Jogos inesquecíveis


Racing Club 3 x 8 Santos

Data: 03/02/1962, sábado.
Competição: Torneio Triangular de Buenos Aires – 1ª rodada
Local: Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, Argentina.
Público: N/D
Renda: 4.500.000,00 pesos (Cr$ 19.350.000,00)
Árbitro: Juan Carlos Pradaude (ARG).
Gols: Coutinho (04-1), Coutinho (10-1), Pelé (11-1), Jedlinski (40-1, contra) e Sosa (41-1); Cardenas (04-2), Belén (12-2), Pepe (19-2, de falta), Coutinho (22-2) e Pepe (32-2) e Pepe (41-2).

RACING CLUB (ARG)
Osvaldo Negri; Blanco (Silas), Anido (Jedlinski) e Juan Mesías; Peano (Marchetta) e Federico Sacchi; Oreste Corbatta, Pizzuto, Pedro Mansilla (Cardenas), Rubén Sosa e Raúl Belén.
Técnico: Juan Carlos Verdeal

SANTOS
Laércio (Gylmar); Lima, Olavo, Calvet e Décio Brito; Zito (Getúlio) e Mengálvio (Tite): Dorval, Coutinho (Pagão), Pelé e Pepe.
Técnico: Lula



Campeão brasileiro massacra campeão argentino: 8 a 3

Oito: Coutinho e Pepe fazem 3 gols cada; Pelé e Jedlinski, contra, completam o placar

O Santos goleou em Buenos Aires por 8 a 3 Racing Club, campeão argentino de 1961, no primeiro encontro do Torneio Triangular, do qual participará também o River Plate.

O numeroso público que presenciou a partida não ficou decepcionado. Desenvolvendo uma espetacular atuação ofensiva , o quadro brasileiro justificou a fama de conjunto realmente temível, capacitado a fulminar o adversário em espaço de minutos. O Santos deu a impressão de que conquistava os seus pontos quando os jogadores se propunham a isso. A excepcional atuação do Santos deu-se ao trabalho de três de seus melhores jogadores: Zito, Coutinho e Pelé. O Racing apesar de ter ensaiado uma reação, não suportou a eficiência dos brasileiros.

Primeiro tempo

Aos 12′, o Santos FC já havia assinalado três gols: Coutinho aos 4′ e aos 10′ e Pelé aos 11′. A partida perdeu em movimentação e brilho, pois os brasileiros acomodaram-se resguardando-se na defesa. Essa retração permitiu aos argentinos reagirem e envolverem os santistas em algumas oportunidades. Somente aos 40′ que o Racing obteve seu primeiro gol. Ainda que recuados os brasileiros marcaram ainda no primeiro tempo (Sacchi contra), quando faltavam poucos minutos para seu encerramento.

Segundo tempo

Foi no início da segunda etapa que se registrou realmente uma reação dos argentinos. Abrindo a melhor fase da partida, Cardenas marcou de cabeça aos 2′, propiciando posteriormente uma série de avançadas perigosas contra o gol de Gylmar, que praticou intervenções de vulto. Cardenas marcou o terceiro gol e teve-se a impressão que o Racing dificilmente deixaria de conseguir o empate. Uma impressionante avalanche de gols, porém, afogou completamente o campeão argentino. Pepe marcou aos 9′, Coutinho ampliou aos 11′ e Pepe tornou a marcar, desta vez aos 34′ e 43′.

Convém ressaltar que a extraordinária performance do médio Zito foi o fator preponderante da goleada santista. O dinâmico jogador recuperou para seu quadro o domínio do meio de campo, base principal da momentânea reação platina.

Pelé

Muito embora marcasse um único gol, Pelé revelou-se novamente como o melhor avante santista. Inspiradíssimo, Coutinho igualou-se ao famoso companheiro. Pepe foi outro excelente atacante, muito preciso nos chutes a gol e nas cobranças de faltas. Zito foi figura destacadíssima no meio de campo e Laércio e Gylmar praticaram ótimas defesas. O desempenho do setor defensivo dos praianos pode ser considerado regular, mas com especial situação para o zagueiro central Olavo.

Pelo trabalho que desenvolveram nos minutos de reação, Sosa, Belén e Pizzuti, merecem ser indicados entre os melhores avantes do Racing. A defensiva, totalmente envolvida, não apresentou destaques, exceto o goleiro Negri e o zagueiro Silas.



Fontes:
Jornal Folha de SP
Estadão