Santos 3 x 1 Botafogo

Data: 29/11/1995, quarta-feira, 20h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 11ª rodada (penúltima)
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 20.300 pagantes
Renda: R$ 177.600,00
Árbitro: Wilson Souza Mendonça (PE)
Cartões amarelos:Marcelo Silva (S); Wilson Goiano, Guto, Leandro, Jamir e Sérgio Manoel (B).
Gols: Vágner (23-1), Giovanni (35-1); Jamelli (09-2), Dauri (26-2).

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Marcelo Silva e Marcos Paulo; Gallo, Carlinhos, Vágner e Robert (Camanducaia); Giovanni e Jamelli.
Técnico: Cabralzinho

BOTAFOGO
Wagner; Wilson Goiano, Gonçalves, Gottardo e Guto (Dauri); Leandro Ávila, Jamir, Beto e Sérgio Manoel; Narcisio (Iranildo) e Túlio (Moisés).
Técnico: Paulo Autuori



Santos vence e é favorito para vaga

O Santos venceu ontem o Botafogo-RJ por 3 a 0, na penúltima rodada da fase classificatória do Brasileiro. Com o resultado, o time passou a ter o ataque mais positivo do torneio, com 42 gols.

A equipe paulista voltou a liderar o Grupo B e é favorita na disputa com o Atlético pela vaga para as semifinais (leia texto abaixo).

Já o Botafogo, mesmo derrotado, garantiu a sua classificação. O clube foi beneficiado pela derrota do Corinthians para o Bahia e já não pode mais ser alcançado na liderança do Grupo A.

O jogo agitou a cidade de Santos. Houve filas durante o dia nas bilheterias do clube. Mais de 20 mil torcedores santistas lotaram o estádio da Vila Belmiro. Segundo a PM, cerca de 3.000 pessoas ficaram de fora. Os ingressos se esgotaram três horas antes da partida.

O Santos fez uma de suas melhores partidas neste Brasileiro. Dominou totalmente o Botafogo, que não conseguiu criar nenhuma chance de gol na primeira etapa.

Os números do Datafolha comprovam o domínio santista. A equipe cometeu 20 faltas, contra 35 do Botafogo. Teve 40 dribles certos, contra só 9 do adversário. Acertou ainda 7 chutes a gol, contra 4 do time carioca.

O artilheiro Túlio, isolado pela marcação da defesa, não deu nenhum chute a gol. Ele acabou substituído no segundo tempo.
O Santos também não levou muito perigo à meta carioca até a metade da primeira etapa.

Aos 23min, porém, Giovanni cobrou rapidamente uma falta e lançou Jamelli na área. O atacante cruzou rasteiro e Vágner, de frente para o gol, só tocou de esquerda, abrindo o placar.

Além de acabar com uma série de cinco jogos sem tomar gols do time carioca, o gol de Vágner também desequilibrou a defesa do Botafogo e deu ânimo ao ataque santista, que passou a criar seguidas situações de perigo.

Aos 35min, Giovanni tabelou com Vágner no meio-campo e recebeu por trás da defesa adversário. Ele avançou e chutou na saída do goleiro Wagner, ampliando o marcador para o Santos.

O segundo tempo começou como terminou o primeiro. O Santos dominava o meio-campo e ameaçava o gol de Wagner. Já o Botafogo, jogando sem motivação, continuava apático.

Logo aos 9min, a equipe de Cabralzinho fez seu terceiro gol. O volante Carlinhos fez boa jogada pela esquerda, atraiu a marcação e cruzou para Jamelli, que chutou prensado no meio da área. A bola entrou no canto esquerdo.

O único gol do Botafogo saiu numa falha da defesa santista. Aos 36min, Dauri, desmarcado, completou de cabeça um cruzamento.

O gol motivou um pouco o time carioca, que passou a pressionar nos minutos finais, mas sem criar novas oportunidades.

Cabralzinho contém euforia

O técnico Cabralzinho procurou conter a euforia ao final do jogo de ontem. Para o técnico santista, “ainda falta um jogo, depois eu comemoro”.

Apesar disso, Cabralzinho declarou que se o Santos repetir contra o Guarani o futebol apresentado contra o Botafogo, “será muito difícil perder o jogo”. Segundo Cabralzinho, “pelo que fez hoje, o Santos não merece morrer na praia”.

Cabralzinho destacou a “velocidade do time, aliada a garra e seriedade” como principais fatores que levaram o Santos à vitória.

“O time está se credenciando ao título. Hoje, vencemos talvez o melhor time deste campeonato”, declarou o treinador do Santos.

Para o zagueiro Marquinhos Capixaba, que estava afastado do time há 11 jogos, a defesa do Santos foi perfeita. “Foi tudo perfeito, dentro daquilo que tínhamos programado. Espero ter ganho a condição de titular”, afirmou.

No vestiário do Botafogo, houve muita reclamação contra o árbitro da partida.

‘Falta pouco’, diz Jamelli

O atacante Jamelli disse ontem, após a vitória contra o Botafogo, que “a guerra ainda não acabou”, referindo-se à última partida do Santos, domingo, contra o Guarani, no Pacaembu.

Jamelli dedicou a vitória à torcida. “Essa vitória é inteirinha dela”, afirmou.

Agência Folha – O Santos está com a mão na classificação?
Jamelli – Nada disso. Para nós, a guerra, o jogo, ainda não acabou. Ele começou naquela vitória contra o Corinthians e só acaba contra o Guarani. Por enquanto, não tem nada garantido. Hoje (ontem) foi mais um passo nessa guerra.

Agência Folha – O Santos jogará contra o Guarani no Pacaembu. Como você analisa essa mudança?
Jamelli – É boa. Teremos com certeza um grande público, como hoje (ontem) aqui na Vila.
Além disso, tentaremos retribuir aos torcedores da capital todo o apoio recebido em São Paulo. Essa torcida, hoje, deu um show à parte. Essa vitória é inteirinha dela.

Agência Folha – Qual foi o principal mérito da equipe hoje?
Jamelli – Fomos um todo. O time jogou em bloco. No primeiro tempo, o Botafogo não jogou. O Santos marcou o campo todo, não deu espaços, enfim, não podia ser diferente. Acho até que poderíamos marcar mais gols.

Agência Folha – Você ainda tem dúvidas quanto à classificação?
Jamelli – Eu não. Só não quero embarcar na euforia da torcida. Vou continuar encarando o Guarani como uma pedreira.
Tudo agora tem que ser encarado com seriedade. Falta pouco.

Atlético-MG tem 22% de chance de obter vaga

Com a vitória conseguida pelo Santos ontem, contra o Botafogo, o Atlético-MG passa a ter 22,2% de chances de se classificar para as semifinais do Campeonato Brasileiro, segundo o Datafolha.

O Datafolha calcula as possibilidades de classificação dos times considerando vitórias por 1 a 0 e considerando cada uma das possibilidades de resultado -empate, vitória ou derrota- com a mesma probabilidade de ocorrer.

Com um ponto a menos na classificação do Grupo B, no segundo turno, o Atlético-MG chega na última rodada sem depender unicamente de seu resultado.
Além de precisar derrotar o Vitória, em Salvador, os mineiros necessitam que o Santos perca pelo menos dois pontos -um empate- para o Guarani.

Caso o Atlético-MG empate e o Santos seja derrotado, ambas as equipes ficariam com 24 pontos e com 7 vitórias, o primeiro critério de desempate. O Santos leva vantagem no saldo de gols: 11, contra 5 do Atlético-MG.