito apático’

A derrota de anteontem deixou tenso o ambiente na Portuguesa. Logo após a partida, torcedores gritavam “timinho” para a equipe e chamavam o técnico Levir Culpi de “burro”.

O treinador responsabilizou a zaga da Portuguesa e a falta de objetividade pelo resultado.

“Nós participamos diretamente dos dois gols do Santos”, lamentou, referindo-se ao toque de Jorginho na bola, que acabou sobrando para Robert marcar o primeiro gol, e ao passe errado de Luisão, que resultou no gol de Giovanni.

O zagueiro Jorginho e o meia Luisão -improvisado na zaga- discutiram muito durante o jogo. “No ataque, fomos muito apáticos”, reclamou Culpi. “Ficamos mais tempo com a bola nos pés, mas quem dominou foi o Santos, que criava as principais jogadas.”

O treinador acha que o pênalti perdido pelo meia-atacante Betinho foi a principal causa da apatia que tomou conta dos jogadores da Portuguesa. “O Betinho cobrou mal. Ele não chutou muito forte e a bola também não foi alta o suficiente”, criticou o treinador.

O próximo jogo da Portuguesa será na quarta-feira, em Araras, contra o União, lanterna do Brasileiro, com seis derrotas em seis partidas disputadas. Flávio e Zinho, contundidos, continuam sendo dúvida.