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Santos 3 x 1 Sport Recife

Data: 11/11/2000, sábado, 16h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 22ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.629 pagantes
Renda: R$ 49.610,00
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS).
Gols: Edmundo (11-1); Rincón (18-2), Ricardinho (25-2) e Edmundo (30-2).

SANTOS
Pitarelli; Michel, André Luis, Preto e Leo (Rubens Cardoso); Anderson Luiz, Rincón, Valdo (Renato) e Robert; Edmundo e Dodô.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

SPORT RECIFE
Bosco; Russo (Ricardinho), Sandro Blum, Márcio e Erlon; Sidnei, Leomar, Adriano (Sandro Gaucho) e Nildo (Irani); Tailson e Almir.
Técnico: Emerson Leão



Santos vence e segue na disputa

O Santos venceu o Sport, por 3 a 1, na Vila Belmiro, e se manteve na disputa por uma vaga na próxima fase da Copa João Havelange.

Com o resultado, o Santos atingiu 30 pontos e ocupa a 13ª colocação no torneio. Apenas os 12 times mais bem colocados continuam na competição.

O atacante Edmundo foi o destaque da partida. Marcou dois gols, deu o passe para o gol de Rincón e criou outras jogadas.

“Fui bem, o time foi muito bem. Agora é pensar no Guarani”, afirmou Edmundo, que estava incomodado com a campanha do Santos e seu jejum de gols na Copa João Havelange. O atacante não marcava desde o dia 7 de outubro, quando Santos empatou em 3 a 3 contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro.

“Não me lembro de ter ficado um período tão grande sem marcar gol. Isso incomoda qualquer atacante, mas hoje o que valeu mesmo foi nossa vitória, independente de quem marcou os gols.”

O Santos iniciou a partida dando espaço para o Sport atacar, o que irritou o técnico Carlos Alberto Parreira, que pediu a defesa para adiantar o posicionamento.

No primeiro avanço do Santos ao ataque, aos 11min, Léo foi derrubado por Sandro Blum próximo à grande área. Robert cobrou a falta e Edmundo marcou de cabeça. Durante a comemoração de seu 11º gol no campeonato, o atacante fez gestos como se tirasse o azar do corpo.

Mesmo atrás do marcador, o Sport manteve a tranquilidade e apostou nas jogadas de velocidade dos atacante Nildo e Taílson. Aos 21min, Adriano cobrou escanteio pela esquerda e Taílson subiu mais que a zaga santista, mas a bola bateu no travessão.

Novamente Taílson levou perigo ao gol do Santos, aos 29min, quando arriscou um chute de média distância. O goleiro Pitarelli espalmou para escanteio.

O Santos respondeu, aos 35min, quando Edmundo recebeu pela direita e chutou cruzado, obrigando o goleiro Bosco a fazer uma grande defesa. O atacante deixou o gramado no primeiro tempo aplaudido pela torcida santista.

No segundo tempo, o Santos voltou melhor posicionado em campo, criando situações de gol.

Aos 18min, Dodô iniciou jogada no meio campo, tocando para Edmundo que, com tranquilidade, esperou o avanço do volante Rincón pela direita. Rincón invadiu a área e chutou forte de pé direito, sem chances para Bosco.

“Foi um bonito gol. Não foi o primeiro e nem será o último com a camisa do Santos”, afirmou o volante colombiano, muito aplaudido pela torcida.

O Sport marcou aos 25min. Almir puxou o contra-ataque e na entrada da área chutou nas pernas do goleiro Pitarelli. No rebote, Ricardinho marcou de cabeça.

Aos 30min, Valdo cruzou da direita e Edmundo, sem pulo, de pé direito, marcou um golaço.

Rincón será julgado por expulsão

O volante Rincón será julgado amanhã pela comissão do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva pela expulsão no jogo contra o Flamengo, realizado em setembro, no Maracanã.

O volante colombiano foi citado no artigo 307 (desrespeito ao árbitro) e pode ser suspenso por até quatro partidas.

Outro problema é o meia Robert, que na quinta-feira terá julgado seu efeito suspensivo. Ele foi punido com três jogos pela expulsão no jogo contra o Santa Cruz. Se for mantida a punição, Robert não atuará mais nesta fase da JH.


Santos 2 x 0 Portuguesa

Data: 08/11/2000, quarta-feira, 21h40.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 21ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 3.793 pagantes
Renda: R$ 31.130,00
Árbitro: Alfredo Loebeling
Gols: Claudiomiro (03-1) e Dodô (21-2).

SANTOS
Carlos Germano; Michel, Preto, Claudiomiro e Leo; Anderson Luiz, Rincón, Valdo (Renato) e Robert; Edmundo e Dodô (Júlio Cesar).
Técnico: Carlos Alberto Parreira

PORTUGUESA
Roger; Julio Cesar, Vinicius, Tinho e Edilson (Evandro); Simão, Elson, Marquinhos e Irênio (Sandro); Lucio e Edson (Ricardo Oliveira). Técnico: Lula Pereira



Santos vence a Lusa e se mantém na disputa por vaga na 2ª fase

Com uma vitória de 2 a 0 sobre a Lusa na Vila Belmiro, o Santos conseguiu manter a esperança de conquistar uma das 12 vagas para a fase seguinte da Copa João Havelange.

Agora, a equipe necessita ganhar os próximos três jogos que tem a disputar -Sport e Botafogo, na Vila, e Guarani, em Campinas.

Com o resultado, o time interrompeu um jejum de sete partidas sem vitória. A última havia ocorrido em 20 de setembro (2 a 1 sobre o Atlético-PR em casa).

Pelas contas do técnico Lula Pereira, a Lusa ainda mantém chances de classificação. Antes da partida, o treinador previa que seu time necessitaria ganhar seis dos nove pontos que tinha a disputar. De acordo com esse raciocínio, terá, necessariamente, de vencer Coritiba, no Paraná, e Atlético-PR, em São Paulo.

O Santos abriu o placar logo no primeiro lance de ataque do jogo. Em cobrança de falta da esquerda, aos 3min, Robert levantou na área. A bola sobrou para Edmundo, que cruzou na direção de Claudiomiro. Junto à trave direita, o zagueiro concluiu de cabeça.

Depois do gol, o jogo esteve restrito, durante a maior parte da primeira etapa, ao espaço entre as intermediárias, apesar do predomínio do Santos, que mantinha a posse de bola por mais tempo.

Como as duas defesas levavam vantagem sobre os ataques, as equipes ficavam limitadas aos arremates de longa distância. Nas poucas tentativas de penetração da Lusa, os meias erravam os passes que poderiam colocar os companheiros de ataque em situação favorável para marcar.

Posicionados diante da zaga, os volantes santistas Anderson e Rincón destruíam a maioria das articulações ofensivas da Lusa.

O ataque santista, por sua vez, era prejudicado pela retenção excessiva de bola de Edmundo e pela marcação exercida sobre Dodô, que só conseguia aparecer na partida quando voltava para buscar jogo no meio do campo.

A Lusa voltou do intervalo tentando pressionar o adversário no campo de defesa. A primeira jogada de perigo, porém, foi do Santos.

Aos 9min, após cobrança de escanteio, a bola chegou à cabeça de Edmundo, que concluiu para fora, perto da trave esquerda.

Após esse lance, o Santos voltou a equilibrar as ações, embora a Lusa quase tenha empatado aos 12min, quando o zagueiro Tinho chegou atrasado para concluir um cruzamento.

O segundo gol santista nasceu aos 21min, em jogada individual do meia Robert, que três minutos antes já havia criado outra oportunidade, ao chutar em cima do goleiro Roger.

Antes do gol, o meia santista aplicou um chapéu em um zagueiro da Lusa e finalizou no travessão. Na sequência, a bola sobrou para Rincón. O volante colocou na área, e Dodô marcou após falha da zaga.

Aos 38min, quando deixou o campo ao ser substituído por Júlio César, Dodô voltou a ouvir aplausos da torcida, depois de uma longa temporada de vaias em jogos na Vila.


Coritiba 2 x 1 Santos

Data: 05/11/2000, domingo, 17h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 20ª rodada
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba, PR.
Público: 2.332 pagantes
Renda: R$ 25.120,00
Árbitro: Reinaldo Ribas Vieira (RJ)
Cartões amarelos: Williams, Djames e Luís Carlos (C); Sangaletti, Robert, Dodô, Léo e Claudiomiro (S).
Cartão vermelho: Reginaldo Araújo (C).
Gols: Da Silva (04-1) e Dodô (26-1, de pênalti); Da Silva (44-1).

CORITIBA
Gilberto; Reginaldo Araújo, Allan, Leonardo (Ataliba) e Luiz Carlos; Williams, Vitor, Djames (Leandro Tavares) e Alexandre; Da Silva e Gelson. Técnico: Ivo Wortmann

SANTOS
Carlos Germano; Michel, Preto (Júlio Cesar), Claudiomiro e Leo; Anderson Luiz, Sangaletti, Eduardo Marques (Renato) e Robert; Deivid (André Luis) e Dodô.
Técnico: Carlos Alberto Parreira



Santos perde e fica com chances remotas

Coritiba chega aos 2 a 1 no final, quando time de Parreira dominava jogo; equipe da casa reclama de arbitragem

O Santos desperdiçou ontem grande oportunidade para vencer o Coritiba, resultado que Carlos Alberto Parreira considerava obrigatório para que o time continuasse na luta pela classificação.

No final, acabou sendo derrotado -2 a 1 em Curitiba- e o próprio treinador reconhece que as chances de passar para a próxima fase ficaram muito remotas. O time da Vila Belmiro continua com 24 pontos. O Coritiba, por sua vez, passou para 17, deixando o Corinthians, com 15, no penúltimo lugar da Copa João Havelange.

Após um primeiro tempo em que a equipe de Parreira esteve muito mal em campo, deixando o Coritiba comandar as ações, o Santos reagiu na fase final e criou pelo menos quatro excelentes chances de gol. Em duas ocasiões chegou a acertar a trave do rival.

No final, deixou o Coritiba marcar o segundo gol, quando a equipe da casa estava com um jogador a menos em campo -Reginaldo Araújo havia sido expulso.

Na etapa inicial, o atacante Da Silva abriu a contagem para o Coritiba, marcando logo aos 4min, de cabeça, após cruzamento de Djames.

Aos 24min, o meia Vítor levou uma bolada no rosto, dentro da área santista, e o juiz marcou pênalti, como se o atleta do Coritiba tivesse colocado propositalmente a mão na bola -o que não ocorreu- para salvar o gol do adversário.

No segundo tempo, o panorama da partida mudou. Aos 23min, depois de já ter mandado a bola numa das traves do goleiro Gilberto, o Santos voltou a acertar a trave, com Michel. Em seguida, Dodô, livre, errou o chute.

Cinco minutos depois foi a vez de Claudiomiro desperdiçar grande chance, após um escanteio cobrado por Robert.

Justamente quando o Santos parecia mais próximo da vitória do que o time da casa, o Coritiba surpreendeu. Depois de ter reclamado de pênalti que não foi assinalado pela arbitragem e de ter um jogador -Reginaldo Araújo- expulso, a equipe paranaense chegou a seu segundo gol. O meia Vítor cruzou, e o atacante Da Silva só tocou para colocar o Coritiba em vantagem.

Na saída, o árbitro Reinaldo Ribas Vieira foi muito xingado pelos torcedores, não só pelo pênalti dado contra o Coritiba, mas também pelo pênalti que não marcou no final do jogo e pela expulsão de Araújo por reclamação.

Quem também teve problemas com a torcida local foi Parreira. O treinador, poupado pelos torcedores do Santos que foram ao Couto Pereira, deixou o gramado sendo chamado de “”burro”.

Apesar de reconhecer que as chances de o Santos se classificar ficaram muito pequenas, Parreira não cogita sair antes do final da Copa JH. Ele assinou contrato por dois meses, até dezembro, e na semana passada levou o time para um “retiro” em Jarinu (interior de SP).

Até agora, o Santos perdeu os dois jogos sob seu comando.

Para Parreira, falta tranquilidade

Para o técnico Carlos Alberto Parreira, faltou tranquilidade para o time sair com uma vitória de Curitiba.

“Tem que entrar em campo, correr e marcar os gols que estamos perdendo. Estamos numa situação desconfortável, mas temos de suportar a pressão. Nossas chances são matemáticas, mas vamos atrás delas”, disse o técnico, que ainda não conseguiu vencer no comando do Santos.

“Não sei direito o que acontece conosco. Fomos melhores, acertamos duas bolas na trave. Mas o momento não é bom. Estamos praticamente eliminados”, lamentou o atacante Dodô, que perdeu duas grandes chances de gol durante a partida.

O zagueiro Claudiomiro também se mostrava inconformado com o resultado. “Houve uma desatenção, e acabamos perdendo”, reclamou o atleta santista.


Santos 0 x 1 Bahia

Data: 28/10/2000, sábado, 18h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 19ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.493 pagantes
Renda: R$ 47.430,00
Árbitro: Leonardo Gaciba
Cartão vermelho: Edmundo (S)
Gol: Jorge Vágner (38-2, de pênalti).

SANTOS
Carlos Germano; Michel, André Luis (Preto), Claudiomiro e Léo; Anderson Luiz (Julio Cesar), Rincón, Valdo (Renato) e Robert; Edmundo e Dodô.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

BAHIA
Emerson; Felipe Alvim, Jean, Maurício e Jeferson; Reginaldo, Vágner, Jorge Vágner e Iranildo; Jajá e Nonato (Dedé).
Técnico: Evaristo de Macedo



Parreira estréia no Santos com derrota para o Bahia

Na estréia do novo técnico do Santos, o time da baixada voltou a perder na Copa João Havelange, hoje, na Vila Belmiro, para o Bahia, por 1 a 0.

O Santos chega a sua sexta partida sem vencer e a crise do time se agrava. A classificação do Santos fica ainda mais complicada. O time tem que fazer dez dos 15 pontos que ainda tem a disputar. Já o Bahia respira no torneio e se mantém vivo na disputa pelas 12 vagas para a próxima fase.

A equipe baiana vai para 29 pontos em 19 jogos disputados. O Santos, com o mesmo número de jogos, permanece com 26.

O atacante Edmundo, que não jogou bem, foi o destaque negativo da partida. Após tomar dois cartões amarelos pelo mesmo erro _tentar marcar o gol com a mão_ o jogador foi expulso de campo aos 32min do segundo tempo, deixando o time com um a menos.

O gol do Bahia surgiu aos 37min, em uma cobrança de pênalti. Jorge Wagner cobrou e fez o único gol da partida.

A torcida, no final do jogo, gritava “timinho” e “olé”, a cada toque de bola do time baiano.


Técnico, que estréia sábado contra o Bahia, fez acordo verbal com a diretoria do clube e dirigirá o time por 2 meses

Após o fracasso da tentativa de contratar Wanderley Luxemburgo, o Santos promove hoje, às 13h, a apresentação oficial de seu novo técnico, Carlos Alberto Parreira, que deixou o Atlético-MG há três dias devido à má campanha da equipe mineira na Copa JH.

Campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa dos EUA, em 94, Parreira não assinará contrato. Ele fez um acordo verbal com o Santos pelo qual receberá R$ 200 mil por dois meses. Após a Copa JH, discutirá com os dirigentes um eventual contrato por prazo mais longo.

À exceção do técnico Giba, demitido no domingo, os demais integrantes da atual comissão técnica do Santos permanecerão. A eles, se juntará apenas Jairo Leal, auxiliar indicado por Parreira.

O novo treinador pretende estrear sábado, dirigindo a equipe que pega o Bahia, na Vila Belmiro. Ontem, ele solicitou aos dirigentes a gravação do jogo entre Bahia e Ponte Preta, que aconteceria à noite em Salvador (BA), a fim de observar o adversário.

A missão de Parreira será colocar o Santos (13º lugar na Copa JH) entre os 12 classificados para a próxima fase e levar o time, que não conquista um título de importância há 15 anos, às finais da competição. Para isso, terá de vencer a maior parte dos seis jogos que tem a disputar nesta fase (quatro em casa e dois fora).

“O Parreira é um dos mais importantes treinadores do futebol mundial. Mas, neste momento, a responsabilidade dos jogadores é total”, disse o diretor de futebol Nicolino Bozzella.

Os principais jogadores estão entre os personagens da crise que resultou na demissão de Giba. Após a dispensa do técnico, estrelas como Carlos Germano, Edmundo e Rincón pediram à diretoria a contratação de Wanderley Luxemburgo. Rincón e Edmundo chegaram até a telefonar para o ex-técnico da seleção para incentivá-lo a aceitar o convite.

Mas a tentativa de contratação fracassou devido à recusa de Luxemburgo, que não pretende retornar ao futebol antes de solucionar seus problemas pessoais, e à resistência de uma parcela do Conselho Deliberativo do Santos.

O presidente do conselho, Esmeraldo Tarquínio, disse que cerca de 30 conselheiros se mobilizaram para impedir o regresso do treinador, que, no final de 97, um ano antes do término do seu contrato, abandonou o Santos e se transferiu para o Corinthians.

“Os problemas que ele (Luxemburgo) vive hoje, para mim, não teriam importância. O que nos interessa é o fato de ele não ter respeitado o Santos ao sair do clube. Vimos que a palavra dele não valeu”, declarou Tarquínio.

Para ele, a presença de Parreira no clube poderá ajudar numa reaproximação de Pelé, amigo do treinador, com a atual diretoria. “Se a contratação do Parreira servir para uma participação mais efetiva do Pelé, já será um grande início”, disse Tarquínio.

Até Edmundo pede que técnico adote linha dura

Duas das estrelas do Santos, o goleiro Carlos Germano e o atacante Edmundo, defenderam ontem a adoção pelo técnico Carlos Alberto Parreira de um estilo disciplinador.

Edmundo propôs até submeter os atletas a um regime de um mês de concentração como forma de o time alcançar a classificação na Copa JH.

Segundo ele, a ausência de rigor foi a principal razão que motivou a demissão do técnico Giba. “O único pecado (de Giba), no meu modo de ver, é que as coisas estavam correndo um pouco frouxas. E vocês conhecem jogador. A gente acaba se acomodando”, disse.

Para o atacante, Parreira é “sensacional”, mas terá de dar um “puxão de orelhas” nos atletas santistas, que não vencem há cinco partidas.

“Temos de ter vergonha na cara. Chegamos ao fundo do poço, mas a gente quer se levantar”, afirmou Edmundo, que prometeu dar “a vida e o sangue” por uma vitória.

Carlos Germano isentou Giba da responsabilidade exclusiva pelo fracasso na Copa JH. Segundo ele, “os jogadores contribuíram para isso”.

Germano reivindicou mais rigidez do presidente Marcelo Teixeira. Ele disse que na posição do dirigente daria “um murro na mesa” para exigir um desempenho melhor.

Treinador acumula fracassos

Depois da maior glória da sua carreira, o título da Copa do Mundo de 1994, o técnico Carlos Alberto Parreira nunca mais teve o mesmo sucesso.

Com exceção de sua passagem pelo Fenerbahce, onde conquistou o título do Campeonato Turco, o técnico saiu por baixo de todos os outros clubes que dirigiu.

Na sua primeira experiência após o Mundial, deixou o Valencia em uma posição intermediária no Campeonato Espanhol.

No primeiro emprego no próprio país, foi demitido do São Paulo durante o Campeonato Brasileiro-96, com o time no 17º lugar da competição.

Depois, mais uma vez tentou carreira no exterior, em empregos que também não deram certo.

Primeiro, foi trabalhar no MetroStars -time da liga norte-americana de futebol-, de onde saiu depois de não conseguir levar o time para as finais do torneio.

Em seguida, foi treinar a Arábia Saudita na Copa da França, em 98, quando sofreu uma das maiores humilhações da sua carreira.

Após perder as duas primeiras partidas, Parreira foi demitido no meio da competição.

Nos últimos dois empregos, ambos no Brasil, o técnico novamente não teve sucesso.

Pelo Fluminense, foi dispensado no início do ano, mesmo depois de ganhar o título da terceira divisão do Campeonato Brasileiro no ano passado.

Anteontem, deixou o Atlético-MG, depois que os torcedores do time mineiro o chamaram de “burro” em dois jogos seguidos.



27/10/2000 – Parreira impõe treinamento intensivo

Novo treinador do Santos, que estréia amanhã contra o Bahia, irá isolar a equipe em um sítio no interior paulista

O técnico Carlos Alberto Parreira vai se isolar com os jogadores do Santos na próxima semana em um sítio no interior paulista a fim de submeter o grupo a um período de treinamento intensivo.

A medida foi a primeira anunciada ontem por Parreira, durante sua apresentação como novo treinador do time, em substituição a Giba, demitido no domingo.

O período extemporâneo de treinamentos vai durar seis dias (de segunda a sábado) e ocorrerá no sítio Santa Filomena, em Jarinu (70 km ao norte de São Paulo). O local é o mesmo onde Leão, atual técnico da seleção brasileira, iniciou seu trabalho em 1998, ao ser contratado pelo Santos.

Segundo Parreira, durante a concentração haverá treinos em período integral. Nas últimas semanas sob o comando de Giba, raras vezes a equipe treinava de manhã e à tarde.

O objetivo é dotar o time de recursos para reagir na etapa final da primeira fase da Copa JH e garantir lugar entre os 12 primeiros colocados, o que dará a classificação para a fase seguinte.

Atualmente, o Santos está em 14º lugar, com 24 pontos em 18 jogos. Amanhã, enfrentará o Bahia na Vila Belmiro, na estréia de Parreira no comando da equipe. “Não temos outra opção. Agora, é vencer ou vencer. O caminho do título começa pela classificação”, disse o treinador.

Depois de dirigir cinco seleções (Gana, Kuait, Emirados Árabes, Brasil e Arábia Saudita) e sete times (Fluminense, Bragantino, São Paulo, Atlético-MG, o espanhol Valencia, o norte-americano MetroStars e o turco Fenerbahce), Parreira disse que, pela primeira vez, se vê diante do desafio de realizar um trabalho para obter resultado em tão curto prazo.

Ele firmou um acordo verbal de dois meses com o Santos. Se o trabalho der certo, poderá ficar por um período mais longo.

O treinador, que deixou o Atlético-MG na segunda-feira devido aos salários atrasados e à má campanha na Copa João Havelange, afirmou que a opção pelo acordo por dois meses foi dele mesmo.

“O Nicolino (Bozzella, diretor de futebol do Santos) chegou a propor um ano. Mas preferi até dezembro. Depois a gente fica mais tranquilo para fazer um contrato de prazo médio”, declarou.

Parreira afirmou que não terá tempo para fazer alterações substanciais na forma de jogar do Santos. Restam ao time seis partidas na fase atual da Copa JH.

Para o treinador, a classificação dependerá da “atitude mental” dos atletas. “O problema do Santos não é tático nem técnico. É de motivação”, disse.

O técnico exortou atletas como Rincón e Edmundo, estrelas do time e pivôs da crise que resultou na demissão de Giba, a “dar exemplo” para os companheiros.

Ele disse que as estrelas terão de se “dedicar integralmente” e afirmou que, “do cobrinha ao cobrão”, exigirá uma relação de respeito recíproco.
“Não haverá privilégios. Para ser campeão, tem de haver trabalho. E o bom exemplo tem de partir deles, que são os líderes da equipe”, afirmou.

Treinador tenta melhorar sistema defensivo

Conhecido por privilegiar a marcação nas equipes que dirige, o técnico Carlos Alberto Parreira começou a treinar o Santos na tarde de ontem, na Vila Belmiro, priorizando a defesa.

Em metade do gramado, Parreira fez uma atividade na qual colocou o sistema defensivo titular para enfrentar o ataque reserva.

O treinador disse que, embora vá tomar a iniciativa do jogo na partida contra o Bahia, o Santos é uma equipe que ainda precisa de melhor “marcação e pegada”.

Para ele, só volante Anderson é um jogador genuinamente marcador no meio-campo santista. “Acho que é um time até muito ofensivo para o meu gosto. Temos de equilibrar um pouco mais.”

Parreira subiu para o gramado às 16h, horário em que o treino estava marcado, depois que os jogadores haviam deixado o vestiário.

Ele estava acompanhado do auxiliar Jairo Leal, com quem trabalhou no Atlético-MG, e de Gersinho e Paulo Robson, que foram mantidos na comissão técnica.

Nos próximos jogos, Parreira aproveitará as informações dadas por aqueles que ficaram no clube para definir os titulares.