Palmeiras 1 x 1 Santos

Data: 03/04/1994, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 2º turno – 20ª rodada
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 27.796 pagantes
Renda: CR$ 96.940.000,00
Árbitro: Oscar Roberto Godói.
Cartão vermelho: Cléber (P, 08-2).
Gols: Evair (10-1, de pênalti) e Índio (23-1).

PALMEIRAS
Fernandez; Cláudio, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Mazinho (Amaral), Rincón e Zinho; Edmundo (Tonhão) e Evair.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SANTOS
Edinho; Índio, Júnior, Maurício Copertino e Piá; Dinho, Gallo, Paulinho Kobayashi (Silva) e Ranielli; Macedo (Zé Renato) e Demétrios.
Técnico: Serginho Chulapa



Saída de Mazinho prejudica Palmeiras

O Palmeiras não repetiu sua boa atuação de sexta-feira na vitória de 4 a 2 sobre o Guarani, esbarrou nas boas defesas do goleiro Edinho, perdeu Mazinho aos 8min do primeiro tempo e só conseguiu empatar com o Santos ontem no Pacaembu.

O resultado deixa o time de Wanderley Luxemburgo com 27 pontos em segundo lugar, dois atrás do Corinthians na classificação do Campeonato Paulista. O Santos foi a 21 e permanece na quinta colocação.

O primeiro susto palmeirense ontem aconteceu aos 48 segundos de jogo, quando o atacante Macedo cabeceou uma bola na trave. Logo depois o volante Mazinho saiu, com uma contusão na coxa.

Aos 8min, porém, o zagueiro Maurício Copertino cortou um cruzamento de Roberto Carlos com a mão e o árbitro marcou o pênalti para o Palmeiras. Evair cobrou e fez 1 a 0, aos 10min.

O Santos se viu obrigado a correr atrás do prejuízo e partiu para o ataque. Conseguiu o empate aos 23min, gol do lateral-direito Índio.

A jogada começou na esquerda, uma cobrança de falta ensaiada. Índio recebeu fora da área e disparou um petardo que bateu na trave e no travessão de Fernandez, caindo dentro do gol.

Os jogadores do Palmeiras reclamaram porque a bola voltou para o campo em função do efeito do chute, mas o tento foi confirmado pelo juiz e por seu auxiliar.

O empate não era um bom resultado para o Palmeiras e o time voltou a atacar. Mas, sem Mazinho, encontrava dificuldades para armar as jogadas no meio-campo.

Só no final do primeiro tempo é que foram criadas duas boas chances, com Edmundo. Na primeira, aos 30min, ele chutou fora. Na segunda, aos 42min, Edinho fez excelente defesa.

No segundo tempo, o zagueiro Cléber foi expulso logo aos 8min depois de acertar uma botinada no centroavante Demétrius. Na hora Luxemburgo tirou Edmundo e colocou Tonhão em seu lugar.

Mas o Santos, curiosamente, parou. O Palmeiras notou e passou a explorar as descidas de Roberto Carlos pela esquerda.

Numa delas, o lateral acertou um belo chute de fora da área que Edinho mandou a escanteio numa grande defesa, em seu ângulo superior direito.

O goleiro santista, filho de Pelé, voltou a aparecer bem aos 40min, num chute forte de Evair da meia-lua após boa jogada de Rincón dentro da área.

Prosseguindo em sua maratona de jogos por três campeonatos (Paulista, Copa do Brasil e Taça Libertadores), o Palmeiras volta a campo amanhã contra o União, em Araras, e quinta-feira contra o Velez Sarsfield, em São Paulo. O meia Edílson, que estava suspenso com o terceiro cartão amarelo, deve voltar ao time amanhã.

Santos não aproveita a vantagem numérica

O Santos não soube aproveitar o fato de atuar com um jogador a mais que o Palmeiras a partir dos 8min do segundo tempo do clássico de ontem no Pacaembu.

Com a expulsão do zagueiro Cléber, que fez falta violenta em Demétrius, o time de Serginho Chulapa, ao contrário do que se esperava, acabou recuando ainda mais para segurar o empate.

No primeiro tempo o Santos começou bem, fazendo uma forte marcação no meio-campo. Isso inviabilizou as penetrações dos atacantes palmeirenses com tabelas rápidas entre Edmundo, Evair e Rincón, uma das armas do time.

A saída de Mazinho, machucado, no início do jogo facilitou as coisas para os santistas. Rincón, que passou a articular a ligação entre meio-campo e ataque, era constantemente cercado por pelo menos quatro jogadores do Santos.

O Palmeiras entendeu que o caminho seria outro e passou a atrair o Santos para seu campo na tentativa de armar contra-ataques rápidos com lançamentos longos.

A estratégia quase deu certo aos 42min da primeira etapa, quando Edmundo recebeu bom lançamento de Sampaio e só não fez o gol porque Edinho realizou uma grande defesa.

No segundo tempo, Luxemburgo deslocou Rincón para a direita, atraindo a marcação para aquele setor. A ideia era descongestionar a esquerda, onde o lateral Piá demonstrava ser uma das peças mais fracas da defesa adversária, e abrir espaços por ali.

Evair e Zinho, encarregados de distribuir o jogo, passaram então a inverter as jogadas com frequência para a esquerda, por onde o lateral Roberto Carlos descia sem marcação e com muito espaço. Como ele bate bem de fora da área, passou a ser uma boa opção ofensiva.

O técnico Serginho, ao perceber que poderia perder o jogo pela esquerda, tirou o meia Paulinho Kobayashi e colocou mais um lateral, Silva, estabilizando a defesa.

O recuo do Santos e a hesitação em tentar tirar vantagem do fato de ter um jogador a mais explica-se pela falta de meio-campistas habilidosos na equipe.

Os dois atacantes do time, Demétrius e Macedo (no final entrou Zé Renato), jogaram isolados na frente a maior parte do tempo, sem a assistência de seu meio-campo –que ontem foi eficiente apenas na marcação.

Aos berros, Serginho se agarra ao empate

Ele pode não ser um técnico convencional, mas resolve. Serginho Chulapa gritou feito louco, ontem no Pacaembu, com seus jogadores.

Sentiu que o Santos poderia vencer. Mas o empate no clássico “foi bom, um resultado justo”, afirmou o técnico nos vestiários. Mas reconheceu: “Cada jogo é um parto”.

O Santos não venceu. Mas mostrou “tranquilidade”, segundo Serginho, que fez o time obter o empate após levar um gol de pênalti logo no início do jogo. “Isso é muito bom para a equipe. Antes eles ficavam desesperados.”

Não saber tocar a bola, em sua avaliação, foi a grande falha. “Bola foi feita para acabar na rede”, explicou Serginho. “Berrei feito um louco para que eles tocassem a bola, principalmente após o Cléber ser expulso”, disse.

Mas o treinador reconheceu que a expulsão do zagueiro palmeirense acabou deixando o jogo mais para o adversário. “É comum isso. Os dez que sobram se transformam. Mas foi uma falha e, sendo assim, não dá para concordar.”

Há dez jogos no Santos –seis vitórias, três empates e apenas uma derrota–, Serginho reclamou muito do lance do pênalti. “O juiz deu lateral para nós e todo mundo se mandou para a frente. De repente, ele inverteu tudo e o Copertino não estava ligado”, declarou.

Para o técnico, no entanto, o jogador não teve saída. “Tentou cabecear, não conseguiu e acabou esticando o braço. Acontece”, disse.

O zagueiro Copertino repetiu o técnico. “Achei que o lateral era nosso e de repente era deles. Não tive escolha”, afirmou.

Serginho não quis apontar culpados. Mas deixou escapar sua insatisfação com o meia Kobayashi e, principalmente, com o lateral Piá. “Não dá para recuar, põe a bola para fora do estádio, pô! Em futebol não dá para vacilar”, reclamou.

O lateral Índio, autor do gol santista, afirmou que apesar do resultado, o time jogou bem. “Levamos o gol e soubemos ir à frente atrás do empate. Tivemos até chance de ganhar a partida. Mas tudo bem”, disse.

Serginho concorda. “Falei na preleção. Nós temos que respeitar o adversário e não ter medo dele. É clássico. E sendo clássico, estrela ou raça dá no mesmo. Os jogadores têm que se superar”, afirmou.

O treinador, no entanto, não negou sua participação na ascensão da equipe. “Fico de pé 90 minutos por jogo”, disse, fazendo cara de sofrimento. Muitas das suas instruções não passam de bons palavrões. Mas funciona.

“Temos um diálogo de amigo para amigo com o Serginho”, afirmou o meia Dinho, para quem o jogo foi “bom”, assim mesmo, “entre aspas”.

Edinho salva time outra vez

“A vontade de vencer é grande. Está no sangue.” Apontado por muitos como o melhor em campo, o goleiro Edinho mais uma vez salvou seu time.

“Graças à Deus, estou podendo mostrar meu trabalho” afirmou saindo do campo. Edinho declarou, como muitos de seus companheiros, que o Santos não soube aproveitar a vantagem de jogar com um homem a mais, após a expulsão do zagueiro Cléber.

“Acontece. Os que ficam se superam. Mas o empate foi um grande resultado”, afirmou.

E um resultado garantido por algumas grandes defesas de Edinho. “É melhor agora, porque todo o time está bem. Isso valoriza o meu trabalho”, disse Edinho, recordando a péssima campanha de seu time no primeiro turno. À época, Edinho também fazia grandes defesas. Mas levava muitos gols também, em falhas da defesa.

Edinho comentou também suas saídas do gol que, às vezes, inspiram pouca confiança. “Na hora, eu uso o que for. O joelho, o pé, a cabeça, o que for necessário para a bola não entrar”, disse. Negou que fosse por falta de experiência.



Fonte: Estadão