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Corinthians 1 x 1 Santos

Data: 09/12/1998, quarta-feira.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinais – 3º jogo de 3
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 37.370
Renda: N/D
Árbitro: Sidrack Marinho dos Santos (SE).
Cartões amarelos: Claudiomiro e Élder (S); Batata, Gilmar e Didi (C).
Cartão vermelho: Viola (S, 39-2).
Gols: Viola (41-1) e Edílson (11-2).

CORINTHIANS
Nei; Índio, Batata, Gamarra e Silvinho; Gilmar, Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca; Edílson (Cris) e Didi (Dinei).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SANTOS
Zetti; Baiano, Jean, Argel e Athirson; Claudiomiro, Élder, Jorginho (Bechara) e Róbson Luís (Maezono); Messias (Alessandro) e Viola.
Técnico: Emerson Leão



Corinthians mantém tradição e leva vaga

Equipe empata em 1 a 1 com o Santos e chega à decisão do Brasileiro pela terceira vez seguida em anos de Copa

O Corinthians manteve uma pequena tradição e chegou às finais do Campeonato Brasileiro pela terceira vez seguida em anos de Copa do Mundo.

Em 1990, foi campeão em cima do São Paulo (seu único título nacional) e, em 1994, perdeu a decisão para o Palmeiras. Em ambas, o adversário jogava pelo empate, em decisões em dois jogos. Ontem à noite, no Pacaembu, o time do técnico Wanderley Luxemburgo empatou com o Santos em 1 a 1.

O jogo foi tão apertado que a torcida só comemorou depois do apito final. Desde o início, o Santos mostrou um comportamento completamente diferente da última partida, quando esteve mais preocupado em brigar com os adversários e reclamar do juiz.

Desta vez, Leão montou o time correndo riscos calculados. Com Argel e Jean na zaga, pois Claudiomiro foi deslocado para o meio-campo para cobrir o lugar de Narciso, suspenso, o técnico mandou o lateral-esquerdo Athirson jogar como zagueiro, deixando um espaço pela direita.

Para evitar que o Corinthians usasse o espaço, mandou o meia Messias jogar aberto na esquerda, para segurar o lateral-direito Índio e o meia Vampeta.

Robson Luís, na direita, fez o mesmo, mas foi superado sempre pelo lateral-esquerdo Silvinho, o melhor do Corinthians no primeiro tempo.

Já o Corinthians, embora Silvinho estivesse acima de sua média, puxando contra-ataques e até finalizando uma vez ao gol de Zetti (que pôs a escanteio), teve seu trabalho prejudicado pela má noite dos volantes.

Do lado direito do time corintiano, Vampeta não conduziu o time como de hábito. Errou vários lançamentos e pouco atacou.

No meio, Gilmar mostrou a vontade de sempre. Correu, deu chutões, mas, no ataque, deixou clara sua falta de técnica. Ao chutar o ar, em vez da bola, aos 41min, permitiu que o Santos fizesse o contra-ataque que resultou no gol de Viola.

Foi a única vez que Silvinho não conseguiu voltar a tempo para proteger a defesa e também a única jogada de Robson Luís no primeiro tempo.

Mas a grande decepção corintiana foi seu líder, Rincón. No início, discutiu com os companheiros. Aos poucos, à medida em que errava mais e mais passes, ficou quieto. No final, nem mais corria. Os jogadores, visivelmente, evitavam passar-lhe a bola.

Do meio para a frente, Edílson foi o destaque, especialmente em tabelas com Silvinho e Marcelinho. No final, cansou de sofrer faltas e dos erros dos colegas e sumiu. Didi simplesmente não acertou nenhuma jogada e ainda ficou várias vezes adiantado.

O meia-atacante Marcelinho teve duas chances em cobranças de falta, mas o goleiro Zetti conseguiu encaixar ambos os chutes.

No segundo tempo, o Corinthians voltou com mais vontade e um pouco melhor.

Aos 11min, a defesa santista tomou a bola, mas errou um passe. A bola sobrou para Índio, que serviu Edílson. Este driblou um zagueiro e, de bico, empatou.

Após o gol, Leão fez Alessandro entrar no lugar de Messias e passou Robson Luís para a esquerda. Leão, mais nervoso, começou a pedir cartão amarelo em quase toda falta corintiana.

Em seguida, Luxemburgo cansou-se dos erros de Didi e o trocou pelos de Dinei. Até a saída Didi prejudicou o time. Demorou tanto que levou cartão amarelo.

A partir dos 20min, Leão começou a colocar todas as opções de ataque, o cearense Bechara e depois o japonês Maezono.

O Corinthians só criava jogadas de contra-ataque, que esbarravam no goleiro-líbero Zetti e nos erros de Dinei e até de Edílson.

Aos 39min, Viola encenou uma falta, reclamou e levou o terceiro cartão amarelo. Gritou mais e levou o vermelho. Os jogadores do Santos cercaram o juiz, que se irritou e mandou a polícia retirar o artilheiro do Campeonato Brasileiro (21 gols, com o de ontem).

Depois da expulsão, os dois times quase só deram chutões.

Santistas adotam postura conformista

Os jogadores santistas mostravam-se conformados com a eliminação do Brasileiro.

Segundo o meia Jorginho, o time não merecia mais do que a igualdade. “Infelizmente, nenhuma das equipes mostrou um bom futebol hoje (ontem). O empate foi o resultado mais justo”, afirmou o meia, ainda no gramado.

Já o zagueiro Jean tinha opinião diferente, mas a mesma postura conformista em relação à eliminação.
“Graças a Deus o Santos mostrou uma melhor determinação e um melhor futebol. Nós saímos mostrando que temos capacidade para chegar aonde chegamos”, afirmou.

Em relação à expulsão do atacante Viola, Jean não considera que foi determinante para o resultado final. “Não influenciou muito. O que dificultou mesmo foram as oportunidades desperdiçadas”, afirmou.



Corinthians e Santos testam nervosismo (Em 09/12/1998)

Técnicos deixam duelo tático de lado e partem para guerra emocional em busca de vaga na final do Brasileiro

Mais do que um duelo tático, Corinthians e Santos fazem um “confronto psicológico” hoje à noite, no estádio do Pacaembu, para decidir quem vai para a final do Campeonato Brasileiro. Ao Corinthians, basta um empate para a classificação.

O técnico Wanderley Luxemburgo trocou o coletivo que realizaria ontem pelo que chamou de “papo-treino”, para, na base da conversa, manter os jogadores do Corinthians com a mesma motivação que demonstraram na última partida, vencida por 2 a 0, depois de o time ter perdido por 2 a 1 no primeiro jogo das semifinais.

Já o treinador santista Emerson Leão optou pelo segredo e pelo mau humor para tentar reverter o que considerou um desequilíbrio na segunda partida.

Ontem pela manhã, Leão comandou um treino secreto. No dia anterior, o clube divulgara que o time treinaria apenas à tarde.

Além disso, exigiu postura de arrependimento dos atletas pela exibição no último domingo. “Eu quero que o jogador fique preocupado. Eu prefiro uma cara amarrada, mas consciente, a muitos sorrisos e esquecimento do dever”, justificou o treinador.

Luxemburgo tem opinião parecida quanto a esse aspecto. Ele disse que quer o seu time tranquilo, mas não calmo. “Essa ansiedade, esse frio na barriga de todos nós, faz parte do clima de decisão. Já conhecemos o Santos nos dois primeiros jogos, mas temos que estar preparados, porque esta terceira partida certamente será diferente”, disse ele, acompanhado da psicóloga Suzy Fleury, que vem comandando o trabalho emocional no time.

“É bom viver essa tensão controlável”, disse ela.

O clima de tensão no Santos pôde ser notado na viagem do time a São Paulo, com o ônibus cercado por cinco motos e três carros da polícia. Além disso, cerca de 20 seguranças acompanham a delegação em São Paulo. A sisudez adotada se reflete também nos atletas.

Na segunda-feira, Narciso, expulso no domingo, se recusou a dar entrevistas e teve que ser contido pelo lateral Ânderson quando se exaltou com um repórter.

Ontem pela manhã, após o treino secreto, os jogadores evitaram as entrevistas. “Eu prefiro uma postura mais séria, com mais responsabilidade, a um sorriso”, aprovou o técnico santista.

Emerson Leão não considera, no entanto, que o time levará a atitude para dentro de campo, repetindo o nervosismo que apresentou no domingo, no Pacaembu. “Agora a história deve ser outra. Eu também não esperava esse desequilíbrio que o time mostrou no domingo”, afirmou.

Em relação ao treinamento secreto, Leão minimizou a estratégia. “Eu estou respondendo tudo o que vocês me perguntam, então não tem nada de secreto.”

Já os jogadores aprovaram a tática. Segundo o volante Claudiomiro, é um fator que pode contar a favor do time. “É bom, pois o adversário fica mais preocupado”, disse ele.

Goleiros

O controle emocional do Corinthians e do Santos dentro de campo, que para os dois técnicos pode decidir a partida, deve começar nos goleiros.

“O Luxemburgo tem frisado bastante que a tranquilidade será fundamental nesse jogo e que ela tem que partir do goleiro Nei para contagiar todo o time”, afirmou o preparador de goleiros do Corinthians, Paulo César Gusmão.

Segundo ele, esse trabalho vem surtindo efeito. “O Nei está conseguindo manter a regularidade no campeonato. Ele está sabendo se manter tranquilo, segurando a bola no momento certo. Enfim, ele está sabendo comandar, e isso é fundamental neste momento”, completou.

Segundo o goleiro Zetti, a sequência de jogos decisivos do Santos, recentemente campeão da Copa Conmebol, foi responsável pelo nervosismo mostrado no último domingo. O goleiro considera que o time está “estressado”.

“Nós tivemos muitas partidas decisivas. Isso trouxe um estresse muito grande. Pode ser que o lado emocional tenha saído um pouco do lugar e alguns jogadores tenham perdido o controle”, disse.

O segredo para reverter a situação hoje, segundo Zetti, será ir para cima com inteligência. “Não podemos ter pressa para marcar, e alguns jogadores, principalmente os mais experientes, têm que chamar a responsabilidade”, afirmou.

Leão fará mais 2 mudanças

O técnico Emerson Leão deve promover três alterações para o jogo de hoje em relação à equipe que enfrentou o Corinthians como titular no último domingo.

Devido à expulsão do meia Narciso, o técnico decidiu adiantar o volante Claudiomiro, que vinha jogando improvisado na zaga, para o meio-campo. Para o setor defensivo, Leão pretende optar por Jean ao lado de Argel.

Além disso, fará mais duas mudanças. No meio-campo, deve colocar Jorginho no lugar de Eduardo Marques. Na frente, Messias deve substituir Alessandro.

O técnico esperava, no entanto, que a diretoria conseguisse um efeito suspensivo para Narciso, mas no final da tarde o advogado santista que cuida do caso, Sílvio Bittencourt, acabou com as esperanças do treinador. “Infelizmente, ele não poderá jogar amanhã (hoje)”, disse.

O volante Claudiomiro não mostra preocupação em retornar à posição de origem na partida mais importante do Santos no torneio. “Não aumenta em nada a minha tarefa. Eu já estou acostumado a jogar nessa posição.”

O atleta considera, além disso, que as alterações não são motivadas pela demonstração de nervosismo do time no último jogo.

“O Santos não tem razão para se desesperar sob pressão. Nós jogamos na Argentina com 50 mil pessoas gritando nas nossas orelhas e saímos de lá com o título”, afirmou, referindo-se à recente decisão da Conmebol.


Corinthians 2 x 0 Santos

Data: 06/12/1998, domingo, 18h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinais – 2º jogo de 3
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 37.370
Renda: R$ 631.650,00
Árbitro: Francisco Dacildo da Silva Mourão Albuquerque (CE).
Cartões amarelos: Gilmar e Didi (C); Eduardo Marques, Róbson Luís e Alessandro (S).
Cartão vermelho: Narciso (32-1, S)
Gols: Marcelinho Carioca (27-1, de pênalti) e Edílson (15-2).

CORINTHIANS
Nei; Índio, Batata, Gamarra e Silvinho; Gilmar (Ricardinho), Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca; Edílson e Didi (Dinei).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Jorginho) e Róbson Luis (Fernandes); Alessandro (Élder) e Viola.
Técnico: Emerson Leão



Corinthians vence Santos e “catimba”

Time de Vanderlei Luxemburgo derrota rival em jogo nervoso e reverte vantagem na semifinal do Brasileiro

Em partida nervosa, marcada por muitas discussões e empurra-empurra entre os atletas, o Corinthians bateu o Santos por 2 a 0, ontem, no Pacaembu, e reverteu a vantagem do rival nas semifinais do Campeonato Brasileiro.

As duas equipes voltam a se enfrentar na quarta-feira à noite no mesmo Pacaembu. Para passar à final, o time de Vanderlei Luxemburgo, que fora derrotado no primeiro jogo em Santos, por 2 a 1, depende agora de um empate.

O clássico paulista de ontem já começou truncado. Até os 15 minutos iniciais, os times haviam cometido 15 faltas -oito do Santos e sete do Corinthians.

Após a abertura de placar e a expulsão de Narciso, ainda no primeiro tempo, os corintianos passaram a evitar as discussões.

O árbitro cearense Francisco Dacildo Mourão, porém, foi pouco rigoroso durante todo o jogo. Complacente com as jogadas faltosas, mostrou apenas dois cartões amarelos, além do vermelho a Narciso, durante os 90 minutos.

Com dois jogadores abertos nas pontas -Alessandro na direita e Robson Luís na esquerda-, o Santos era mais perigoso no início com o avanço dos laterais.

Mas o time de Emerson Leão começou a dar liberdade a Vampeta, que centralizava a ligação com o ataque no meio-campo.

Aos 9min, o Corinthians quase abriu o placar após tabela de Vampeta e Marcelinho. Na área, Edílson recebeu de Vampeta e, livre, bateu em cima de Zetti.

A torcida santista só se animou quando Zetti deixou a área aos 16min para desarmar o atacante Didi e, na sequência, dar um chapéu em Edílson.
Mas a equipe santista não acertou a marcação e deu espaço para que o adversário chegasse com perigo próximo à área.

Aos 23min, o lateral Índio invadiu a área e foi desarmado por Claudiomiro, em jogada que os corintianos pediram pênalti.

Um minuto depois, em lance parecido, Edílson entrou na área santista e foi derrubado por Claudiomiro. Pênalti que, aos 27min, Marcelinho converteu, chutando fraco no canto esquerdo de Zetti.

O gol desestruturou ainda mais os santistas, que passaram a tentar pressionar o árbitro Dacildo Mourão e trocar empurrões com os corintianos a cada lance faltoso.

Aos 32min, Narciso foi expulso após cometer falta violenta em Marcelinho. Antes de deixar o campo, ainda tentou brigar com Rincón e Vampeta.

Com um atleta a mais, o time de Vanderlei Luxemburgo passou a ter mais facilidade nos avanços.

Aos 41min, Vampeta recebeu passe de calcanhar de Rincón e cruzou com perigo.

Na última oportunidade no primeiro tempo, Marcelinho bateu falta por cima do gol aos 46min.

No intervalo, antes de descer ao vestiário, o técnico Emerson Leão foi reclamar com o juiz cearense.

Na segunda etapa, o Santos não acertou a marcação do meio para trás e continuou permitindo os avanços perigosos corintianos.

Além disso, o time de Wanderley Luxemburgo contava com mais um meia ofensivo -Ricardinho substituiu Gilmar no intervalo- e com os deslocamentos de Edílson, que confundia ainda mais o sistema defensivo santista.

E foi Edílson quem ampliou o placar aos 15min. Livre dentro da área, o meia apenas desviou de cabeça cruzamento de Marcelinho.

Um minuto depois, Marcelinho roubou a bola na intermediária santista e tocou para Didi. O atacante acionou Edílson, que invadiu a área mas chutou em cima do goleiro Zetti.

Edílson teve nova oportunidade aos 22min, mas tentou driblar um defensor santista antes de finalizar e teve o chute bloqueado.

O Corinthians ainda teve chance para ampliar aos 36min, quando Dinei recebeu de Edílson e bateu à direita do gol de Zetti.

Treinador sintetiza nervosismo santista

O técnico Emerson Leão sintetizou a imagem do nervosismo santista durante o jogo de ontem. Tanto no intervalo quanto no final da partida, o técnico santista fez questão de reclamar com o trio de arbitragem.

Segundo Leão, o juiz cearense Francisco Dacildo Mourão teve apenas um erro durante os 90 minutos de jogo, “capital’ em sua opinião de técnico. “Ele deveria ter expulsado o Narciso e o Marcelinho antes de dar o vermelho para o nosso jogador. Eles trocaram socos na frente dele”, afirmou Leão, sobre o aumento da dificuldade de seu time após a expulsão de Narciso, aos 32min do primeiro tempo.

O treinador fez questão de ressaltar que concordava com a marcação do pênalti que originou o primeiro gol corintiano e com o cartão vermelho a Narciso, mas não deixou de fazer críticas a um dos bandeirinhas.

No final da partida, ele se dirigiu ao paulista Válter José dos Reis e cobrou sua participação no jogo em voz alta. “Não tenho mais nada a reclamar da arbitragem, só acho que esse paulista careca é muito ruim”, justificou Leão.

O bandeirinha preferiu ironizar a situação: “Ele deve estar preocupado, pois o time dele perdeu. Mas eu não sou artilheiro e não posso fazer nada”.

Derrota merecida

Já os jogadores preferiram um mea-culpa e admitiram que mereceram a derrota. Segundo o zagueiro Argel, o time não teve competência para manter a vantagem de jogar os dois jogos por dois empates.

“Temos que ser mais inteligentes, saber a hora certa para atacar e a hora para recuar.”

Mas o atleta santista minimizou a perda de vantagem. “O que o Corinthians ganhou? A vantagem do empate, que nós tínhamos hoje e acabamos perdendo”, afirmou.

Já o meia Claudiomiro, que vem jogando improvisado de zagueiro, admitiu culpa nos lances que levaram aos dois gols corintianos. “Reconheço que errei nos dois gols, mas também o time deu muito espaço e todos têm que reconhecer que erraram”, afirmou o jogador.

Pelé faz oferta aos santistas

O Santos estuda uma proposta da Pelé Sports & Marketing para transformar seu departamento de futebol profissional em empresa, o que adequaria o clube à determinação da Lei Pelé.

Segundo o presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, além da empresa de Edson Arantes do Nascimento, o clube também está sendo sondado por outras companhias.

“O banco Bozano, Simonsen também já nos procurou. Mas vamos analisar com calma para escolher o que for melhor para o clube”, afirmou o dirigente.
O Corinthians acerta acordo semelhante com o banco Icatu, com duração de 20 anos.

Santos vai punir Narciso (Em 08/12/1998)

O volante Narciso será punido com multa pela diretoria do Santos devido à expulsão no clássico do último domingo em que o time perdeu por 2 a 0 para o Corinthians, no Pacaembu.

A avaliação do técnico Leão e dos dirigentes é de que a expulsão foi determinante para a derrota da equipe, que precisa vencer amanhã para ir à final.

“O atleta é reincidente. Isso (a expulsão) prejudicou não só ele como toda a equipe”, disse o vice-presidente José Paulo Fernandes ao justificar a multa, de valor não revelado.

Narciso afirmou que acatará a punição, mas disse não se sentir arrependido pelo episódio que resultou na expulsão -uma falta violenta sobre o meia Marcelinho, do Corinthians.

“Não me arrependo de nada do que fiz. A única coisa da qual me arrependo é de ter deixado minha equipe com dez homens em campo”, declarou Narciso, capitão do time.

Ele afirmou que o lance foi decorrência de “uma dose excessiva” de vontade. “Acho que acabei ultrapassando um pouco o limite. Mas meu pensamento não era pegá-lo (Marcelinho). Era pegar a bola”, disse.

A diretoria e a comissão técnica discutiam a possibilidade de ingressar no tribunal da CBF com um pedido de efeito suspensivo da expulsão de Narciso, para que o jogador possa atuar na partida decisiva. As chances de êxito são pequenas devido ao prazo curto para adotar qualquer medida, já que o jogo é amanhã.

Ontem, o técnico Leão promoveu uma reunião a portas fechadas com os jogadores para tentar recuperar o moral do time.



Dupla gaúcha motiva o Santos

Apesar de possuir o ataque mais positivo do Brasileiro (54 gols), o Santos confia no retrospecto de sua dupla de zaga para tentar garantir no jogo de hoje uma das vagas para a final do campeonato.

O time não perdeu nenhum jogo em que a zaga foi formada pelos gaúchos Argel, zagueiro de ofício, e Claudiomiro, volante improvisado no setor. Foram cinco jogos, com quatro vitórias e um empate.

Nas ocasiões em que os dois estiveram juntos, mas em setores diferentes (Claudiomiro como volante, no meio-campo), os números também foram positivos. Em nove jogos, foram quatro vitórias, quatro empates e apenas uma derrota.

A formação da dupla foi a maneira encontrada pelo técnico Emerson Leão para dar equilíbrio à zaga. À exceção de Claudiomiro, todos os demais zagueiros do grupo (Argel, Jean e Sandro) são destros.

Foi somente na oitava rodada da primeira fase que Leão achou a solução para o problema, escalando Claudiomiro no lado esquerdo da zaga, ao lado de Jean -naquela partida, Argel cumpriu suspensão.

“Nossos temperamentos são iguais, temos personalidades parecidas. Somos criados na mesma escola gaúcha”, afirma Argel, natural de Santa Rosa.

Para Claudiomiro, nascido em Santana do Livramento, o segredo da dupla é a “intimidade” -os dois são companheiros de quarto nas concentrações.

“A presença dos dois é garantia de jogo eficiente”, afirma Leão.


Santos 2 x 1 Corinthians

Data 29/11/1998, domingo, 18h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinais – 1º jogo de 3
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público e renda: não divulgados
Árbitro: Sidrack Marinho (SE)
Cartões amarelos: Claudiomiro e Narciso (S).
Gols: Gamarra (01-1), Robson Luís (33-1) e Viola (36-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio (Élder), Narciso, Eduardo Marques (Jorginho) e Róbson Luís; Alessandro (Messias) e Viola.
Técnico: Émerson Leão

CORINTHIANS
Nei; Índio, Gamarra, Batata e Silvinho; Gilmar, Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca; Edílson (Amaral) e Didi (Dinei).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo



De virada, Santos derrota Corinthians

Mais ofensiva desde o início, equipe de Leão aproveita falha de Nei, faz 2 a 1 e assume vantagem nas semifinais

O Santos obteve ontem importante vitória contra o Corinthians, por 2 a 1, na Vila Belmiro, assumindo vantagem em relação ao time de Luxemburgo nas semifinais do Brasileiro. Obtido de virada, o resultado deixa os santistas a uma vitória ou dois empates da decisão.

O segundo jogo será no próximo fim-de-semana, em São Paulo, no estádio do Pacaembu. Para jogar pelo empate na terceira partida, o Corinthians terá de vencer domingo que vem. Se perder, não haverá o terceiro confronto entre eles.

Ontem, na Vila, os santistas foram mais ofensivos do que os corintianos, que entraram em campo dispostos a empatar.

Com três atacantes na maior parte do jogo, a equipe dirigida por Leão dava espaços para os contra-ataques do Corinthians, mas o time de Luxemburgo não soube explorá-los com eficiência, já que seu meio-campo -principalmente Vampeta e Rincón- foi apático.

Logo a 1min de jogo, o Corinthians surpreendeu os santistas, abrindo a contagem com Gamarra, de cabeça, aproveitando cobrança de escanteio de Marcelinho.

Com a desvantagem no marcador, os santistas lançaram-se ao ataque, criando as melhores chances de gol. Aos 5min, por exemplo, Alessandro passou para Eduardo Marques, que chutou com perigo. Nei espalmou para escanteio.

Aos 25min, foi a vez de Róbson Luís desperdiçar boa chance e, no minuto seguinte, quem chutou para fora foi o atacante Viola.

O empate santista aconteceu aos 34min, quando Róbson Luís, aproveitando falha de marcação da defesa corintiana -em especial do zagueiro Gamarra-, chutou, ainda de fora da área, e anotou o gol.

Depois do empate, o Corinthians passou a explorar mais os contra-ataques, desperdiçando grande chance com o lateral Silvinho, que chutou no travessão.

No intervalo, Emerson Leão, que, como de costume, reclamou muito da arbitragem no primeiro tempo, pediu para que Athirson voltasse mais rapidamente para a defesa, não dando tanto espaço a Marcelinho.

Para o segundo tempo, as duas equipes modificaram seus ataques. O Santos colocou Messias em lugar de Alessandro, e o Corinthians, Dinei no de Didi, tentando ganhar maior movimentação ofensiva.

Em vez de o jogo melhorar, no entanto, piorou. Enquanto o Corinthians continuava com dificuldades para contra-atacar, parando na marcação santista, o time de Leão ia ao ataque, mas criava poucas jogadas de perigo.

Numa delas, Viola empurrou a bola com as mãos, tentando fazer o gol e enganar o juiz. Mas Sidrack Marinho não lhe deu amarelo, que seria o terceiro e o deixaria de fora do próximo jogo.

A melhor chance do Corinthians aconteceu em cobrança de falta de Marcelinho, aos 23min, que Zetti defendeu com dificuldades.

Aos 36min, numa falha de Nei, que rebateu mal cobrança de escanteio, Argel cabeceou, e Viola, também de cabeça, virou para o Santos.

Com a vantagem no marcador, o Santos apenas administrou o resultado, deixando o tempo passar e esperando o apito final de Sidrack Marinho.

Luxemburgo é alvo de chuva de moedas na Vila

Uma estratégia adotada ontem na Vila Belmiro serviu para amenizar a hostilidade dos santistas ao técnico Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador do clube.

Mesmo assim, ele foi alvo de uma chuva de moedas ao entrar em campo. Em coro, os torcedores o chamavam de mercenário.

Por determinação da diretoria do Santos e da Polícia Militar da Baixada Santista, o trecho da arquibancada inferior atrás do banco de reservas corintiano ficou destinado aos torcedores do time do Parque São Jorge, evitando um contato direto com os santistas.

Os corintianos ficaram instalados em um trecho que somava cerca de 5.000 lugares, ocupando também parte das arquibancadas inferiores, além das arquibancadas e das cadeiras especiais situadas atrás do gol de fundo.

“Minha integridade física está em jogo. Tenho família. Minhas filhas estão em casa preocupadas comigo. Fui agredido”, disse Luxemburgo irritado, protestando contra o incentivo à violência “por parte de pessoas que deveriam ter mais responsabilidade”.

O técnico disse que ainda é amigo dos diretores do Santos, que tiveram a idéia de dividir os espaços para evitar maiores constrangimentos a Luxemburgo.

“Jogar moedas é uma maneira que o torcedor tem de se expressar. Não sei se é correto, mas é uma forma de se expressar”, disse o jogador santista Jorginho.

A PM se surpreendeu com a torcida corintiana na revista feita em 15 ônibus na via Anchieta.

“Foi um fato atípico. Revistamos minuciosamente os ônibus e não encontramos nada que pudesse causar danos”, afirmou o subtenente Andrezza, que coordenou a operação.

Os PMs foram orientados a permitir a entrada no estádio da Vila Belmiro de torcedores vestindo camisa de torcidas organizadas. “Podem entrar com qualquer camisa, mas com faixas não”, disse.


Santos 3 x 0 Sport Recife

Data: 25/11/1998, quarta-feira, 21h40.
Competição: Campeonato Brasileiro – Quartas de finais – Jogo 3 de 3
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 25.229 pagantes
Renda: N/D
Cartões amarelos: Claudiomiro, Marcos Bazílio e Élder (S); Russo, Alexandre Lopes, Lima e Leonardo (SR).
Cartão vermelho: Róbson (SR, 30/2).
Gols: Alessandro (24-1); Viola (05-2) e Viola (48-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Élder) e Róbson Luís (Fernandes); Alessandro (Messias) e Viola.
Técnico: Emerson Leão

SPORT RECIFE
Bosco; Russo, Alexandre Lopes, Ronaldo e Édson; Sangaletti (Leandro), Wallace Goiano, Lima e Jackson; Leonardo (Valdomiro) e Róbson.
Técnico: Mauro Fernandes



Santos garante vaga e Viola é o artilheiro

Atacante marca dois na vitória sobre o Sport na Vila Belmiro e é o goleador máximo do Brasileiro, com 19 gols

O Santos derrotou o Sport por 3 a 0 ontem à noite, na Vila Belmiro, e se classificou para as semifinais do Campeonato Brasileiro, quando enfrentará o Corinthians, que bateu o Grêmio no Pacaembu.

O primeiro jogo entre os times será no próximo final de semana, com dia e horários a serem definidos pela CBF.

Viola marcou dois gols e chegou a 19 no Brasileiro-98, ultrapassando Valdir, do Atlético-MG, equipe que já está fora da competição.

Os concorrentes diretos de Viola agora são Fábio Júnior, do Cruzeiro (16 gols) e Marcelinho (Corinthians) e Oséas (Palmeiras), ambos com 15 gols. O outro gol santista foi marcado por Alessandro.

A partida começou com as duas equipes visivelmente tensas, desorientadas em campo. Tamanho era o nervosismo, que, aos 10min, o técnico santista Leão dizia: “o jogo ainda não começou”.

O time paulista, porém, tinha o domínio da posse de bola e chegava com mais frequência ao ataque. Na hora de finalizar, não era eficiente.
Os santistas abusaram das faltas no início do jogo.

O Sport, que errava muitos passes, tinha nas descidas de Russo pela direita a sua principal opção ofensiva, mas pouco chutava a gol. Muito marcado no ataque, Jackson era obrigado a voltar para buscar a bola no seu campo de defesa.

Até a metade do primeiro tempo, o time pernambucano só chutou uma vez a gol, uma falta cobrada por Lima de fora da área, aos 18min, que passou à esquerda do goleiro Zetti.

O Santos, no mesmo período, finalizou com Claudiomiro, de cabeça, com Athirson e com Eduardo Marques. De tanto insistir, a equipe santista acabou marcando, numa boa jogada individual do atacante Alessandro.

Aos 24min, ele conduziu a bola em velocidade pela ponta direita, deixou Lima para trás, puxou para o meio, driblando Édson, e chutou no canto esquerdo de Bosco, rente à trave.

“O Alessandro e a equipe do Santos amam a torcida”, disse o atacante ao descer para o vestiário no intervalo.

Com o gol, o Santos diminuiu o ritmo, e o Sport, que passou a precisar da vitória, não conseguia chegar com perigo à meta de Zetti.

O time de Emerson Leão teve ainda duas chances na primeira etapa, em dois chutes de fora da área: aos 43min, Bosco mandou a escanteio finalização de Baiano; um minuto depois Narciso mandou por cima do travessão.

A melhor oportunidade do Sport saiu quase nos acréscimos. Russo fez cruzamento da direita, Jackson chutou rasteiro e a zaga cortou próximo à linha.

Os times não mudaram para o segundo tempo, mas os esquemas de jogo se inverteram, principalmente após o segundo gol santista, logo aos 5min. Novamente a jogada foi iniciada com Alessandro.

Ele cruzou da direita para Viola subir mais que a zaga pernambucana e, de cabeça, anotar 2 a 0, sem chances para Bosco. Foi o primeiro gol do atacante santista nas quartas-de-final. Ele não marcava desde a última partida da primeira fase, contra o Botafogo (2 a 1 para os cariocas).

A partir daí o Sport lançou-se completamente em busca do empate, enquanto o Santos se defendia mais e jogava nos contra-ataques.

Aos 15min, o técnico Mauro Fernandes, do Sport, tirou o volante Sangalleti e colocou o meia Leandro, com o objetivo de dar mais ofensividade ao seu time.

Com o seu principal articulador de jogadas, Jackson, numa noite apagada, o time pernambucano pouco ameaçou o gol adversário. Na maioria das vezes que atacava, era interceptado na intermediária santista.

Aos 26min, Róbson completou de primeira cruzamento da esquerda, mas Zetti pegou.

Um minuto depois, o goleiro rubro-negro Bosco evitou, com ótima defesa, o terceiro gol santista, em um chute bem colocado de Narciso.

A situação do Sport piorou aos 30min, com a expulsão de Róbson. O atacante já tinha cartão amarelo e reclamou com o árbitro Cláudio Cerdeira da não-marcação de uma falta. Foi a primeira expulsão das quartas-de-final do Brasileiro-98.

Aos 48min, Viola, no meio da zaga do Sport, escorou, quase deitado no chão, cruzamento da esquerda e definiu o placar e a classificação santista.

Time quer jogar na Vila Belmiro

Os atletas do Santos comemoraram a vitória no final da partida dando a volta no gramado com uma faixa que indica a pretensão do time de mandar um dos jogos da próxima fase na Vila Belmiro.

A faixa continha a inscrição: “A Vila é nossa casa. Preserve-a, incentivando o nosso time”, em referência ao comportamento dos torcedores, que na partida de ontem atiraram objetos no gramado uma única vez.

Depois de apresentar a faixa para a torcida, o time se perfilou no meio do campo para ser saudado pelos torcedores, que não abandonaram o estádio mesmo depois do final da partida.



Santos prioriza a marcação para vencer (Em 25/11/1998)

Time de Leão quer sufocar saída de bola do Sport em busca da vitória que garante a vaga na semifinal

O Santos vai apostar em uma marcação sob pressão no campo do adversário para tentar “sufocar” o Sport no jogo de hoje à noite, na Vila Belmiro, e ganhar uma vaga nas semifinais do Brasileiro.

O time precisa da vitória por qualquer placar para se classificar. Ao Sport, basta o empate.

O técnico Leão disse após o treino coletivo de ontem à tarde que a equipe está recuperando o poder de marcação que a caracterizou na primeira metade da fase de classificação, quando o Santos chegou a liderar a competição.

“Estamos voltando a marcar bem, a jogar um futebol de muita vontade e de muita pegada”, declarou o treinador.

Na expectativa de um estádio lotado, que empurrará o time para o ataque, o planejamento santista prevê manter a posse da bola durante o maior tempo possível.

Para isso, a marcação sobre o adversário deverá ser adiantada, para que a bola possa ser retomada ainda no campo do Sport.

O lateral-esquerdo Athirson afirmou que o time possui uma preparação física que permitirá aos jogadores manter um ritmo veloz durante toda a partida.

“Temos condição de correr os 90 minutos para não deixar eles respirarem. Toda hora vai ter alguém em cima quando um jogador do Sport estiver com a bola.”

No final do treino de ontem, Leão levou um susto. O volante Claudiomiro, que atuará na zaga, sofreu um choque com o meia Fernandes e deixou o campo com dores no joelho esquerdo. O treino foi o segundo do atleta após longo período de inatividade, causado por contusão no joelho direito.

“Foi uma batida de joelho com joelho, mas ficou só a dor, nada de mais grave”, disse o atleta.

Assim, a base da equipe será a mesma da partida anterior -com a saída de Sandro da zaga para dar lugar a Claudiomiro.

No Sport, o técnico Mauro Fernandes só divulgará o time minutos antes do jogo, mas não deverá fazer mudanças em relação à partida anterior. O volante Lima e o atacante Irani, que estavam machucados, treinaram e devem jogar.

O atacante Róbson, que marcou o gol do Sport no sábado e, apesar de reserva, já soma seis no Brasileiro, deve continuar no banco. “Dá um pouco de ansiedade, pois todo mundo quer jogar desde o início”, disse o atleta.

Jogadores disseram que, apesar da vantagem do empate, irão para cima. “Não sabemos jogar retrancados. Se entrarmos achando que o empate nos garante, fatalmente vamos perder a vaga”, disse Lima.

Santistas voltam a criticar juiz

Os santistas receberam com reservas a escalação pela CBF do árbitro carioca Cláudio Vinícius Cerdeira para a partida de hoje.

Após a partida de sábado, o técnico Leão chegou a afirmar que a tumultuada arbitragem do também carioca Jorge Travassos geraria grande pressão sobre o juiz que viesse a ser escalado para hoje.

Leão, que em todos os últimos jogos do Santos vem reclamando das arbitragens, desta vez preferiu não ser incisivo.

“Temos de torcer para que ele seja feliz porque de infelicidades já estamos cheios. Qualquer juiz que apite direito me agrada”, afirmou o treinador, que anteontem havia declarado sua preferência pelo paulista Paulo César de Oliveira.

O vice-presidente santista, José Paulo Fernandes, também foi cauteloso. “Espero que ele tenha tranquilidade porque capacidade e idoneidade ele tem”, declarou.

A única voz destoante foi a do gerente de futebol, Marco Aurélio Cunha. Para Cunha, Cerdeira é um árbitro mal preparado fisicamente, o que, segundo afirmou, prejudica seu desempenho.

“Acho que ele é um árbitro lento, que acompanha mal a partida. E, tecnicamente, não me agrada.”

O único jogo do Santos que Cerdeira apitou no Brasileiro foi contra o Palmeiras -vitória santista por 1 a 0 na Vila Belmiro.

Nessa partida, Cerdeira expulsou o palmeirense Galeano e distribuiu sete cartões amarelos -quatro para jogadores do Santos e três para atletas do Palmeiras.


Santos 2 x 1 Sport Recife

Data: 21/11/1998, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – Quartas de finais – Jogo 2 de 3
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 25.229 pagantes
Renda: R$ 252.075,00
Árbitro: Jorge dos Santos Travassos (RJ).
Cartões amarelos: Baiano, Athirson e Viola (S); Édson, Russo e Jackson (SR).
Gols: Eduardo Marques (32-1); Róbson (16-2) e Róbson Luís (30-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Sandro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso e Eduardo Marques; Alessandro (Messias), Viola e Róbson Luís.
Técnico: Emerson Leão

SPORT RECIFE
Bosco; Russo, Alexandre Lopes, Ronaldo e Édson; Sangaletti, Lima, Wallace Goiano e Jackson; Leonardo (Leandro) e Irani (Róbson).
Técnico: Mauro Fernandes



Juiz dá gol ilegal, volta atrás, mas Santos vence Sport na Vila

O Santos venceu o Sport, ontem, na Vila Belmiro, por 2 a 1, num novo confronto confuso entre as equipes pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro.

O tumulto desta vez aconteceu aos 22min do segundo tempo, quando o meia santista Eduardo Marques bateu de fora da área, a bola passou por fora da trave e abriu um buraco na rede, mas o juiz Jorge Travassos deu o gol.

Depois, em nova consulta com o auxiliar, anulou o lance.

Os incidentes do primeiro jogo -jogadores santistas brigaram com jornalistas e policiais pernambucanos- trouxeram tensão para a partida de ontem.
Foram estendidas ao redor do campo faixas como “A Vila (Belmiro) é nossa casa. Preserve-a”, para que não fossem atirados objetos no campo e o time corresse o risco de perder mando de jogo.

A PM da Baixada Santista, 220 homens, foi inteira para a Vila. A FPF enviou 40 seguranças. Além disso, a Polícia Civil destacou 10 homens para garantir a segurança dos jornalistas pernambucanos. Mas só apareceram duas das dez rádios esperadas. Não houve problema fora de campo.

Mas dentro, em três ocasiões, atletas dos dois times trocaram empurrões. No segundo tempo, o santista Athirson fez falta violenta em Róbson e só não foi expulso por complacência do juiz.

O nervosismo santista era evidente desde o início do jogo, pressionado pela necessidade de retomar a vantagem. O time tinha dificuldade na ligação do meio-campo com o ataque e insistia nos cruzamentos.

Assim, os melhores lances santistas eram criados em cobranças de falta do zagueiro Sandro. Aos 21min, ele bateu à esquerda, e aos 28min acertou a trave.

Quatro minutos depois, aproveitando falha do sistema defensivo do Sport, o Santos abriu o placar. Baiano cruzou, Eduardo Marques dominou e bateu cruzado.

Na segunda etapa, o Santos continuou com uma pressão estéril. Eduardo Marques, em jogada individual, criou a primeira chance aos 15min.

Em seguida, porém, Róbson escorou de cabeça cobrança de falta de Lima e empatou.

Nove minutos após o falso gol do Santos, houve um verdadeiro. Robson Luís recebeu dentro da área e acertou chute forte no ângulo do gol de Bosco.

Para Leão, juiz “afinou’

Para o técnico do Santos, Emerson Leão, o juiz carioca Jorge Travassos foi covarde na partida de ontem. Apesar da vitória, o treinador deixou o campo reclamando de dois gols anulados pelo árbitro.

“Ele afinou. A bola pode ter entrado por fora, mas ele deu o gol. Voltou atrás e afinou”, disse o técnico a respeito do lance em que Eduardo Marques chutou, e a bola abriu um buraco na rede por fora, aos 22min do segundo tempo.

O juiz consultou o bandeirinha e validou o lance. Depois, em nova consulta, anulou o gol. “Essa situação só pode ser resolvida de um jeito: acabar com todos eles (juízes). Estou cansado. Cansado. Em todo lugar é a mesma coisa”, declarou Leão.

Segundo ele, os critérios adotados pelos árbitros sempre acabam prejudicando sua equipe. “Futebol é isso aí. Quem manda é o juiz”, afirmou o zagueiro do Sport Ronaldo.

Ontem, a diretoria santista decidiu a renovação de contrato do técnico Leão para o ano que vem.



Santistas enfrentam Sport sob ameaça de eliminação (Em 21/11/1998)

Equipe paulista tem que ao menos empatar para seguir no Brasileiro

A pressão psicológica amedronta mais o Santos do que o time do Sport, adversário das 16h de hoje, pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, no estádio da Vila Belmiro, em Santos.

Como foram derrotados na primeira partida, em Recife, os jogadores santistas entram em campo com a obrigação de pelo menos empatar para não dar adeus ao Brasileiro. O Sport, agora, passou a ter a vantagem de jogar por dois empates.

Os fatores campo e torcida também contribuem para aumentar a responsabilidade, já que na partida disputada em Recife os atletas santistas entraram em choque com policiais e jornalistas que trabalhavam no jogo.

Os jogadores, no entanto, preferem mostrar mais preocupação com as qualidades do adversário.

“Na Vila, nós não vamos dar o espaço que eles tiveram lá”, afirmou o zagueiro Argel, que terá um novo companheiro no setor: Sandro.

O técnico Emerson Leão, que criticou o comportamento tático de seu time na derrota, irá modificar a equipe hoje.

Além da entrada de Sandro na zaga, no lugar de Jean, o técnico promove a volta de Alessandro no ataque, com Robson Luís sendo recuado para o meio-campo.

Leão quer o time atacando, mas não de forma desordenada. “Temos de ter tranquilidade para saber o momento certo de atacar. Não podemos ir com volúpia em busca do gol e dar espaço para o contra-ataque. Sabemos do potencial do adversário”, disse Leão.

Paz

A diretoria do Santos pede à torcida que evite atirar qualquer tipo de objeto dentro do campo. A preocupação é evitar que o árbitro detecte problemas e relate na súmula do jogo, o que pode impossibilitar o Santos, em caso de vitória ou empate, de mandar a terceira partida na Vila Belmiro.

Já o Sport quer definir hoje sua classificação às semifinais do Brasileiro para evitar o prolongamento do “clima de guerra” instalado após a partida de Recife.

“Reconheço que a briga entre os jogadores santistas, jornalistas e policiais em Recife criou um clima ruim”, afirmou o treinador Mauro Fernandes. “Nós, que não tivemos nada a ver, fomos os maiores prejudicados”, acrescentou ele.

Durante os treinos da semana, o técnico preparou a equipe para suportar dois tipos de pressão: a do time do Santos e a da torcida. “Eles vão partir com tudo para cima de nós”, afirmou Fernandes.

Paralelamente aos treinamentos técnico e tático, a equipe pernambucana realizou durante a semana um trabalho psicológico para tranquilizar principalmente os jogadores mais novos.

Comissão técnica e atletas se reuniram e conversaram pelo menos 30 minutos antes dos treinos. Jogadores mais experientes, como Lima e Sangaletti, reforçaram as palavras de Mauro Fernandes, que pediu calma durante a partida.

“Ninguém pode se envolver em provocações”, recomendou o treinador. “No campo não se deve fazer nada além de jogar futebol”, afirmou. “Estamos com a cabeça boa”, assegurou Alexandre Lopes.

“Vamos para Santos jogar bola, não lutar”, disse Sangaletti. “A única briga vai ser na bola.”

Viola descarta vingança na Vila

O atacante Viola, um dos protagonistas do tumulto em Recife no último domingo, afirmou que não encara a partida com o Sport como forma de se vingar do time pernambucano.

“O problema foi fora de campo. Somos profissionais, sabemos que o Santos lutou para conseguir o direito de mandar seus jogos decisivos na Vila Belmiro. Não podemos dar motivos para o Sport reclamar. Vamos ganhar o jogo dentro de campo. Temos condições.”

Segundo o atleta, o Santos não pode entrar em campo obcecado com a vitória.

“O time precisa pelo menos empatar para forçar a terceira partida. Temos condições de alcançar o objetivo, não importa quem marque o gol. Aqui prevalece o conjunto. Não temos um jogador de US$ 10 milhões, mas bons atletas que estão dando conta do recado”, disse o jogador, afastando a responsabilidade de ser o único atleta do Santos com a obrigação de marcar gols.

Viola afirmou que jogar na Vila Belmiro é um fator de tranquilidade para o time. “Aqui a equipe sente-se à vontade, toca a bola, sabe sufocar o adversário. É isso o que faremos, mas sem ir com muita sede e levar o contra-ataque.”

Pernambucanos buscam usar desespero do rival

Apesar do discurso de que seu time atacará até com seis atletas, o técnico do Sport, Mauro Fernandes, pela forma como treinou a equipe, deve privilegiar os contra-ataques para tentar aproveitar possíveis falhas de marcação decorrentes da necessidade de o Santos vencer a partida.

No esquema preparado, o meia Lima deve jogar recuado para ajudar o volante Sangaletti na marcação. Wallace e Jackson se revezarão na tarefa de dar assistência a Leonardo e Irani no ataque.

O lateral Russo cumprirá função tática considerada importante pelo treinador, atuando pelo setor direito como eventual terceiro atacante. “Podemos atacar com até seis jogadores e defender com nove”, disse Fernandes.

Utilizando esse mesmo esquema, o time pernambucano conseguiu encurralar o Santos em seu campo de defesa e vencer o primeiro jogo, em Recife, por 3 a 1.

Sabendo das dificuldades de finalização de seus jogadores, Fernandes diz achar que não poderá abrir mão por muito tempo do estilo de jogo “agressivo” que, afirma, foi o responsável pela boa campanha do Sport até agora.