Santos 0 x 6 Palmeiras

Data: 24/03/1996, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 14.687 pagantes
Renda: R$ 149.160,00
Árbitro: Dalmo Bozzano (SC).
Cartões amarelos: Cléber, Luizão, Galeano e Elivélton (P); Gallo, Baiano e Jamelli (S).
Gols: Rivaldo (05-1), Cléber (17-1) e Cléber (24-1); Cafu (14-2), Djalminha (38-2, de pênalti) e Rivaldo (42-2).

SANTOS
Gilberto; Claudemir, Batista (Gustavo), Sandro e Marcos Paulo; Gallo, Kiko (Luiz Carlos), Baiano e Marcelo Passos (Macedo); Giovanni e Jamelli.
Técnico: Orlando Amarelo

PALMEIRAS
Velloso; Cafu (Osio), Sandro, Cléber (Cláudio) e Júnior (Elivélton); Galeano, Flávio Conceição, Rivaldo e Djalminha; Müller e Luizão.
Técnico: Wanderley Luxemburgo



Palmeiras bate Santos com três gols em cada tempo

Com três gols em cada tempo, o Palmeiras goleou um desentrosado Santos por 6 a 0, ontem, na Vila Belmiro.

A partida já estava virtualmente decidida aos 24min, quando o Palmeiras marcou seu terceiro gol.

O primeiro saiu logo aos 5min. Müller recebeu a bola sem marcação na ponta esquerda e cruzou. Livre, Rivaldo cabeceou e marcou.

Um minuto depois, Velloso evitou com o pé direito que Jamelli marcasse. No contra-ataque, o centroavante palmeirense Luizão chutou no travessão.

Aos 17min, Djalminha cobrou falta da meia-direita e o zagueiro Cléber aumentou a contagem. Sete minutos depois, o mesmo Cléber aproveitou de cabeça cruzamento de Júnior e fez 3 a 0.

Apesar de uma bola na trave de Baiano, aos 26min, o Palmeiras continuou a dominar. Luizão perdeu duas grandes chances, e o juiz anulou gol de Júnior, impedido.

No segundo tempo, o Palmeiras chegou ao quarto gol aos 14min: Djalminha entrou na área e atrasou para Cafu, que chutou forte.

Aos 37min, em lance duvidoso, o árbitro Dalmo Bozzano marcou pênalti de Luiz Carlos em Djalminha. O mesmo Djalminha cobrou no minuto seguinte e fez 5 a 0.

Quatro minutos depois, Luizão driblou o reserva Gustavo pela direita. Cruzou e Rivaldo completou de cabeça na linha da pequena área: 6 a 0.

Santos tenta contratar Parreira

O técnico do Santos, Orlando Amarelo, sabe que está com os dias contados no cargo.

Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção brasileira tetracampeã mundial na Copa dos EUA, está sendo sondado pelo Santos para assumir o time. Pelé e o empresário Renato Duprat, presidente da Unicór, empresa que patrocina o Santos, estão mantendo contato com Parreira, que atualmente trabalha no Fenerbahce, da Turquia.

O vice-presidente do Santos, Clodoaldo Tavares Santana, não desmentiu ontem a notícia. “Soube que o Pelé manteve o contato telefônico, mas não posso afirmar que o Parreira será contratado.”

O dirigente não culpa o técnico pela má fase da equipe. “O Orlando não tem culpa, jogamos muito desfalcados”, disse Clodoaldo. O Santos jogou com apenas três titulares.

Além de técnico, o time precisa de reforços, segundo o dirigente. “Precisamos de reforços, principalmente de um zagueiro. Não dá mais para improvisar”.

A diretoria do Santos deve discutir a partir de hoje também a desunião do time.

Depois da derrota para o América em São José do Rio Preto, o goleiro Edinho e o meia-atacante Giovanni acabaram trocando insultos.

“O ambiente não é o mesmo do último Campeonato Brasileiro”, afirmou Clodoaldo, referindo-se à campanha que levou o Santos a ser vice-campeão nacional.

Torcida santista atira pilhas e até porta-retrato no gramado

Pilhas, chinelos, sapatos, garrafas, rádio portátil e até um porta-retrato foram atirados no gramado pela torcida santista.

Há mais de 20 anos a torcida santista não via o time perder por diferença de seis gols em plena Vila Belmiro.

Os torcedores picharam os muros da entrada dos jogadores santistas. As frases se referem ao presidente do clube e ao patrocinador. “Fora Samir, chega de besteira. Chega de ajudar, tem que trabalhar. Fora Unicór.”

A torcida vaiou seus ídolos, chamou de “burro” o técnico Orlando, gritou pelo ex-técnico Serginho Chulapa e pediu reforços. Fora do estádio, torcedores confrontaram-se com a Polícia Militar. Houve correria e pancadaria.

Na tribuna de honra do estádio, o presidente Samir Abdul-Hak discutiu com os torcedores e deixou o local antes do término da partida.

Alheio a estes problemas, jogadores do Santos e do Palmeiras não pouparam críticas ao gramado da Vila Belmiro. O atacante Muller foi um dos que mais reclamou. “Não dava para tocar a bola.”

“Tinha muita lama, a chuteira prendia na hora do pique”, afirmou Rivaldo. Nas laterais prevaleceu os buracos. “Uma lástima”, disse Júnior do Palmeiras.

Pelo lado do Santos, continuaram as lamentações. “Não estamos nem treinando na Vila para preservar o gramado, mas, do jeito que tem chovido, não há gramado que aguente”, desabafou o ponta Macedo.

“No jogo contra o XV de Jaú, pisei num buraco e torci o tornozelo. Hoje (ontem) joguei no sacrifício, não dava nem para andar”, disse o zagueiro Sandro, do Santos.

A diretoria do Santos recentemente providenciou uma reforma no campo, devido à crítica de que tinha o pior gramado do Estado. A reforma não adiantou. Falta um sistema de drenagem adequado.



Santos quer vencer o líder para espantar a ‘bruxa’ ( Em 24/03/1996 )

O Santos vê este clássico como o caminho para a recuperação. Para a equipe, a vitória tranquilizaria o ambiente e daria moral para o segundo turno.

“É a chance de afastar a bruxa que ronda a Vila”, afirmou o meia defensivo Baiano.

O meia Marcelo Passos disse que uma vitória “sobre um Palmeiras imbatível é a injeção de ânimo de que o time precisa”.

O técnico Orlando Amarelo poderá ter hoje a volta de Marcos Adriano, Sandro e Vágner. Eles farão um teste antes do jogo.

Para Sandro, que tem mais chances de jogar, o empate é bom. “O Palmeiras é o melhor time do campeonato”, disse o zagueiro.

O Santos terá nove desfalques. Cláudio (lateral direito), Cerezo (volante), Robert (meia) e Narciso (zagueiro) estão suspensos. Edinho (goleiro), Gallo (volante), Carlinhos (volante), Camanducaia (atacante) e Ronaldo Marconato (zagueiro) estão contundidos. Desses, sete são titulares.

Mesmo assim, Orlando disse que o time vai jogar no ataque e marcar por zona. “O Santos precisa dessa vitória para recuperar o moral e o prestígio, que estão abalados.”

Rivaldo diz que objetivo é título estadual invicto

Depois de garantir a classificação para o quadrangular final, a meta do Palmeiras agora é ser campeão paulista invicto em 96.

A afirmação é do meia Rivaldo. Nos 13 primeiros jogos, o time conseguiu 12 vitórias e 1 empate. Marcou 51 gols e sofreu 8.

“A gente não quer ser o Flamengo de 96”, afirmou, referindo-se ao time carioca, que, em95, contratou jogadores como Romário e Edmundo, mas não ganhou títulos.

“Um time só pode ser considerado bom mesmo quando é campeão”, disse Rivaldo.

Para o jogador, a grande vantagem da equipe no Paulista é a rapidez no toque de bola. “A gente se movimenta muito”, afirmou.

Para Rivaldo, a torcida palmeirense só tem motivos para comemorar. “Até agora, ela é a única que não teve que ouvir as outras tirando sarro.”