União São João 1 x 1 Santos

Data: 08/03/1994, terça-feira, 20h30.
Competição: Campeonato Paulista – 1º turno – 12ª rodada
Local: Estádio Dr. Hermínio Ometto, em Araras, SP.
Público: 2.721 pagantes
Renda: CR$ 4.188.000,00
Árbitro: Antônio de Pádua Sales
Cartão vermelho: Marcelo Fernandes (S).
Gols: Cerezo (04-1) e Cleomar (10-2).

UNIÃO SÃO JOÃO
Ricardo Pinto; Edinho, Maciel, Cláudio e Carlos Roberto; Vágner, Alexandre, Marcelo Lopes e Chiquinho; Ozias (Israel) e Cleomar.
Técnico: Jair Picerni

SANTOS
Edinho; Sérgio Santos, Júnior, Marcelo Fernandes e Luciano; Dinho, Gallo, Cerezo e Carlinhos (Zé Renato); Macedo (Neizinho) e Guga.
Técnico: Serginho Chulapa



Santos quer a vitória para acalmar revolta da torcida

O Santos enfrenta o União São João esta noite em Araras jogando contra sua crise. O time dirigido por Serginho Chulapa entra em campo às 20h30 com a missão de vencer para fugir da última colocação do Campeonato Paulista e aplacar a fúria das torcidas organizadas, que prometem agressões.

O técnico Serginho deve escalar Luciano na esquerda do ataque, para formar a linha de frente com Macedo e Guga. O Santos tem o pior ataque do campeonato, com 6 gols em 10 partidas, e quer reagir com uma equipe ofensiva.

Para dois representantes das maiores torcidas uniformizadas do Santos, a paciência com o time já acabou. O clima é de revolta e continuam sendo feitas promessas de novas agressões. Na última sexta-feira, na Vila Belmiro, após o empate com a Ferroviária, o goleiro Gilberto foi agredido.

Em 20 de fevereiro, torcedores trocaram socos e cadeiradas com a delegação do Santos que se preparava para embarcar para o Japão, no aeroporto de Cumbica. “Eu fui lá para conversar com eles. Mas o Guga xingou a gente, aí começou a confusão”, afirma o ex-presidente da Torcida Jovem, Edivaldo Giavara, 21.

Dizendo-se humilhado com a campanha do Santos, Giavara afirmou que novas agressões podem surgir. “Todo mundo ali tem que apanhar. A minha paciência terminou”, declarou.

O presidente da Sangue Jovem, Ricardo Przygoda, 21, acredita que os jogadores do Santos “merecem apanhar”. Ele criticou Dinho, Macedo, Silva, Gilberto, Guga e Paulinho Kobayashi. “Os caras jogam sem vontade, andam em campo”, afirmou.



Pelé procura o patrocínio da Pepsi-Cola para o Santos

Pelé participou ontem, pela primeira vez como diretor do Santos, da reunião do Conselho Deliberativo do Clube. Em seu discurso, anunciou que vem mantendo contatos com a Pepsi-Cola, Pizza Hut e a indústria têxtil Rosset para o patrocínio do time.

Ele voltou a criticar as diretorias anteriores. “Na minha época de jogador, a administração do Santos já era ruim. É por isso que o clube está nessa situação”, afirmou. Pelé disse que, pela falta de estrutura do Santos, está difícil concluir negociações para a vinda de um grande patrocinador.

“Ninguém empresta dinheiro para uma firma falida e é essa hoje a situação aqui na Vila Belmiro”, afirmou. Pelé disse que está tentando fazer uma auditoria nas contas das diretorias anteriores e não vem conseguindo. Segundo ele, os patrocinadores contatados querem documentos sobre a situação financeira do clube.

Para o presidente do Conselho Deliberativo e membro da administração anterior, Edmon Atik, “o presidente tem liberdade para pedir uma auditoria, não precisa do Conselho para isso”. O ex-presidente Marcelo Teixeira discorda do projeto de Pelé, que prevê resultados no futebol para daqui a dois anos. “No meu entender, o carro-chefe do clube é o futebol, por isso investimos majoritariamente no time”, disse.

Sobre as contratações feitas pela atual diretoria, Pelé se revelou frustrado com os resultados. “Ninguém poderia dizer que o Dinho, o Macedo e o Gilberto eram piores que o Axel”, disse.