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Guarani 0 x 2 Santos

Data: 03/12/1995, domingo, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 12ª rodada (última)
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 22.524 pagantes
Renda: R$ 259.295,00
Árbitro: Oscar Roberto de Godói (SP).
Cartões amarelos: Leo Percovich, Renato Carioca e Anderson Lima (G); Carlinhos, Vágner, Giovanni e Camanducaia (S).
Cartão vermelho: Valdeir (G)
Gols: Marcelo Passos (37-2) e Giovanni (44-2).

GUARANI
Léo Percovich; Ânderson, Davi, Renato Carioca e Júlio César; Sérgio Soares, Valdeir, Silvinho e Fernando Diniz; Alex e Leonardo Goiano.
Técnico: Nicanor de Carvalho

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos (Camanducaia), Vágner e Robert (Marcelo Passos); Giovanni e Jamelli.
Técnico: Cabralzinho



Santos vence Guarani com 2 gols no final e se classifica

O Santos venceu ontem o Guarani por 2 a 0, em São Paulo, e garantiu a sua classificação para as semifinais do Campeonato Brasileiro.

Com o resultado, a equipe somou 27 pontos no Grupo B, um a mais que o Atlético-MG, que ontem venceu o Vitória por 3 a 0.

Os jogadores Carlinhos, Narciso e Camanducaia, que receberam ontem o terceiro cartão amarelo, estão suspensos e não enfrentam o Fluminense na próxima quinta.

O destaque da partida, no entanto, foi o goleiro Léo, do Guarani, que impediu que o time santista marcasse antes e levou o suspense até o final. Como o Atlético marcou cedo o seu primeiro gol, o Santos passou a jogar sob a pressão de ter de ganhar. Isso afetou a equipe. Os jogadores ficaram nervosos e afobados. Erravam muitos passes e se posicionavam mal.

O Guarani começou melhor. Aos 8min, Silvinho recebeu cruzamento sozinho, desmarcado, no meio da área. Mas ele cabeceou fraco e Edinho pegou.
Os atacantes santistas afunilavam o jogo pelo meio, setor congestionado pela defesa do Guarani, e encontravam dificuldade para armar as jogadas, especialmente Vágner, pela direita.

Mesmo assim, a equipe cresceu e passou a pressionar o Guarani. A grande chance do Santos ocorreu aos 35min.

Robert cruzou na área. O goleiro Léo saiu, pegou, mas acabou se chocando com um defensor e soltou a bola. Giovanni chutou, já dentro da pequena área, e Valdeir salvou na linha.

Na segunda etapa, o Guarani voltou mais recuado, saindo somente em contra-ataques.

Apesar de ter mais posse de bola, o time do Santos tinha dificuldade para furar o bloqueio adversário.

A equipe do técnico Cabralzinho pressionou e perdeu algumas boas chances de abrir o placar.

Até que finalmente, aos 39min, Marcelo Passos (que substituiu Robert) recebeu a bola no canto esquerdo da grande área e chutou cruzado, por cobertura, encobrindo o goleiro Léo.

O gol deu tranquilidade aos jogadores santistas, que passaram a tocar a bola esperando o final da partida.

Aos 44min, o meia Giovanni foi lançado na grande área e, livre de marcação, anotou o segundo gol, de cabeça.

Os jogadores do Guarani reclamaram impedimento, que não existiu. Valdeir acabou expulso por reclamação. Nos instantes finais, o Santos se limitou a tocar a bola.

Cabralzinho faz desafio aos críticos

O técnico do Santos, Cabralzinho, ficou muito emocionado com a classificação do time e fez um desabafo ao final do jogo.

“Missão cumprida. No início, todos duvidavam do Santos e diziam que o time não tinha condições de disputar o título. Só os jogadores confiaram em mim. Aí está a resposta. Quero ver alguém criticar agora. Vamos incomodar mais ainda”, disse.

Apesar da euforia, Cabralzinho reconheceu que o time fez uma má partida contra o Guarani.

“Foi um jogo muito tenso. Meus jogadores se deixaram levar pelo nervosismo. Por isso tudo, foi uma partida preocupante”, afirmou, após a classificação.

O treinador santista prometeu corrigir os erros antes da primeira partida da semifinal, contra o Fluminense.

Para esse jogo, Cabralzinho não contará com Narciso, Carlinhos e Camanducaia, suspensos, e, possivelmente, com Marcelo Silva, machucado.
O meia-atacante Giovanni, principal jogador da equipe, disse que foi “a partida mais difícil do Santos durante todo o campeonato.

“Tinha sempre pelo menos dois jogadores me marcando. Mas acho que eu consegui jogar bem sem a bola, abrindo espaços para os companheiros”, disse o autor do segundo gol.

Marcelo Passos diz que foi ‘malandro’

Herói da classificação do Santos, ao marcar o gol decisivo, aos 39min da segunda etapa, o meia reserva Marcelo Passos, 24, comemorou o gol junto ao “orelhão” do estádio do Pacaembu.

“Foi um modo de homenagear minha mulher, Renata, que está grávida. Nós vivemos pendurados no telefone”, afirmou Passos.

Sobre o lance do gol, o jogador disse que foi “malandro”.

Folha – Você acha que teve méritos ou sorte no lance do gol?
Marcelo Passos – Um pouco dos dois. No início, marcado por dois, pensei em entrar na área e cavar o pênalti.
Depois, vi que sobrava um buraquinho para eu bater com curva, por cobertura. Arrisquei e me dei bem. Fui malandro. Já havia feito um gol assim, no Paulista, contra o Palmeiras.

Folha – O que você sentiu quando a bola entrou?
Marcelo Passos – Fiquei assustado. Demorei para comemorar. Senti vontade de chorar. Talvez tenha sido o gol mais importante em 13 anos de Santos.

Folha – Você espera sair da reserva com esse gol?
Marcelo Passos – Vou ser sincero. Fiquei quase dois meses sem jogar, por contusão e problemas particulares. Por isso, ainda não estou 100%.
Prefiro ficar do lado de fora, torcendo.

Folha – Mas você era titular absoluto no último Campeonato Paulista…
Marcelo Passos – Era. Agora, o técnico é o Cabralzinho e eu respeito as suas decisões.

Samir dá prêmio por vaga

Eufórico com a classificação do Santos, o presidente do clube, Samir Abdul-Hak, disse que pagará um prêmio aos jogadores pela vaga conquistada. “Não havia nada combinado, mas o esforço deles será reconhecido”, afirmou Samir.

O presidente santista disse que vai pressionar a CBF para que o Santos mande seus jogos na Vila Belmiro e para que os cartões amarelos sejam zerados.
O clube tem três jogadores suspensos (Camanducaia, Narciso e Carlinhos) e oito “pendurados” (Vágner, Gallo, Jamelli, Robert, Marcelo Silva, Marcos Paulo, Marcos Adriano e Whelliton).

“O presidente Ricardo Teixeira (da CBF) prometeu que os cartões seriam zerados. Vamos ver se ele cumpre a palavra”, disse Samir.

“Acho que também podemos mandar nossos jogos na Vila Belmiro, afinal o Pacaembu também não tem os 30 mil lugares exigidos pelo regulamento”, acrescentou.

Segundo o presidente santista, a classificação do time é uma prova de que a política “pés no chão” da diretoria estava correta. “No começo, houve muita resistência. Até ameaças de morte eu sofri”, disse Samir.

Santos vence no fim e se classifica

Com dois gols nos últimos dez minutos, o Santos se classificou para as semifinais do Campeonato Brasileiro.

Marcelo Passos, aos 37min, e Giovanni, aos 44min, marcaram na vitória de 2 a 0 sobre o Guarani, ontem à noite, no Pacaembu.

Se o Santos tivesse empatado, a vaga teria ficado com o Atlético-MG, que venceu o Vitória em Salvador por 3 a 0.

O Santos vai enfrentar agora o Fluminense (RJ). O primeiro jogo é no Maracanã.

Na outra semifinal, jogam Botafogo e Cruzeiro, que tem o mando do primeiro jogo.

Como é o time de melhor campanha no Brasileiro (46), o Santos será campeão brasileiro se não perder nenhum dos próximos quatro jogos. O Botafogo tem a vantagem do empate na semifinal.

O Brasileiro chega à fase decisiva sem um favorito ao título, mas premia o futebol ofensivo. Botafogo, Santos e Cruzeiro conseguiram suas vagas jogando em busca do gol.

Santos e Botafogo (empatou ontem com o Fluminense, 1 a 1), que se classificaram no segundo turno, têm os melhores ataques do Brasileiro.

O Cruzeiro também foi ofensivo no primeiro turno, quando conquistou a vaga. No segundo, caiu de produção, trocou de técnico e só agora se reencontrou. Ontem, goleou o Bahia, 5 a 0.

O Fluminense, classificado no primeiro, apóia seu jogo na eficiência da defesa. Mas para ser campeão precisa, pelo menos, vencer um jogo nas semifinais e outro nas finais.

As semifinais reproduzem a reviravolta que atingiu o futebol brasileiro na virada do ano passado para este. Em 1993 e 94, houve um amplo domínio paulista. Em 93, à exceção do vice-campeão, Vitória (BA), os demais times que ficaram nos seis primeiros lugares eram paulistas.

No ano passado, além do (bi)campeão (Palmeiras) e vice (Corinthians), os paulistas tiveram mais quatro representantes entre os oito primeiros.

É gostoso vermos esse Santos em campo
por Alberto Helena Jr.

Pode até acontecer de o Guarani, esta noite, despedaçar as esperanças santistas. Já vi isso acontecer milhares de vezes no futebol. Mas nem a hipótese cruel de o Santos ceder sua vaga ao Atlético-MG haverá de furtar os méritos desse time, que, num breve tempo, nos deu o prazer de rever como o futebol ainda pode ser bonito e emocionante. Sim, porque, antes de tudo, é gostoso, é aprazível, vermos esse Santos em campo.

Sua defesa, é verdade, transmite certa insegurança, a partir de Edinho, que me faz lembrar do velho Manga. Não o Manguita do Botafogo e da seleção, mas o Manga dos primórdios do grande Santos. Negro como Edinho, alternava performances inesquecíveis com falhas grotescas, mas seguiu sob os três paus anos a fio, até que o grande Gilmar chegasse à Vila para desbancá-lo definitivamente.

Mas sei lá que mágicas e truques empreendeu o nosso Cabralzinho que a linha de zaga estabilizou-se, e isso já é um grande feito. Contudo, o que mais importa é ver como a bola rola leve, ágil, álacre, de pé em pé, a partir de Carlinhos em direção a Jamelli, Robert, Vágner e Giovanni. E aqui está o segredo: Carlinhos é um segundo volante, na nomenclatura do futebol de hoje, que sabe jogar com a bola nos pés, uma raridade, convenhamos, e Giovanni é um craque como não há outro igual no futebol brasileiro atual. Aos seus pés, combinam-se na dose exata habilidade, inteligência e presteza. Há quem o considere lento.

Mas pode ser lento um jogador que dispara naquela velocidade com que Giovanni chegou outra noite diante do goleiro Wagner para tocar no canto a bola do segundo gol contra o Botafogo? E a velocidade que imprime à bola, como no toque de calcanhar, na tabela com Robert, que germinou a disparada em direção ao gol? Foi um lance exemplar, que resume tudo o que se possa dizer do futebol desse rapaz. Um lance, aliás, que Giovanni repete a cada jogo, uma, duas, três vezes.

O fato é que o Santos até pode perder hoje sua classificação para as semifinais do campeonato. Mas já ganhou o coração dos que amam o verdadeiro futebol.

Clube contratará cinco emprestados

O Santos decidiu contratar, em definitivo, os cinco jogadores titulares do time que ainda não pertencem ao clube. São os casos de Marcelo Silva, Marcos Adriano, Ronaldo, Vágner e Robert. Todos estão emprestados até o final da temporada.

O clube deve gastar cerca de R$ 1,8 milhão nestas negociações ou optar pela inclusão de alguns jogadores para abater o custo.

“Os cinco aprovaram”, disse o diretor de futebol José Paulo Fernandes.

A contratação de Robert, que pertence ao Rio Branco, está praticamente definida por R$ 325 mil.

Vágner, do União São João, deve ser comprado por R$ 800 mil.

O passe de Marcelo Silva, que ontem não jogou devido a uma contusão no tendão de Aquiles, é do Remo e custa R$ 80 mil.

Marcos Adriano é do Flamengo e tem o passe estipulado em R$ 400 mil. Já o zagueiro Ronaldo, da Ferroviária, vale R$ 200 mil.

Já foram realizadas as eleições para o Conselho Deliberativo do Santos. O presidente do conselho será escolhido no próximo dia 11. Edmon Atik e Celso Sampaio Lopes são os candidatos.

O conselho elege, na primeira quinzena de janeiro, o presidente do clube para o biênio 96/97. O candidato único é o atual presidente Samir Abdul-Hak.

Santos 3 x 1 Botafogo

Data: 29/11/1995, quarta-feira, 20h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 11ª rodada (penúltima)
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 20.300 pagantes
Renda: R$ 177.600,00
Árbitro: Wilson Souza Mendonça (PE)
Cartões amarelos:Marcelo Silva (S); Wilson Goiano, Guto, Leandro, Jamir e Sérgio Manoel (B).
Gols: Vágner (23-1), Giovanni (35-1); Jamelli (09-2), Dauri (26-2).

SANTOS
Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Marcelo Silva e Marcos Paulo; Gallo, Carlinhos, Vágner e Robert (Camanducaia); Giovanni e Jamelli.
Técnico: Cabralzinho

BOTAFOGO
Wagner; Wilson Goiano, Gonçalves, Gottardo e Guto (Dauri); Leandro Ávila, Jamir, Beto e Sérgio Manoel; Narcisio (Iranildo) e Túlio (Moisés).
Técnico: Paulo Autuori



Santos vence e é favorito para vaga

O Santos venceu ontem o Botafogo-RJ por 3 a 0, na penúltima rodada da fase classificatória do Brasileiro. Com o resultado, o time passou a ter o ataque mais positivo do torneio, com 42 gols.

A equipe paulista voltou a liderar o Grupo B e é favorita na disputa com o Atlético pela vaga para as semifinais (leia texto abaixo).

Já o Botafogo, mesmo derrotado, garantiu a sua classificação. O clube foi beneficiado pela derrota do Corinthians para o Bahia e já não pode mais ser alcançado na liderança do Grupo A.

O jogo agitou a cidade de Santos. Houve filas durante o dia nas bilheterias do clube. Mais de 20 mil torcedores santistas lotaram o estádio da Vila Belmiro. Segundo a PM, cerca de 3.000 pessoas ficaram de fora. Os ingressos se esgotaram três horas antes da partida.

O Santos fez uma de suas melhores partidas neste Brasileiro. Dominou totalmente o Botafogo, que não conseguiu criar nenhuma chance de gol na primeira etapa.

Os números do Datafolha comprovam o domínio santista. A equipe cometeu 20 faltas, contra 35 do Botafogo. Teve 40 dribles certos, contra só 9 do adversário. Acertou ainda 7 chutes a gol, contra 4 do time carioca.

O artilheiro Túlio, isolado pela marcação da defesa, não deu nenhum chute a gol. Ele acabou substituído no segundo tempo.
O Santos também não levou muito perigo à meta carioca até a metade da primeira etapa.

Aos 23min, porém, Giovanni cobrou rapidamente uma falta e lançou Jamelli na área. O atacante cruzou rasteiro e Vágner, de frente para o gol, só tocou de esquerda, abrindo o placar.

Além de acabar com uma série de cinco jogos sem tomar gols do time carioca, o gol de Vágner também desequilibrou a defesa do Botafogo e deu ânimo ao ataque santista, que passou a criar seguidas situações de perigo.

Aos 35min, Giovanni tabelou com Vágner no meio-campo e recebeu por trás da defesa adversário. Ele avançou e chutou na saída do goleiro Wagner, ampliando o marcador para o Santos.

O segundo tempo começou como terminou o primeiro. O Santos dominava o meio-campo e ameaçava o gol de Wagner. Já o Botafogo, jogando sem motivação, continuava apático.

Logo aos 9min, a equipe de Cabralzinho fez seu terceiro gol. O volante Carlinhos fez boa jogada pela esquerda, atraiu a marcação e cruzou para Jamelli, que chutou prensado no meio da área. A bola entrou no canto esquerdo.

O único gol do Botafogo saiu numa falha da defesa santista. Aos 36min, Dauri, desmarcado, completou de cabeça um cruzamento.

O gol motivou um pouco o time carioca, que passou a pressionar nos minutos finais, mas sem criar novas oportunidades.

Cabralzinho contém euforia

O técnico Cabralzinho procurou conter a euforia ao final do jogo de ontem. Para o técnico santista, “ainda falta um jogo, depois eu comemoro”.

Apesar disso, Cabralzinho declarou que se o Santos repetir contra o Guarani o futebol apresentado contra o Botafogo, “será muito difícil perder o jogo”. Segundo Cabralzinho, “pelo que fez hoje, o Santos não merece morrer na praia”.

Cabralzinho destacou a “velocidade do time, aliada a garra e seriedade” como principais fatores que levaram o Santos à vitória.

“O time está se credenciando ao título. Hoje, vencemos talvez o melhor time deste campeonato”, declarou o treinador do Santos.

Para o zagueiro Marquinhos Capixaba, que estava afastado do time há 11 jogos, a defesa do Santos foi perfeita. “Foi tudo perfeito, dentro daquilo que tínhamos programado. Espero ter ganho a condição de titular”, afirmou.

No vestiário do Botafogo, houve muita reclamação contra o árbitro da partida.

‘Falta pouco’, diz Jamelli

O atacante Jamelli disse ontem, após a vitória contra o Botafogo, que “a guerra ainda não acabou”, referindo-se à última partida do Santos, domingo, contra o Guarani, no Pacaembu.

Jamelli dedicou a vitória à torcida. “Essa vitória é inteirinha dela”, afirmou.

Agência Folha – O Santos está com a mão na classificação?
Jamelli – Nada disso. Para nós, a guerra, o jogo, ainda não acabou. Ele começou naquela vitória contra o Corinthians e só acaba contra o Guarani. Por enquanto, não tem nada garantido. Hoje (ontem) foi mais um passo nessa guerra.

Agência Folha – O Santos jogará contra o Guarani no Pacaembu. Como você analisa essa mudança?
Jamelli – É boa. Teremos com certeza um grande público, como hoje (ontem) aqui na Vila.
Além disso, tentaremos retribuir aos torcedores da capital todo o apoio recebido em São Paulo. Essa torcida, hoje, deu um show à parte. Essa vitória é inteirinha dela.

Agência Folha – Qual foi o principal mérito da equipe hoje?
Jamelli – Fomos um todo. O time jogou em bloco. No primeiro tempo, o Botafogo não jogou. O Santos marcou o campo todo, não deu espaços, enfim, não podia ser diferente. Acho até que poderíamos marcar mais gols.

Agência Folha – Você ainda tem dúvidas quanto à classificação?
Jamelli – Eu não. Só não quero embarcar na euforia da torcida. Vou continuar encarando o Guarani como uma pedreira.
Tudo agora tem que ser encarado com seriedade. Falta pouco.

Atlético-MG tem 22% de chance de obter vaga

Com a vitória conseguida pelo Santos ontem, contra o Botafogo, o Atlético-MG passa a ter 22,2% de chances de se classificar para as semifinais do Campeonato Brasileiro, segundo o Datafolha.

O Datafolha calcula as possibilidades de classificação dos times considerando vitórias por 1 a 0 e considerando cada uma das possibilidades de resultado -empate, vitória ou derrota- com a mesma probabilidade de ocorrer.

Com um ponto a menos na classificação do Grupo B, no segundo turno, o Atlético-MG chega na última rodada sem depender unicamente de seu resultado.
Além de precisar derrotar o Vitória, em Salvador, os mineiros necessitam que o Santos perca pelo menos dois pontos -um empate- para o Guarani.

Caso o Atlético-MG empate e o Santos seja derrotado, ambas as equipes ficariam com 24 pontos e com 7 vitórias, o primeiro critério de desempate. O Santos leva vantagem no saldo de gols: 11, contra 5 do Atlético-MG.


Santos 2 x 1 Paysandu

Data: 25/11/1995, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 10ª rodada (antepenúltima)
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 13.496 pagantes
Renda: R$ 119.125,00
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS).
Cartões amarelos: Narciso e Ronaldo Marconato (S); Oberdan, Barbosa e Catanha (P).
Cartões vermelhos: Marcos Adriano (S) e Bezerra (P).
Gols: Carlinhos (05-1), Giovanni (22-1) e Catanha (24-2, de pênalti).

SANTOS
Edinho; Marcelo Silva (Camanducaia), Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos, Vagner e Robert; Giovanni e Jamelli.
Técnico: Cabralzinho

PAYSANDU
Marcelo Valença; Balu, Augusto, Paulo Roberto. Biro-biro, Alexandre Pinho (Oberdan), Rubens Cesar (Barbosa), Chiquinho (Gilmar Serafim) e Bezerra; Catanha e Flavio Costa.
Técnico: Lula Pereira



Santos vence Paysandu e se torna líder

O Santos se tornou líder do Grupo B do Campeonato Brasileiro, ontem, ao bater o Paysandu por 2 a 1, na Vila Belmiro.

Os gols foram marcados por Carlinhos e Giovanni, para o Santos. Catanha descontou, de pênalti, para o Paysandu.

O resultado deixou a equipe santista com 21 pontos. Superou, assim, o Atlético-MG, seu maior adversário na luta para alcançar a fase semifinal da competição.

O Santos fez 1 a 0 logo aos 5min. Carlinhos bateu falta da intermediária e a bola entrou no ângulo, sem chance para o goleiro Marcelo Valença.
Aproveitando-se da fragilidade da defesa paraense, o Santos se mantinha no ataque.

Aos 7min, Giovanni superou dois zagueiros e tocou por cobertura. Valença se esticou e conseguiu espalmar para escanteio.

Aos 21min, porém, Giovanni teve sucesso. Livre da marcação individual feita por Balu, escorou, de cabeça, bom cruzamento de Marcos Adriano. Foi o segundo do Santos no jogo e o 11º do jogador no campeonato.

O favoritismo da equipe aumentou ainda mais aos 36min, quando Bezerra foi expulso após fazer falta em Marcelo Silva.

Na segunda etapa, Catanha assustou aos 2min, chutando uma bola cruzada na trave de Edinho, batido no lance.

Cinco minutos mais tarde, Jamelli deu o troco, chutando também na trave uma bola que sobrou na linha da grande área paraense.

Mas o Santos arrefeceu o ritmo e começou a dar espaço para o adversário. E, aos 23min, Marcos Adriano acabou evitando o gol com a mão, na pequena área.

O pênalti foi marcado e, como manda a regra, o lateral foi expulso. Catanha bateu e deixou o placar em 2 a 1.

O gol empolgou a equipe do Paysandu, que acabou crescendo no jogo. Mas o Santos conseguiu segurar o resultado.

Sucesso impulsiona comércio

A possibilidade de disputar um título após 11 anos tem levado centenas de torcedores aos treinos do Santos, na Vila Belmiro. O comércio já registra aumento nas vendas de camisas.

Nas principais lojas de artigos esportivos da cidade, o aumento nas vendas também foi registrado.

“Só na semana passada vendi mais de cem camisas. Um aumento de mais de 50%. O que você imaginar com o símbolo do Santos está estourando de vender”, disse o ex-centroavante do Santos Aluísio Guerreiro, 38.

Dono de uma loja de artigos esportivos no centro da cidade, Guerreiro disse que o Santos está recuperando a sua credibilidade . “Os torcedores voltaram a acreditar no futuro”, disse.

Na rede de lojas A Esportiva, a venda de artigos do Santos triplicou, segundo o sub-gerente Márcio Rogério Santos, 26.

“Na segunda-feira, recebemos 60 camisas. Vendemos tudo em dois dias. Tenho cliente na fila de espera. Tentei pegar camisas com outras lojas da rede e todas também venderam tudo”, disse.


Palmeiras 0 x 1 Santos

Data: 22/11/1995, quarta-feira, 20h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 9ª rodada
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 28.542 pagantes
Renda: R$ 339.503,00
Árbitro: Dionísio Roberto Domingos
Cartões amarelos: Cléber, Amaral, Flávio Conceição e Mancuso (P); Edinho, Ronaldo Marconato e Jamelli (S).
Gol: Vágner (33-1).

PALMEIRAS
Velloso; Cafu, Antonio Carlos, Cléber e Wágner (Nilson); Flávio Conceição, Mancuso (Paulo Isidoro), Amaral e Rivaldo; Edilson e Muller.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SANTOS
Edinho; Marcelo Silva, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos, Vágner (Camanducaia) e Robert (Marcelo Passos); Jamelli e Giovanni.
Técnico: Cabralzinho



Santos derrota Palmeiras e é líder

O Santos assumiu a liderança do Grupo B do Campeonato Brasileiro, com 18 pontos -1 a mais que o Atlético-MG-, ao vencer o Palmeiras por 1 a 0 ontem à noite no Pacaembu.

Já o Palmeiras ficou em situação difícil no Grupo A. Com 16 pontos, está 7 atrás do Botafogo, que venceu o Bahia por 2 a 0.

Faltam três rodadas para o término do segundo turno. Apenas um time se classifica em cada chave. Cruzeiro, no Grupo A, e Fluminense, no B, já estão nas semifinais.

O Palmeiras dominou inteiramente os 20 primeiros minutos do clássico de ontem. Aproveitando as falhas de marcação do meio-campo santista, os atacantes palmeirenses chegavam com facilidade à área adversária.

Logo aos 2min, Rivaldo recebeu na área, driblou dois e chutou cruzado. O goleiro Edinho espalmou e, no rebote, Muller chutou, mas a defesa salvou.
Aos 9min, foi a vez de Cléber obrigar Edinho a uma boa defesa, ao cabecear após um cruzamento da esquerda. Três minutos depois, Cléber chutou cruzado e Edílson não alcançou a bola.

Aos poucos, porém, o Palmeiras diminuiu o ritmo e o Santos começou a tocar mais a bola, reduzindo a pressão no seu campo.

O time santista acabou marcando no seu primeiro chute a gol, aos 33min: Giovanni deu um passe de calcanhar para Vágner, na entrada da área.

O Palmeiras voltou a perder uma grande chance aos 37min, quando Edílson recebeu de Cafu e, livre na área, tocou para fora.

Aos 45min, o meia santista Jamelli chutou de fora da área e Velloso espalmou a escanteio.

No intervalo, o técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, substituiu o volante Mancuso pelo meia Paulo Isidoro, na tentativa de aumentar o poder ofensivo da equipe.

O Santos, porém, melhorou muito a marcação na entrada de sua área, tornando sem efeito a alteração.

O Palmeiras, sem espaço para criar jogadas, deixava de usar as pontas, afunilando o jogo e facilitando a tarefa dos defensores santistas.

Aos 24min, Luxemburgo tentou reforçar ainda mais o ataque, colocando o atacante Nílson no lugar do lateral-esquerdo Wágner. O lateral-direito Cafu foi deslocado para a esquerda.

Novamente, a mudança de nada adiantou, pois o Palmeiras continuou sem nenhuma criatividade.

Nos últimos minutos, o time do Santos procurou gastar o tempo, tocando a bola e aproveitando o desespero do adversário.

Giovanni vê time ‘maduro’

O ponta-de-lança Giovanni, autor da jogada do gol da vitória, acha que o Santos já tem maturidade para chegar ao título do Brasileiro.

“No começo do campeonato, em várias jogos, marcamos primeiro, mas não conseguimos segurar a vitória”, afirmou.

Ontem, ele levou 33min para superar a marcação palmeirense. Na sua primeira jogada, um toque -de calcanhar- colocou o meia Vágner em condições de marcar.

Folha – Vocês comemoraram muito a vitória. Por quê?
Giovanni – Ela nos deixa em boa situação no campeonato e mostra que somos um time maduro. No começo do Brasileiro, em vários jogos, marcamos primeiro, mas não conseguimos segurar a vitória. Agora isso mudou e estamos vencendo.

Folha – Quais são as chances do Santos agora?
Giovanni – Muito boas. Temos dois jogos em casa. Temos condições de vencer e ficar bem perto da vaga. Estamos mostrando que temos condições de vencer o campeonato.

Folha – Como foi o gol?
Giovanni – Estava muito marcado, mas deu para ver o Vágner entrando. Toquei, ele cortou o Cléber e marcou.


Santos 3 x 0 Corinthians

Data: 19/11/1995, domingo, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 2º turno – 8ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 19.607 pagantes
Renda: R$ 166.435,00
Árbitro: João Paulo Araújo (SP).
Cartões amarelos: Marcos Adriano, Carlinhos, Gallo e Camanducaia (S); Célio Silva, Carlos Roberto e Marcelinho Paulista (C).
Cartão vermelho: Vitor (C).
Gols: Camanducaia (26-2), Gallo (27-2) e Camanducaia (44-2).

SANTOS
Edinho; Marcelo Silva, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos, Vágner (Camanducaia) e Robert (Marcelo Passos); Jamelli e Giovanni.
Técnico: Cabralzinho

CORINTHIANS
Wilson; Vitor, Célio Silva, André Santos e Carlos Roberto; Marcelinho Paulista (Tupãzinho), Júlio César, Marcelinho Carioca e Elivélton; Clóvis (Serginho) e Fabinho.
Técnico: Eduardo Amorim



Santos vence Corinthians e se aproxima da liderança

No Dia de Pelé, o Santos derrotou o Corinthians por 3 a 0, ontem, na Vila Belmiro. Todos os gols saíram na segunda metade do segundo tempo.

O Santos é, agora, o único time do Grupo B que só depende de si para ir às semifinais. O Corinthians caiu para quarto no Grupo A e precisa torcer por dois tropeços do Botafogo em quatro jogos.

Com três gols nos 20 minutos finais, o Santos bateu o Corinthians e deu passo decisivo rumo às semifinais do Campeonato Brasileiro.

Os gols foram marcados pelo atacante Camanducaia, aos 26min e aos 44min, e o volante Gallo, aos 27min do segundo tempo.

O Santos tem 15 pontos em 8 jogos no Grupo B. Está a 2 pontos do líder, o Atlético-MG, mas tem um jogo a menos.

O Corinthians complicou sua situação. Tem 16 pontos no Grupo A, 4 a menos que o Botafogo.

Antes do início da partida, Pelé foi homenageado pelo Santos. A homenagem atrasou em 15 minutos o início do clássico.

O jogo começou cheio de faltas. Quatro cartões amarelos, dois para cada time, já tinham sido dados na metade do primeiro tempo.

O time santista dominou a partida desde o início. Logo aos 9min, o meia Vágner entrou na área com a bola dominada, foi desarmado e reclamou de pênalti do lateral Carlos Roberto.

O panorama do jogo se modificou com a expulsão do lateral corintiano Vítor, aos 27min, após falta violenta em Jamelli. Os jogadores do Santos pediram pênalti no lance -Vítor acertou a perna direita de Jamelli dentro da área e o juiz não viu. O árbitro João Paulo Araújo marcou falta fora da área. O lateral corintiano já tinha cartão amarelo e foi expulso.

Mesmo com um jogador a menos, o Corinthians soube controlar a pressão do Santos.

As melhores chances do Corinthians no início do jogo vieram por meio de três cobranças de falta de Marcelinho, a 1min, 10min, e 19min, todas bem defendidas pelo goleiro Edinho.

No intervalo, o técnico corintiano, Eduardo Amorim trocou Clóvis por Serginho no ataque. O centroavante perdeu um gol aos 2min do segundo tempo -em nova boa defesa de Edinho.

Apesar do gramado pesado, devido à chuva que começou a cair no intervalo, o jogo continuou movimentado.

Aos 7min, Jamelli perdeu um gol, cabeceando para fora na pequena área.

O goleiro corintiano Wilson fez uma defesa excepcional, aos 10min, em chute do meia Robert, que estava livre na pequena área.

O primeiro gol do Santos desequilibrou a partida. O meia-atacante Giovanni entrou na área pela esquerda, levantou a cabeça e viu Camanducaia entrando livre, pelo outro lado. O passe saiu perfeito e Camanducaia, que substituíra Vágner, contundido, tocou por baixo do corpo do goleiro Wilson.

O gol desnorteou o Corinthians. Giovanni se aproveitou disso e também criou o lance do segundo gol santista. Ele atrasou a bola para Gallo. Da meia-lua, ele chutou no ângulo direito.

O Santos passou a dominar a partida e aumentou o placar aos 44min, de novo por meio de Camanducaia após lançamento longo.

Depois do jogo, a preocupação do técnico do Santos, Cabralzinho, era evitar a euforia dos jogadores.

“É muito cedo para falarmos em classificação. Temos quatro jogos difíceis (Palmeiras, Paysandu, Botafogo e Guarani) e apenas mostramos que estamos credenciados para as semifinais”, disse. “O time é jovem e, se a torcida tiver paciência, ainda vai dar muitas alegrias”, acrescentou.

O goleiro Edinho era um dos mais empolgados do time. “Foi uma vitória emocionante, devido aos acontecimentos. Foi o maior presente que o meu pai poderia ter recebido no seu dia.”

A derrota fez o Corinthians demorar 45 minutos para abrir seu vestiário para entrevistas. Quando a porta se abriu, todos os jogadores já estavam trocados.

Os jogadores evitaram falar em crise, mas o zagueiro Célio Silva resumiu a situação do time no campeonato: “Quanto mais difícil, mais gostoso”.

Giovanni lidera irresistível blitz santista
por Alberto Helena Jr.

O clássico começou muito moderno: nervoso, ágil e objetivo, embora as duas equipes mostrassem logo suas diferenças, dentro do mesmo esquema.

Enquanto o Corinthians plantava-se solidamente na defesa, o Santos movimentava-se em módulos, rapidamente, em direção ao ataque. Já a força ofensiva corintiana restringia-se aos disparos fulminantes de Marcelinho, que estabeleceu um duelo paralelo com o goleiro Edinho.

Isso até que Vítor cometesse pênalti em Jamelli (falta que o juiz marcou fora da área) e acabasse expulso. Pois não é que, a partir daí, o Corinthians ficou mais agressivo, aproveitando-se de uma sucessão de trapalhadas da defesa santista?

Mas o Santos reaprumou-se no segundo tempo e encetou uma blitz irresistível sobre o inimigo: chances e mais chances perdidas, até que dois passes magníficos de Giovanni, para Camanducaia e Gallo, e uma deixadinha, de novo para o ponta-direita, definissem o placar. Era como se o camisa 10, no dia de Pelé, fizesse uma elegante reverência diante do Rei. E do futebol.

Camanducaia reza pelo gol

Marcelo Fernandes Dominguez de Rezende, 20, o Camanducaia, foi o herói da vitória do Santos. Ele jogou apenas meia hora, o suficiente para marcar dois gols.

“Foi a primeira vez que isso aconteceu na minha carreira. Nunca fiz mais de um gol por jogo”, afirmou o jogador, que ofereceu os gols e a vitória ao “Rei Pelé”.

“Era o dia do ‘Rei’ e nós precisávamos homenageá-lo. Ele, que cansou de vencer o Corinthians, sempre está presente nos momentos importantes”, disse.

Repórter – Por que o nome Camanducaia?
Camanducaia – É o nome da minha cidade, perto de Bragança Paulista. Quando cheguei ao Santos, há três anos, o time tinha cinco Marcelos. Aí, preferiram Camanducaia.

Repórter – Você esperava entrar no jogo e decidir?
Camanducaia – Sim. O jogo estava para mim, desde o primeiro tempo. No intervalo, rezei muito e disse que faria dois gols. Sabia que iria arrebentar. Tive o meu dia de estrela e consegui retribuir o apoio da torcida.

Repórter – Qual foi a principal virtude do Santos?
Camanducaia – A garra e a determinação de todos nós. O Giovanni, por exemplo, não marcou, mas deu os passes para os três gols.
Além disso, o time não se desesperou. Soube aproveitar, no segundo tempo, a vantagem de um homem.

Repórter – O Santos é o time paulista com mais chances de classificação no Brasileiro. Até que ponto isso aumenta a responsabilidade de vocês?
Camanducaia – Seria uma honra representar o futebol paulista nas semifinais. Mostramos, contra o Corinthians, que temos condições.

Cidade celebra o primeiro Dia Pelé

O ministro extraordinário dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, foi homenageado ontem com a primeira comemoração municipal do Dia Pelé. A cerimônia foi feita antes do jogo Santos x Corinthians, na Vila Belmiro, estádio do Santos.

“Antes de um jogo como esse e com meu filho Edinho em campo, me dá muita vontade de ficar no gramado e ajudar um pouco o Santos”, afirmou o ex-jogador.

Há 26 anos, no dia 19 de novembro, Pelé marcou, no Maracanã, de pênalti, aquele que ficaria conhecido como o milésimo gol.

Levantamento feito pela Folha apurou, no entanto, que o gol mil foi marcado cinco dias antes.

“Para mim, fica a data de hoje. Mesmo assim, acho importante todo o trabalho feito pela Folha, que serve para as futuras gerações que vierem a estudar futebol.”

Às 18h32, Pelé entrou no gramado acompanhado de Edinho, do goleiro corintiano Wilson e dos capitães Gallo (Santos) e Célio Silva (Corinthians).

Mesmo chorando, Pelé se disse tranquilo. “Sou um homem de Três Corações”, disse, lembrando sua cidade natal, em Minas Gerais. “Sempre que pensarem em me homenagear, que o façam enquanto estiver vivo. Assim, posso viver o momento e retribuir.”

Venda de Giovanni emperra

O Conselho Deliberativo do Santos vai decidir a venda do meia Giovanni ao São Paulo. A diretoria decidiu submeter ao conselho a aprovação do negócio, com qualquer clube.

“Não é uma prática comum. O conselho só será consultado porque a negociação é vultosa”, disse Edmon Atik, presidente do órgão.

O diretor de futebol, Clodoaldo Tavares Santana, afirmou que o clube não está interessado na venda, nem decidiu quanto pediria pelo jogador -que pertence ao clube, não mais a Pelé.

“A saída do Giovanni, hoje, está nas mãos dele. Ele sabe as condições do Santos e quanto o clube pode oferecer”, afirmou Pelé.

Não serão o atuais conselheiros, porém, que vão decidir o negócio. No dia 2, haverá eleição para o conselho. Das 300 cadeiras, 172 serão renovadas.

O novo conselho também terá o poder de eleger o presidente do Santos. A eleição será em janeiro.

O candidato da situação será o presidente Samir Abdul Hak ou Clodoaldo. Se Samir for o candidato -a definição pode acontecer hoje-, a oposição deve lançar Antonio Aguiar.

Marcelinho Carioca vê ‘injustiça’

O meia Marcelinho considerou “injusta” a derrota para o Santos, ontem à noite na Vila Belmiro, mesmo com o placar de 3 a 0.

“Nós jogamos muito bem”, afirmou o jogador, que fez 11 finalizações, 73% do total do time.

Para Marcelinho, o Santos teve dois méritos: “Aproveitou as chances que teve” e “o Edinho estava no dia dele”, resumiu.

Ao contrário do resto do seu time, afirmou que mesmo “após o primeiro gol, o Corinthians continuou jogando bem.”

Repórter – Como você viu a derrota?
Marcelinho – Foi uma injustiça. Jogamos muito bem.

Repórter – Mas o Santos fez três gols…
Marcelinho – O Santos aproveitou as chances que teve. Nós tivemos as nossas e não marcamos.

Repórter – Nem a expulsão do lateral Vítor, no primeiro tempo, atrapalhou?
Marcelinho – Mesmo assim, continuamos bem. Em alguns momentos, demos um sufoco neles.

Repórter – E por que o Corinthians não marcou?
Marcelinho -Por causa do Edinho. Ele fez pelo menos duas grandes defesas. Em uma delas, tirou a bola do ângulo, trocando de mão, em um chute meu, no primeiro tempo.

Repórter – A derrota deixa o Corinthians longe da vaga para as semifinais do Brasileiro?
Marcelinho – De jeito nenhum. Temos condições de vencer os nossos quatro últimos jogos (União, Fluminense, Bahia e Vasco), e o Botafogo pega o Santos aqui na Vila Belmiro e tem dois clássicos regionais (Vasco e Fluminense). Pode muito bem perder a vantagem que tem sobre nós.