Foi realizada sábado, dia 02/12/1989, das 10h às 21h, as eleições para renovar parte do Conselho Deliberativo e na prática indicar o novo presidente do Santos.

O empresário Antonio Aguiar Filho será o novo presidente nos próximos dois anos (1990-91). A chapa de oposição “União Alvinegra”, liderada por Aguiar, venceu por 1.091 votos a 850 a chapa “Realidade”, liderada pelo atual presidente, Miguel Assad Macool Filho.

Tinham direito a voto na eleição 10.984 associados, mas somente 1.942 compareceram.

Antonio Aguiar recebeu apoio de três ex-presidentes do clube: Milton Teixeira, que passa a presidir o Conselho Deliberativo, Rubens Quintas, que será o vice do Conselho e Ernesto Vieira, além de Roberto Santini, que faz parte da chapa e é dono de A Tribuna, o único jornal da cidade.

Na clareza dos números o Santos é um abacaxi colossal. Quando assumiu o cargo, em maio de 1988, (após a renúncia do então presidente Manoel dos Santos Sá), Miguel Assad encontrou dívidas na ordem de antigos 7 milhões e 200 mil cruzados, distribuídos entre 137 fornecedores. Devia-se, por exemplo, desde ao açougue que abastecia a concentração ou a assinatura do jornal A Gazeta Esportiva.

Assad até comemorava o fato de, no seu período administrativo, o número de ações trabalhistas ter caído de 41, no dia de sua posse, para apenas 10. “E só oito movidas na minha gestão”, ressaltou.

A dívida atual do clube anda pela casa dos NCz$ 4 milhões. Entre os credores encontra-se até o rei Pelé.

O próprio Miguel Assad, 53 anos, quatro filhos, empresário do ramo de consórcios, tem o maior crédito do Santos para uma pessoa física: NCz$ 1.520.000,00. Outro que tem dinheiro no clube é o ex-presidente Milton Teixeira: exatos NCz$ 79.759,00 em nome da Faculdade Santa Cecília, de sua propriedade.

Miguel Assad era acusado por Antonio Aguiar, 56 anos, quatro filhos, dono de uma rede de lojas de pneus, de uma construtora e sócio de uma mineradora, de não ser da cidade, “e por isso não ter o mesmo amor pelo clube que os nascidos em Santos”. Assad nasceu em Itapetininga, que pertence a região metropolitana de Sorocaba. Ele critica também a administração fechada de Assad. “Queremos transparência e, se ganharmos, vamos abrir uma auditoria”, avisa.

Assad garantiu ao seu sucessor que não agirá como os antigos dirigentes, negociando passes de jogadores (o goleiro Sérgio e o volante César Sampaio) para recuperar o investimento pessoal feito no clube, como faziam os antigos dirigentes.



Fontes: Jornal Folha de SP e Estadão.