1996 - Acervo Santista

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O técnico Wanderley Luxemburgo confirmou ontem que vai assumir o Santos no Campeonato Paulista. Problemas políticos no seu antigo clube, o Palmeiras, fizeram o técnico optar pela mudança.

Luxemburgo condicionava a continuidade de seu trabalho no Palmeiras à permanência de Seraphim Del Grande, vice-presidente do clube, no comando do departamento de futebol.

Del Grande, porém, confirmou ontem que rompeu com o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, e deixou o comando do futebol (leia texto abaixo).
O técnico vai assinar um contrato de dois anos, recebendo um salário de R$ 100 mil mensais.

Além de comandar o departamento de futebol, Luxemburgo vai supervisionar o futebol amador. Esse era um dos grandes planos de Luxemburgo no Palmeiras, vetado sistematicamente pelo presidente Contursi.

Reunião

A contratação de Luxemburgo foi definida numa reunião ontem à tarde, na sede da Unicór, patrocinadora do Santos.

Participaram do encontro Samir Abdul-Hack, presidente do Santos, Ricardo Duprat, diretor da Unicór, e Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, ministro dos Esportes e “conselheiro” do Santos.

Luxemburgo foi o último a chegar na sede da Unicór, às 14h. Ele estava acompanhado de seu segurança particular, Lafaiete Pietoso.

Antes do início da reunião, foi servido um almoço com comidas árabes e picanha. Os participantes da reunião saíram do prédio da Unicór sem dar entrevistas.


Cruzeiro 2 x 1 Santos

Data: 24/11/1996, domingo,
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, MG.
Público: 18.520 pagantes
Renda: R$ 153.787,50
Árbitro: Wagner Azevedo (RJ).
Cartões amarelos: Marcos Assunção, Rogério Seves e Élder (S); Fabinho e Cleison (C).
Gols: Paulinho McLaren (12-1) e Aílton (23-1); Marcos Assunção (22-2).

SANTOS
Sergio; Marcos Adriano, Jean (Edgar Baez), Ronaldo Marconato e Daniel; Rogério Seves, Marcos Assunção, Élder e Vagner (Baiano); Camanducaia e Alessandro.
Técnico: Orlando Pereira

CRUZEIRO
Dida; Vitor, Luizão, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Aílton e Palhinha (Da Silva); Paulinho McLaren (Leo) e Cleisson (Tico).
Técnico: Levir Culpi



Cruzeiro bate o Santos em BH e garante a primeira colocação

O Cruzeiro bateu o Santos ontem, por 2 a 1, em Belo Horizonte, e terminou a fase de classificação do Brasileiro em primeiro lugar. Vai pegar nas quartas-de-final a Portuguesa, que ficou com a oitava vaga para a próxima fase.

Já classificado, o time mineiro foi ao ataque para garantir a primeira colocação ainda no primeiro tempo, já que o Santos -sem sete titulares- não ofereceu muita resistência. Somente na segunda etapa as coisas se inverteram.

Os dois gols do Cruzeiro aconteceram no primeiro tempo. Aos 12min, Paulinho recebeu lançamento de Palhinha, o goleiro Sérgio não conseguiu cortar o cruzamento, e o atacante marcou.

Aos 23min, o volante Fabinho avançou e lançou Palhinha pela direita. Dentro da área, o meia tocou para Aílton fazer 2 a 0.

A disposição que faltou ao Santos na primeira etapa sobrou na segunda. O time marcou forte no meio-campo e procurou atacar pelas pontas, com velocidade.

Dessa forma, aos 22min, o Santos marcou o seu gol. Camanducaia foi ao fundo e cruzou para trás. Marcos Assunção chutou e marcou. A equipe, porém, não teve forças para empatar a partida.



Santos vai improvisar no adeus (Em 24/11/1996)

Sem sete titulares e à espera da reformulação que a diretoria prometeu começar nesta semana, o Santos cumpre tabela hoje, no Mineirão, contra o Cruzeiro.

O time não terá o goleiro Edinho, o lateral Ânderson, os zagueiros Sandro e Narciso e o volante Carlinhos (machucados), e os meias Robert e Jamelli, suspensos pelo terceiro cartão amarelo.

O técnico Orlando Pereira terá que improvisar. Devido à falta de opções, a defesa terá cinco jogadores, dos quais três zagueiros -Jean, Ronaldo e Daniel.

O lateral-esquerdo Marcos Adriano será deslocado para a direita. O meia Vágner, que retorna após cumprir suspensão, será o responsável pela armação das jogadas para os atacantes Camanducaia e Alessandro.

Para 97, a diretoria quer trazer jogadores experientes, donos do próprio passe, visando reduzir o custo das contratações.

A avaliação é de que o atual grupo de jogadores é muito jovem e necessita de atletas veteranos, capazes de comandar e incentivar a equipe dentro de campo.

O técnico Orlando Pereira não tem garantida sua permanência, mas não há consenso entre os diretores sobre o treinador ideal para assumir o controle do time. Entre os nomes cogitados estão os de Cilinho, Mário Sérgio e Carlos Alberto Parreira.

A diretoria tenta acertar excursão para a África ainda este ano. Se ela não acontecer, os jogadores devem ter férias antecipadas.

Cruzeiro ataca para chegar em primeiro no Brasileiro

O Cruzeiro vai escalar um time ofensivo na partida de hoje contra o Santos, em Belo Horizonte (MG), para tentar a vitória, que lhe garante o primeiro lugar entre os 24 times que disputam o Campeonato Brasileiro.

O time mineiro é o único que depende apenas de seus esforços para terminar a fase de classificação na liderança. O Cruzeiro tem 41 pontos, e seus adversários mais próximos, Palmeiras e Guarani, têm 40. Em seguida aparecem os Atléticos (Mineiro e Paranaense), com 39.

“A vitória vai coroar a nossa campanha. Vamos com tudo para cima do Santos”, disse o técnico cruzeirense, Levir Culpi.

O treinador afirmou que, depois de uma semana em que “as coisas não deram certo”, a equipe mineira ainda tem condições de seguir vencendo.

O time perdeu o primeiro jogo da final da Supercopa para o Vélez Sarsfield (Argentina), em casa, na quarta-feira, com um gol de pênalti marcado pelo goleiro paraguaio Chilavert nos últimos minutos.

Na quinta, foi a vez de perder jogando com os reservas, pelo mesmo placar, para o São Paulo, no estádio do Morumbi.

“O Cruzeiro ainda está com forças para reverter a situação contra o Vélez e disputar o título brasileiro”, disse Culpi. “É o momento de superação para atingirmos os dois objetivos”, acrescentou.

Segundo Culpi, o fato de o time disputar a 75ª partida neste ano, estar na final da Supercopa e em primeiro lugar no Brasileiro mostra a força que os jogadores do Cruzeiro têm.

A partir de hoje, a ordem é esquecer a Supercopa e pensar apenas no Brasileiro, já que a segunda partida contra o Vélez Sarsfield será somente no dia 4 de dezembro, na Argentina.

Até lá, já terão terminado as quartas-de-final. Caso o Cruzeiro passe também por essa fase, o time voltaria a jogar pela Supercopa antes da semifinal.

Improvisação

O time mineiro não terá hoje dois jogadores da equipe considerada titular. O zagueiro Gilmar e o volante Donizete estão suspensos. Gélson, também zagueiro, se contundiu.

Como os outros dois zagueiros reservas (Jean e João Carlos) foram suspensos na última partida, Culpi terá que improvisar o volante Luizão na defesa. Nas outras posições, jogam todos os titulares.

O Santos, por sua vez, não terá sete jogadores da equipe principal


Grêmio 3 x 0 Santos

Data: 12/11/1996
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS.
Público: 11.079
Renda: R$ 102.522,00
Árbitro: Léo Feldman (RJ).
Cartões amarelos: Carlos Miguel, Rivarola, Dinho, Arce, Luis Carlos Goiano, Danrlei e Zé Alcino (G); Jamelli (S).
Cartões vermelhos: Narciso (S, 39-1) e Marco Antônio (G, 40-2).
Gols: Paulo Nunes (28-1) e Dinho (35-1); Zé Alcino (22-2).

GRÊMIO
Danrlei; Arce, Rivarola (Mauro Galvão), Adílson e Roger; Dinho (Marco Antônio), Luís Carlos Goiano, Emerson (Aílton) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Zé Alcino.
Técnico: Luis Felipe Scolari

SANTOS
Edinho; Ânderson, Daniel, Narciso e Marcos Adriano; Marcos Assunção, Carlinhos, Élder (Jean) e Vágner (Edgar Baez); Jamelli e Camanducaia (Andradina).
Técnico: Orlando Lelé


Vasco 1 x 2 Santos

Data: 07/11/1996, quinta-feira, 21h15.
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 2.750 pagantes
Renda: R$ 29.740,00
Árbitro: Wilson de Souza Mendonça (PE).
Cartões amarelos: Marcos Assunção, Robert e Vágner (S); Edmundo e Nélson (V).
Cartão vermelho: Pimentel (V).
Gols: Alessandro (05-1); Jamelli (06-2) e Ranielli (11-2).

VASCO
Caetano; Pimentel, Tinho, João Luis e Felipe; Luisinho (Pedro Renato), Nelson, Juninho e Ramon; Edmundo e Macedo (Raniélli).
Técnico: Antonio Lopes

SANTOS
Edinho; Vágner, Sandro, Daniel e Robert; Marcos Assunção, Élder, Carlinhos e Jamelli (Cuca); Alessandro (Andradina) e Camanducaia.
Técnico: Orlando Lelé



Santos vence e foge do rebaixamento

O Santos venceu o Vasco por 2 a 1, chegou aos 21 pontos e praticamente assegurou a sua permanência na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 1997. A partida foi realizada no estádio de São Januário, do Vasco, no Rio de Janeiro, ontem à noite.

O Santos jogou com um uniforme multi-formi. Camisas listadas e calção quadriculado em preto e branco.

O resultado tornou quase impossível a classificação do Vasco para as quartas-de-final da competição. O time carioca tem 24 pontos. O oitavo colocado do campeonato, o último a se classificar, é a Portuguesa, com 30 pontos.

Faltam quatro rodadas para acabar a primeira fase. O Santos tem chances matematicamente desprezíveis de chegar à segunda fase.

O Santos surpreendeu o Vasco com velocidade e pressão no começo da partida. Nos primeiros dez minutos, o goleiro Caetano fez três defesas. Ele substituiu o titular Carlos Germano, que chegou a se aquecer, mas não jogou por causa de dores musculares.

Aos 6min, Alessandro, ex-jogador do Vasco, fez o primeiro gol do Santos. A equipe paulista teve vários contra-ataques no primeiro tempo.

Em contraste com a velocidade do adversário, o Vasco era lento, apesar de pressionar. O atacante Edmundo jogava “sozinho”, com poucas alternativas.

No fim do primeiro tempo, o técnico do Santos, Orlando Pereira, reclamou do recuo do time. “Não podemos recuar tanto porque corremos o risco de perder”, afirmou.

Aos 7min, Alessandro cruzou da direita para Jamelli fazer 2 a 0.

A tranquilidade santista durou pouco: aos 11min, após uma falha de Daniel, Ranielli marcou contra seu ex-clube.



Santos improvisa laterais contra o Vasco ( Em 07/11/1996 )

O técnico Orlando Pereira viajou irritado para o Rio de Janeiro, onde hoje à noite o Santos enfrenta o Vasco.

No treino da manhã, em Santos, o técnico reclamou de notícias de que a diretoria pretende reformular a comissão técnica e o grupo de jogadores no início do ano que vem, com vistas ao Campeonato Paulista. O treinador disse não acreditar que os diretores tenham feito qualquer declaração nesse sentido, o que, segundo ele, geraria intranquilidade.

Mas acabou revelando sua irritação. “Não é possível trabalhar assim. É falta de respeito um negócio desses”, declarou.

Na última segunda-feira, um dia após o empate em 2 a 2 com o Bragantino, em São Paulo, o diretor de Futebol José Paulo Fernandes dissera que a reformulação vai acontecer.

Anteontem, o presidente Samir Jorge Abdul-Hak afirmara que Cilinho, técnico atualmente desempregado, é um dos nomes cogitados para dirigir a equipe em 97.

Pereira assumiu o cargo no sábado. É a segunda vez neste ano que ele substitui treinadores dos quais era auxiliar. A primeira fora no Campeonato Paulista, após a saída de Candinho, hoje na Portuguesa.

No sábado, ele substituiu José Teixeira, demitido após a derrota de 2 a 1 para o Vélez Sarsfield, em Uberlândia, pela Supercopa dos Campeões da Libertadores.

A manutenção de Pereira no cargo depende da campanha no Brasileiro e na Supercopa, na qual o time ainda tem chance de chegar à final, se derrotar o Vélez, em Buenos Aires, na próxima semana.

Alas improvisados

Para o jogo de hoje contra o Vasco, Pereira voltou a modificar a equipe em relação ao time que enfrentou o Bragantino. Para suprir a ausência dos laterais titulares Ânderson e Marcos Adriano, ambos suspensos, ele improvisou os meias Vágner e Robert como alas (laterais ofensivos) e escalou três volantes (meias defensivos) no meio-campo.

Segundo Pereira, Vágner e Robert terão liberdade para subir ao ataque. Os volantes Carlinhos, pela direita, e Élder, pela esquerda, terão a missão de marcar os adversários que atuarem no espaço deixado na defesa pelos alas.

O ataque terá Alessandro e Camanducaia na frente e Jamelli com a função de criar jogadas.

Na zaga, o substituto de Narciso, suspenso, será Daniel, que vai atuar pela segunda vez no Brasileiro -a primeira foi contra o Criciúma (1 a 1). Edinho será mantido no gol porque Sérgio não se recuperou de contusão no tornozelo.

Vasco coloca Macedo contra seu ex-time

Até às 18h15 de ontem, o atacante Macedo achava que não enfrentaria hoje o Santos, seu ex-clube.

Ele havia perdido o lugar para o atacante Celso, recém-contratado ao América-MG. Mas, no fim do treino, Celso sofreu uma distensão muscular. “Lamento por ele, mas queria muito enfrentar o Santos”, disse Macedo.

O Vasco planeja vencer os últimos cinco jogos na primeira fase do Brasileiro para chegar a 39 pontos e ter chance de se classificar. A equipe venceu domingo o Botafogo por 2 a 1, de virada.

Ela ocorreu após o vice-presidente de Futebol, Eurico Miranda, invadir o campo e reclamar do árbitro Jorge Travassos.

O jogo de hoje será em São Januário porque o Vasco se recusou a entregar à administração do Maracanã cheque de R$ 40 mil como garantia de taxa mínima.



Créditos: Vídeo: Wesley Miranda

O auxiliar-técnico Orlando Pereira é o novo treinador do Santos. Ele substitui temporariamente José Teixeira, até o final deste Campeonato Brasileiro.

Pereira dirigiu a equipe por 20 jogos na última edição do Campeonato Paulista, com uma estatística de 13 vitórias, 1 empate e 6 derrotas. Foi rendido por Teixeira antes do início do campeonato nacional.

O Santos só deve pensar na contratação de um novo técnico a partir do próximo ano.

A demissão de Teixeira foi anunciada ontem pela diretoria do Santos, após reunião na Vila Belmiro. A diretoria propôs que Teixeira continuasse no clube, com cargo de supervisão no Departamento de Futebol.

A crise que levou à queda do técnico é resultado da virtual eliminação do Santos da Supercopa dos Campeões da Libertadores e de uma série de sete jogos sem vitória que ameaça o time de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

A situação ficou insustentável para o técnico com a derrota por 2 a 1 para o Vélez Sarsfield, da Argentina, anteontem, em Uberlândia (MG), pela Supercopa.

A equipe teve uma péssima atuação e acabou levando um gol, ao final da partida, de pênalti, convertido pelo goleiro paraguaio Chilavert, astro do time.

Para chegar à final da competição, o Santos, agora, terá de vencer o Vélez por uma diferença de dois gols no próximo dia 14, em partida programada para Buenos Aires.

“Chegamos ao limite máximo. Essa situação não pode continuar do jeito que está. Não podemos admitir jogadores do Santos se arrastando em campo”, declarou o diretor de futebol José Paulo Fernandes.

A insatisfação com o trabalho do técnico também envolve os jogadores do time.

O zagueiro Sandro e o volante Carlinhos, até então titulares, reclamaram de terem ficado na reserva na partida contra a equipe argentina. Sandro afirmou que soube somente no vestiário, durante a preleção, que não seria escalado.

“Ele (Teixeira) não me deu explicações”, afirmou.

O goleiro Sérgio, titular até deixar a equipe por contusão, disse que estava em condições de jogo, anteontem, mas foi substituído por Edinho.

O atacante Jamelli, capitão do time, afirmou que a equipe está se acostumando a perder. E não poupou críticas aos companheiros, ressaltando que faltou “espírito de luta” na partida de anteontem.