Santos 1 x 1 São Paulo

Data: 09/04/1995, domingo
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 20.000 pagantes
Renda: R$ 196.355,00
Árbitro: José Mocellin (RS).
Cartões amarelos: Silva, Marcelo Fernandes, Gallo, Carlinhos e Jamelli (S); Nélson, Rogério Pinheiro e Catê (SP).
Cartão vermelho: Mona (SP).
Gols: Bentinho (10-1) e Marcelo Passos (25-2, de pênalti).

SANTOS
Edinho; Silva, Marcelo Fernandes, Narciso e Marcos Paulo (Demétrios); Gallo, Carlinhos (Camanducaia) e Ranielli; Macedo, Jamelli e Marcelo Passos.
Técnico: Joãozinho Rosa

SÃO PAULO
Zetti; Pavão, Nélson, Rogério Pinheiro (Thiago) e Murilo; Mona, Axel, Donizete e Juninho; Bentinho (Aílton) e Catê (Cláudio).
Técnico: Telê Santana



Partida tem dois momentos táticos distintos

O clássico de ontem teve dois momentos táticos distintos: até a metade do primeiro tempo, quando o São Paulo se impôs, e a partir daí, quando o Santos dominou.

No início da partida, o time são-paulino simplesmente não permitiu que o adversário se aproximasse do seu gol. Com seus três volantes (meias defensivos), Mona, Axel e Donizete, tomando conta do meio-campo, o São Paulo chegava à área do Santos através de tabelas pelas laterais do campo.

Além disso, a defesa santista se colocava mal e dava espaços para o ataque são-paulino mexer a bola e finalizar.

O gol de Bentinho, aos 10min, foi produto de um lance típico dessa fase da partida.

A partir dos 25min, porém, o Santos passou a utilizar o lado direito do seu ataque, onde o veloz Macedo levava nítida vantagem sobre o zagueiro Murilo, improvisado de lateral-esquerdo.

Os meias Jamelli e Marcelo Passos também começaram a tabelar, abrindo espaços na defesa são-paulina.

No segundo tempo, o meio-campo do São Paulo conseguiu dar maior proteção ao seu lado esquerdo, dificultando a criação de jogadas pelo Santos. O São Paulo tentava os contra-ataques, sempre puxados pelo meia Juninho.

O problema é que Juninho não tinha com quem jogar, já que os volantes -sobretudo após a expulsão de Mona- não avançavam para ajudá-lo.
Com isso, o meia era obrigado a carregar a bola e, na maioria das vezes, acabava desarmado.

Como o São Paulo tinha pouco poder ofensivo, mas marcava bem o Santos, o jogo acabou tendendo para o empate.

Santos empata com ajuda da arbitragem

O Santos dominou a maior parte do clássico com o São Paulo, mas precisou de dois erros do juiz José Mocellin -a expulsão de Mona e a marcação de um pênalti inexistente- para empatar o jogo.

Os primeiros 20 minutos deram uma falsa impressão do que seria a partida. O São Paulo se defendia bem e contra-atacava com perigo.

O time são-paulino quase marcou aos 5min, quando o goleiro Edinho salvou no canto direito um chute de Donizete que desviou em Marcelo Fernandes.

O São Paulo chegou ao gol aos 10min, em jogada pela direita: Donizete cruzou rasteiro, Juninho chutou mal e a bola foi para Bentinho, que mandou para a rede.

O São Paulo só era ameaçado quando o Santos levantava bolas sobre a área. Por duas vezes, o goleiro Zetti saiu mal do gol e o time da casa quase marcou.

A partir dos 25min, porém, o Santos começou a ameaçar e manteve a pressão também no segundo tempo.

Aos 19min, com a expulsão de Mona -a falta em Ranielli não era grave para merecer cartão-, o Santos cresceu mais.

O técnico Joãozinho pôs os atacantes Demetrios e Camanducaia. Este último conseguiu “cavar” um pênalti aos 25min, em disputa com Thiago. Erradamente, Mocellin marcou o pênalti. Marcelo Passos bateu e marcou.

O panorama do jogo não mudou até o final: o Santos pressionando e o São Paulo contra-atacando.

Joãozinho culpa defesa por empate

O técnico Joãozinho criticou a atuação da zaga do Santos no empate de ontem contra o São Paulo. “A defesa proporcionou algumas situações embaraçosas”, declarou. Ele não quis fazer avaliações individuais. Segundo Joãozinho, “nos primeiros 15 minutos, não só a defesa, mas todo o time, foi muito ruim”.

O técnico classificou o empate como um bom resultado. “Mas, se houvesse justiça, nós poderíamos ter vencido, porque o time que mais lutou pela vitória foi o Santos”, afirmou.

Para ele, a vitória “escapou” porque o ataque desperdiçou muitas chances de gol. “Cheguei a ficar preocupado com as oportunidades perdidas. Quem não faz gols, acaba levando”, avaliou Joãozinho.

Para o segundo turno, ele “espera” que a diretoria do Santos contrate reforços.”Eu pedi um zagueiro, um lateral-esquerdo e um ponta-esquerda.”

“Espero que o Santos tenha recursos para providenciar essas contratações, que são muito importantes para continuarmos brigando pela classificação”, disse o técnico.

Ele afirmou ainda que ficou satisfeito com o “ótimo resultado alcançado no 1º turno”.

Telê reclama de sufoco do estádio

O técnico do São Paulo, Telê Santana, disse após o empate de ontem à tarde que jogar na Vila Belmiro “é um sufoco”.

Telê voltou a ameaçar deixar o futebol se Palmeiras e Corinthians não atuarem em Santos no segundo turno do Paulista.

“Se o Corinthians não comparecer à Vila no próximo dia 30, eu não serei mais o técnico do São Paulo. Eles também tem que passar por este sufoco. Enfrentar a pressão da torcida, as garrafadas que atiram das arquibancadas e as duas horas de espera para sairmos ilesos daqui”, disse.

O treinador são-paulino voltou a criticar o presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah. “Quero ver se ele cumpre sua palavra e traz o Palmeiras e o Corinthians para Santos. Acho difícil, porque ele é um homem falso.”

O goleiro Zetti deixou o campo irritado.

“Quase fui atingido por uma baqueta (objeto musical de madeira) atirada pela própria torcida do São Paulo”, explicou.

Zetti disse que não acredita em um complô dor torcedores são-paulinos a favor da entrada de seu reserva, Rogério.

“É sempre a mesma meia dúzia de pessoas, e não a torcida toda. Eles deveriam estar felizes porque o São Paulo, com todos os problemas, continua entre os primeiros do campeonato.”

Santistas lamentam ‘afobação’

A maioria dos jogadores do Santos ficou frustrado com o empate. “Perdemos, no mínimo, quatro gols feitos. Isso é imperdoável”, definiu o volante Gallo.

Na opinião do atacante Macedo, que classificou o resultado como ruim, as falhas nas finalizações ocorreram por “afobação”.

O atacante Marcelo Passos se disse “decepcionado” com o empate. “Perdemos a chance de conquistar uma grande vitória contra uma equipe forte.” “Nosso time sempre cria e desperdiça muitas chances de gols. Não sei o motivo, mas hoje foi demais”, desabafou.

Para Carlinhos, substituído no segundo tempo, o time sentiu falta do meia titular Giovanni. “Com ele, o Santos poderia ter goleado”, disse Carlinhos.

Ranielli, substituto de Giovanni ontem, disse que a sua atuação foi prejudicada pela boa marcação feita pelo meio-campo do São Paulo. “Eles marcaram forte. O gol do São Paulo, que tomamos no início do jogo, desestabilizou o time e favoreceu o estilo de jogo deles”, avaliou Ranielli.