Santos 1 x 4 Palmeiras

Data: 06/03/1994, domingo, 19h30.
Competição: Campeonato Paulista – 1º turno – 11ª rodada
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 23.528 pagantes
Renda: CR$ 84.320.000,00
Árbitro: João Paulo Araújo
Gols: César Sampaio (34-1); Macedo (05-2), Marcelo Fernandes (07-2, contra), Evair (30-2) e Cléber (33-2).

SANTOS
Edinho; Índio, Júnior, Marcelo Fernandes e Silva (Luciano); Dinho, Gallo, Cerezo e Carlinhos; Macedo e Guga (Serginho Fraldinha).
Técnico: Pepe

PALMEIRAS
Sérgio; Cláudio, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral (Jean Carlos), Mazinho e Zinho; Edilson e Evair.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo



Palmeiras goleia Santos e agora é líder isolado

Por pontos ganhos, Santos ocupa a lanterna, ao lado do Ituano




Santos vai para clássico em clima tenso e com reforço na segurança ( Em 06/03/1994 )

O Santos enfrenta hoje o Palmeiras em clima tenso. O time, que já vinha abalado pelos maus resultados no campeonato, teve sua situação agravada com a agressão sofrida pelo goleiro Gilberto, anteontem, após o empate contra a Ferroviária. Controlar o nervosismo e o cansaço dos jogadores que chegaram na sexta-feira pela manhã do Japão são as principais preocupações do técnico Pepe.

Para piorar as condições da equipe, Pepe poderá ter até três desfalques. Piá está machucado e Júnior cumprirá suspensão automática. Além disso, o volante Dinho, contundido, também pode ficar de fora. “Ele está clinicamente recuperado. Mas, fisicamente não está bem”, disse o médico Carlos Braga.

No meio de toda essa situação, o técnico Pepe se declara preocupado em enfrentar o Palmeiras. “É praticamente impossível arrumar a casa no meio de tanta tensão. Faço um apelo para que os torcedores nos apóiem”, afirmou o treinador.

Entre os jogadores, o nervosismo é visível. A agressão contra o goleiro Gilberto deixou a maioria dos titulares revoltados. Entretanto, todos evitam comentários mais contundentes contra a torcida. “Não é por aí. Esse tipo de comportamento só piora as coisas, principalmente às vésperas de um clássico”, disse o goleiro Edinho.

Todos concordam que um novo resultado negativo hoje contra o Palmeiras pode provocar novas tentativas de agressões. “Vamos reforçar a segurança”, disse o presidente Miguel Kodja Neto, que amanhã completa dois meses à frente da diretoria do clube.

Na parte tática, Pepe afirma que apesar do fraco desempenho da equipe, não será armada uma retranca para enfrentar o Palmeiras. “O Santos, em qualquer situação, é um time grande. Não é possível imaginá-lo jogando retrancado, se preocupando somente em não perder”, disse.

O centroavante Neizinho, que ficará no banco de reservas, é um dos poucos otimistas em relação ao jogo de hoje. “Esperamos ganhar nosso primeiro clássico”, diz. Ele admite que os jogadores não estão em sua melhor forma física, mas afirma que todos vão superar a situação “com muito esforço”. Ele ainda acredita numa reabilitação no campeonato. “A torcida pode esperar bastante do time, ainda estamos no primeiro turno”.

Caso Dinho seja vetado, Pepe estuda a entrada de Cerezo no seu lugar. O lateral direito Índio volta ao time após cumprir suspensão automática. “Mais do que nunca o que precisamos é de calma. Ano passado vencemos duas vezes o Palmeiras. Acho que o time pode repetir esses resultados, apesar da má fase”, diz o jogador.

Santos joga preocupado com a torcida

Os jogadores já foram agredidos duas vezes e os torcedores prometem ainda mais violência

Além do Palmeiras, os jogadores do Santos temem principalmente os torcedores do próprio clube na partida de hoje à noite no Pacaembu.

Depois do empate de sexta-feira na Vila Belmiro por 1 a 1 com a Ferroviária, representantes de uma torcida organizada agrediram o goleiro Gilberto e ainda fizeram uma promessa: vão surrar os jogadores Guga, macedo e Dinho.

O clima na Vila Belmiro é de grande tensão. Afinal, o time realiza uma de suas piores campanhas e nos últimos 15 dias os torcedores recorreram à agressão por duas vezes. A primeira foi no Aeroporto de Cumbica, no embarque da delegação para o Japão.

Mesmo antes do início do jogo contra a Ferroviária, os torcedores vaiaram os jogadores e ironizaram insistentemente o goleiro Gilberto. Após a partida, quando deixou o vestiário, Gilberto foi cercado e agredido por cerca de 30 torcedores. O jogador só escapou de consequências mais graves por causa da intervenção do massagista Ari Jarrão e o auxiliar técnico Serginho Chulapa.

Gilberto passou pela Vila Belmiro e se mostrou revoltado. “Foi tudo muito bem organizado e os covardes me pegaram de surpresa.” Com hematoma no rosto, consequência de um soco, o goleiro pede providências da diretoria.

Nesse clima, o técnico Pepe comandou ontem à tarde um coletivo para tentar definir a equipe que enfrentará o Palmeiras. O time, porém, só deve ser anunciado nos vestiários, já que o treinador tem muitos problemas, a começar pelo zagueiro Júnior, que recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso.

O médio volante Dinho, contratado ao São Paulo no início do campeonato, é outra preocupação do treinador. O jogador praticamente não treinou durante esta semana em função de um problema muscular e depende de uma revisão médica que será feita hoje momentos antes do clássico. O médico Carlos Braga admitiu ontem que o jogador pode ser liberado, mas deixou claro que poderá se ressentir de falta de condicionamento físico.

Para piorar, o lateral esquerdo Piá contundiu-se e está fora da partida.

Em função desse quadro, Pepe vai armar um esquema defensivo e sonha em conseguir pelo menos um empate no clássico.

Aliás, o resultado também é muito importante para a diretoria, já que amanhã haverá reunião do Conselho Deliberativo e já se fala no afastamento do presidente Miguel Kodja Neto.



Fonte: Estadão