Palmeiras 2 x 0 Santos

Data: 02/03/1997, domingo
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio do Parque Antarctica, em São Paulo, SP.
Público: 15.814,00 pagantes
Renda: R$ 179.720,00
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS).
Cartões amarelos: Cléber e Rincón (P); Robert (S).
Gols: Galeano (33-1) e Marquinhos (44-2).

PALMEIRAS
Velloso; Cafu, Cléber, Wágner e Júnior; Galeano, Leandro, Rincón (Sérgio Soares) e Djalminha; Viola e Luizão (Marquinhos).
Técnico: Márcio Araújo

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima (João Fumaça), Narciso, Ronaldão e Cássio; Marcos Assunção, Vágner, Piá (Baiano) e Robert; Alexandre (Eduardo Marques) e Macedo.
Técnico: Wanderley Luxemburgo



Palmeiras explora a lateral para ganhar

O Palmeiras aproveitou-se das constantes falhas do lado direito da defesa do Santos para vencer por 2 a 0. O lateral Ânderson, do Santos, preocupou-se mais com o apoio ao seu ataque do que com a marcação dos atletas adversários.

A cobertura dos zagueiros não foi eficiente, fazendo os jogadores do Palmeiras darem preferência para as jogadas por esse setor.

O Santos dominou os dez minutos iniciais da partida. A equipe marcou com eficiência, não permitindo a criação de jogadas pelo time adversário.

Passado o período inicial do pressão, o time do técnico Márcio Araújo tomou o controle.

Com as falhas do Santos, o lateral-esquerdo Júnior e o meia-atacante Djalminha passaram a comandar as ações ofensivas de seu time. “Tivemos a inteligência de explorar os erros do Santos”, disse o técnico Araújo.

Aos 28min, Viola avançou pelo meio e chutou na trave.

O gol do Palmeiras foi marcado logo depois. Pelo lado esquerdo de se ataque, Luizão cruzou. A bola resvalou na defesa do Santos e sobrou para Galeano que, na meia-lua da área, chutou: 1 a 0.

O panorama não mudou muito no início no segundo tempo. O Palmeiras continuou se aproveitando das sucessivas falhas da defesa adversária.

Para tentar corrigir os erros e virar o placar, o técnico Wanderley Luxemburgo, do Santos, fez, aos 16min, três substituições ao mesmo tempo. Porém, as modificações não mudaram a dinâmica do jogo e, aos 43min, Marquinhos ampliou.

Luxemburgo critica ‘inércia’ da diretoria santista

O técnico Wanderley Luxemburgo vai se reunir amanhã com a diretoria do Santos para exigir uma definição sobre a contratação de jogadores.

“Não dá para ficar especulando. Ou ela contrata alguém, ou pára de falar. Especulação faz mal para quem está jogando”, afirmou, referindo-se aos contatos da direção do clube, que quer contratar um atacante. Caio, ex-São Paulo, atualmente no futebol italiano, é o mais cotado.

“Nossa diretoria é formada por gente séria e honesta, mas há dois meses está inerte, parada.”

Ele também reclamou da morosidade nas obras no centro de treinamento e na Vila Belmiro.

Quanto à derrota para o Palmeiras, Luxemburgo preferiu assumir a responsabilidade. “Quando o time perde, a culpa é do técnico. Os jogadores estão de parabéns.”

O treinador aproveitou para elogiar a disciplina do Santos. “Não quero ninguém perdendo a cabeça, fazendo falta de bobeira.”

O Santos é a equipe mais disciplinada do campeonato, dez cartões amarelos, nenhum vermelho em cinco jogos. Ontem, apenas Robert recebeu amarelo.



Clássico exibe inversão de papéis em comportamento

Luxemburgo leva para o Santos-97 o rigor técnico do Palmeiras-96

O título no Rio-São Paulo não é a única marca do “estilo Luxemburgo” que o Santos assimilou. A equipe está a apenas um ponto de Palmeiras e Guarani, líderes do Grupo 1, e é a mais disciplinada da competição.

No ano passado, o Palmeiras conseguiu desenvolver a melhor campanha de um time em toda a história do Campeonato Paulista, com 27 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. Além disso, o título foi conquistado com o melhor desempenho disciplinar.

Em seus 30 jogos, os palmeirenses receberam 89 cartões amarelos e apenas 2 vermelhos. Na mesma competição, o Santos recebeu 106 amarelos e 16 vermelhos. Foi a equipe mais punida.

“Sempre peço para meu time jogar bola. O time tem que atacar e receber a falta, não cometê-la”, afirmou Wanderley Luxemburgo.

Neste ano, os jogadores do Santos, em cinco jogos, receberam apenas nove cartões amarelos, o melhor índice da competição.

O Palmeiras, em cinco jogos, recebeu 11 amarelos e 3 vermelhos. É a terceira equipe mais punida com cartões, atrás apenas de Portuguesa Santista e Rio Branco.

“É difícil mudar a mentalidade de um jogador, mas vivo repetindo, nas preleções e nos treinos, que devem se preocupar apenas com a bola e não falar com o árbitro”, disse Luxemburgo.

Em 96, o Santos recebeu dez amarelos e um vermelho por reclamar com o juiz. O Palmeiras, apenas dois amarelos.

O gerente de futebol do clube, Marco Aurélio Cunha, concorda que o aspecto psicológico é muito importante. “O time com pouca ambição pensa primeiro em impedir o jogo, assim garante um empate e, se der, tenta uma vitória.”

O meia Robert afirmou que a cobrança do treinador contribuiu para essa mudança. “O Luxemburgo pede para acompanharmos o lance e roubarmos a bola sem cometer faltas.”

Laterais

Palmeiras e Santos têm mais em comum que a convivência com Wanderley Luxemburgo. Os dois times privilegiam as jogadas pelas laterais como sua maior arma.

No Santos, o lateral-direito Ânderson recebe, em média, 57 bolas por partida. No Palmeiras a situação é parecida. O lateral-direito Cafu é acionado 42 vezes por jogo, enquanto o lateral-esquerdo Júnior, 43.

“O Márcio Araújo (técnico do Palmeiras) nos dá liberdade para apoiar o ataque”, declarou Júnior. “Cada jogador tem a sua característica. Eu procuro o jogo, por isso recebo tantas bolas”, disse Cafu.

O jogador afirmou que o esquema do Palmeiras permite seu apoio constante ao ataque. “Não adianta apoiar se não existir ninguém na sua cobertura.”