Santos 2 x 2 Palmeiras

Data: 23/05/1998, sábado, 16h00.
Competição: Copa do Brasil – Semifinal – Jogo de volta
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 21.680 pagantes
Renda: R$ 206.600,00
Árbitro: Antônio Pereira da Silva (GO).
Cartões amarelos: Sandro e Ânderson Lima (S); Júnior, Roque Júnior e Velloso (P).
Gols: Viola (02-1), Oséas (09-1); Darci (07-2) e Argel (47-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima (Marcos Bazílio), Argel, Sandro e Dutra; Élder (Fernando), Baiano, Jorginho (Adiel) e Caíco; Müller e Viola.
Técnico: Emerson Leão

PALMEIRAS
Velloso; Arce, Roque Júnior, Agnaldo e Júnior; Galeano, Rogério, Darci e Zinho (Pedrinho); Oséas (Almir) e Paulo Nunes (Júnior Tuchê).
Técnico: Luiz Felipe Scolari



Surpresas de Scolari dão a vaga ao Palmeiras na Vila

Técnico coloca Oséas e Darci desde o início, e atletas marcam os gols

O Palmeiras empatou em 2 a 2 com o Santos ontem à tarde, na Vila Belmiro, e se classificou para a final da Copa do Brasil, na qual enfrentará o Cruzeiro, que empatou sem gols no Rio com o Vasco.

O primeiro jogo da decisão será na próxima terça-feira, em Belo Horizonte. A decisão é a reedição da final da Copa do Brasil de 96, vencida pelo time mineiro.

O resultado classificou o Palmeiras porque o primeiro critério de desempate no torneio é o gol marcado na casa do adversário. O primeiro jogo havia sido 1 a 1.

O técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, montou o time com duas surpresas. Oséas, que estava na reserva, começou no lugar de Almir. Mesmo precisando marcar gols, Scolari fechou o meio-campo, trocando Alex, meia de criação, por Darci, meia defensivo. E foram justamente de Oséas e Darci os gols palmeirenses.

Logo aos 2min de partida, Agnaldo fez falta em Viola na linha de fundo, na direita. Ânderson cobrou, e Viola subiu livre de marcação para, de cabeça, fazer 1 a 0.

A reação palmeirense foi imediata. Em um contra-ataque rápido, Paulo Nunes recebeu na esquerda e lançou Oséas, que chutou de primeira, sem defesa para Zetti.

Com o empate em 1 a 1, que levaria o jogo para os pênaltis, o jogo perdeu velocidade.

Para a segunda etapa, o técnico do Santos, Leão, trocou Jorginho por Adiel e Ânderson por Marcos Bazílio, utilizando este para reforçar a marcação no meio e deslocando Baiano para a lateral.

Mas, aos 7min, Darci recebeu de Júnior, conduziu até a entrada da grande área santista e chutou no ângulo de Zetti, fazendo 2 a 1.

O gol pôs abaixo a estratégia santista de jogar nos contra-ataques, forçando o time à ofensividade.

O Palmeiras se fechou na defesa Pedrinho entrou no lugar de Zinho, e o Santos só conseguiu empatar nos acréscimos, numa cabeçada de Argel.



Zaga santista espera sofrer gol

A defesa do Santos garantirá a classificação do time para as finais da Copa do Brasil se não sofrer gol no jogo de hoje à tarde contra o Palmeiras, na Vila Belmiro.

O empate em 0 a 0 dá a vaga ao Santos, mas dificilmente o time deixará de sofrer gols. Isso aconteceu apenas seis vezes nas 26 partidas da equipe neste ano.

Pela Copa do Brasil, a defesa levou 13 gols em 8 jogos (média de 1,62 por partida), dos quais 12 aconteceram nas cinco primeiras partidas na competição, quando a zaga era formada por Argel e Ronaldão (média de 2,4 por jogo).

No mês passado, Ronaldão se transferiu para o Coritiba, e a nova dupla de zaga, Argel e Sandro, levou um gol em três jogos (0,33 por partida) na Copa do Brasil.

O gaúcho Argel afirma que a responsabilidade de não levar gols não é apenas dos zagueiros. Segundo ele, a marcação para neutralizar as jogadas adversárias tem de começar no ataque, com pressão sobre a saída de bola.

“O que fala mais alto é o coletivo. Não depende só de nós (zagueiros)”, declarou.

Para Sandro, a principal dificuldade da zaga santista hoje é a força do adversário. “Não é fácil ficar 90 minutos sem tomar gols do Palmeiras”, afirmou.

Igualdade

O retrospecto dos jogos do Santos neste ano não favorece uma eventual intenção de tentar garantir o 0 a 0.

Dos 26 jogos -incluindo Campeonato Paulista, Torneio Rio-São Paulo, Copa do Brasil e amistosos-, só dois terminaram empatados sem gols, ambos fora de casa (com a Lusa, pelo Paulista, e com o Botafogo, pelo Rio-São Paulo).

Se houver empate em um gol, a decisão vai para a disputa por pênaltis; por dois gols ou mais, o Palmeiras fica com a vaga. A vitória garante a vaga a qualquer um.

“Temos a vantagem do 0 a 0, não do empate. Existe uma igualdade, porque o Palmeiras também depende só dele. Vamos entrar em campo para jogar da mesma maneira que jogamos em São Paulo”, afirmou o técnico Leão.

Argel também quer o time ofensivo, até como forma de garantir o apoio da torcida, que normalmente vaia quando a equipe não atua bem na Vila Belmiro.



Fonte: Estadão