Santos 2 x 1 Coritiba

Data: 14/09/1997, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 8.557 pagantes
Renda: R$ 62.815,00
Árbitro: Luciano Almeida (DF).
Cartões amarelos: Arinélson, Baiano, João Santos e Rogério Seves (S); Paulo Foiani, Pedro, Sérgio e Flávio (C).
Cartão vermelho: Reginaldo (C, 53-1).
Gols: Basílio (54-1); Macedo (33-2) e Edgar Baez (42-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Jean, Ronaldão e Rogério Seves (Michel); Marcos Bazílio (Edgar Baez), João Santos (Marcelo Passos), Caíco e Arinelson; Caio e Macedo.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

CORITIBA
Sérgio; Pedro Aruba, Zambiasi, Flávio e Ronaldo Luís; Reginaldo, Vagner Mancini, Cléber (Guilherme) e Basílio (Dirceu); Paulo Foiani e Marquinhos (Eliomar).
Técnico: Rubens Minelli



De virada, Santos vence Coritiba na Vila

O técnico Wanderley Luxemburgo saiu aplaudido pela torcida ontem após a vitória do Santos sobre o Coritiba, por 2 a 1. Foi a quinta vitória do time nos cinco jogos que fez na Vila Belmiro, em Santos.

Luxemburgo fez duas substituições arriscadas, que ajudaram o time a virar o jogo, aos 43min do segundo tempo.

O paraguaio Edgar Baez, autor do gol da vitória, também foi festejado pelos torcedores. Mas o titular Caio, que errou um pênalti aos 8min de jogo, foi vaiado. O atacante perdeu seguidas chances de gol durante toda a partida.

O Santos iniciou o jogo marcando a saída de bola do adversário. Logo aos 8min, o zagueiro Zambiasi falhou e Macedo invadiu a área e foi derrubado pelo goleiro Sérgio. Caio cobrou, e a bola bateu na trave esquerda.

Caio voltou a perder chances de gol aos 14min, 29min e, principalmente, aos 37min, quando cabeceou e o zagueiro Flávio tirou a bola em cima da linha do gol.

O Coritiba ameaçou logo a seguir. Cléber foi mais rápido que Jean e chutou forte, visando a entrada de Marquinhos, que não completou a jogada.

Foi depois dos 45min que o jogo ganhou emoção. Aos 53min, o árbitro expulsou o volante paranaense Reginaldo, que já tinha o cartão amarelo.

Aos 54min, o Coritiba marcou. Basílio foi lançado, o zagueiro Ronaldão escorregou, e o atacante entrou na área e chutou cruzado, sem chance para o goleiro Zetti, do Santos.

Com um jogador a mais, o Santos voltou mais ofensivo do intervalo, enquanto o Coritiba fechou-se. O gol do empate aconteceu aos 33min. Arinélson fez jogada pela esquerda e passou a Macedo, que acertou um chute de pé direito, cruzado.

A torcida começou a gritar “mais um”, e o técnico Luxemburgo fez duas alterações: Michel e Baez entraram nos lugares de Rogério Seves e Marcos Bazílio.

E foram eles que criaram a jogada do gol da vitória. Michel cruzou da direita para Baez cabecear forte no canto esquerdo. O goleiro Sérgio ainda chegou a tocar na bola, em vão.

Ao final, os jogadores se reuniram no centro do campo, para comemorar abraçados a vitória. “Foi a vitória da garra e amor à camisa”, definiu Luxemburgo.

Jogador paraguaio anota gol e vira herói do jogo

O paraguaio Edgar “Chito” Baez viveu seu dia de glória no Santos. Marcou o gol da vitória contra o Coritiba e deixou o campo cercado pelos repórteres e ouvindo a torcida gritar seu nome.

“Estou emocionado. Mereço este momento porque nunca desanimei, mesmo quando não fui relacionado nem para o banco de reservas. Quem sabe é a minha nova fase no Santos”, disse o jogador.

Desde quando foi contratado ao Guarani de Assunção (Paraguai), Baez não havia conseguido firmar-se no Santos. Disputou poucas partidas, ficou longo período machucado e marcou só dois gols, de cabeça, incluindo o de hoje.

“O cabeceio é o meu forte. Quando veio o cruzamento do Michel, senti que era o momento. Fui confiante para a bola, cabeceei visando o canto esquerdo e fui feliz.”

O goleiro Sérgio, do Coritiba, que defendeu o Santos no ano passado, disse: “Conheço o Baez. Ele é muito bom no cabeceio. Avisei os meus zagueiros quando ele entrou. Na cabeçada, tentei jogar a bola para escanteio, mas a violência com que ela tocou no chão impediu o desvio”, disse Sérgio.



Santos enfrenta nervos na Vila Belmiro ( Em 14/09/1997 )

Os jogadores do Santos terão de controlar os nervos para conseguir uma vitória hoje, às 16h, contra o Coritiba, no estádio da Vila Belmiro, em Santos.

Além do adversário, a equipe terá contra si o abalo emocional provocado pela derrota de virada (2 a 1) para o Atlético-MG, anteontem, em Belo Horizonte, e a pressão da torcida santista, que exigirá uma vitória convincente.

As circunstâncias da derrota para o Atlético-MG geraram um ambiente de abatimento no vestiário santista após o jogo.

“Ficamos muito chateados. Está difícil assimilar a derrota porque o time jogou melhor que o Atlético-MG. Agora, não temos opção senão vencer o Coritiba”, afirmou o jogador Baiano, que vai jogar como lateral-direito.

O time levou dois gols, aos 41min e aos 43min do segundo tempo, depois de estar vencendo por 1 a 0 mesmo com um jogador a menos -Ânderson havia sido expulso.

Em duas semanas, é a segunda vez que a equipe perde de virada. A primeira foi no último dia 4, contra o River Plate, pela Supercopa (3 a 2, após estar vencendo por 2 a 0).

As derrotas fora de casa reforçam o estigma de time “caseiro” -de oito jogos no campo do adversário, o Santos perdeu cinco, empatou dois e ganhou um. Na Vila Belmiro, venceu as quatro partidas que disputou.

Se manter a média de 100% conquistados em casa e 20% fora, a equipe chegará ao fim da primeira fase com 44 pontos e com quase certeza irá se classificar.

Hoje, a equipe também estará sujeita à impaciência de parte da torcida. “O time está correndo o risco de não se classificar e ainda quer aplauso?”, pergunta Cosme Damião Freitas Cid, presidente da Torcida Jovem, a maior organizada do Santos.

Cid fez referência ao técnico Wanderley Luxemburgo, que no último domingo queixou-se de uma manifestação de torcedores e conselheiros que pediam sua saída, à porta do vestiário na Vila Belmiro, após a vitória por 2 a 0 sobre o Criciúma.

Luxemburgo diz que não quer mais comentar o episódio, mas nega que a derrota para o Atlético-MG tenha significado um princípio de crise.

Apesar da instabilidade no Brasileiro (cinco vitórias, dois empates e cinco derrotas), o técnico interpreta de maneira otimista o desempenho do time.

“A base da classificação está na Vila Belmiro. Acho que a fase crítica já passou, porque agora teremos mais jogos em casa do que fora. O vento agora sopra a favor”, declarou Luxemburgo.



Fonte: Estadão