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Santos 0 x 0 Independiente-ARG

Data: 28/08/2018, terça-feira, 19h30.
Competição: Copa Libertadores – Oitavas de final – Jogo de volta
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 36.566 pessoas (33.642 pagantes e 2.924 não pagantes.)
Renda: R$ 964.598,50.
Árbitro: Julio Bascúnan (CHI).
Auxiliares: Carlos Astroza e Claudio Rios (ambos do CHI).
Cartões amarelos: Gustavo Henrique, Alison e Derlis González (S); Brítez e Bustos (I).

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo (Robson Bambu) e Diego Pituca; Alison (Jean Mota), Carlos Sánchez e Derlis González; Rodrygo, Gabriel e Bruno Henrique (Bryan Ruiz).
Técnico: Cuca

INDEPENDIENTE
Campaña; Figal, Brítez, Franco e Gastón Silva; Francisco Silva, Bustos (Domingo) e Pablo Hernández; Silvio Romero (Braian Romero), Meza e Gigliotti.
Técnico: Ariel Holan



Santos volta a empatar com o Independiente e aguarda pela Justiça

Em partida de pouca criatividade e muita “pilha”, o Santos empatou em 0 a 0 com o Independiente-ARG na noite desta terça-feira, no Pacaembu. Com o resultado, o Peixe está por ora eliminado por conta da punição da Conmebol. A partida terminou antes do fim, aos 35 minutos do segundo tempo, por conta de arremessos de bomba e tentativas de invasão ao gramado.

A confederação declarou o Peixe como derrotado por 3 a 0 na ida, em Avellaneda, pela suposta escalação irregular de Carlos Sánchez. Em campo, as equipes empataram em 0 a 0 lá.

O alvinegro promete ir até as “últimas consequências” pela reversão do resultado. Se obter sucesso, o 0 a 0 da ida seria mantido e, com o mesmo placar na volta, a Conmebol precisaria encontrar solução, como uma disputa de pênaltis ou nova partida entre os clubes.

Se não obter sucesso, o Santos será eliminado nas oitavas de final da Libertadores. O Independiente espera para enfrentar Racing ou River Plate nas quartas.

O jogo

Motivado pela decisão da Conmebol, o Santos transformou a raça em pilhação e errou muitos passes, exagerou nas faltas e pouco criou.

A maioria das jogadas foram tentadas pelo alto – e em vão. O melhor lance veio numa arrancada de Rodrygo, com passe perfeito para Gabigol. O camisa 10, sozinho, parou no goleiro Campana, aos sete minutos.

O Independiente, copeiro, picou o jogo, valorizou cada saída de bola e deixou o tempo passar.

O Peixe só voltou a finalizar aos 30 minutos, quando Derlis González atravessou o jogo e Bruno Henrique chutou colocado, mas fraco, para o goleiro encaixar.

Aos 38, Sánchez enfiou boa bola para Gabigol na ponta direita. O atacante chutou cruzado e Campana desviou para escanteio.

E aos 43, quase veio o castigo. Sánchez cobrou um de vários escanteios ruins e, após contra-ataque perfeito, o goleiro Vanderlei cometeu pênalti com a defesa exposta e três dos visitantes contra um. O camisa 1 deu esperança à equipe e defendeu a cobrança de Meza.

A nova tentativa do técnico Cuca num 4-4-2 com quatro atacantes não funcionou, mesmo com o diferencial de Rodrygo pela esquerda e Bruno Henrique por dentro. Faltou criatividade na etapa inicial.

O Santos voltou para o segundo tempo com esquema tático diferente (e corrigido). Bryan Ruiz entrou na vaga de Bruno Henrique.

Sem quatro atacantes, o Peixe passou a criar mais. Aos seis minutos, Victor Ferraz cruzou e Gabigol, na pequena área, desviou para fora. E aos 10, Sánchez cruzou, Bryan Ruiz e Gustavo Henrique desviaram e a bola foi para fora.

A resposta do Independiente veio quando o placar marcava 17 minutos. Francisco Silva chutou de fora da área e Vanderlei se esticou inteiro para defender com a ponta dos dedos.

O Independiente passou a dominar o jogo e ficar mais perto do gol. O Santos piorou com o passar do tempo e viu uma bola no travessão de Vanderlei, em chute de Hernández aos 28.

Aos 35, após uma bomba no gramado, o jogo foi paralisado. Outras foram arremessadas e, com tentativas de invasão e policiamento em campo, a arbitragem encerrou a eliminatória.

Bastidores – Santos TV:

Cuca não poupa Santos por erro com Sánchez: “Tem que melhorar muito”

O técnico Cuca não teve papas na língua ao falar sobre o episódio envolvendo o uruguaio Carlos Sánchez, que, segundo a Conmebol, foi escalado de maneira irregular no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, contra o Independiente, em Avellaneda. Após a partida, que foi cancelada por falta de segurança nesta terça-feira, no Pacaembu, o treinador santista foi bastante crítico à diretoria do clube.

“Podem amanhã até me mandarem embora, mas tenho que falar: o Santos tem que melhorar muito profissionalmente, internamente, muito, não é pouca coisa. Isso que ocorreu é um erro muito grave, porque é o bê-a-bá, isso resulta em tudo o que aconteceu hoje, sem poder dormir em cima dos erros que foram causados, que não foram por nós, mas de uma forma geral é nosso, porque é o Santos”, afirmou Cuca.

Revoltada por conta da decisão da Conmebol em punir o Santos, a torcida do clube ameaçou invadir o gramado já na reta final da partida. Alguns torcedores chegaram a pular o alambrado do estádio, mas foram contidos pelos policiais. Um deles, inclusive, fez com que Cuca se intrometesse na confusão, pedindo aos militares para que maneirassem na forma com a qual lidava com os santistas mais exaltados.

“Quero poder ajudar o Santos com a experiência que eu tenho vivida em outros clubes, até recentemente, nos clubes de São Paulo, poder mostrar algum caminho para o pessoal, mas o pessoal tem que abrir os braços, melhorar junto”, completou Cuca.

Com a eliminação na Copa Libertadores, o Santos terá apenas o Campeonato Brasileiro para disputar até o final da temporada. Atualmente, o time figura na 12ª colocação na tabela, último posto que garante vaga na Copa Sul-Americana do ano que vem. Basta saber se a diretoria irá manter Cuca no cargo mesmo após as duras críticas por conta da falta de profissionalismo de quem hoje dirige o Peixe.

Cuca se envolve em confusão com a PM para defender torcedor

O técnico Cuca se envolveu em uma grande confusão na noite desta terça-feira, após o fim adiantado do confronto com o Independiente, no Pacaembu, pela volta das oitavas de final da Copa Libertadores. Isso porque o treinador santista foi tentar defender um dos torcedores detidos pelos policiais, fato que não agradou os militares.

Segundo Cuca, a força que estava sendo utilizada pelos soldados para deter os torcedores que invadiram o gramado era desnecessária. Além da invasão, pedaços de cadeiras, sinalizadores e bombas foram arremessadas no gramado, o suficiente para que a Polícia Militar entrasse em confronto com os santistas.

“Quando estava saindo de campo, um torcedor tentou invadir, os policiais o detiveram, mas do jeito que o menino estava, tentei tirar a gravata que o policial deu nele, porque o olho dele já estava saindo, ele estava desesperado. Faria isso por qualquer pessoa. Queria só tirar a mão do policial, “você está matando o menino, calma, não precisa fazer tanta força assim”. Faria isso por um argentino, brasileiro, qualquer um. Força exagerada demais em cima do menino, não era necessário”, disse Cuca em entrevista coletiva.

Ao lado de seguranças do Santos e alguns jogadores, Cuca rapidamente se viu cercado pela imprensa, policiais e outras pessoas que tinham acesso ao gramado. Apesar da grande confusão, o treinador conseguiu se dirigir ao vestiário posteriormente e, mais calmo, explicou a situação, garantindo que não possui qualquer rusga com a polícia.

“Está errado o rapaz de invadir o campo, mas não precisava disso. Mas não teve o que falaram, não levei porrada, só fui tentar acalmar uma situação, o Vladimir também estava. Enfim, já passou. Não tem nada demais, respeito e muito o trabalho da polícia, sempre vou respeitar”, completou.

Com o fim da partida aos 37 minutos do segundo tempo, o Santos foi eliminado da Libertadores graças à Conmebol, que decidiu penalizar o Peixe com uma derrota simbólica de 3 a 0 após a escalação de Carlos Sánchez, que, na visão da entidade, tinha de ter cumprido suspensão no jogo de ida contra o Independiente.

Victor Ferraz desabafa após eliminação no Santos: “Um dos piores dias da minha vida”

Capitão do Santos, Victor Ferraz desabafou após o empate em 0 a 0 com o Independiente na noite desta terça-feira, no Pacaembu, e a eliminação nas oitavas de final da Libertadores da América.

O lateral-direito lamentou a decisão da Conmebol – ainda mais por ter sido horas antes da partida -, e se colocou no lugar do torcedor santista.

“Sou um cara extremamente centrado, mas até para mim foi muito difícil. Você se sente incapaz. Fugiu do que a gente poderia fazer. Se a gente toma os 3 a 0 na ida, a culpa era nossa. Agradecemos ao torcedor que acreditou, mas não deu. Era o jogo da minha vida. Acordei de manhã, olhava a internet, não tinha saído o resultado, dormia mais um pouquinho. São duas copas perdidas estranhamente”, disse Victor Ferraz.

“Agora, com a cabeça mais fria, ele (árbitro) foi prudente. A situação era perigosa. Eu queria na hora que ele não acabasse o jogo. Sabia que não faríamos três gols, mas queria pelo menos um, para que a nossa luta tivesse recompensa. O futebol é feito para os torcedores. Os caras pegaram dois dias de ônibus para um jogo que não valeu (em Avellaneda) Recebemos várias mensagens de torcedores que fizeram loucuras para nos ver. Isso não valeu de nada. O jogo não valeu, a Conmebol tirou o resultado. Fomos com a motivação, apoio da torcida. Fizemos o que dava. Essa noite foi uma das piores da minha vida”, completou.

Gabigol mininiza chances perdidas: “Decidiram o jogo fora do campo”

Gabigol perdeu as duas principais chances do Santos, uma em cada tempo, no empate em 0 a 0 com o Independiente na noite desta terça-feira, no Pacaembu. O camisa 10, porém, minimizou os lances.

“Não foi isso que decidiu. O jogo foi decidido fora do campo. Fomos muito prejudicados. Ficamos tristes pela confusão, não queremos brigas, mas entendemos a revolta. Fomos injustiçados na Copa do Brasil (contra o Cruzeiro) e hoje resolveram fora de campo”, disse o atacante.

O Santos promete recorrer na Conmebol, mesmo que não tenha vencido. A confederação declarou o Peixe derrotado por 3 a 0 por conta da escalação irregular de Carlos Sánchez na ida das oitavas de final da Libertadores da América, em Avellaneda. Se o departamento jurídico conseguir, o 0 a 0 seria mantido e, com a nova igualdade no Pacaembu, alguma solução teria que ser tomada, como apenas uma disputa de pênaltis.

“Se derem 0 a 0 lá e 0 a 0 aqui, a gente vem e bate os pênaltis, a torcida iria comparecer, mas é difícil”, explicou.

Por fim, Gabriel prometeu entrega máxima do elenco até o fim do ano, mesmo sem a disputa de títulos. O Santos tem apenas o Campeonato Brasileiro e é o 12º colocado, com 24 pontos.

“Estamos jogando no Santos, um clube imenso, com uma grande torcida. Não há motivação maior. Se só tivesse amistosos até o fim do ano, teríamos a mesma vontade”, concluiu.

Rodrygo diz que faria o mesmo da torcida e lamenta última Libertadores

A partida entre Santos e Independiente-ARG terminou em 0 a 0 antes do fim por conta de atos de parte da torcida – tentativas de invasão e bombas arremessadas ao gramado. Em entrevista após o apito final, Rodrygo entendeu o ocorrido e disse que faria o mesmo.

“Eu sou torcedor, sei como é, e faria a mesma coisa dos santistas no estádio. A gente ficou tranquilo (com as bombas e tentativas de invasão”, disse o atacante.

A joia disse que todos sabiam da dificuldade de reverter o 3 a 0 imposto pela Conmebol na ida pela escalação irregular de Carlos Sánchez, mas acreditava numa virada histórica.

“Entramos tentando fazer história, mas sabíamos que seria difícil. Uma vez ou outra isso acontece”, afirmou.

Por fim, Rodrygo lamentou a última Libertadores pelo Santos. Ele se apresentará no Real Madrid em julho de 2019 e só poderá atuar num possível retorno à Vila Belmiro.

“Não sei quando vou jogar Libertadores de novo pelo Santos. Fico muito triste. Posso jogar se talvez eu voltar um dia”, concluiu.


Entidade vê erro do Peixe e decreta vitória do Independiente por 3 a 0 em jogo das oitavas da Libertadores; Sánchez pode jogar nesta terça, e clube vai recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte



A Conmebol puniu o Santos, em decisão divulgada nesta terça-feira, no Paraguai, por considerar irregular a escalação do meio-campista Carlos Sánchez no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, contra o Independiente, na Argentina – na última terça-feira, os times tinham empatado em 0 a 0, em Avellaneda. O clube vai recorrer da decisão, de acordo com o advogado Mario Bittencourt, que participou da defesa do Santos.

A entidade modificou o resultado da partida e decretou vitória do Independiente por 3 a 0. Nesta terça, no Pacaembu, o Santos terá que vencer por quatro gols de diferença para avançar direto para as quartas de final – 3 a 0 leva a disputa para os pênaltis.

O Tribunal de Disciplina da Conmebol divulgou comunicado às 10h49 da manhã, menos de nove horas antes do jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, marcado para 19h30. Além da punição ao clube, a suspensão de um jogo ao atleta tinha sido mantida, mas a entidade voltou atrás: Sánchez está liberado para jogar nesta terça. A entidade deu prazo de sete dias para o Santos recorrer.

“A Conmebol resolve declarar como perdedor o Santos Futebol Clube na partida disputada em 21 de agosto, determinar o resultado de 3 a 0 a favor do Club Atlético Independiente e confirmar a suspensão do jogador Carlos Andrés Sanchez Arcosa”, diz trecho do comunicado.

O Santos promete recorrer também ao TAS, Tribunal Arbitral do Esporte, com sede na Suíça. O clube havia apresentado uma defesa por escrito na última sexta e pôde reforçar os argumentos oralmente na segunda. A delegação santista no Paraguai teve o presidente José Carlos Peres, o diretor jurídico Rodrigo Gama e o advogado Mario Bittencourt – este último conhecido como “o advogado do Fluminense”, por ter atuado no caso Héverton, que culminou no rebaixamento da Portuguesa e na salvação do Flu no Campeonato Brasileiro de 2013.

O Peixe protocolou uma petição pedindo a reconsideração da decisão com relação à parte da decisão da Conmebol que determina que o Sánchez não pode jogar nesta terça-feira porque isso é contrário às normas da Fifa, que diz que se os pontos foram tirados, o jogador não pode ser suspenso.

Um advogado especializado no tema consultado pelo GloboEsporte.com afirmou que o regulamento da Fifa não se aplica ao caso, apenas aos torneios da Fifa. O regulamento da Conmebol não é claro nesse sentido.

Até o final da tarde, o Santos vai dar entrada numa outra petição, para que a Conmebol anuncie os motivos que levaram a entidade a punir o clube. O Peixe quer fundamentar o recurso com as justificativas da entidade.

O Santos se pronunciou através de um comunicado oficial em seu site:

“O Santos FC vem a público manifestar o descontentamento e a resignação com a punição imposta ao Clube pelo Tribunal Disciplinar da Conmebol na manhã desta terça-feira.

Não bastasse o estranhar da lenta decisão, a punição publicada não tem o menor embasamento legal ou jurídico. Além do que, pune duplamente o Santos FC, com a perda do jogo e a manutenção da suspensão do jogador Carlos Sánchez.

Por fim, em busca do direito do torcedor santista, o Clube declara publicamente que irá à todas instâncias cabíveis, a fim de que a Justiça sobre o caso seja feita.”

Veja abaixo o comunicado da Conmebol, na íntegra:

“Considerando:

(i) Que os citados artigos 56 e 19.3 permitem a qualquer clube reclamar contra o resultado de uma partida por motivo de escalação indevida de um jogador do time adversário até 24 horas depois da partida e o Club Atlético Independiente interpôs a citada reclamação dentro do prazo e formato

(ii) Que o Santos Futebol Clube apresentou por escrito sua defesa no tempo e formato no dia 24 de agosto de 2018 e no dia 27 de agosto de 2018 foi concedido o direito de ser ouvido em audiência diante deste Tribunal antes da sua decisão

(iii) Que o Tribunal de Disciplina decidiu que o Santos não cumpriu o dever de se comunicar diretamente com a Unidade Disciplinaria conforme o artigo 9 do Regulamento da Conmebol Libertadores 2018

(iv) Conforme o Artigo 19.1 do RD (Regulamento Disciplinar), qualquer time que seja responsável por uma escalação indevida se considerará como perdedor desse jogo por 3-0

(v) Que o Tribunal de Disciplina decidiu o Santos Futebol Clube como responsável da infração de escalação indevida do jogador Carlos Andres Sanchez no cumprimento da sanção pendente de 1 partida de suspensão

Portanto, o Tribunal de Disciplina decidiu:

1) Fazer valer a reclamação apresentada pelo Club Atlético Independiente;
2) Declarar como perdedor o sanrtos Futebol Clube da partida disputada ante o Club Atlético Independiente, correspondente a ida das oitavas de final da Libertadores 2018 e, em consequência:
3) Determinar o resultado de 3 a 0 a favor do Club Atlético Independiente em conformidade ao artículo 19 do Regulamento Disciplinar da Conmebol
4) Confirmar a suspensão do jogador Carlos Andrés Sanchez Arcosa por uma partida, a qual deve ser cumprida na partida seguinte da Libertadores 2018 (o jogo desta terça no Pacaembu).

Tribunal de Disciplina da Conmebol”


Clique no ano e veja a campanha do Santos na competição:

Edição
Ano
Campeão
Vice
Santos FC
1992
Atlético-MG
Olímpia
Não disputou
1993
Botafogo
Peñarol
Não disputou
1994
São Paulo
Peñarol
Não disputou
1995
Rosario Central
Atlético-MG
Não disputou
1996
Lanús
Independiente Santa Fé
Não disputou
1997
Atlético-MG
Lanús
Não disputou
Santos
Rosario Central
Campeão
1999
Talleres
CSA
Não disputou


Jogos inesquecíveis



Vídeos: (1) Melhores momentos, (2) torcida acompanhando jogo em um bar e (3) chegada da delegação em Santos.

Rosario Central 0 x 0 Santos

Data: 21/10/1998, quarta-feira.
Competição: Copa Conmebol – Final – Jogo de volta (decisão)
Local: Estádio Gigante Arroyto, em Rosário, na Argentina.
Público: 50.000
Árbitro: Ubaldo Aquino (PAR).
Cartões amarelos: Cuberas, Cappelletti, Marra e Flores (R); Claudiomiro, Marcos Bazílio, Athirson, Sandro e Narciso (S).
Cartões vermelhos: Daniele (R) e Eduardo Marques (S).

ROSARIO CENTRAL-ARG
Buljubasich, Jara, Marra (Cappelletti), Gerbaudo e Cuberas; H. González (E. González), Daniele, Rivarola e Gaitán; Flores e Maceratesi (Ruiz).
Técnico: Edgar Bauza

SANTOS
Zetti, Anderson, Sandro, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Élder, Narciso e Eduardo Marques; Fernandes (Baiano) e Alessandro (Adiel).
Técnico: Émerson Leão.



Santos é campeão sob clima de guerra

Time conquista primeiro título internacional após a “era Pelé”; polícia chegou a dar tiros para conter torcida

Em partida marcada por tiros da polícia argentina, ameaças de Leão de não entrar em campo, brigas entre os jogadores e muitos objetos atirados contra os brasileiros, o Santos conquistou a Copa Conmebol empatando por 0 a 0 com o Rosario Central, fora de casa.

Com o resultado, o time da Vila Belmiro ganhou seu primeiro título internacional oficial desde a “era Pelé”. O último havia sido em 1969, quando o Santos conquistara a Recopa mundial, vencendo a Inter, por 1 a 0, na Itália.

Foi também o 13º título de um clube brasileiro nas três principais competições sul-americanas de futebol na década de 90 -Libertadores, Supercopa e Conmebol.

A partida começou com 40 minutos de atraso, porque os brasileiros temiam por sua segurança, depois de quase terem sido agredidos por torcedores argentinos ao chegarem ao estádio.

Para conter a fúria da torcida do Rosario, policiais tiveram de dar pelo menos 12 tiros, o que também serviu para assustar os santistas.

O técnico Emerson Leão, irritado, achava que o time não deveria entrar em campo, mas alegou que eles foram obrigados a jogar “para não morrer”. “Meus jogadores não tinham condições psicológicas para entrar em campo. Não tinham condição nenhuma, nenhuma, são jovens, todos com 20, 20 e poucos anos… Só entramos mesmo porque, se não tivéssemos entrado, poderíamos ter morrido.”

Mesmo com toda a pressão psicológica a que esteve submetido antes do jogo, o Santos surpreendeu no início. Quem esperava que o time de Leão entraria recuado, tentando segurar o empate, resultado que lhe garantiria o título da Conmebol, acabou vendo uma equipe brigando no meio-campo, com a marcação mais adiantada e tentando criar alternativas de ataque.

Mesmo assim, no primeiro tempo as três melhores chances foram do Rosario, duas com o atacante Flores, uma com o meia Rivarola. Nas três ocasiões, quem salvou o Santos foi o goleiro Zetti.

No segundo tempo, o Santos voltou um pouco mais recuado, mas o Rosario, aparentando nervosismo, diminuiu o ritmo, nem sequer conseguindo construir alternativas de gol.

A partir dos 20min da etapa final, com a necessidade de o time da casa marcar pelo menos um gol, levando a decisão para os pênaltis, o jogo ficou ainda mais tenso.

Em pelo menos quatro ocasiões, brasileiros e argentinos trocaram empurrões, causando a interferência do juiz, que acabou expulsando, em primeiro lugar, o santista Eduardo Marques, e depois, o argentino Daniele.
Terminada a partida, os jogadores do Santos nem conseguiram comemorar direito a conquista, com medo de que os torcedores argentinos invadissem o campo.

Os policiais e os seguranças contratados pelo Santos pediram para que o time tentasse deixar logo o campo, evitando problemas.

No final, o goleiro Zetti, emocionado, conclamou a torcida santista a comparecer à praça Independência, em Santos, para comemorar o título obtido na Argentina.

“Estou muito contente, envaidecido até. O coração está muito satisfeito e o título é para todo mundo, para os jogadores que estão machucados, suspensos, que não estiveram aqui”, comentou Leão.

“E estou muito mais contente ainda porque fui bicampeão em cima dos argentinos”, completou o treinador, referindo-se ao título que havia conseguido no ano passado diante do Lanús, quando dirigia o Atlético-MG.

Violência deixa Leão no banco

Suspenso por seis jogos pela Confederação Sul-Americana de Futebol, sob acusação de ter tentado agredir o árbitro Jose Luis da Rosa no primeiro jogo da final, Emerson Leão obteve autorização para assistir a partida de ontem do banco de reservas.

O “perdão”, segundo representantes da própria Confederação Sul-Americana, deveu-se à falta de segurança a que o treinador santista estaria submetido se tivesse visto o jogo das tribunas do estádio Gigante del Arroyito.

“Eu ter ficado no banco é o de menos. Perto de tudo o que aconteceu com a gente antes do jogo nem importância tem. Vocês, no Brasil, não têm idéia do que nós passamos. O jogo tinha que ter sido suspenso, como queria o nosso presidente”, desabafou Leão antes do início da decisão.

Mesmo não parando de reclamar da atitude dos argentinos, o treinador disse que nada se compara ao que ele passou na decisão da Conmebol do ano passado, quando comandava o Atlético-MG.

Na final do torneio de 1997, Leão foi agredido no rosto com uma barra ao tentar apartar uma briga entre atletas de seu time e jogadores, dirigentes e torcedores do Lanús, também da Argentina, que ficou com o vice-campeonato. “Aquilo foi uma loucura, uma barbaridade. Não entendo como a Confederação (Sul-Americana de Futebol) tolera uma coisa dessas”, voltou a vociferar ontem o técnico santista. “Jogar na Argentina é assim mesmo.”

Jogo tem 10% de penetras

A pressão contra os jogadores do Santos, principalmente antes do início da partida, foi ainda maior do que a esperada, porque pelo menos 5.000 penetras conseguiram entrar no estádio.

A capacidade oficial do Gigante del Arroyito é de 50.351 lugares, dos quais 32 mil nas gerais, o restante nas cadeiras.

Os argentinos, no entanto, haviam prometido que não venderiam mais do que 45 mil ingressos, de forma a evitar maiores confusões na arquibancada e, consequentemente, maiores problemas para os santistas, alvos fáceis da torcida local.

Como cerca de 5.000 pessoas conseguiram entrar no estádio, driblando a segurança, mesmo sem ter pago ingresso, o estádio ficou superlotado, contrariando os prognósticos iniciais dos argentinos.

Para Emerson Leão, tudo o que aconteceu na noite de ontem, desde a chegada do Santos ao estádio, representa uma vergonha para o futebol argentino. “Mais uma”, como o treinador fez questão de frisar.

Além da pressão da torcida, os santistas reclamaram do estado do gramado, com muitos rolos de papel higiênico atirados nas duas áreas e nas laterais do campo, rádios e ovos atirados contra os brasileiros e a polícia argentina.



Santos busca título inédito desde Pelé (Em 21/10/1998)

Time adota sigilo na final da Conmebol e leva seguranças para a partida contra o argentino Rosario Central

O Santos decide hoje à noite o título da Copa Conmebol contra o Rosario Central preparado para enfrentar uma batalha campal no estádio El Gigante del Arroyito, em Rosario (Argentina).

“Nossa expectativa é a pior possível. É nesse momento que se prova quem é um grande jogador”, afirmou o zagueiro Sandro, para quem os santistas disputarão uma partida de futebol dentro de uma “praça de guerra”.

A animosidade, decorrente da tradicional rivalidade entre Argentina e Brasil no futebol, foi reforçada pelos incidentes na primeira partida da final, em que o Santos venceu por 1 a 0 na Vila Belmiro.

Naquele jogo, a violência prevaleceu. Os argentinos tiveram três jogadores expulsos (Scotto, Carracedo e Bustos Montoya) e os santistas, dois (Jean e Viola). Nenhum deles atuará hoje. O resultado deu ao Santos a vantagem do empate hoje para chegar ao título, mas os argentinos deixaram o gramado comemorando. Se ganharem por dois gols de diferença, serão campeões. Uma eventual vantagem argentina por apenas um gol leva a decisão para a disputa por pênaltis.

Caso conquiste o título, o Santos voltará a ser campeão de um torneio internacional oficial pela primeira vez desde a “era Pelé”. A última conquista foi em 1969, quando o time foi campeão da Recopa Mundial, ao vencer a Internazionale por 1 a 0 na Itália.

Uma conquista do Santos também consolidaria a hegemonia brasileira na Conmebol. Desde 1992, ano de estréia do torneio, três brasileiros venceram quatro vezes a competição -Atlético-MG (92 e 97), Botafogo (93) e São Paulo (94). Os argentinos Rosario e Lanús ganharam em 95 e 96, respectivamente.

Para enfrentar os rivais na Argentina, o Santos montou uma operação “militar” para tentar contornar as adversidades no terreno inimigo. A delegação viajou ontem à tarde e iria passar a noite em Buenos Aires, a fim de que o sono dos jogadores não fosse perturbado pela torcida do Rosario.

“Os argentinos fizeram isso na Copa de 78 com a seleção brasileira e no ano passado não deixaram o Atlético-MG dormir”, afirmou o técnico Emerson Leão.

O técnico, campeão da Conmebol pelo clube mineiro em 1997, dirigirá o Santos das tribunas, por ter sido expulso na outra partida.

Por razões de segurança, Leão não autorizou a divulgação antecipada dos hotéis em que o Santos se hospedará em Buenos Aires e Rosario, para onde viajará de avião somente hoje pela manhã.

Como forma de evitar hostilidades, Leão abriu mão inclusive do treino de reconhecimento do gramado, ao qual o Santos teria direito, pelas regras da Conmebol.

Segundo o gerente Marco Aurélio Cunha, dez seguranças acompanham a delegação santista.

A diretoria do clube convidou para assistir a partida o presidente em exercício da Confederação Brasileira de Futebol, Alfredo Nunes. O objetivo é ter o dirigente como “testemunha” se o Santos vier a sofrer algum prejuízo. “Já comuniquei à Federação Paulista, à CBF e à Confederação Sul-Americana que se houver qualquer senão, qualquer coisa estranha, o Santos não entra em campo”, declarou o presidente Samir Jorge Abdul-Hak.

A indicação do árbitro paraguaio Ubaldo Aquino desagradou aos santistas. O juiz é o mesmo acusado de prejudicar o São Paulo no ano passado na decisão da Supercopa, ao marcar um pênalti supostamente inexistente em favor do River Plate, da Argentina.

Leão usa rádio para guiar time

O técnico Leão vai dirigir o time do Santos das tribunas do estádio Gigante del Arroyito. Munido de um aparelho de rádio, o treinador transmitirá suas instruções ao preparador de goleiros, Pedrinho Santilli, no banco de reservas.

Leão não estará em campo porque foi suspenso por seis jogos pela Confederação Sul-Americana, acusado de tentar agredir o juiz uruguaio Jose Luis da Rosa no primeiro jogo da final, em Santos.

“Não avisaram ninguém sobre o julgamento, e não me deram direito de defesa. O que interessava para eles era tirar o treinador do Santos. Isso é jogo de cartas marcadas, já estamos sabendo”, declarou.

Leão volta hoje a Rosario pela primeira vez desde 1978, quando defendeu a seleção brasileira como goleiro na partida contra a Argentina (0 a 0), pela Copa do Mundo. “Não tenho boas recordações e não gosto deles (os argentinos).”

A aversão do técnico aos rivais latino-americanos se acentuou após a decisão da Conmebol-97, contra o Lanús, em que foi agredido no rosto com uma barra de ferro ao tentar apartar uma briga.

No jogo de hoje, o técnico tem pouquíssimas opções para escalar o Santos. Devido às suspensões e contusões, somente 15 jogadores integram a delegação.

O atacante Alessandro viajou machucado. Ele sente dores na virilha, devido a uma pancada, mas diz pretender atuar mesmo assim. “Treinei com dores, mas acredito que não vão me incomodar durante o jogo”, disse.

Narciso não teme ser alvo

O volante Narciso, capitão santista, diz não acreditar que será o jogador mais visado pelos argentinos na final da Conmebol.

Narciso foi um dos protagonistas do lance que resultou na expulsão do santista Jean, na primeira partida da final, na Vila Belmiro, dando uma cotovelada no meia González. (FS)

Repórter – Você ficou marcado pelos rivais por causa da cotovelada?
Narciso – Acho que não, porque eles também bateram e, se fizerem isso de novo, será melhor para a gente, porque perderão jogadores (expulsos).

Repórter – Como os santistas vão se comportar em relação à arbitragem?
Narciso – Não podemos deixar a equipe deles crescer para cima do árbitro. Tem de haver uma pressão nossa também, porque dessa maneira o juiz terá de tentar apitar certo. Estamos jogando contra os adversários e contra os bandeirinhas e os árbitros.

Repórter – Como capitão, pretende conversar com o juiz antes da partida?
Narciso – Claro. Em jogos Brasil-Argentina, é sempre muito difícil. A partida fica truncada, e o árbitro tem de estar sempre perto do lance para ver a jogada corretamente, porque o jogador argentino é muito catimbeiro.