Rio Branco 4 x 2 Santos

Data: 23/03/1995, quinta-feira, 21h30.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio Municipal Décio Vitta, em Americana, SP.
Público: 12.275 pagantes
Renda: R$ 68.370,00
Árbitro: Dionísio Roberto Domingos
Cartão vermelho: Giovanni (S).
Gols: Marcelo Carioca (06-1), Giovanni (17-1) e Marcelo Carioca (46-1, de pênalti); Flávio Costa (14-2), Marcelo Carioca (21-2) e Camanducaia (44-2).

RIO BRANCO
Rui; Marco Antonio (Sidnei), André, Norton e Léllis; Bonamico, Luís Simplício, Sandoval (Flávio Costa) e Cinha (Balu); Marcelo Carioca e Robert.
Técnico: João Carlos

SANTOS
Edinho; Rogério Trivelato, Marcelo Fernandes (Camanducaia), Marcelo Moura e Gustavo Nery (Jean); Gallo, Cerezo, Carlinhos e Giovanni; Macedo e Jamelli (Marquinhos).
Técnico: Joãozinho Rosa



Santos perde invencibilidade no Paulista

O Rio Branco quebrou a invencibilidade do Santos no Campeonato Paulista ao vencê-lo por 4 a 2 ontem à noite em Americana.

O atacante Marcelo, que já era o artilheiro da competição, fez três gols e somou 12 no total, isolando-se ainda mais na artilharia.

O placar foi aberto pelo Rio Branco logo no início do primeiro tempo. Marcelo aproveitou uma falha da defesa do Santos e ficou sozinho de frente para o gol de Edinho. Na saída do goleiro, ele marcou o seu décimo gol no torneio.

Havia sido do Rio Branco o primeiro lance de perigo da partida, pouco antes, através do atacante Cinha. Ele chutou no ângulo direito de Edinho, mas a bola foi fora.

O time de Americana se aproveitou da vantagem para pressionar e criou pelo menos mais duas chances de marcar.

O Santos empatou a partida com gol do meia Giovanni, desta vez aproveitando a falha da zaga do adversário.

A partir daí, quem passou a pressionar foi o Santos, com domínio de jogo. O time santista criou outras duas oportunidades de passar à frente.

Aos 25min, o juiz anulou um gol de Giovanni, acusando falta a favor do Rio Branco na grande área.

A equipe de Americana reagiu e teve chance de passar à frente aos 34min, quando Marcelo recebeu cruzamento na grande área e chutou forte para Edinho, que conseguiu defender.

O jogo ficou equilibrado. O Rio Branco voltou a ficar à frente no placar através de um pênalti no último minuto do primeiro tempo. O meia Robert foi derrubado pelo zagueiro Moura, do Santos, dentro da área quando seguia livre com a bola para marcar. Marcelo cobrou e marcou o segundo gol do time de Americana.

O Santos foi com tudo para o ataque no segundo tempo, disposto a recuperar o prejuízo, e obrigou o goleiro Rui a fazer pelo menos outras três defesas perigosas.

O Rio Branco forçou a marcação e procurou explorar os contra-ataques, com o adversário jogando aberto.

O placar foi ampliado com gol de Flávio Costa, que substituiu Sandoval no segundo tempo. Depois de desperdiçar uma oportunidade de marcar na saída de Edinho, Marcelo fez o seu terceiro gol na partida e o quarto do Rio Branco aos 22min da etapa complementar. Ele aproveitou a bola rebatida na defesa do Santos e chutou no ângulo esquerdo de Edinho.

O técnico Joãozinho fez três alterações no Santos para evitar mais gols e tentar a reação, que conseguiu através de Camanducaia, substituto de Marcelo Fernandes, no último minuto.

Técnico pede tranquilidade

O técnico Joãozinho, do Santos, pediu aos jogadores ontem após a derrota para não se abaterem. Ele disse que a tranquilidade e a confiança vão ser fundamentais para enfrentar o Novorizontino no próximo domingo, em Novo Horizonte.

O time ficará concentrado em Catanduva até o dia do jogo.

Joãozinho atribuiu a derrota aos desfalques de cinco titulares ontem, o que fez com que ele escalasse uma defesa formada exclusivamente por reservas.

“Todos os que entraram procuraram dar o máximo de si, mas a equipe que vinha jogando anteriormente e estava invicta tinha muitas diferenças em relação à que jogou hoje (ontem)”, disse.

Macedo critica arbitragens

O atacante Macedo é o segundo jogador que mais recebe faltas no campeonato, de acordo com levantamento do Datafolha, 5,6 por jogo.

O jogador reclama dos árbitros que, na sua opinião, “não tomam nenhuma atitude para coibir a violência”.

Repórter – Como você analisa o fato de ser o segundo jogador que mais recebe faltas no campeonato?
Macedo – Acho que isso mostra que tenho sido um dos jogadores mais perigosos do ataque do Santos.

Repórter – Você acredita que esteja havendo deslealdade dos adversários?
Macedo – Algumas faltas têm sido realmente muito duras, mas não posso acusar ninguém de maldoso.

Repórter – Você acha que os árbitros não estão punindo como devem essas faltas, contribuindo para o aumento da violência?
Macedo – Esse é um problema antigo, principalmente para quem atua como atacante. Irrita ser toda hora barrado por faltas e o juiz não tomar nenhuma atitude. Mas não entro em campo preocupado com a violência. Se fizesse isso, certamente cairia de rendimento.



Santos joga com defesa reserva em Americana ( Em 23/03/1995 )

Sem cinco titulares —com a defesa formada exclusivamente por reservas e o ataque sem o artilheiro Marcelo Passos— o Santos enfrenta hoje o Rio Branco, às 21h30 em Americana, buscando um empate.

O principal problema do técnico Joãozinho é a defesa. O lateral-direito Silva e o zagueiro Maurício Copertino, machucados, não jogam.

O zagueiro Narciso e o lateral-esquerdo Marcos Paulo receberam o terceiro cartão amarelo e cumprirão suspensão automática.

Na lateral direita entra Rogério, que atuou apenas uma vez no Paulista, por 30 minutos, no empate contra o Palmeiras. Na lateral esquerda, Joãozinho escalou o novato Gustavo, 18, que fará a sua estréia na equipe.

“A minha característica é apoiar o ataque. Entretanto, contra o Rio Branco, devo ficar preocupado apenas com o aspecto defensivo”, disse Gustavo.

Joãozinho justificou a escalação de Gustavo e Rogério, dizendo não possuir outras opções para as laterais.

“Eu não gosto de improvisar jogadores. Tanto o Rogério quanto o Gustavo são laterais natos. Além disso, eles fazem parte do grupo e merecem uma chance”, afirmou o treinador.

A dupla de zaga será formada hoje por Marcelo Fernandes e Moura.

Preocupado com a falta de entrosamento e experiência da sua nova defesa, Joãozinho resolveu reforçar o meio-campo, diminuindo o poder ofensivo da equipe. Para a vaga do meia Marcelo Passos, também suspenso, o técnico do Santos optou pela entrada do volante Cerezo.

“Pelas circunstâncias que envolvem uma partida na casa do adversário, onde não teremos quase metade do time, até que um empate seria um bom resultado”, afirmou Joãozinho.

Para conquistar esse objetivo, que manteria o time invicto no campeonato, o Santos terá Gallo, Cerezo e Carlinhos protegendo a linha de zagueiros.

O meio-campo se completa com Giovanni. Artilheiro do time ao lado de Marcelo Passos, com sete gols, ele também foi orientado a marcar mais, assim como os atacantes Macedo e Jamelli.

“Eu não vou ter tanta liberdade ofensiva como nos demais jogos. Mas, mesmo assim, vou procurar não deixar Jamelli e Macedo totalmente isolados na frente”, afirmou Giovanni.

“Em razão dos desfalques, todo o time atuará no sacrifício. Eu e o Macedo, por exemplo, temos que voltar para a defesa sempre que os laterais do Rio Branco apoiarem o ataque”, explicou Jamelli.

Maratona preocupa Joãozinho

A maratona de jogos que o Santos vem enfrentando no Paulista começa a preocupar o técnico Joãozinho. Ele considera as falhas cometidas nos últimos jogos como produto do “cansaço”.

Entre os dias 12 e 20 de março, o Santos enfrentou Guarani, Corinthians, Portuguesa e Ponte Preta. Diante da Portuguesa foi no último sábado. Segunda-feira, a equipe jogou contra a Ponte Preta.

“Perco, em média, três quilos por partida. Isso é até normal. O problema é que não estamos tendo tempo para recuperar esse desgaste”, afirmou o meia Carlinhos.

Para Joãozinho, a sequência de jogos está acentuando problemas que o time vinha tendo condições de superar dentro de campo.

“A equipe está errando muitos passes. Estafados física e psicologicamente, os jogadores já não apresentam a mesma rapidez e força”, avaliou o treinador.

Outro problema para Joãozinho são os cartões. Hoje quatro jogadores estão suspensos. Contra a Ponte Preta, os jogadores do Santos receberam seis cartões amarelos e um vermelho, o maior número de advertências em uma única partida.