Santos 4 x 2 Corinthians

Data: 25/04/1999, domingo
Competição: Campeonato Paulista – 2ª fase – 10ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Publico e renda: N/D
Árbitro: Flávio de Carvalho (SP)
Cartões amarelos: Rodrigo, Rodrigão, Claudiomiro e Gustavo Nery (S); Rodrigo e Marcelinho Carioca (C).
Gols: Gustavo (04-1), Ricardinho (37-1); Dinei (16-2), Viola (19-2), Anderson (30-2) e Narciso (42-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Claudiomiro e Gustavo Nery; Marcos Assunção, Narciso, Jorginho e Rodrigo Fabri (Marcos Bazílio); Alessandro (Lúcio) e Rodrigão (Viola).
Técnico: Émerson Leão

CORINTHIANS
Nei; Rodrigo (Pingo), Nenê, Gamarra e Silvinho; Amaral, Vampeta, Marcelinho Carioca e RIcardinho (Fernando); Edison e Dinei.
Técnico: Evaristo de Macedo.



Leão muda a marcação e Santos goleia

Técnico santista corrige erros no intervalo e propicia vitória, que leva time a disparar na liderança do Grupo 4

As alterações de Emerson Leão no segundo tempo levaram o Santos à vitória ontem na Vila Belmiro, em Santos, contra o Corinthians, por 4 a 2.
Percebendo que o meio-campo de seu time marcava mal, o técnico santista acertou o posicionamento do volante Narciso e colocou Marcos Bazílio no lugar de Rodrigo, o que deu estabilidade ao setor.

Promovendo também as entradas de Lúcio e Viola, o Santos melhorou na marcação e venceu. Com 20 pontos, é líder disparado do Grupo 4, 7 a mais do que o Corinthians, que se encontra fora da zona de classificação.

A etapa inicial teve duas fases distintas. Nos primeiros 15 minutos, o Santos foi melhor, marcando 1 a 0 com o lateral Gustavo e perdendo pelo menos outras duas boas chances de gol.

O gol de Gustavo, logo aos 4min, deu-se quando o atleta fez um levantamento para a área, a bola desviou em Gamarra e acabou enganando o goleiro Nei.

A partir dos 15 minutos, porém, o Corinthians equilibrou as ações, explorando melhor as falhas dos volantes Marcos Assunção e Narciso, e criando situações de perigo para o goleiro Zetti.

Aos 37min, o meia Ricardinho empatou, marcando um belo gol, um chute alto, da entrada da área, no canto direito de Zetti.

No segundo tempo, o Corinthians chegou a virar, aos 16min, com Dinei aproveitando falha de Zetti, que rebateu para a frente chute de Ricardinho.
Mas, três minutos depois, Viola, que entrou no segundo tempo, depois de passar cerca de um mês fazendo tratamento médico, empatou em cruzamento de Rodrigo.

E, a partir daí, com as três alterações de Leão já tendo sido feitas, o Santos viraria o placar com Ânderson, aos 30min.

Com mais liberdade para atacar na etapa final -Lúcio e o próprio Marcos Bazílio ficavam mais recuados-, Narciso, que havia dado o passe para Ânderson marcar o terceiro gol, aos 40min fez o seu, completando o marcador.

Alteração no meio-campo virou jogo, diz técnico

A entrada do volante Marcos Bazílio no lugar do meia Rodrigo no segundo tempo foi um dos fatores fundamentais para a vitória do Santos, segundo avaliação do técnico Emerson Leão.

“Estávamos perdendo o meio-campo. Por isso, coloquei o Bazílio, que deu mais força ao setor.”

Para o treinador, o Santos foi superior durante 70% do tempo e permitiu a vitória parcial do Corinthians por 2 a 1 “nos 30% em que jogamos mal”.
“Fizemos 20 minutos mágicos no primeiro tempo. Depois, caímos. Fiquei preocupado porque começamos a errar, e a equipe precisava ter maturidade para quebrar o ritmo do adversário. Quando adquirimos essa consciência, ganhamos”, declarou Leão.

O meia Jorginho disse que o time “deu uma bobeira” ao permitir a reação do Corinthians no início do segundo tempo e, depois disso, ficou ansioso para empatar. “Estivemos afoitos naquele momento, mas depois veio a frieza.”

Para o volante Narciso, “a raça e a vontade” foram os fatores que garantiram a vitória. Quando levamos o segundo gol, eu tinha certeza de que iríamos virar”, disse.

Corintianos reclamam de jogar na Vila

Jogadores e torcedores do Corinthians reclamaram muito de o time ter sido obrigado a atuar na Vila Belmiro. Reclamaram o tratamento dado ao São Paulo, que enfrentou o Santos na capital.

Para os atletas, o problema foi o aquecimento, que, por causa do tamanho do vestiário, teve que ser feito dentro do campo.

Os torcedores reclamaram mais. A primeira queixa dizia respeito ao preço da arquibancada, que custou R$ 20, o dobro do preço dos clássicos, que é de R$ 10, e dos demais jogos, de R$ 5.

A segunda, ao fato de, por causa de um acidente na estrada, alguns ônibus com corintianos terem chegado atrasados à Vila. Para piorar, no estádio do Santos só estavam sendo vendidos ingressos para sócios do clube, o que os obrigou a ir ao Ulrico Mursa, estádio da Portuguesa Santista. Assim, muitos pagaram R$ 20 para ver só o segundo tempo.

Sobre a derrota, os corintianos tinham opiniões divergentes.

Marcelinho preferia culpar a arbitragem. “O juiz estava perdido. No primeiro tempo, não viu que o Gustavo pôs a mão na bola dentro da área. Era pênalti para a gente, que ele não deu”, reclamava o meia-atacante.

Para o goleiro Nei, o time cometeu dois erros. Falhou ao dar espaço aos contra-ataques santistas no segundo tempo e está falhando ao priorizar a Libertadores. “O pessoal não pode ficar pensando no jogo contra o Palmeiras, que é só no dia 5. Tem que se concentrar também no Paulista.”

Já o volante Amaral atribuía o resultado aos méritos do Santos. “Eles ganharam porque foram muito bem no segundo tempo. Depois que entrou o Viola, foi mais difícil segurá-los.”

Hoje pela manhã, os corintianos continuam sua maratona, viajando para Caxias do Sul, onde pegam amanhã o Juventude pela Copa do Brasil. Na sexta, haverá o jogo de volta, no estádio do Pacaembu.

Os dois confrontos contra o time gaúcho são válidos pelas oitavas-de-final do torneio.

No domingo, menos de 48 horas depois de terem enfrentado o Juventude, os jogadores voltam a campo pelo Paulista para pegar o Mogi Mirim, no Canindé. Nesta partida, no entanto, todos os titulares devem ser poupados.



Santistas lutam por vantagem (Em 25/04/1999)

O Santos deflagra hoje contra o Corinthians o início de uma corrida pelos pontos. A sete rodadas do encerramento da segunda fase, o time tem como meta alcançar os dois primeiros do Grupo 3.

O objetivo é superar em pontos os rivais da outra chave, a fim de conquistar a vantagem de jogar pelo empate nas fases semifinal e final do Paulista.

Embora lidere o Grupo 4 com quatro pontos de vantagem sobre os segundos colocados, o Santos (17 pontos) está atrás de São Paulo (23) e de Palmeiras (19), primeiro e segundo colocados do Grupo 3.

Mesmo que na fase atual termine como líder do seu grupo, o Santos perderá a vantagem do empate na semifinal se o segundo colocado do outro grupo conseguir acumular mais pontos.

No clássico de hoje, os jogadores foram orientados a exercer uma marcação forte sobre o Corinthians, a fim de garantir a posse da bola pelo maior tempo possível. O técnico Emerson Leão quer ver em campo um time “”pegador”.

Segundo o zagueiro Argel, a equipe vai marcar a saída de bola do Corinthians a fim de reduzir os espaços do adversário e obrigar o goleiro a repor a bola em jogo com chutes para a frente.

“Se isso acontecer, vai facilitar. Eu, o Claudiomiro, o Ânderson, levaremos vantagem sobre os atacantes porque estaremos de frente para a jogada e, com o cabeceio, a bola voltará para a intermediária do Corinthians”, afirmou o atleta santista.