Santos 2 x 0 Corinthians

Data: 27/09/1998, domingo, 17h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 14ª rodada
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 48.537 pagantes
Renda: R$ 514.325,00
Árbitro: Wilson de Souza Mendonça (PE).
Cartões amarelos: Gilmar, Rodrigo, Silvinho (C); Claudiomiro, Athirson, Narciso, Eduardo Marques e Lúcio (S).
Gols: Viola (24-1) e (Viola 09-2, de pênalti).

SANTOS
Zetti; Anderson Lima, Jean, Claudiomiro e Athirson (Gustavo Nery); Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Élder) e Lúcio; Alessandro (Baiano) e Viola.
Técnico: Emerson Leão

CORINTHIANS
Nei; Rodirgo (Gilmar), Cris, Gamarra e Silvinho; Vampeta, Rincón, Marcelinho Carioca e Ricardinho; Edilson (Dinei) e Mirandinha (Didi).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo



Por aproveitamento, Santos é o líder

Time bate por 2 a 0 o Corinthians no Morumbi em jogo com arbitragem polêmica; Viola se isola na artilharia

Os santistas que foram ontem ao Morumbi saíram comemorando não só a vitória por 2 a 0 contra o Corinthians -a segunda derrota consecutiva do time de Luxemburgo- e os dois gols de Viola, que desbancou Marcelinho da artilharia, mas principalmente a possibilidade de assumir a liderança isolada do torneio no meio da semana.

Se o Corinthians ainda é o primeiro com 32 pontos, é o Santos que lidera a tabela de pontos perdidos. Com 14 jogos, 1 a menos que o Corinthians, o Santos perdeu 11 pontos. Com a derrota, o time de Luxemburgo tem 13 pontos perdidos, empatando no quesito com o Palmeiras. A Lusa tem 14.

Na quarta-feira, enquanto o Corinthians estiver folgando na tabela do Brasileiro -joga amanhã pela Copa Mercosul, contra o Racing-, o Santos pega a Ponte Preta, uma das mais sérias candidatas ao rebaixamento, na Vila Belmiro. Uma simples vitória e será o time de Leão o novo líder do torneio.

A equipe campineira ontem perdeu para a Lusa, por 1 a 0, que, assim como o Santos, chegou a 31 pontos na classificação, em segundo lugar. A desvantagem em relação ao Santos é que o time de Candinho já jogou 15 vezes.

O Palmeiras, que no sábado pega o Corinthians, goleou anteontem o Juventude, está com 29 pontos em 14 jogos, e ainda mantém vivas as esperanças de lutar pela liderança.

O jogo

Depois de ter criticado a declaração de Leão, que havia, com um certo tom de ironia, apontado o Corinthians como favorito -pois teria uma comissão técnica melhor-, Luxemburgo encerrou a polêmica cumprimentando-o com um abraço e um beijo o rival.

De terno e gravata, adotando um estilo sóbrio, o técnico do Corinthians passou a maior parte do jogo de pé, diante do banco de reservas, mas gritando o mínimo possível com seus jogadores.

Leão, por sua vez, usando roupa social, mas sem o paletó, gesticulava o tempo todo, pedindo mais atenção para sua defesa.

Foi somente aos 24min do primeiro tempo, quando o Santos abriu o placar, que Luxemburgo, “imitando” Leão, começou a espernear, reclamando de o árbitro não ter marcado falta de Narciso em Rincón momentos antes do primeiro gol de Viola.

O juiz Wilson de Souza Mendonça, xingado por Leão no primeiro semestre, quando apitou vitória do São Paulo contra o Santos, limitou-se a pedir para que Luxemburgo parasse de gritar.

No segundo tempo, porém, depois da marcação de um pênalti inexistente que deu o segundo gol ao Santos, o técnico do Corinthians voltou a demonstrar irritação com a arbitragem e foi seguidamente advertido pelo representante da CBF no jogo.

“Eles tiveram só uma chance no primeiro tempo e foi apenas por causa de um erro sem sentido da arbitragem que chegaram ao gol. A gente estava bem posicionado e não tem sentido colocar um trabalho a perder por uma atuação infeliz não do Corinthians, mas do juiz”, bradava Luxemburgo.

Se dentro do campo, por conta das críticas ao árbitro, o clima não foi dos mais tranquilos, fora também não. Antes da partida, torcedores do Corinthians e do Santos brigaram diante do portão 19, ocasionando ferimentos em 12 pessoas. Após a confusão, seis pessoas foram detidas.

Terminado o jogo, novas confusões aconteceram com corintianos, irados com as gozações da minoria santista, tentando agredir quem trajasse camiseta do rival.

Mas nem as ameaças dos corintianos pareciam diminuir o clima de euforia da torcida do Santos. Empolgada com o resultado e a liderança na tabela de pontos perdidos, ela deixou o Morumbi aos gritos de “Viola, Viola” e “Uh, mercenário, uh, mercenário”, em referência ao técnico Luxemburgo, que deixou o Santos no final de 97, quando ainda tinha um ano de contrato a cumprir, por ter recebido proposta do Corinthians.

Luxemburgo alega que o resultado foi distorcido

Técnico corintiano diz que erros de arbitragem produziram o placar

O técnico Wanderley Luxemburgo, do Corinthians, disse que a derrota para o Santos por 2 a 0 ontem à tarde, no Morumbi, foi um resultado distorcido pela arbitragem.

O primeiro gol santista saiu após a anotação equivocada de uma falta contra o Corinthians. O segundo foi de pênalti, que Luxemburgo alega não ter existido. “O juiz errou, e o Santos, time de qualidade, soube aproveitar.”

Foi a segunda derrota consecutiva do Corinthians no Brasileiro e a terceira em 15 jogos disputados.
O ataque corintiano não conseguiu furar o bloqueio do Santos em um jogo bastante movimentado, marcado por um futebol técnico, em que as duas equipes valorizaram o toque de bola.

As principais jogadas do Santos eram pela direita. Já o Corinthians criava a maioria das jogadas ofensivas pela esquerda, com Ricardinho, e apostava em lançamentos para Mirandinha pela direita.

Foi assim que o time corintiano conseguiu se impor, passando a pressionar a partir dos 15min. O Santos apostou em contra-ataques, mas sem levar perigo.

A primeira chance concreta de gol foi aos 24min, em uma jogada do lateral-esquerdo Silvinho. O atacante Edílson finalizou, e Zetti fez sua primeira defesa na partida.

O Santos respondeu com um gol, aproveitando falha do juiz Wilson de Souza Mendonça, que marcou como sendo de Rincón uma falta que ele havia sofrido de Narciso.

Enquanto os jogadores corintianos reclamavam do erro, o Santos saiu rápido para o ataque, com Eduardo Marques, que cruzou para Lúcio. O jogador ainda teve tempo de olhar para onde estava Viola, cruzando na medida.

O atacante cabeceou forte para fazer o seu 12º gol, garantindo a artilharia isolada do campeonato.

A partir daí, a equipe santista passou a ter mais tranquilidade, deixando o Corinthians tomar a iniciativa e explorando contra-ataques em velocidade.

Aos 41min, o Corinthians teve chance de empatar em uma falta a menos de um passo da entrada da área. Marcelinho chutou na barreira e ficou reclamando de irregularidade com o juiz.

Aos 43min, Lúcio desperdiçou uma chance para o Santos. Livre na área, ele chutou na trave. Na volta, a bola tocou em sua mão.

Menos de um minuto depois, Marcelinho recebeu livre de Rincón, frente a frente com o goleiro Zetti, mas chutou para fora.

O goleiro Nei espalmou um chute cruzado de Viola aos 44min.

O técnico Wanderley Luxemburgo decidiu alterar o ataque para o segundo tempo, colocando Didi no lugar de Mirandinha, mas a equipe encontrava dificuldade em passar pela defesa santista.

O Santos conseguiu chegar ao seu segundo gol em um pênalti do lateral Rodrigo em Viola, questionado pelos corintianos. Viola mesmo cobrou para marcar o seu 13º gol neste campeonato.

Para tentar melhorar a qualidade dos cruzamentos laterais e buscar uma alternativa para fugir do congestionamento do meio-campo, Luxemburgo deslocou o volante Vampeta para a lateral direita, tirou Rodrigo e colocou Gilmar.

Como o ataque não conseguia passar pela marcação santista, trocou também Edílson por Dinei.

Em resposta, o técnico Leão tirou o atacante Alessandro, que vinha acionando os contra-ataques, e colocou o defensivo Baiano.

Uma das melhores jogadas do Santos na etapa final de jogo ocorreu aos 28min, quando Viola passou por toda a defesa corintiana, mas não conseguiu converter.

A melhor chance corintiana veio um minuto depois, em cobrança de falta de Marcelinho, à direita da área. O zagueiro Cris cabeceou forte, mas a bola foi para fora.

A partida se manteve equilibrada, e o Santos conseguiu segurar o placar favorável.

Leão também critica o árbitro

Não foi só Luxemburgo que desaprovou a atuação do juiz Wilson de Souza Mendonça. Leão, do Santos, também não ficou satisfeito.

“Quando eu falava desse juiz vocês achavam que era perseguição. Não era. Ele é fraco mesmo. Vocês viram aí no campo”, disse Leão, que teve problemas com o juiz pernambucano no primeiro semestre.

Leão, no entanto, não acha que a atuação do juiz tira os méritos dos santistas. “Jogamos bem. Começamos titubeando, mas foi só nos minutos iniciais. Depois soubemos reagir, tivemos um grande segundo tempo e não marcamos um terceiro gol por pouco.”

Para os jogadores do Santos, a vitória ontem e a possível liderança do Brasileiro que o time pode assumir na quarta devem fazer a torcida lotar o estádio na quarta, contra a Ponte Preta. “Será muito bom, porque o apoio da galera é importantíssimo”, disse o goleiro Zetti.

Além de brigar pela primeira colocação do Brasileiro, o Santos ainda aguarda a Confederação Brasileira de Futebol se pronunciar sobre prováveis mudanças na tabela de jogos do time no campeonato nacional.

A razão da alteração é a equipe ter chegado à final da Conmebol, torneio que reúne times sul-americanos, contra o Rosario Central. O primeiro jogo será em 7 de outubro, na Vila Belmiro. O segundo, em 21 de outubro, na Argentina.
Na semifinal, o Rosario eliminou o Atlético-MG, atual campeão do torneio. O Santos, o Sampaio Corrêa, de São Luís.

De olho na convocação, Viola elogia o grupo

O atacante Viola adotou um discurso politicamente correto depois da vitória do Santos no clássico de ontem, dando pouca importância ao fato de ter chegado à artilharia isolada do Brasileiro, dedicando-a a seus companheiros de clube e elogiando, e muito, o técnico Luxemburgo, do Corinthians e da seleção.

Satisfeito com o resultado, o jogador afirmou que ainda quer mais, referindo-se à convocação da seleção brasileira, a ser anunciada hoje pela manhã, no Rio, para o amistoso contra o Equador, dia 14 de outubro, em Washington (EUA).

“Tenho esperança, sim. Não estou morto, ainda não acabou”, disse Viola.

Repórter – Qual foi a sensação de vencer a guerra dos artilheiros? Com os dois gols que você marcou, já está com 13, contra 11 do Marcelinho e do Leandro…

Viola – A artilharia é o de menos, não estou ligando tanto para isso. O importante não foi eu ter feito os dois gols, mas o Santos ter vencido, com dedicação de todos nós, muita força de vontade, união e trabalho. Os méritos não são só meus, são do grupo.

Repórter – O Corinthians saiu reclamando muito da arbitragem. O Luxemburgo afirmou que dois erros do árbitro deram à vitória a vocês. O que você acha?

Viola – Eu acho o Luxemburgo um puta técnico, uma pessoa maravilhosa, competente, que conhece tudo de futebol. Tenho o maior respeito pelas coisas que ele diz.

Repórter – Com um discurso assim, você está de olho na seleção, não é?

Viola – Eu tinha dito que uma boa atuação contra o Corinthians poderia ajudar na convocação. Estou torcendo. Mesmo que não seja agora, sou experiente, disputei a Copa de 94, fui tetracampeão com o Parreira e tenho vontade de continuar a ajudar o futebol brasileiro. Meu ciclo na seleção, se Deus quiser, ainda não acabou.

Repórter – O trabalho do Leão no Santos tem sido muito elogiado. Dirigentes do time chegaram a dizer que, com ele no comando, o rendimento tem sido melhor do que com o Luxemburgo no ano passado. Como está sendo trabalhar com o Leão?

Viola – Ele é muito exigente, cobra resultados o tempo todo, um baita trabalhador. Trabalhando com ele, aprendi a respeitá-lo e admirar seu trabalho. Se o Santos está bem como está, tanto no Brasileiro quanto na Conmebol, é muito por causa do perfeccionismo do Leão. Podem escrever que ele é um grande treinador. Eu assino embaixo.



Morumbi recebe “clássico da vaidade’ ( Em 27/09/1998 )

O corintiano Wanderley Luxemburgo e o santista Émerson Leão travam duelo de estilos fora de campo

No banco de reservas estão duas das principais atrações do clássico de hoje, que opõe Corinthians e Santos, às 17h, no Morumbi.

Engravatados, Wanderley Luxemburgo e Émerson Leão travarão um duelo à parte. Disputarão não apenas a liderança do Brasileiro-98 por pontos perdidos, mas uma batalha para ver qual dos dois, vaidosos assumidos que são, estará mais elegante.

Luxemburgo vestirá terno e gravata, de preferência de cores sóbrias, enquanto que Leão deverá optar apenas por camisa social e gravata, sem o paletó, já que, segundo o treinador santista, o clima tropical não ajuda.

A preocupação com a aparência, no entanto, não surgiu na mesma época. Apesar de terem sido contemporâneos como jogadores de futebol -Leão destacou-se como goleiro, chegando à seleção nos anos 70 e 80, Luxemburgo não passou de um razoável lateral na década de 70-, o hoje técnico do Santos já era vaidoso em seus tempos de atleta. O corintiano, não.

Famoso pelas coxas, que atraíam a atenção feminina, Leão chegou a fazer propaganda de cueca, tendo sua imagem espalhada em outdoors. Luxemburgo, pelo contrário, tinha aparência descuidada e usava cabelo estilo “black power”.

Quando começou a traçar o projeto de chegar à seleção brasileira, no início dos anos 90, passou a cuidar mais da aparência, tentando vender uma imagem de profissional de Primeiro Mundo.

Além do terno e gravata, passou a usar óculos, a aparar o cabelo uma vez a cada 15 dias e a cuidar das unhas dos pés e das mãos.

Leão, por sua vez, ainda no período em que jogava futebol, começou a pintar o cabelo de caju.
Mas hoje, tanto para um quanto para outro, a preocupação com a aparência não é apenas sinal de vaidade -representa autoridade.”Acho importante andar bem vestido. O comandante tem que impor respeito”, disse Leão.

“Eu me sinto bem assim e seja no Corinthians ou na seleção é dessa forma que vou me vestir”, afirmou Luxemburgo.

Como definiu a psicóloga da seleção brasileira, Suzy Fleury, que começou a trabalhar em clubes de futebol a convite de Luxemburgo, o estilo dos dois técnicos -“e não só na vestimenta”- é parecido.

Disciplinadores, eles fazem questão de manter distância em relação aos atletas que comandam.

Apesar de ter comemorado o gol do Brasil contra a Iugoslávia, na quarta, beijando o meia-atacante Marcelinho, Luxemburgo exige respeito absoluto e não admite ver sua autoridade contestada.

Em 1994, por exemplo, chegou a chamar Edmundo, seu atleta no Palmeiras, para brigar com ele no vestiário, quando o atacante reclamou de uma substituição.

O perfil disciplinador é, segundo Fleury, que já trabalhou no Santos e agora auxilia o Corinthians, o que mais dá resultados positivos no futebol.

E, de fato, pelo menos com Corinthians e Santos no Brasileiro-98, os frutos dos trabalhos de Luxemburgo e Leão têm aparecido.

O Corinthians lidera o campeonato com 32 pontos. O Santos, que era o segundo colocado após a rodada do meio de semana ao lado da Lusa, ambos com 28 pontos, mesmo vencendo o clássico de hoje fica a um ponto do líder.

Como tem um jogo a menos, no entanto, tanto em relação ao Corinthians quanto em relação à Lusa, uma vitória significará a liderança do torneio quando são considerados o número de pontos perdidos por cada equipe.

Empolgação santista

Mesmo sendo o Corinthians o time que defende a liderança, é a torcida do Santos a que mostra mais entusiasmo com o clássico de hoje.

Afinal, o time, além da boa atuação no Brasileiro, torneio em que se classificam oito times após a primeira fase, tornou-se finalista da Conmebol, vencendo o Sampaio Corrêa, por 5 a 1. Na decisão, enfrenta, dias 7 e 21 de outubro, o Rosario Central, da Argentina.

O Corinthians, pelo contrário, perdeu no meio de semana para o Cruzeiro -seu primeiro fracasso em casa no Brasileiro-98- e na Copa Mercosul, torneio com alguns dos principais times sul-americanos, está quase eliminado.

Esquecimento de Luxemburgo motiva santistas

O que o empate da seleção tem a ver com a sorte do Santos diante do Corinthians? A princípio, nada. Para os jogadores santistas, entretanto, a história não é bem assim.

Eles acham que o fato de a estréia de Luxemburgo na seleção -1 a 1 contra a Iugoslávia, em casa- não ter sido um sucesso, e mais a derrota do Corinthians para o Cruzeiro, no dia seguinte, aumentam a pressão sobre o adversário de hoje.

O goleiro Zetti, por exemplo, lembrou que três corintianos fizeram parte do primeiro grupo convocado por Luxemburgo, ao contrário dos santistas, que foram esquecidos pelo treinador.

“Na seleção tudo é mais complicado. Um empate em casa, vaias da torcida, se o jogador não tem a cabeça formada, ele começa a achar que talvez não seja chamado da próxima vez, e isso acaba refletindo negativamente no seu futebol”, disse o goleiro.

Dos corintianos convocados -Marcelinho, Vampeta e Cris-, os dois primeiros jogaram. O meia-atacante foi bem apenas no primeiro tempo, e o volante apresentou menos do que o esperado.

Cris, o único que não atuou, falhou duas vezes contra o Cruzeiro, dando dois gols ao time mineiro, e já está tendo seu futebol questionado pela torcida.

Cientes de que o Corinthians já está quase eliminado da Copa Mercosul, o outro torneio que disputa, os santistas sabem que, apesar da liderança no Brasileiro estar com o time de Luxemburgo, uma segunda derrota consecutiva pode prejudicar o clima no Parque São Jorge.

Do lado do Santos, no entanto, além de o time estar fazendo boa campanha no campeonato nacional, o fato de já estar na final da Conmebol deixa seus jogadores mais tranquilos.

Mas tranquilidade não é exatamente o que impulsiona o Santos. O que mais deixa o time motivado é justamente o fato de seus jogadores não estarem sendo reconhecidos por Luxemburgo.

O técnico Leão, por exemplo, já reclamou, porque seu time, um dos que têm melhor campanha no Brasileiro, não teve atletas convocados para a seleção.

O atacante Viola, por sua vez, também lamentou ter sido esquecido e afirmou que, se fizer uma bela atuação hoje, exatamente contra o time de Luxemburgo, poderá ter uma chance na convocação marcada para amanhã.

Outro motivo para os santistas disputarem o clássico de hoje com “vontade máxima” é o fato de que há quase um ano as duas equipes não se enfrentam. Devido à mudança no regulamento do Paulista-98, acabaram não se encontrando no primeiro semestre.

O último jogo entre elas foi em 14 de outubro do ano passado, pelo Brasileiro-97, quando o Santos, na Vila Belmiro, ganhou por 1 a 0.

Na ocasião, em péssima fase no torneio e seriamente ameaçado pelo rebaixamento, o Corinthians sofreu uma emboscada de sua torcida no retorno a São Paulo, alguns membros da delegação foram agredidos, e o caso foi parar na polícia.

Jogo terá duelo de artilheiros

O meia-atacante corintiano Marcelinho e o atacante santista Viola, que dividem a artilharia do Campeonato Brasileiro, com 11 gols cada, prometem um duelo na tentativa de um superar o outro na partida de hoje.

“Sou muito amigo do Viola fora de campo, antes de começar o jogo. Sei que é um exímio centroavante, tem força, explosão e finaliza bem, mas ele que se cuide porque eu quero fazer um gol contra o Santos. Sempre estive e sempre vou estar na briga pela artilharia”, afirmou Marcelinho.

“Gosto muito do Marcelinho. No Corinthians era ele que me servia para fazer os gols. É um grande jogador, mas é mais um garçom do que um finalizador. Por isso, espero passá-lo na artilharia neste clássico”, disse Viola.

Ambos jogaram juntos no Corinthians e no Valencia, da Espanha.

Viola chegou a propor uma aposta de R$ 1.000, que seriam pagos em alimentos a instituições filantrópicas pelo perdedor do duelo da artilharia, mas Marcelinho recusou. “Não topo aposta nem por caridade”, justificou o corintiano.