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Santos 1 x 2 Vasco

Data: 03/03/1999, quarta-feira, 21h40.
Competição: Torneio Rio SP – Final – Jogo de volta
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 32.495 pagantes
Renda: não divulgada
Árbitro: Cláudio Vinícius Cerdeira (RJ).
Auxiliares: Hilton Moutinho (RJ) e Válter José dos Reis (SP).
Cartões amarelos: Ânderson Lima (S); Zé Maria, Ramón e Vágner (V).
Gols: Zé Maria (46-1); Alessandro (30s-2) e Juninho (29-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima (Camanducaia, depois Michel), Argel, Sandro e Gustavo Nery; Claudiomiro, Marcos Bazílio, Jorginho e Caíco; Alessandro e Viola (Rodrigão).
Técnico: Emerson Leão.

VASCO
Carlos Germano; Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Nasa, Paulo Miranda, Juninho (Henrique) e Ramón; Donizete (Vágner) e Luizão (Zezinho).
Técnico: Antônio Lopes.



Vasco é tricampeão do Torneio Rio SP

Equipe carioca derrota o Santos, mesmo podendo perder por um gol, e comete menos falta do que os paulistas

O Vasco conquistou o Torneio Rio-São Paulo, a primeira competição em disputa neste ano.

O time carioca bateu o Santos por 2 a 1, no segundo jogo da final, ontem à noite no estádio do Morumbi, em São Paulo. Na primeira partida, no Maracanã, o Vasco havia vencido por 3 a 1.

Este é o terceiro título do Vasco na competição, o décimo dos cariocas. Os paulistas têm 15 conquistas.

Apesar de jogar pressionado pelo Santos, o Vasco nunca se desesperou, como nos outros três confrontos entre as equipes nessa competição -na primeira fase, o time carioca tinha vencido um jogo e empatado o outro.

Na partida de ontem, o destaque esteve no time perdedor. Foi o atacante Alessandro, autor do gol do seu time e o único jogador de ataque a ameaçar o gol de Carlos Germano. Ele fez seis finalizações, o maior número da partida.

No Vasco, o volante Paulo Miranda, que antes da decisão prometera atacar e defender com a mesma eficiência do ex-astro do basquete Michael Jordan, não fez uma finalização e foi o jogador que mais faltas cometeu -sete-, arrancando berros do técnico vascaíno no início do jogo.

Se Antônio Lopes berrava com Miranda, o alvo de Leão eram quase todas as pessoas em campo, especialmente o trio de arbitragem.

O começo da partida foi movimentado. Aos 2min, Jorginho tabelou com Viola e chutou de fora da área. Em seguida, Luizão foi derrubado quase na linha da grande área, mas o juiz não marcou. Meio minuto depois, Luizão tabelou com Donizete e chutou rasteiro, rente à trave.

Com a bola, o Santos obteve uma falta perto da área, desperdiçada.

O time paulista pressionou mais, mas quase sempre sem eficiência. O carioca, no toque de bola, chutou e acertou mais o gol. Em oito finalizações no primeiro tempo, o Santos não acertou nenhuma.

Aos 42min, o meia Ramon recebeu lançamento, invadiu a área, mas foi desarmado na hora do chute, pelo volante Marcos Bazílio.

Aos 45min, o Vasco fez seu primeiro gol. Zé Maria cobrou falta de 30 metros. Zetti, como no jogo anterior, se mexeu para o lado errado e não conseguiu se recuperar. Foi a segunda finalização certa do Vasco e do jogo.

Com Camanducaia no lugar de Anderson, o Santos empatou logo no recomeço do jogo. Aos 29s, Alessandro desceu pela esquerda e chutou cruzado de fora da área. Carlos Germano pulou atrasado e não conseguiu defender.

O Vasco, que no primeiro tempo já tinha vivido de contra-ataques (10min23 de posse de bola contra 13min11 do Santos), recuou mais ainda, passando a jogar com seis jogadores à frente da grande área.

Aos poucos, o Vasco conseguiu reequilibrar o jogo e marcar o Santos, sem faltas. Na primeira metade do segundo tempo, o Vasco fez apenas duas -e sofreu 12.

Aos 29min, quando o Santos acabava de fazer sua última substituição (Viola por Rodrigão), Juninho escapou pela direita e desempatou. A partir daí, o Vasco recuou e passou a segurar o Santos.

Ao final, a equipe de Leão terminou com 38 faltas (18 no primeiro tempo), e o de Lopes, com 32 (metade em cada tempo).

Dinheiro consola os santistas

Mesmo aborrecidos com o vice-campeonato no Rio-São Paulo, os dirigentes do Santos acharam positiva a participação da equipe no torneio. Segundo Samir Abdul-Hak, presidente do clube, as cotas pagaram cerca de dois meses dos salários da equipe profissional (cerca de R$ 1 milhão por mês).

No total, o Santos recebeu R$ 2,190 milhões (R$ 1,100 milhão na primeira fase, R$ 400 mil nas semifinais e R$ 690 mil pelo vice-campeonato). Pelo título, o Vasco recebeu no total R$ 2,530 milhões.

“Janeiro é uma época de preparação, ficamos parados só gastando dinheiro. O resultado financeiro do Rio-São Paulo é ótimo, principalmente porque chegamos às finais”, afirmou o dirigente santista.

Segundo Abdul-Hak, o Santos teria obtido ganho maior se a decisão tivesse sido no Pacaembu, e não no Morumbi. Pelo regulamento da competição, as rendas das partidas ficavam com os clubes.

“Muitos torcedores deixaram de vir ao estádio por causa da distância e da ameaça de chuva. E existe o problema do horário. Fica muito tarde voltar para Santos depois do jogo”, afirmou o dirigente. Por imposição da televisão, a partida no Morumbi começou às 21h40.

Abdul-Hak afirmou ainda que o atacante Viola não sofrerá nenhuma punição por ter abandonado o treino de anteontem, em Santos, para tentar agredir um torcedor.

“Eu faria a mesma coisa, até pior, se alguém me ofendesse como aquele torcedor fez com o Viola”, disse o presidente santista.



Rio-SP faz final de trauma e tensão (Em 03/03/1999)

Enquanto Vasco quer evitar erros de antigos rivais, o santista Viola abandona treino para agredir torcedor

A final do Torneio Rio-São Paulo, entre Santos e Vasco, hoje, às 21h40, no Morumbi, envolve “tensão” -por parte dos santistas- e “trauma”, pelo lado dos vascaínos.

O Santos precisa vencer o jogo por três gols de diferença para ser campeão. Se bater o rival por apenas dois gols, o título será disputado em cobranças de pênalti.

A tensão no Santos foi provocada pela explosão do atacante Viola no treino de ontem. Irritado com Renato Azevedo Silva, que assistia ao treino com um cartaz com a frase “Viola, joga bola”, o jogador abandonou o treino e perseguiu o torcedor por uma rua lateral ao centro de treinamento do clube.

O zagueiro Argel e o goleiro Zetti correram atrás de Viola, que chegou a dar um tapa em Silva.

“Isso é igual à preparação de escola de samba. É aquecimento”, disse o técnico Emerson Leão, tentando minimizar o incidente.

O técnico santista culpou a diretoria do Santos pelo episódio. “Eu já pedi várias vezes para que os muros do centro de treinamento fossem reformados e sua altura aumentada. Da maneira como é agora, ficamos vulneráveis a esse tipo de coisa”, disse o técnico.

Sobre a atitude do atacante, Leão afirmou que não apóia, “mas tem hora que não dá para segurar”.

Viola afirmou que não está arrependido. “Não tem o que explicar. Um cara que chega às 16h30 em um local onde as pessoas estão trabalhando, só para incomodar, merece isso. Ele queria ter cinco minutos de fama. Já teve.”

“Nunca me arrependo do que faço. O cara queria me diminuir como pessoa, como profissional. Todos têm que ter respeito. Seu eu tiver na rua com os meus filhos, por exemplo, e for agredido como fui hoje, também vou agredir”, completou o atacante santista.

Trauma

O “trauma” vascaíno refere-se à tática usada pelo técnico Antônio Lopes para motivar a sua equipe.

Preocupado em conter a euforia dos jogadores cariocas após a vitória na primeira partida da decisão, domingo, por 3 a 1, no estádio do Maracanã, Lopes se reuniu ontem por quase uma hora com os jogadores para falar sobre a vitória sobre o São Paulo, nas semifinais do Torneio Rio-São Paulo.

Nesse jogo, o empate classificaria o São Paulo. Segundo Lopes, a equipe paulista menosprezou o Vasco e acabou eliminada.

A situação do Vasco é semelhante à da equipe paulista, na semana passada. “Falei com todos que o jogo começará empatado e só poderemos pensar na vantagem após o apito final do árbitro”, afirmou Lopes.

“Já mostrei que é possível mudar a vantagem. Por isso, passo sempre ao time que não podemos entrar na euforia dos torcedores”, completou o treinador.

No domingo, torcedores do Vasco comemoraram antecipadamente a conquista do torneio.

Após a reunião de ontem, os jogadores do Vasco deixaram o vestiário com o mesmo discurso de Lopes. “Os torcedores estão fazendo o papel deles, que é comemorar as vitórias. A euforia deles não vai nos dominar”, disse Juninho.

“Vamos entrar em campo com humildade e só vamos comemorar a vitória se realmente conquistarmos o título no final do jogo”, completou o meia vascaíno.

Sacrifício

Para a partida de hoje, Lopes vai manter a equipe que venceu o Santos, no Maracanã. Com a decisão do treinador, o atacante Donizete, que foi substituído na última partida, vai jogar no sacrifício.

No domingo, Donizete, que teve uma atuação apagada, deixou o time no intervalo após reclamar de dores no tornozelo. O atacante se machucou na primeira partida entre os dois times pelo Torneio Rio-São Paulo.

Embora o jogador não esteja totalmente recuperado das dores no tornozelo, Lopes acredita que a escalação do atacante poderá impedir os avanços dos zagueiros adversários. O meia Vágner e do atacante Zezinho, que entraram no time no segundo tempo do jogo, vão continuar na reserva. Zezinho foi o autor do terceiro gol no domingo. Vágner marcou o segundo gol contra o São Paulo, no Morumbi.

Já o técnico Leão, do Santos, deve manter a mesma que equipe que enfrentou o Vasco no último domingo, no Maracanã. O treinador confirmou que Caíco continua no time no lugar de Eduardo Marques.

Leão mantém a mesma equipe

O técnico Leão vai manter o mesmo time que iniciou a primeira partida da final do torneio Rio-São Paulo no jogo de volta que acontece hoje no Morumbi. Ele confirmou Caíco no lugar de Eduardo Marques.

“Nunca fomos tão ofensivos como no primeiro tempo do jogo no Rio, no domingo. Acho um resultado normal vencer por dois ou três gols de diferença com um time com o que temos. Seja contra o Vasco, Barcelona, Roma, Portuguesa ou quem quer que seja”, declarou Leão.

O técnico espera apenas que o Santos consiga aproveitar melhor as oportunidades que criar, o que não aconteceu no Rio.

Leão voltou a falar sobre o Morumbi, local de disputa da partida -o técnico do Santos defendia que o jogo ocorresse no Pacaembu.

“O regulamento do torneio é claro. Ele diz que tanto as semifinais como as finais podem ser realizadas na Maracanã, Morumbi ou Pacaembu. Não sei dizer o porquê dessa decisão, mas quem aceita o quer não tem o direito de reclamar depois”, afirmou Leão.

O goleiro Zetti também reclamou do Morumbi, local com iluminação insuficiente, segundo o santista. “Vai ser ruim para os dois lados”, disse.

O técnico do Santos, no entanto, afirmou que o estádio não é justificativa para uma possível má apresentação do time. “Isso não tira a nossa obrigação de ir lá e fazer tudo igual como no Maracanã”, disse.


Vasco 3 x 1 Santos

Data: 28/02/1999, domingo, 18h30.
Competição: Torneio Rio SP – Final – Jogo de ida
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 81.421 pagantes
Renda: R$ 695.500,00
Árbitro: Paulo César de Oliveira (SP).
Cartões amarelos: Gustavo Nery (S); Odvan, Paulo Miranda e Felipe (V).
Cartões vermelhos: Sandro (S) e Nasa (V).
Gols: Mauro Galvão (16-1), Alessandro (20-1); Juninho (21-2) e Zezinho (26-2).

VASCO
Carlos Germano; Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Paulo Miranda (Wagner), Nasa, Juninho e Ramón (Alex); Donizete (Zezinho) e Luizão.
Técnico: Antônio Lopes

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Sandro e Gustavo Nery (Michel); Marcos Bazílio, Claudiomiro, Caíco (Élder) e Jorginho (Rodrigão); Alessandro e Viola.
Técnico: Emerson Leão



Santos amansa e perde no Rio

Com menos faltas, time paulista cede vantagem ao Vasco, que pode até perder para conquistar Rio-São Paulo

O Vasco derrotou o Santos por 3 a 1, ontem, no Maracanã, na primeira partida da decisão do Torneio Rio-São Paulo.

Para chegar ao seu terceiro título na competição, o clube carioca pode até perder pela diferença de um gol a próxima partida, que será disputada nesta quarta-feira, às 21h30, no estádio do Morumbi, em São Paulo. Será a primeira final da temporada de 1999.

O Santos, que busca o seu sexto título, vai precisar vencer por dois gols de diferença para levar a decisão para os pênaltis.

Depois da polêmica que havia antecedido a partida sobre a violência do Santos em campo, que vinha cometendo uma média de 35 faltas por jogo, a equipe paulista cometeu apenas 27 infrações contra o Vasco, uma a menos que o adversário, reduzindo em 23% sua média.

Antes da partida, o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda, tinha ameaçado entrar com um pedido de indenização na Justiça caso um de seus jogadores saísse machucado de campo.

Miranda tinha protagonizado outra polêmica antes. Para mandar as partidas em seu estádio, São Januário, levou o time a um duplo W.O. com o Fluminense, na última rodada da primeira fase, e pôs em risco sua permanência no torneio.

O técnico Emerson Leão, do Santos, tachado como o mentor do jogo faltoso do time no torneio, queria provar que o Santos não é violento nem pratica o antijogo como afirmava o adversário.

As duas equipes acabaram tendo um jogador expulso de campo pelo juiz Paulo César de Oliveira. O zagueiro Sandro, do Santos, recebeu cartão vermelho aos 8min do segundo tempo. O volante Nasa, do Vasco, foi expulso aos 23min da mesma etapa.

O Vasco saiu na frente, com um gol do zagueiro Mauro Galvão aos 16min do primeiro tempo, quando o Santos dominava a partida e se mantinha no ataque.

A equipe santista conseguiu o empate pouco depois, com um gol de cabeça do atacante Alessandro.

O meia Juninho ampliou para o Vasco aos 21min.

O atacante Zezinho, que entrara no lugar de Donizete, fechou o placar para os cariocas.

A partida de ontem serviu como “”desempate” para o equilíbrio que havia marcado os 14 confrontos, até então, entre as duas equipes no Rio-São Paulo, com seis vitórias para os santistas, seis para os vascaínos e dois empates.

O Santos, com as maiores goleadas -5 a 1 em 1961 e 5 a 2 em 1962-, ainda ficou na frente no saldo de gols. No total, em 15 jogos (incluindo o de ontem), os santistas marcaram 26 gols, contra 24 do time carioca.

Santos e Vasco já chegaram a dividir o título do Rio-São Paulo em 1966, juntamente com Corinthians e Botafogo. Devido à Copa da Inglaterra, não houve tempo para desempate naquele ano. As quatro equipes foram consideradas campeãs pelos organizadores.

O Santos conquistou ainda o torneio em 1959, 1963, 1964 (ao lado do Botafogo) e 1997.

O Vasco só havia sido campeão sozinho no ano de 1958.

O clima de rivalidade que antecedeu o jogo culminou com o apedrejamento do ônibus que levava os jogadores santistas ao Maracanã por torcedores vascaínos quando chegava ao estádio.

Ao final da partida, técnico Leão resolveu voltar a reclamar da arbitragem, alegando impedimento na jogada que levou ao terceiro gol do Vasco.

“A TV tem o tira-teima. Eu só tenho a teima. Quem tira é o árbitro. Estou cansado de ser tirado”, afirmou ele.

Leão grita com os rivais e o juiz

Uma discussão com o técnico Leão provocou ontem ao meia Eduardo Marques seu afastamento do time santista. Dado como titular pouco antes de o jogo começar, o atleta nem foi relacionado para o banco de reservas. Em seu lugar, no time, ficou Caíco.

Leão e Eduardo Marques discutiram no hotel em que o time estava hospedado no Rio de Janeiro quando o treinador exigiu um melhor desempenho do meia.

Ao chegar ao Maracanã, o técnico tentou desconversar. “Ele não tinha nenhuma condição de jogar”, limitou-se a dizer.

O gerente de futebol do Santos, Marco Aurélio Cunha, tentou negar a briga dentro do time. “Não houve nenhum problema disciplinar. Foi apenas uma opção.”

Essa não foi a única briga que Leão protagonizou ontem. Durante a partida, o comandante santista ficou a maior parte do tempo fora da área reservada para ele e gritou com os seus jogadores, os rivais e o árbitro, o que lhe rendeu uma advertência. Ele pediu várias vezes cartão amarelo e vermelho para os adversários quando cometiam faltas em seus comandados.

A torcida vascaína também provocou o torcedor: “Leão, tu é gay. Tu é gay, que eu sei”. Ele respondia com gestos obscenos.

Nas rádio cariocas, Leão também foi personagem de gozação. Na rádio Tupi AM, toda vez que o técnico era citado, aparecia um jingle dizendo: “Como esse cara é mala”.

Ônibus santista é atacado

O ônibus que conduzia os jogadores do Santos foi apedrejado por torcedores vascaínos quando chegava ontem ao estádio do Maracanã. Pedras, garrafas e latas de cerveja foram arremessadas contra o veículo, que teve parte de sua lataria amassada.

Os vidros não foram quebrados, e nenhum integrante da delegação se machucou. Uma viatura da PM que estava próxima ao local evitou que o ataque fosse pior.

O presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, que estava no ônibus, mostrou-se indignado com o episódio. “Em São Paulo, não acontece isso. Foi terrível, não esperava que isso estragasse uma festa tão bonita. Não é possível que na virada para o século 21 ainda se utilize esse tipo de pressão”, afirmou o dirigente.

O incidente agravou a série de desentendimentos que marcou a preparação das equipes para a decisão. Os vascaínos acusaram o Santos de ser uma equipe que utiliza demasiadamente a violência para parar jogadas.

Como uma forma de intimidar o adversário, o vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, afirmou na última sexta-feira que entraria na Justiça comum caso um dos seus jogadores sofresse alguma contusão grave na partida. Disse ainda que entraria com uma ação também contra o árbitro se ele fosse conivente com a violência.

Alguns jogadores vascaínos que já trabalharam com Leão, como o atacante Donizete, disseram que o técnico manda os seus jogadores baterem nos adversários.

O Santos é a equipe que mais comete faltas no Rio-São Paulo. Até a partida de ontem, os santistas cometiam em média 35 faltas por partida -a média geral do torneio é de 25.

Além disso, o time já teve seis jogadores expulsos, mas foi beneficiado pelo regulamento da competição, que não prevê suspensão automática. Só o atacante Alessandro foi expulso duas vezes.

Na primeira partida entre os dois clubes na competição, Donizete teve de ser substituído após se contundir em um lance com Marcos Assunção.

Por causa do clima de animosidade, os torcedores do Santos que saíram de São Paulo para ir ao Maracanã (cerca de 400, que ocuparam metade do espaço reservado inicialmente) só entraram no estádio no fim do primeiro tempo, para evitar choques com vascaínos.

Vascaínos já festejam o título

Logo após o gol do atacante Zezinho, a torcida do Vasco iniciou a comemoração antecipada do título do Torneio Rio-São Paulo.

Eufóricos, torcedores do time carioca começaram a cantar “é campeão” -o time pode perder por um gol no Morumbi. Eles também gritavam hostilidades contra o Flamengo, o seu principal rival, e cantavam “olé” no final.

Ontem, o público foi de 81.421 pagantes. No final da partida, torcedores pediam o quarto gol.

Na quarta-feira, a estimativa é de que cerca de 5.000 vascaínos assistam ao jogo em São Paulo. “Falta o segundo jogo. O Vasco vai ter de correr dobrado em São Paulo. Não podemos entrar na euforia da torcida”, disse Juninho.

Preocupado com o excesso de faltas do time adversário, o atacante Donizete fracassou ontem na primeira partida da decisão. Depois de um péssimo primeiro tempo, o técnico Antônio Lopes o tirou de campo.

“Fui muito mal. Antes do início do jogo, havia pedido para não jogar por causa das dores no tornozelo, mas o Lopes achou melhor me escalar. Agora, acho difícil continuar”, disse Donizete. Ele perdeu um gol e ficou três vezes impedido.

Recuperando-se de uma contusão sofrida na primeira partida entre os dois times na competição, Donizete já havia anunciado que evitaria divididas com adversários.

Ex-jogador de Leão, no Verdy Kawasaky (Japão), Donizete foi o conselheiro dos jogadores do Vasco para tentar fugir da violência.


Santos e Vasco renegam vocação na final (Em 28/02/1999)

Paulistas tentam desmentir título de os mais faltosos, enquanto cariocas abandonam drible temendo contusão

O Vasco superou os rivais que apareceram pela frente com os dribles de Felipe e Ramon para chegar à final do Torneio Rio-São Paulo.

Já o Santos fez seu caminho cometendo faltas -pelas estatísticas, em geral, o time mais faltoso é o vencedor da partida.

E, agora, os finalistas prometem deixar de lado seus trunfos para chegar ao título, que começa a ser disputado às 18h30, no Maracanã.

A mudança no estilo de jogo da equipe carioca se deve à violência santista na competição.

Segundo o Datafolha, o drible foi a principal vantagem do time carioca no campeonato. De acordo com a pesquisa, o Vasco faz 35 tentativas por jogo, quando a média geral é de 26 dribles.

“Como o time do Santos tem um estilo muito forte, os jogadores vão ter que se movimentar e tocar rápido a bola para fugir das faltas. Não podemos prender muito o jogo. Se fizermos isso, vamos facilitar muito para eles”, afirmou o técnico do Vasco, Antônio Lopes.

A equipe paulista comete 35 faltas por partida (a média geral é de 25). Além disso, o time já teve seis jogadores expulsos, mas foi beneficiado pelo regulamento da competição, que não prevê suspensão automática. Só o atacante Alessandro foi expulso duas vezes.

“Leão foi meu treinador, e sei que fará uma marcação nos principais jogadores do nosso time. Esse é o estilo de jogo dele. Para surpreendê-los, decidimos jogar com mais velocidade e evitar o contato”, disse o lateral-direito Zé Maria, que foi comandado pelo técnico rival quando atuava na Lusa.

Na primeira partida entre os dois clubes na competição, o atacante Donizete, um dos destaques do time do Vasco, teve de ser substituído após se contundir em um lance com o volante Marcos Assunção.

A preocupação com a violência é tanta no Vasco que o vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, decidiu tentar pressionar os adversários.

Na sexta-feira, ele até ameaçou entrar na Justiça comum caso um dos seus jogadores sofra alguma contusão grave na partida. Disse que entrará com uma ação também contra o árbitro, se ele for conivente com a violência.

“Violência é balela”

Por seu lado, os jogadores do Santos minimizaram as declarações do dirigente vascaíno Eurico Miranda. E negam acreditar que foi estabelecido um “clima de guerra” para o jogo de hoje.

“Isso tudo é balela”, afirmou o zagueiro Argel, alvo preferido dos ataques de Miranda. “Eu quero que me mostrem fatos. Estou há um ano e dois meses no Santos e fui expulso apenas uma vez e ninguém está aí sem jogar por culpa minha”, afirmou.

Argel não acredita que as declarações de Miranda possam criar um clima propício para a ocorrência de jogadas violentas. “O Vasco, assim como o Santos, vai entrar para jogar. Eu conheço o Antônio Lopes e sei o tipo de jogo que ele aprecia”, disse o zagueiro. “Mas o Santos não vai mudar sua maneira de atuar. É um time determinado, sem estrelas e forte no conjunto”, conclui.

O goleiro Zetti também desprezou os comentários de Miranda. “Somos profissionais e respeitamos os colegas do outro lado. O Santos joga desta forma, é forte na marcação, mas não é violento. O futebol hoje é assim. É competitivo, corpo a corpo”, afirmou.

“Apesar disso, não somos um time que joga na defesa. Jogamos para a frente e fazemos gols, como já mostramos no Maracanã”, ressalvou Zetti, lembrando a semifinal contra o Botafogo.

O técnico Leão disse simplesmente que não comentaria opinião de quem quer que fosse sobre a possível “violência santista”, por achar que a alegação não se justifica e por ter sido já bastante debatida. “Essa história está desgastada. Para mim, não existe”, afirmou.

Ele comentou, no entanto, outras declarações de Eurico Miranda, como a afirmação de que foi dispensado do Vasco pelo dirigente em 1980. “Nessa época, o Eurico não passava de um coadjuvante no Vasco”, afirmou.

Leão afirmou também que para arrancar sua juba “é preciso muita coragem”. Provocador, Miranda havia afirmado que Leão sem a juba era um gatinho e miava.

Viola e Alessandro

O atacante Viola afirmou que não existe qualquer problema de relacionamento entre ele e o atacante Alessandro.

No final da primeira partida com o Botafogo, Viola havia reclamado de “individualismo” no time do Santos, sem citar nomes.

“Quiseram me jogar contra o Alessandro. A única coisa que eu disse é que, como jogo enfiado, por determinação do Leão, preciso receber bolas na área e, às vezes, essas bolas não chegam”, disse.

O atacante ironizou o comportamento de Eurico Miranda. “Eu tiro o chapéu para ele. Queria tê-lo no meu time, porque faz tudo o que quer e acaba sempre dando certo.”

Banco é trunfo rival, diz Leão

O técnico Leão afirmou que o Vasco leva vantagem em relação ao Santos pelos jogadores que tem à disposição no banco de reservas.

“Sem dúvida, eles possuem um banco tecnicamente melhor do que o nosso”, afirmou Leão.

No jogo contra o São Paulo, na quarta-feira, dois dos três gols do Vasco foram marcados por jogadores que estavam na reserva -um pelo meia Vágner (com passagem pela Roma, da Itália) e outro pelo atacante Guilherme (ex-Rayo Vallecano, da Espanha).

Já o Santos conta entre os suplentes com o meia Caíco, o lateral Dutra e o atacante Camanducaia.

O treinador santista deverá escalar o time com apenas dois atacantes (Viola e Alessandro), desistindo da experiência do ataque com três jogadores, pelo menos para este primeiro jogo da final.

Na semana passada, no primeiro jogo contra o Botafogo pelas semifinais, o Santos marcou apenas um gol, mesmo jogando com três jogadores fixos na frente.

Nos outros sete jogos que fez pelo Rio-São Paulo, o time marcou 15 gols, média de 2,14 por partida.

O atacante Viola, autor de três gols nos últimos três jogos do Santos, afirmou que recebeu orientação do treinador para jogar “mais enfiado”, tentando atrair a marcação dos dois zagueiros do Vasco.

Só nos dois jogos que o Vasco fez no Maracanã pelo Rio-São Paulo, a defesa do time carioca levou sete gols, média de 3,50 por partida.

O meia Jorginho, que se machucou no coletivo de sexta-feira, quando foi atingido por um carrinho do meia Arinélson, seria submetido ontem a uma avaliação médica para saber se teria condições de jogo. Até sexta-feira, o técnico Leão não tinha definido um substituto.

O goleiro Zetti, que teve o julgamento de sua expulsão contra o Palmeiras adiado para depois do encerramento do Rio-São Paulo, afirmou que o time está empolgado e que encara os dois próximos jogos como se fossem a final do Campeonato Brasileiro.

O Santos tenta seu segundo título na competição nos três últimos anos. Caso vença, será sua sexta conquista na história geral do Torneio Rio-São Paulo. O time já é a equipe com o maior número de conquistas na história da competição.

No geral, os times paulistas levam ampla vantagem contra os cariocas. Foram 15 títulos de equipes de São Paulo, contra apenas 9 dos clubes do Rio.


Botafogo 0 x 2 Santos

Data: 24/02/1999, quarta-feira, 21h40.
Competição: Torneio Rio São Paulo – Semifinal – Jogo de volta
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 32.300
Renda: R$ 262.620,00
Árbitro: Alfredo dos Santos Loebeling (SP).
Cartões amarelos: Élder, Jean e Gustavo Nery (S); Reidner e Gálio (B).
Cartões vermelhos: Ânderson Lima e Alessandro (S); Zé Carlos (B).
Gols: Viola (03-1) e Alessandro (09-1).

BOTAFOGO
Wagner; César Prates, Edimar, Bandoch e Ronildo; Reidner, Gállo (Rodrigo), Marcos Aurélio (Milson) e Sérgio Manoel; Zé Carlos e Bebeto (Pontes).
Técnico: Valdyr Espinosa

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Jean (Sandro) e Gustavo Nery; Claudiomiro, Marcos Bazílio, Jorginho (Élder) e Eduardo Marques (Michel); Viola e Alessandro.
Técnico: Emerson Leão



Santos vence e faz 2ª final em 3 anos

O Santos avançou à final do Torneio Rio-São Paulo ao bater ontem o Botafogo, no Maracanã, por 2 a 0. No domingo, o time paulista enfrentará o Vasco, no Rio, na primeira partida da decisão.

Será a segunda final do Santos em três anos do torneio (em 97, bateu o Flamengo e foi campeão).

Para o jogo de ontem, o Botafogo fez venda antecipada de ingressos, com preços promocionais. Mas, segundo o clube, um homem roubou R$ 65 mil da venda antecipada em sua sede em General Severiano.

Desde o início, as iniciativas de ataque foram, em sua maioria, do Santos, que jogava pelo empate.

O primeiro gol surgiu aos 9min, com Alessandro. Em jogada pela esquerda, o atacante cortou um rival e chutou para fazer 1 a 0.

O Botafogo não conseguiu se impor nem após sofrer o gol: ficava muito distante do gol de Zetti, restando como alternativa chutar de longe, como fez Marcos Aurélio, aos 14min -para fora.

O segundo gol do Santos começou após Bebeto tentar cavar um pênalti. O time paulista aproveitou a desatenção do adversário e armou um rápido contra-ataque. Alessandro recebeu livre pela direita e cruzou para Viola fazer 2 a 0.

No jogo anterior, em São Paulo, Viola havia reclamado que Alessandro não estava lhe passando a bola. “Eu tinha reclamado, (mas hoje) ele levantou a cabeça”, disse o atacante santista.

No segundo tempo, o Botafogo voltou pressionando mais o Santos, sem resultado. O time paulista teve Alessandro expulso aos 23min, após fazer falta em Bandoch. O próprio Bandoch teve uma chance para marcar o primeiro do Botafogo, aos 27min, mas chutou para fora.

Aos 31min, Ânderson e Zé Carlos se desentenderam após falta do último e foram expulsos. Tanto Ânderson quanto Alessandro poderão jogar domingo, pois não há suspensão no Rio-São Paulo.

O Botafogo ainda teve boa chance, aos 39min, com Mílson, que chutou na trave. E, aos 41min, Zetti, adiantado, quase foi surpreendido por cruzamento de Ronildo.



Santos troca ataque por marcação

O Santos vai inverter, na partida de hoje contra o Botafogo, no Maracanã, a estratégia de jogo que aplicou no primeiro confronto pela fase semifinal do Torneio Rio-São Paulo, no qual bateu a equipe carioca por 1 a 0, no Morumbi.

Se no jogo em São Paulo o técnico Leão optou por escalar três atacantes, hoje o time pode entrar em campo com até três volantes.

A contusão no ombro de Marcos Assunção -artilheiro do time no Rio-São Paulo com quatro gols- contribuiu para a escalação de um Santos mais defensivo.

Assunção será substituído por Claudiomiro, volante que vinha sendo aproveitado na zaga. Ao contrário de Assunção, que ataca bastante, a marcação é o forte de Claudiomiro, que não atuou no Morumbi por causa de um corte no supercílio durante um treino.

Leão acena com a possibilidade de escalar o volante Bechara na vaga do meia Eduardo Marques. “Já entrei em alguns jogos para ajudar o ataque e em outros para reforçar a marcação. Se atuar amanhã (hoje), acho que será para fechar o meio”, disse Bechara.

Caso o técnico Leão confirme Bechara, Jorginho será o único meia com função de apoiar os atacantes Viola e Alessandro.

O Santos necessita somente de um empate para conquistar uma vaga na decisão do Rio-São Paulo. Se perder por diferença de um gol, a classificação vai ser definida na disputa por pênaltis.

No treino de ontem, todos os jogadores do time titular -à exceção do goleiro- cobraram pênaltis. Somente o zagueiro Jean errou.

Embora evite comentar o assunto pelo fato de o Santos ainda não ter obtido a classificação, Leão começou a protestar contra a hipótese de uso do Morumbi nos dois jogos finais -caso a decisão envolva Santos e São Paulo, que disputa a outra vaga com o Vasco.

“O regulamento diz que os estádios para as semifinais e finais são Maracanã, Morumbi e Pacaembu”, afirmou o treinador.

Leão não considera o Morumbi um campo neutro porque o estádio pertence ao São Paulo. Por isso, defende que pelo menos uma das partidas decisivas -caso se confirme uma final paulista- aconteça no Pacaembu.


Vasco 3 x 2 Santos

Data: 06/02/1999
Competição: Torneio Rio SP – 5ª rodada
Local: Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 14.618
Renda: R$ 73.409,00
Árbitro: Oscar Roberto Godói (SP)
Cartões amarelos: Luisinho, Mauro Galvâo, Paulo Miranda (V); Claudiomiro, Dutra e Marcos Assunção (S).
Cartões vermelhos: Juninho (V); Alessandro e Jorginho (S).
Gols: Eduardo Marques (25-1) e Marcos Assunção (40-1); Felipe (17-2, de pênalti), Paulo Miranda (24-2) e Guilherme (36-2).

VASCO
Carlos Germano; Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Nasa (Luisinho), Paulo Miranda, Juninho e Chiquinho(Alex); Vanderlei (Zezinho) e Guilherme.
Técnico: Antônio Lopes

SANTOS
Zetti; Michel, Argel, Claudiomiro e Dutra (Jean); Marcos Bazilio, Marcos Assunção, Jorginho e Eduardo Marques (Caico); Alessandro e Rodrigão.
Técnico: Emerson Leão


Santos 4 x 1 Fluminense

Data: 03/02/1999, quarta-feira, 20h30.
Competição: Torneio Rio SP
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 9.218 pagantes
Renda: não divulgada
Árbitro: Jorge Fernando Rabello (RJ)
Cartões amarelos: Eduardo Marques (S); Paulo César, França e Túlio (F).
Gols: Alessandro (33-1) e Dutra (34-1); Argel (03-2), Túlio (15-2) e Caíco (33-2).

SANTOS
Zetti; Michel, Argel (Valdir), Claudiomiro e Dutra; Marcos Bazílio, Marcos Assunção, Jorginho (Caíco) e Eduardo Marques (Élder); Alessandro e Rodrigão.
Técnico: Émerson Leão

FLUMINENSE
Adilson; Paulo César, Émerson, Gelson e Nonato; França (Alexandre Lopes), Jorge Luís, Marco Brito e Roger (Fábio Costa); Roni e Túlio (Magno Alves).
Técnico: Carlos Alberto Parreira