Navegando Posts marcados como 1995

Botafogo 2 x 1 Santos

Data: 14/12/1995, quinta-feira.
Competição: Campeonato Brasileiro – Final – Jogo de ida
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 53.668 pagantes
Renda: R$ 698.805,00
Árbitro: Sidrack Marinho (SE)
Cartões amarelos: Jamir e Wilson Gottardo (B); Gallo (S).
Gols: Wilson Gottardo (18-1), Giovanni (38-1) e Túlio (44-1).

BOTAFOGO
Wágner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Gonçalves e André Silva (Iranildo); Leandro, Jamir, Beto e Sérgio Manoel; Donizete (Moisés) e Túlio.
Técnico: Paulo Autuori

SANTOS
Edinho; Vágner, Marquinhos Capixaba, Narciso e Marcos Paulo; Gallo, Carlinhos, Marcelo Passos e Giovanni; Jamelli (Macedo) e Robert (Camanducaia).
Técnico: Cabralzinho



Botafogo derrota o Santos e joga por empate domingo no Pacaembu

A marcação montada pelo técnico Paulo Autuori anulou o Santos e levou o Botafogo à vitória por 2 a 1 no primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro, ontem à noite, no Maracanã.

Para ser campeão, o Santos precisa vencer o segundo jogo, domingo, no Pacaembu, por qualquer vantagem.

O time santista não terá, porém, os meias Gallo e Vágner, que vão cumprir suspensão.

Gallo levou o terceiro cartão amarelo. Vágner foi condenado ontem pelo Tribunal Especial da CBF a três jogos de suspensão.

A diretoria do Santos entra hoje com recurso. Se conseguir liminar, Vágner poderá ser escalado.

Santos e Botafogo, os supertimes da década de 60, buscam o primeiro título do Brasileiro, disputado desde 1971.

A partida foi atrasada dez minutos por causa da chuva, que durou a maior parte do jogo.

Cabralzinho, técnico do Santos, provocou no vestiário a primeira surpresa da decisão, ao escalar Vágner na lateral direita.
A decisão mostrou-se errada. O Santos tinha buracos no meio-campo e nas laterais.

O Botafogo foi melhor o jogo todo e poderia ter vencido por vantagem maior. A 1min, fez sua jogada característica, pela direita, com o atacante Donizete. A defesa do Santos cedeu escanteio.

Aos 5min, de novo pela direita, o Botafogo quase marcou. O meia Beto cruzou e Donizete, solto, cabeceou rente à trave.

No campo do Botafogo, os atacantes santistas não conseguiam trocar passes.

O volante Jamir acompanhava Giovanni. Autuori preferia Leandro, mas deu a ele outra função porque o jogador tinha dois cartões amarelos.
Aos 10min, 13min e 17min, o Botafogo fez mais três jogadas pela direita. Numa delas, Túlio conseguiu dominar a bola com o peito, mas chutou alto demais.

O domínio do Botafogo virou gol aos 18min. Num escanteio da direita, o zagueiro Gottardo entrou por trás e cabeceou para o chão. A bola entrou junto à trave direita.

Após o gol, o Botafogo continuou sendo o time mais perigoso.

O Santos marcou numa falha dupla do Botafogo. Donizete perdeu a bola na defesa. Gallo tomou-a, tocou para Marcelo Passos, que passou a Giovanni.
Os zagueiros pediram impedimento, mas o lateral André Silva estava recuado. Giovanni, aos 38min, avançou e marcou.

Aos 42min, Donizete sofreu falta. O juiz não viu que a bola ficaria com Túlio, só na área, e marcou falta. Sérgio Manoel bateu, a bola tocou na barreira e saiu.

No escanteio, Giovanni cabeceou para trás. Túlio, quase na linha do gol, fez 2 a 1, aos 44min.

Túlio, que fez seu 100º jogo pelo Botafogo, comemorou o gol socando o ar como Pelé.

No segundo tempo, antes de 1min, o Botafogo fez nova jogada pela direita, com Donizete, e Beto perdeu um gol dentro da pequena área, com Edinho fora do lance.

Aos 11min, quase o Santos marca em outro erro do Botafogo. Jamir errou passe. Robert avançou e cruzou. Jamelli entrou por trás da defesa e chutou no travessão.

Aos 18min, Túlio cabeceou livre e Edinho impediu o que seria o terceiro gol. O Botafogo ainda perdeu mais quatro chances.
No final, Jamelli e Donizete foram substituídos por contusão.

Giovanni esperava marcação maior

O meia-atacante Giovanni disse ontem à Folha que esperava sofrer uma marcação mais forte do que a recebida no primeiro jogo da final.
Ele citou como exemplo o lance do gol santista, quando recebeu, na entrada da área, um passe de Marcelo Passos sem ser acompanhado por nenhum marcador.

O jogador afirmou também que, no lance do segundo gol do Botafogo, marcado por Túlio, a bola praticamente só bateu em seu corpo antes de chegar ao atacante adversário. “Toquei na bola mais por reflexo”, disse.

Para o principal jogador santista, o Botafogo será um adversário mais difícil do que foi o Fluminense, batido por 5 a 2 no domingo passado no Pacaembu.

“O Botafogo é mais forte”, disse. “É um time mais técnico e muito organizado, tanto na defesa quanto no ataque.”

“Além de organizado, o Botafogo tem jogadores experientes”, acrescentou o volante reserva Pintado. “Mas nosso pensamento é ganhar o título, custe o que custar”, afirmou o jogador, provável substituto de Gallo no domingo.

“O Botafogo é bem superior e merece respeito, mas, em São Paulo, vai prevalecer o nosso time”, disse o zagueiro Ronaldo.

Para o atacante Jamelli, é impossível comparar o Botafogo e o Fluminense. “São times diferentes e as circunstâncias também são diferentes.”
Segundo ele, o Santos não deve mudar seu estilo de jogo na decisão de domingo. “Temos uma tática própria que precisa ser mantida.”

Gottardo faz gol e marca Giovanni

O zagueiro botafoguense Wilson Gottardo foi o principal marcador do santista Giovanni ontem no Maracanã, por dois motivos.

Primeiro porque, contundido no joelho esquerdo, Giovanni jogou mais como atacante do que como meia que arma as jogadas.

O outro motivo foi a inversão dos lados em que os meias defensivos Jamir e Leandro jogam. Normalmente, Leandro se posiciona à direita -marcaria Giovanni, pela esquerda do ataque santista.

Como Leandro tinha dois cartões amarelos e poderia receber mais um e não jogar domingo, o técnico Autuori decidiu que no lado de Giovanni ficaria Jamir.

Com o santista adiantado, seu grande duelo foi com Gottardo. O zagueiro do Botafogo ganhou quase todas as bolas e ainda marcou.

No gol que marcou, Giovanni estava sem marcação -o Botafogo perdeu a bola.

Cabralzinho põe Vágner na lateral

O técnico Cabralzinho surpreendeu ao modificar, mais uma vez, o esquema tático do Santos, improvisando o meia-ofensivo Vágner na lateral direita.

Na prática, o time começou o jogo com apenas três zagueiros (Marquinhos Capixaba, Narciso e Marcos Paulo, marcando Donizete e Túlio) e dois alas (Vágner, pela direita, e Robert, pela esquerda).

Mesmo isolado entre os zagueiros Gottardo e Gonçalves, Giovanni ainda conseguir marcar aos 38min do primeiro tempo.

A tática santista teria dado resultado na etapa inicial se a equipe não tivesse tomado dois gols, após cobranças de escanteios.

Antes deste jogo, o Santos, sob o comando de Cabralzinho, só havia levado um gol originado por um escanteio no Brasileiro -contra o Fluminense, também no Maracanã. “Tomar gol de escanteio é falta de atenção”, afirmou Cabralzinho.

Agora, Botafogo joga pelo empate

Com a vitória de ontem, no Maracanã, o Botafogo vai poder jogar pelo empate, domingo às 17h, no Pacaembu. O Santos, para ser campeão, precisa vencer por qualquer marcador.

O regulamento do Campeonato Brasileiro prevê uma vantagem ao time que tiver melhor campanha em toda a competição. Até as semifinais, o Santos conseguiu 49 pontos e o Botafogo acabou com 47.

Para efeito de contagem, os dois jogos da final podem ser compreendidos como um só, de 180 minutos. Nesse “superjogo”, quem fizer mais gols vence. Se houver empate, o Santos é campeão.

Em nenhuma hipótese, haverá prorrogação ou decisão através de cobranças de pênaltis.

Ontem, a Rede Globo fez uma oferta aos clubes para transferir o jogo de domingo para as 19h. A Confederação Brasileira de Futebol, que organiza a competição, vetou a negociação.

No domingo à noite, em São Paulo, a CBF vai promover a festa de entrega de um prêmio para os destaques da competição.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deve comandar a cerimônia. O presidente da Fifa, João Havelange, também deverá comparecer.

Botafogo quer comprar 2º jogo

A direção do Botafogo fez ontem uma proposta para realizar o jogo de domingo, que decide o Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro.

O presidente do clube, Carlos Augusto Montenegro, ofereceu US$ 850 mil para o Santos em troca do segundo jogo no Maracanã.

O Santos, por ter feito melhor campanha, tem o mando de campo da partida decisiva, que será no Pacaembu, em São Paulo.

Mais tarde, Montenegro “melhorou” a oferta. Além dos US$ 850 mil, propôs “zerar” os cartões na final (o Santos tem nove jogadores com dois amarelos).
O técnico Cabralzinho não quis comentar o assunto. “É um problema administrativo”, declarou.

Clodoaldo Tavares Santana, vice-presidente do Santos, ficou indignado com a proposta botafoguense. “Só pode ser brincadeira de mau-gosto”, afirmou. “Se for assim, nós oferecemos o dobro para jogar as duas em São Paulo.”

Segundo ele, o Santos jamais abriria mão de um direito adquirido. “Querem desestabilizar o ambiente, mas não vão conseguir”, disse ele.

Jogadores do Botafogo protestam contra torcida

Jogadores do Botafogo se revoltaram com a torcida do clube após a vitória de 2 a 1 anteontem contra o Santos, no Maracanã.

Enquanto a torcida santista, minoritária, ficou no estádio mais de 5 minutos depois do fim do jogo gritando “é campeão”, os botafoguenses saíram do estádio.

O zagueiro Gonçalves se dirigiu à torcida, agitando os braços. “Assim não dá”, afirmou. “Se a torcida não grita, azar”, disse, irritado, o zagueiro Wilson Gottardo. “Vamos lutar sozinhos em São Paulo.” “A galera calada passa intranquilidade para nós”, reclamou o meia Beto.

O preparador físico Ronaldo Torres berrava: “Nem parece que o time ganhou. Com essa torcida, não dá. Vamos para o Pacaembu conquistar o título e comemorar na frente de outros torcedores.”

A apatia da torcida botafoguense se deve, em boa parte, ao temor que o Santos repita domingo a goleada obtida no domingo passado contra o Fluminense.
No vestiário, a maioria da equipe, em vez de comemorar, estava abatida, cabisbaixa e calada.

“Chegamos ao fim do campeonato como no começo: com apenas nós mesmos acreditando em nós”, disse o técnico Paulo Autuori.

Depois da vitória por 4 a 1 sobre o Santos, os jogadores do Fluminense comemoraram a goleada até as 3h numa churrascaria.

Os do Botafogo não fizeram festa. Ontem, às 17h, já corriam no estádio Caio Martins. Em seguida iriam para a concentração.

Autuori e o atacante Túlio, contentes, contrastavam com o silêncio no vestiário. Túlio prometeu fazer dois gols no domingo: o “Volta Olímpica” e o “Peixe Morto”, referência ao símbolo do Santos, o peixe.

Para conquistar pela primeira vez o Brasileiro, o Botafogo precisa vencer ou empatar com o Santos no domingo.

Túlio disse que, se for preciso, voltará à defesa para impedir um triunfo santista. “Vou jogar de todo jeito, de beque, de bico, chutando a bola para o mato.”

“Vai ser que nem pelada: faltando 5 minutos, ninguém tem posição, vai ser bola para todo lado”, disse Túlio.


Jogos inesquecíveis



Vídeos: (1) Melhores momentos e (2) Inédito intervalo histórico no Pacaembu: jogadores permaneceram no gramado com a torcida.

Santos 5 x 2 Fluminense

Data: 10/12/1995, domingo, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinal – Jogo de volta
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 28.090 pagantes (tobogã interditado)
Renda: R$ 336.289,00
Árbitro: Sidrack Marinho (SE)
Cartões amarelos: Marcos Adriano e Carlinhos (S); Ronald e Aílton (F).
Cartão vermelho: Ronaldo Marconato (S).
Gols: Giovanni (25-1, de pênalti), Giovanni (29-1); Macedo (06-2), Rogerinho (07-2), Camanducaia (16-2), Marcelo Passos (38-2) e Rogerinho (40-2).

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos, Giovanni e Marcelo Passos (Pintado); Camanducaia (Batista) e Macedo (Marcos Paulo).
Técnico: Cabralzinho.

FLUMINENSE
Wellerson; Ronald, Lima, Alê (Gaúcho) e Cássio; Vampeta, Otacílio, Aílton e Rogerinho; Renato Gaúcho e Valdeir (Leonardo).
Técnico: Joel Santana.



Santos aplica goleada histórica e está na final

Jogando com grande velocidade e disposição, o Santos conseguiu derrotar o Fluminense por 5 a 2 e garantir sua vaga na final. Além de classificar o Santos, o resultado foi histórico, foi a maior vitória do time sobre o Fluminense em campeonatos nacionais.

A primeira boa chance santista ocorreu aos 5’, quando Marcelo Passos chutou de fora da área e o goleiro Wellerson defendeu.
Aos 16’, Carlinhos obrigou Wellerson a outra defesa difícil.

O Fluminense levou perigo aos 19’, quando Valdeir lançou Renato Gaúcho pelo meio, mas Marcos Adriano interceptou o chute.
Aos 24’, camanducaia foi derrubado por Otacílio na área. Giovanni cobrou o pênalti aos 25’ e marcou.

O gol descontrolou o Fluminense. Aos 29’, Giovanni recebeu na entrada da área, livrou-se de Alê e tocou a meia altura, no canto esquerdo, fazendo 2 a 0.

Aos 35’, Macedo emendendou no travessão ao receber cruzamento de Gallo sobre a área. No último minuto do primeiro tempo, Camanducaia acertou a trave direita de Wellerson.

No intervalo, os jogadores santistas permaneceram no campo para não deixar a torcida esfriar.

Logo aos 5’, Macedo recebeu de Giovanni na área e chutou de esquerda, fazendo 3 a 0. No minuto seguinte, porém, Rogerinho diminuiu o placar, marcando de cabeça após uma bola que bateu no travessão.

O Santos recuperou a diferença aos 16’: Giovanni aproveitou a falha de Alê, entrou na área e dividiu com Wellerson. A bola sobrou para Camanducaia, que, livre, tocou para a rede.

Aos 38’, Marcelo passos recebeu lindo passe de calcanhar de Giovanni e marcou um golaço de fora da área. Dois minutos depois, Rogerinho ainda reduziu.

Vencedor sufoca pelas pontas

A marcação por pressão na saída de jogo do Fluminense e a velocidade pelas pontas foram os principais ingredientes da goleada do Santos ontem.
Precisando vencer por três gols de diferença -e sem poder usar o atacante Jamelli e os meias Robert e Vágner, suspensos-, o técnico Cabralzinho escalou uma equipe eminentemente ofensiva.

O treinador colocou os velozes atacantes Macedo, pela direita, e Camanducaia, pela esquerda, bem abertos pelas pontas.

O meia-atacante Giovanni partia com a bola dominada da intermediária adversária em direção ao gol, ora tentando as tabelas com Marcelo Passos, ora acionando os dois pontas.

Aliando a esse plano tático uma grande disposição de todos os jogadores, o Santos “sufocou” o Fluminense desde o início.

O time carioca pretendia congestionar a entrada de sua área e sair em contra-ataques para a velocidade de Valdeir. Quando ia à frente, porém, não segurava a bola. Isso obrigava sua defesa a suportar a pressão santista, o que acabou não conseguindo.


Vídeos: (1) O choro de Renato Gaúcho e (2) Jornalista Milton Neves se emociona no intervalo do jogo.



Santos credita vitória a apoio da torcida

Os jogadores do Santos acham que o incentivo da torcida foi o fator decisivo para a vitória do time paulista.

“Nunca tinha visto alguma coisa assim”, disse o goleiro Edinho. “Mesmo a torcida do Corinthians não grita tanto como a nossa.”

O volante Gallo concordou com Edinho. “A gente deu a vida em cada disputa de bola”, afirmou. “O Fluminense sentiu o peso da torcida e tremeu.”

O presidente do clube, Samir Abdul Hak, também acha que o apoio dos torcedores santistas foi fundamental. “Eles deram uma energia incrível.”

Segundo Abdul Hak, a equipe recusou uma proposta para disputar a final do Brasileiro em Ribeirão Preto (319 km a nordeste de São Paulo). “O Pacaembu virou nossa casa.”

No intervalo da partida, os jogadores do Santos decidiram permanecer no gramado, onde o técnico Cabralzinho deu instruções ao time. “Não é usual, mas os jogadores quiseram agradecer o apoio da torcida”, explicou o treinador.

Com receio de que o clima de festa que tomou conta do elenco prejudique a equipe no primeiro jogo da final contra o Botafogo, no Maracanã, a diretoria tentava evitar comemorações.

“Não vamos comemorar com os torcedores em Santos, porque o time tem que descansar”, disse o presidente. “Vamos manter concentração total para não repetir o fracasso do Maracanã”, declarou, referindo-se à derrota para o Fluminense, na primeira partida da semifinal, por 4 a 1.

Torcida adota cabelo vermelho

Além dos gastos com ingresso, transporte e alimentação, o torcedor santista reservou dinheiro para tratar o visual e pagar promessas de classificação do time.

Por preços que variam de R$ 0,40 a R$ 22,00, muitos santistas pintaram o cabelo de vermelho ou desenharam o símbolo do time na nuca, como fizeram os jogadores Giovanni e Robert, após passarem às semifinais.

Nem o fim do jogo encerra a festa

Mesmo sabendo que o time precisava vencer o Fluminense por três gols de diferença, a torcida santista se deslocou ao estádio do pacaembu para incentivar o time.

Ao final, os mais de 28 mil torcedores (o tobogã estava interditado) do time comemoraram a classificação para a final do Campeonato Brasileiro, permanecendo por cerca de dez minutos cantando nas arquibancadas. O otimismo dos torcedores impressionava mesmo antes da partida.

Giovanni não vê ‘salto alto’

Eufórico, o meia-atacante Giovanni, 23, foi o jogador mais procurado pela imprensa após a partida.

Autor dos dois primeiros gols do Santos, o atleta rebateu as críticas que o time recebeu depois da derrota de quinta-feira para o Fluminense. “Para todos que disseram que o Santos estava de salto alto, a resposta está aí”, declarou.

Folha – Você cumpriu a promessa de marcar dois gols. Qual foi o segredo da vitória?
Giovanni – A garra, a determinação de todo mundo. O Santos entrou com tudo em campo. Era ganhar ou morrer. E a gente ganhou.
O time todo está de parabéns. Faz tempo que o torcedor não vê um jogo tão bonito como o de hoje.

Folha – Foi sua melhor partida no Santos?
Giovanni – Foi a melhor partida do Santos desde que o Pelé parou.
Pelo menos em termos de emoção, valeu. Estamos resgatando a alegria do futebol.
Foi por isso, também, que eu pintei o cabelo. Foi uma forma de promover mais as semifinais, mas muita gente não entendeu.

Folha – Muita gente não entendeu como?
Giovanni – A imprensa achou que a gente estava de salto alto, quando não era nada disso.
Disseram que a gente já se considerava campeão, que o time não respeitou o Fluminense. Agora, quando o Renato tira uma foto beijando um peixe está tudo bem. Por que o Santos não pode festejar?
Para todos que disseram que o Santos estava de salto alto, a resposta está aí.

Folha – E a final contra o Botafogo?
Giovanni – Deixa eu respirar um pouco. Amanhã eu me preocupo.


Os deuses interferiram no Pacaembu
por Alberto Helena Jr.

A lógica mandava que o Santos entrasse em campo com Camanducaia pela ponta-direita, Macedo pelo meio e Marcelo Passos na esquerda. Mas em que lógica poderia se apoiar o técnico Cabralzinho num jogo em que o seu time deveria não só ganhar do Flu, mas pontuar uma diferença de três gols?

Só mesmo a lógica muito particular do treinador de olho esperto, que anteviu o caminho para a vitória do lado direito da defesa tricolor, enfiando por ali o veloz e hábil Camanducaia. E não deu outra: Camanducaia partiu sobre Ronald, livrou-se de seu marcador e sofreu o pênalti que Giovanni converteu.

Mas não é só de lances estratégicos que se faz um vencedor. No centro, sempre estará o craque. E, durante o primeiro tempo, a vitória esteve nos pés dos craques. Primeiro, Renato Gaúcho, que desperdiçou. Depois, nos de Giovanni, que fez o segundo também, numa vertiginosa tabelinha com Marcelo Passos, como nos bons tempos de Pelé.

A propósito, nem Pelé, que eu me lembre, arriscou um lance desses: antes do jogo, ao microfone do Tatá Muniz, da Band, Giovanni, simplesmente, assegurou que faria dois gols. E fez.

Ah, sim: antes de terminar o primeiro tempo, o Santos ainda meteu uma bola na trave, com Macedo, e teve o milagre do terceiro gol nos pés de Camanducaia.

E o milagre veio no segundo tempo, na mais emocionante decisão dos últimos anos. Se é que se possa chamar de milagre essa inexplicável combinação de cromossomos, circunstâncias e acasos que determina o nascimento de um craque. Pois um passe simples na execução, mas altamente sofisticado na percepção, de Giovanni para Macedo, resultou no terceiro gol.

Assim como uma arrancada do mesmo Giovanni pela direita deu o quarto gol a Camanducaia.

E, por fim, o toque de calcanhar que deixou Marcelo Passos em condições de executar a obra dos deuses.

Sim, porque o que aconteceu ontem à noite no Pacaembu foi uma interferência deles, provavelmente indignados com a trama espúria de desclassificar esse Santos exatamente na hora da celebração a um futebol ofensivo, alegre, leve, surpreendente, que redime o próprio futebol.

E um crime de lesa-majestade ao novo Rei da Vila: Giovanni.



Santos mostrou máxima vocação
por Charles Miller Neto, especial para Folha de SP

Nem o mais fanático torcedor do Santos acreditaria no que vimos no estádio do Pacaembu. O time exerceu sua máxima vocação: o ataque. Foi essa vocação que levou o Santos para a final.

E Giovanni foi o maestro. Ele é completamente diferente do padrão do jogador brasileiro atual. Sua melhor característica é a imprevisibilidade. Quando ele parece lento e adormecido, de repente surge na cara do gol.

A sequência de placares dessa semifinal foi uma escada, mas subimos e tiramos a diferença.

O Santos de domingo se afastou do apático time que jogou no Maracanã, na quinta-feira.

O Fluminense, que mostrou uma eficiência defensiva tremenda no primeiro turno, não conseguiu resistir à força santista.

Mas o Santos tem que resolver o problema das bolas altas em sua área. Até aqui, cada jogada aérea na área é uma emoção extra para o torcedor do time.
Mesmo assim, acredito que Cabralzinho montou bem a zaga com o elenco de que dispunha.

A final entre Botafogo e Santos faz justiça às duas melhores campanhas do torneio. A retomada dos anos 60, que já existia na música, agora acontece no futebol.



A maior das batalhas por Thorben Knudsen
por José ROberto Torero, jornalista da Folha de SP, santista de coração.

A Terra

Eu estava lá. E vou contar para meus filhos. Foi uma batalha inesquecível. A batalha de Kiergard não foi mais nobre, a de Frömsted não foi mais sangrenta. Eu estava lá. E vou contar para meus filhos. Naquela tarde o vento não soprou e a Lua ficou parada no meio do céu para olhar a grande luta. Os dois exércitos se enfrentaram sobre a grama verde do verão. Mas depois da batalha o verde tornara-se vermelho, tanto foi o sangue derramado pelos combatentes. Naquele tarde não anoiteceu, porque o Sol não quis se pôr para não perder nenhum lance da grande batalha. Eu estava lá, e vou contar para meus filhos.

Os Homens

Eu estava lá, e vou contar para meus filhos que, de todos os combatentes, o mais valoroso era o Homem-de-Cabelos-Vermelhos. Ninguém corria como ele, ninguém se esquivava dos golpes dos adversários como ele, ninguém matava como ele. E naquela tarde ele fez sua melhor luta. Naquela tarde, o Homem-de-Cabelos-Vermelhos, que já ídolo, quase virou Deus. Mas havia outros, havia muitos outros. Na retaguarda, como última esperança, como último homem a defender a bandeira, estava o Príncipe-de-Cabeça-Sem-Pelos, o filho do Rei. E no flanco esquerdo havia o Anão-Gigante, ágil como um coelho, esperto como uma raposa e traiçoeiro como um rato. Mas havia outros, havia muitos outros. Havia um com o nome de Galo, mas que merecia ser chamado de Tigre, outro a quem chamavam Pequeno-Carlos, mas que devia ser chamado Carlos-Gigante, e um de nome Passos, mas que dava saltos. E ainda havia Marcos, que tem o nome no plural porque aparece em vários lugares ao mesmo tempo. Eu vi todos estes homens, e vou contar para meus filhos.

A Luta

A missão destes homens era quase impossível. Eles tinham que derrubar três vezes a bandeira inimiga. Não uma nem duas, mas três. Parecia impossível, mas “impossível” era uma palavra que esses guerreiros não sabiam falar (principalmente Macedo, o gago). E já na primeira metade da luta a bandeira inimiga havia ido ao chão duas vezes. O Homem-de-Cabelo-Vermelho já havia feito parte do milagre. Houve então uma trégua. Os inimigos, vestidos de verde, se recolheram para descansar, beber água feito mulheres e orar por melhor sorte. Mas os homens de branco não. Os homens de branco ficaram no campo de batalha. Há quem diga que eles ficaram lambendo o sangue dos inimigos que havia caído pela grama, mas isso eu não vi. E o povo dos guerreiros de branco gritava e urrava. Então, na segunda metade do combate o milagre aconteceu por completo. Mesmo com menos homens, o exército de branco derrubou mais uma vez a bandeira inimiga. E outra, e mais uma. E no final da luta a bandeira dos homens-de-verde já havia caído cinco vezes. E quando a guerra acabou o povo de branco andava de joelhos, se abraçava e se beijava. Homens que não se conheciam cumprimentavam-se como irmãos e cantavam hinos de guerra. E os guerreiros foram para o meio do campo da batalha e deram-se as mãos. Então o Homem-de-Cabelo-Vermelho ficou no meio do círculo e levitou até a altura de um pinheiro. E seus cabelos pegaram fogo e só então, com inveja, o Sol se pôs. Eu estava lá, e vou contar para meus filhos.



Rogerinho fez gols ‘inúteis’

O meia Rogerinho, autor dos dois gols do Fluminense no jogo de ontem, afirmou que seu time “sentiu a pressão” da torcida do Santos.

Ele disse que, depois da goleada no Maracanã (o Fluminense ganhou por 4 a 1, de virada), ele não esperava que a “torcida pudesse reagir dessa maneira”.

Ao contrário do técnico Joel Santana e do zagueiro Lima, Rogerinho disse que o Santos se classificou por méritos próprios.
Leia a seguir a entrevista concedida em campo, no final do jogo:

Folha – O que aconteceu com o Fluminense nesta partida?
Rogerinho – No primeiro tempo, não jogamos nada. Ficamos vendo o Santos tocar a bola. Só jogamos no segundo tempo.

Folha – O Fluminense subestimou o Santos? Achou que a vaga estava garantida?
Rogerinho – Acho que não. Todos sabíamos que essa iria ser uma partida dura. Só não se esperava que o Santos fosse jogar dessa maneira.

Folha – O Fluminense sempre foi um time de garra. Ela faltou ontem?
Rogerinho – Não acho. Todo mundo lutou, mas não jogamos bem. Além disso, o Giovanni conseguiu superar a nossa marcação.

Folha – O Fluminense tem jogadores experientes, mas se desequilibrou depois do quarto gol. O time sentiu a pressão da torcida do Santos?
Rogerinho – Sentimos. Não esperávamos que a torcida, depois dos 4 a 1 no Rio de Janeiro, pudesse reagir assim. Mas isso não pode ser usado como desculpa.

Folha – Você acha que a classificação do Santos foi merecida?
Rogerinho – Pelo que eles jogaram hoje (ontem), sim. Eles se classificaram mais por seus méritos do que por erros nossos.
Mas o Fluminense, pelo que jogou no Brasileiro, merecia ir para a final. A desclassificação foi uma infelicidade.

Folha – O que você sente por ter marcado dois gols numa derrota como essa?
Rogerinho – É frustrante. Fiz os gols, mas não adiantou nada. Foi inútil. Só o que interessava era a classificação.

Folha – E o futuro?
Rogerinho – Queríamos muito ir para a final. Consagraria um trabalho feito com muita luta, diante de muitos problemas. Agora, vamos pensar no Campeonato Estadual do ano que vem.

Técnico do Fluminense diz que time ‘desonrou’ a fama

O técnico do Fluminense, Joel Santana, não escondeu sua irritação com o time. “Foi uma catástrofe total”, disparou. “O time tinha a fama de ser a melhor defesa do Brasil, mas não a honrou.”

O resultado de ontem tirou o time da posição de melhor defesa do Brasileiro. A média de gols sofridos por jogo passou de 0,71 a 0,88. O Palmeiras teve média de 0,83 e o Criciúma, de 0,87.

Segundo ele, o Santos goleou mais por erros do Fluminense do que por méritos próprios. “Quem leva cinco gols assim não pode ir para uma final.”
Santana não quis comentar a hipótese de que poderia ter feito marcação sobre Giovanni. Porém, no lance do quinto gol, aos 38min do segundo tempo, o técnico exclamou: “Por Deus, como joga esse cara!”

O técnico não quis apontar culpados (“Se houver um, sou eu”), mas afirmou que o time sofreu “dois gols de falhas individuais”.

Um desses gols foi o quarto, aos 16min do segundo tempo, num lance que foi iniciado em uma falha do zagueiro Alê (leia texto nesta página).
O zagueiro Lima, ídolo da torcida por sua virilidade, endossou as críticas ao time.

“Faltou garra. O Fluminense não foi o time de operários que conquistou o título carioca”, afirmou o zagueiro. Ele também não quis individualizar as críticas. “Os erros foram de todos.”

Os únicos jogadores que rebateram as críticas ao time foram o goleiro Wellerson e o meia Rogerinho. “Deixei minha alma no jogo. Não perdemos por falhas nossas. O Santos é que jogou muito”, disse Wellerson.

O técnico Santana não quis confirmar se vai continuar no clube no ano que vem, mas deixou um indício de que deve sair. “Vou cumprir meu contrato, que termina no dia 31, até o fim.”

O mais provável é que ele vá para o Flamengo. O clube já manifestou interesse. O atacante Romário já disse até que acha Santana o técnico ideal para o time.

No vestiário, alguns jogadores deixavam transparecer a tristeza. Rogerinho, que fez os dois gols de seu time, chorava. O atacante Leonardo e o volante Vampeta ficaram sentados de cabeça baixa. O meia Aílton atendeu uma chamada no telefone celular com a seguinte frase: “Estou péssimo.”

Brasileiro terá decisão nostálgica

Santos e Botafogo vão reviver, na decisão do Campeonato Brasileiro, os anos 50 e 60, quando Pelé era o grande ídolo da equipe paulista e Garrincha liderava o time carioca.

Os dois times, os melhores do Brasil naquela época, classificaram-se ontem para as finais em dois jogos emocionantes.

O Santos, que fora derrotado pelo Fluminense por 4 a 1 na partida de ida, no Maracanã, conseguiu golear o adversário por 5 a 2, no Pacaembu.
Como tinha melhor campanha na competição, o Santos obteve a vaga, mesmo vencendo pela mesma diferença de gols.

Já o Botafogo empatou de 0 a 0 com o Cruzeiro no Maracanã e, assim como o Santos, foi beneficiado pelo regulamento, já que empatara o primeiro jogo por 1 a 1, em Belo Horizonte.

A decisão será o confronto das duas melhores equipes da primeira fase do Brasileiro. O Santos foi o time de melhor campanha, com 46 pontos, e o Botafogo foi o segundo, com 45.

Os dois finalistas são também equipes de espírito ofensivo: o Santos tem o melhor ataque da competição, com 50 gols, e o Botafogo é o segundo, com 43.

O time carioca tem, ainda, o artilheiro do Brasileiro, Túlio, com 21 gols. Seu principal rival estará em campo nesta semana: o meia-atacante Giovanni, com 16 gols.

Por ter acumulado 49 pontos nas duas primeiras fases da competição, contra 47 do Botafogo, o Santos joga por dois empates ou por uma vitória e uma derrota por igual diferença. Tem também a vantagem de fazer a segunda partida em casa.

Santos e Botafogo lutarão por um título inédito em suas histórias. Desde que o Brasileiro começou a ser disputado, em 71, nenhum dos dois conseguiu ser campeão.

O time paulista foi apenas vice, em 83. O clube carioca foi vice em 72 e em 92.

As partidas finais devem acontecer nesta quarta-feira, no Maracanã, e no domingo, no Pacaembu. A confirmação será dada hoje pela Confederação Brasileira de Futebol.

Fluminense 4 x 1 Santos

Data: 07/12/1995, quinta-feira, 21h40.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinais – Jogo de ida
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 38.678 pagantes
Renda:
Árbitro: Sidrack Marinho (SE)
Cartões amarelos: Giovanni, Vágner (S); Sorlei, Valdeir e Cadu (F).
Cartões vermelhos: Robert e Jamelli (S).
Gols: Giovanni (21-1), Renato Gaúcho (04-2), Ronald (24-2), Leonardo (44-2) e Cadu (46-2).

FLUMINENSE
Wellerson; Ronald, Lima, Sorley (Gaúcho) e Cássio; Vampeta, Otacílio, Aílton e Rogerinho (Leonardo); Renato Gaúcho e Valdeir (Cadu).
Técnico: Joel Santana

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba (Macedo), Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Vágner, Robert e Marcelo Passos (Pintado); Jamelli e Giovanni.
Técnico: Cabralzinho



Fluminense goleia Santos de virada

O Fluminense goleou ontem o Santos por 4 a 1, de virada, na primeira semifinal do Campeonato Brasileiro. Foi a maior goleada da equipe carioca no torneio.

A partida marcou o duelo entre o melhor ataque da competição, o santista (45 gols feitos), e a melhor defesa, a do Fluminense (17 gols sofridos).

O Santos agora precisa vencer o Fluminense por três gols de diferença, no próximo domingo, em São Paulo, para se classificar.

O time paulista terá que buscar a vaga na final sem três titulares: Robert, Jamelli (expulsos) e Vágner (terceiro cartão amarelo).

Já o Fluminense não terá Sorlei, zagueiro por quem o Palmeiras formalizou interesse ontem.

“Não há motivos para baixar a cabeça. Fomos guerreiros até o final. Vamos buscar o resultado no fim-de-semana”, disse o técnico Cabralzinho, ao final do jogo.

O Santos entrou ontem em campo com uma formação ofensiva. Sem Carlinhos e Narciso, suspensos, Cabralzinho optou por surpreender o adversário.
Colocou o volante Pintado no lugar do zagueiro Narciso. O meia ofensivo Marcelo Passos substituiu Carlinhos. Vágner foi recuado para a posição de segundo volante.

A inovação deu certo no início. O time dominou o meio-campo e não permitiu que o ataque do Fluminense criasse uma única chance de gol na primeira etapa.

A marcação à distância exercida pelos meio-campo adversário facilitava a tarefa santista, dando espaço para que a equipe paulista dominasse a bola com tranquilidade e armasse as jogadas.

O gol santista saiu aos 21min. O meia-atacante Giovanni tabelou com Robert, recebeu diante do goleiro Wellerson e tocou com calma no canto esquerdo.
Para o segundo tempo, o técnico Joel Santana pediu que sua equipe apertasse a marcação.

O gol de empate saiu logo aos 4min, em falha da improvisada defesa santista. Numa cobrança de escanteio pela esquerda, a bola sobrou na pequena área para Renato Gaúcho. O atacante dominou e rapidamente tocou para a rede.

O empate entusiasmou o Fluminense e enervou os santistas.

Marcando melhor, o time carioca impediu que o rival repetisse o domínio da primeira etapa. Após perder duas chances, aos 11min e aos 18min, fez o segundo gol.

Aos 23min, Valdeir, em jogada pela esquerda, entrou na área e foi derrubado por Ronaldo. O lateral Ronald converteu o pênalti.
O gol desestruturou a equipe paulista, que, dois minutos depois, sofreu novo revés.

O meia Robert, que recebera cartão amarelo por reclamação, fez falta violenta e foi expulso.

Cabralzinho fez então uma opção arriscada. Tirou o lateral Marquinhos e pôs o atacante Macedo.

O Fluminense passou a dominar com facilidade. O goleiro Edinho acabou sendo o destaque santista.

O time paulista teve uma última oportunidade aos 36min, quando Wellerson pegou uma perigosa cabeçada de Giovanni.

Aos 43min, outra expulsão abalou o Santos. Jamelli foi punido após fazer falta por trás no atacante Leonardo.

Um minuto depois, na cobrança da falta, o zagueiro Lima cabeceou, Edinho rebateu e Leonardo marcou de cabeça o terceiro.

Já nos descontos, o meia Cadu, que acabara de entrar, aproveitou falha do volante Gallo e penetrou na área para fechar a goleada.

Camanducaia crê na vitória

O atacante Camanducaia, 20, surge como a grande esperança do Santos no jogo de amanhã, no Pacaembu.

Ele não enfrentou o Fluminense porque estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo, recebido na partida contra o Guarani, e volta com a missão de levar o time à vitória por três gols de diferença. “Vamos explorar sua velocidade”, disse o técnico Cabralzinho.

Folha – Como é voltar ao time em um jogo onde só uma vitória por três gols de diferença interessa?
Camanducaia – É muita responsabilidade. Mas acredito no time. Se todos correrem e pegarem na marcação, dá para classificar.
Temos um dos melhores ataques do Brasil e podemos fazer três gols no Fluminense se formos para cima com tudo, desde o início.

Folha – O grupo realmente está acreditando nisso?
Camanducaia – Falo por mim. Pego o exemplo do Palmeiras, que tinha que bater o Grêmio por 5 a 0 e quase conseguiu. Fez 5 a 1.

Folha – E a torcida? Ainda acredita?
Camanducaia – Acho. Hoje (ontem), um dia após a derrota para o Fluminense, um grupo de torcedores veio ao Pacaembu (cerca de 50) e nos incentivou. Gritaram o meu nome. Isso é a prova de que acreditam.

Folha – Você acha que o Renato Gaúcho pode desequilibrar em favor do Fluminense novamente?
Camanducaia – Ele não desequilibrou na primeira partida.
Apenas jogou a torcida contra o juiz, que não deu cartão amarelo a ele, que estava pendurado e tentou cavar três pênaltis.
O Cabralzinho reclamou muito do juiz e com razão.

Treinador ainda acredita; Pelé incentiva time

O técnico Cabralzinho tenta convencer o time, desde ontem, que tem condições de vencer o Fluminense por três gols de diferença, amanhã, no Pacaembu, e obter a classificação à final.

“Não há nada perdido. Temos mais 90 minutos para descontar a diferença. Somos um time valente e vamos à luta”, afirmou.

Ontem, o grupo de jogadores recebeu a visita do ministro dos Esportes, Pelé, na concentração do time, em um flat de São Paulo.

Pelé, que não foi ao jogo contra o Fluminense, fez questão de cumprimentar todos os jogadores, na tentativa de motivar o time.

“Que história é essa de ficar todo mundo comendo de cabeça baixa? Vocês só perderam de quatro porque chegaram às semifinais. Vamos levantar a cabeça, que tem mais um jogo”, disse o ministro aos jogadores durante o almoço.

“Ainda tem outro jogo e, se o Fluminense foi capaz de fazer 4 a 1, o Santos também é”, afirmou.

Na partida de amanhã, o Santos não contará com os meias Jamelli, Vágner e Robert, todos suspensos. O meia Giovanni, que recebeu o segundo cartão amarelo contra o Fluminense, está “pendurado”.

Em compensação, Cabralzinho contará com as voltas do zagueiro Narciso, do volante Carlinhos e do atacante Camanducaia.

O técnico santista ainda não definiu a equipe, mas deve escalar Marcelo Passos, Camanducaia e Whelliton no lugar dos suspensos.

Cabralzinho quer mais atenção do time no jogo de amanhã. “No Maracanã, tomamos um gol de escanteio (o primeiro do Fluminense), o que não havia acontecido, até então, durante a campanha.”

“Temos que ver o teipe do jogo contra o Fluminense 50 vezes, para a vergonha bater na cara”, disse o goleiro Edinho.

Equipe opta por reservas ofensivos

A principal dificuldade tática que o Santos terá que enfrentar na semifinal contra o Fluminense será fazer a ligação do meio-campo com o ataque.
Com as ausências de Vágner, Jamelli e Robert, o técnico Cabralzinho mudará a forma de jogo, para impedir que Giovanni fique isolado à frente, no meio da sólida zaga do time carioca.

O treinador terá que optar por três substitutos ofensivos para reverter a vantagem de três gols da equipe do técnico Joel Santana.

Vágner levou o terceiro cartão amarelo anteontem, no primeiro jogo das semifinais. Jamelli e Robert foram expulsos.
Nos lugares dos três, devem entrar Whelliton, Marcelo Passos e Camanducaia.

Com a entrada de Camanducaia, o time ganha mais força pelas pontas. Pela direita, o atacante leva perigo ao gol adversário quando fecha pelo meio, em jogadas com Giovanni.

Pela esquerda, o lateral Marcos Adriano apóia bem o ataque e pode tabelar com Marcelo Passos, que tem uma função mais ofensiva que o titular Robert.
Na defesa, o Santos deve ter a volta de Narciso, que cumpriu suspensão, no lugar de Pintado.


Guarani 0 x 2 Santos

Data: 03/12/1995, domingo, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 12ª rodada (última)
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 22.524 pagantes
Renda: R$ 259.295,00
Árbitro: Oscar Roberto de Godói (SP).
Cartões amarelos: Leo Percovich, Renato Carioca e Anderson Lima (G); Carlinhos, Vágner, Giovanni e Camanducaia (S).
Cartão vermelho: Valdeir (G)
Gols: Marcelo Passos (37-2) e Giovanni (44-2).

GUARANI
Léo Percovich; Ânderson, Davi, Renato Carioca e Júlio César; Sérgio Soares, Valdeir, Silvinho e Fernando Diniz; Alex e Leonardo Goiano.
Técnico: Nicanor de Carvalho

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos (Camanducaia), Vágner e Robert (Marcelo Passos); Giovanni e Jamelli.
Técnico: Cabralzinho



Santos vence Guarani com 2 gols no final e se classifica

O Santos venceu ontem o Guarani por 2 a 0, em São Paulo, e garantiu a sua classificação para as semifinais do Campeonato Brasileiro.

Com o resultado, a equipe somou 27 pontos no Grupo B, um a mais que o Atlético-MG, que ontem venceu o Vitória por 3 a 0.

Os jogadores Carlinhos, Narciso e Camanducaia, que receberam ontem o terceiro cartão amarelo, estão suspensos e não enfrentam o Fluminense na próxima quinta.

O destaque da partida, no entanto, foi o goleiro Léo, do Guarani, que impediu que o time santista marcasse antes e levou o suspense até o final. Como o Atlético marcou cedo o seu primeiro gol, o Santos passou a jogar sob a pressão de ter de ganhar. Isso afetou a equipe. Os jogadores ficaram nervosos e afobados. Erravam muitos passes e se posicionavam mal.

O Guarani começou melhor. Aos 8min, Silvinho recebeu cruzamento sozinho, desmarcado, no meio da área. Mas ele cabeceou fraco e Edinho pegou.
Os atacantes santistas afunilavam o jogo pelo meio, setor congestionado pela defesa do Guarani, e encontravam dificuldade para armar as jogadas, especialmente Vágner, pela direita.

Mesmo assim, a equipe cresceu e passou a pressionar o Guarani. A grande chance do Santos ocorreu aos 35min.

Robert cruzou na área. O goleiro Léo saiu, pegou, mas acabou se chocando com um defensor e soltou a bola. Giovanni chutou, já dentro da pequena área, e Valdeir salvou na linha.

Na segunda etapa, o Guarani voltou mais recuado, saindo somente em contra-ataques.

Apesar de ter mais posse de bola, o time do Santos tinha dificuldade para furar o bloqueio adversário.

A equipe do técnico Cabralzinho pressionou e perdeu algumas boas chances de abrir o placar.

Até que finalmente, aos 39min, Marcelo Passos (que substituiu Robert) recebeu a bola no canto esquerdo da grande área e chutou cruzado, por cobertura, encobrindo o goleiro Léo.

O gol deu tranquilidade aos jogadores santistas, que passaram a tocar a bola esperando o final da partida.

Aos 44min, o meia Giovanni foi lançado na grande área e, livre de marcação, anotou o segundo gol, de cabeça.

Os jogadores do Guarani reclamaram impedimento, que não existiu. Valdeir acabou expulso por reclamação. Nos instantes finais, o Santos se limitou a tocar a bola.

Cabralzinho faz desafio aos críticos

O técnico do Santos, Cabralzinho, ficou muito emocionado com a classificação do time e fez um desabafo ao final do jogo.

“Missão cumprida. No início, todos duvidavam do Santos e diziam que o time não tinha condições de disputar o título. Só os jogadores confiaram em mim. Aí está a resposta. Quero ver alguém criticar agora. Vamos incomodar mais ainda”, disse.

Apesar da euforia, Cabralzinho reconheceu que o time fez uma má partida contra o Guarani.

“Foi um jogo muito tenso. Meus jogadores se deixaram levar pelo nervosismo. Por isso tudo, foi uma partida preocupante”, afirmou, após a classificação.

O treinador santista prometeu corrigir os erros antes da primeira partida da semifinal, contra o Fluminense.

Para esse jogo, Cabralzinho não contará com Narciso, Carlinhos e Camanducaia, suspensos, e, possivelmente, com Marcelo Silva, machucado.
O meia-atacante Giovanni, principal jogador da equipe, disse que foi “a partida mais difícil do Santos durante todo o campeonato.

“Tinha sempre pelo menos dois jogadores me marcando. Mas acho que eu consegui jogar bem sem a bola, abrindo espaços para os companheiros”, disse o autor do segundo gol.

Marcelo Passos diz que foi ‘malandro’

Herói da classificação do Santos, ao marcar o gol decisivo, aos 39min da segunda etapa, o meia reserva Marcelo Passos, 24, comemorou o gol junto ao “orelhão” do estádio do Pacaembu.

“Foi um modo de homenagear minha mulher, Renata, que está grávida. Nós vivemos pendurados no telefone”, afirmou Passos.

Sobre o lance do gol, o jogador disse que foi “malandro”.

Folha – Você acha que teve méritos ou sorte no lance do gol?
Marcelo Passos – Um pouco dos dois. No início, marcado por dois, pensei em entrar na área e cavar o pênalti.
Depois, vi que sobrava um buraquinho para eu bater com curva, por cobertura. Arrisquei e me dei bem. Fui malandro. Já havia feito um gol assim, no Paulista, contra o Palmeiras.

Folha – O que você sentiu quando a bola entrou?
Marcelo Passos – Fiquei assustado. Demorei para comemorar. Senti vontade de chorar. Talvez tenha sido o gol mais importante em 13 anos de Santos.

Folha – Você espera sair da reserva com esse gol?
Marcelo Passos – Vou ser sincero. Fiquei quase dois meses sem jogar, por contusão e problemas particulares. Por isso, ainda não estou 100%.
Prefiro ficar do lado de fora, torcendo.

Folha – Mas você era titular absoluto no último Campeonato Paulista…
Marcelo Passos – Era. Agora, o técnico é o Cabralzinho e eu respeito as suas decisões.

Samir dá prêmio por vaga

Eufórico com a classificação do Santos, o presidente do clube, Samir Abdul-Hak, disse que pagará um prêmio aos jogadores pela vaga conquistada. “Não havia nada combinado, mas o esforço deles será reconhecido”, afirmou Samir.

O presidente santista disse que vai pressionar a CBF para que o Santos mande seus jogos na Vila Belmiro e para que os cartões amarelos sejam zerados.
O clube tem três jogadores suspensos (Camanducaia, Narciso e Carlinhos) e oito “pendurados” (Vágner, Gallo, Jamelli, Robert, Marcelo Silva, Marcos Paulo, Marcos Adriano e Whelliton).

“O presidente Ricardo Teixeira (da CBF) prometeu que os cartões seriam zerados. Vamos ver se ele cumpre a palavra”, disse Samir.

“Acho que também podemos mandar nossos jogos na Vila Belmiro, afinal o Pacaembu também não tem os 30 mil lugares exigidos pelo regulamento”, acrescentou.

Segundo o presidente santista, a classificação do time é uma prova de que a política “pés no chão” da diretoria estava correta. “No começo, houve muita resistência. Até ameaças de morte eu sofri”, disse Samir.

Santos vence no fim e se classifica

Com dois gols nos últimos dez minutos, o Santos se classificou para as semifinais do Campeonato Brasileiro.

Marcelo Passos, aos 37min, e Giovanni, aos 44min, marcaram na vitória de 2 a 0 sobre o Guarani, ontem à noite, no Pacaembu.

Se o Santos tivesse empatado, a vaga teria ficado com o Atlético-MG, que venceu o Vitória em Salvador por 3 a 0.

O Santos vai enfrentar agora o Fluminense (RJ). O primeiro jogo é no Maracanã.

Na outra semifinal, jogam Botafogo e Cruzeiro, que tem o mando do primeiro jogo.

Como é o time de melhor campanha no Brasileiro (46), o Santos será campeão brasileiro se não perder nenhum dos próximos quatro jogos. O Botafogo tem a vantagem do empate na semifinal.

O Brasileiro chega à fase decisiva sem um favorito ao título, mas premia o futebol ofensivo. Botafogo, Santos e Cruzeiro conseguiram suas vagas jogando em busca do gol.

Santos e Botafogo (empatou ontem com o Fluminense, 1 a 1), que se classificaram no segundo turno, têm os melhores ataques do Brasileiro.

O Cruzeiro também foi ofensivo no primeiro turno, quando conquistou a vaga. No segundo, caiu de produção, trocou de técnico e só agora se reencontrou. Ontem, goleou o Bahia, 5 a 0.

O Fluminense, classificado no primeiro, apóia seu jogo na eficiência da defesa. Mas para ser campeão precisa, pelo menos, vencer um jogo nas semifinais e outro nas finais.

As semifinais reproduzem a reviravolta que atingiu o futebol brasileiro na virada do ano passado para este. Em 1993 e 94, houve um amplo domínio paulista. Em 93, à exceção do vice-campeão, Vitória (BA), os demais times que ficaram nos seis primeiros lugares eram paulistas.

No ano passado, além do (bi)campeão (Palmeiras) e vice (Corinthians), os paulistas tiveram mais quatro representantes entre os oito primeiros.

É gostoso vermos esse Santos em campo
por Alberto Helena Jr.

Pode até acontecer de o Guarani, esta noite, despedaçar as esperanças santistas. Já vi isso acontecer milhares de vezes no futebol. Mas nem a hipótese cruel de o Santos ceder sua vaga ao Atlético-MG haverá de furtar os méritos desse time, que, num breve tempo, nos deu o prazer de rever como o futebol ainda pode ser bonito e emocionante. Sim, porque, antes de tudo, é gostoso, é aprazível, vermos esse Santos em campo.

Sua defesa, é verdade, transmite certa insegurança, a partir de Edinho, que me faz lembrar do velho Manga. Não o Manguita do Botafogo e da seleção, mas o Manga dos primórdios do grande Santos. Negro como Edinho, alternava performances inesquecíveis com falhas grotescas, mas seguiu sob os três paus anos a fio, até que o grande Gilmar chegasse à Vila para desbancá-lo definitivamente.

Mas sei lá que mágicas e truques empreendeu o nosso Cabralzinho que a linha de zaga estabilizou-se, e isso já é um grande feito. Contudo, o que mais importa é ver como a bola rola leve, ágil, álacre, de pé em pé, a partir de Carlinhos em direção a Jamelli, Robert, Vágner e Giovanni. E aqui está o segredo: Carlinhos é um segundo volante, na nomenclatura do futebol de hoje, que sabe jogar com a bola nos pés, uma raridade, convenhamos, e Giovanni é um craque como não há outro igual no futebol brasileiro atual. Aos seus pés, combinam-se na dose exata habilidade, inteligência e presteza. Há quem o considere lento.

Mas pode ser lento um jogador que dispara naquela velocidade com que Giovanni chegou outra noite diante do goleiro Wagner para tocar no canto a bola do segundo gol contra o Botafogo? E a velocidade que imprime à bola, como no toque de calcanhar, na tabela com Robert, que germinou a disparada em direção ao gol? Foi um lance exemplar, que resume tudo o que se possa dizer do futebol desse rapaz. Um lance, aliás, que Giovanni repete a cada jogo, uma, duas, três vezes.

O fato é que o Santos até pode perder hoje sua classificação para as semifinais do campeonato. Mas já ganhou o coração dos que amam o verdadeiro futebol.

Clube contratará cinco emprestados

O Santos decidiu contratar, em definitivo, os cinco jogadores titulares do time que ainda não pertencem ao clube. São os casos de Marcelo Silva, Marcos Adriano, Ronaldo, Vágner e Robert. Todos estão emprestados até o final da temporada.

O clube deve gastar cerca de R$ 1,8 milhão nestas negociações ou optar pela inclusão de alguns jogadores para abater o custo.

“Os cinco aprovaram”, disse o diretor de futebol José Paulo Fernandes.

A contratação de Robert, que pertence ao Rio Branco, está praticamente definida por R$ 325 mil.

Vágner, do União São João, deve ser comprado por R$ 800 mil.

O passe de Marcelo Silva, que ontem não jogou devido a uma contusão no tendão de Aquiles, é do Remo e custa R$ 80 mil.

Marcos Adriano é do Flamengo e tem o passe estipulado em R$ 400 mil. Já o zagueiro Ronaldo, da Ferroviária, vale R$ 200 mil.

Já foram realizadas as eleições para o Conselho Deliberativo do Santos. O presidente do conselho será escolhido no próximo dia 11. Edmon Atik e Celso Sampaio Lopes são os candidatos.

O conselho elege, na primeira quinzena de janeiro, o presidente do clube para o biênio 96/97. O candidato único é o atual presidente Samir Abdul-Hak.