Navegando Posts marcados como Edmundo

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, anunciou ontem que o atacante Edmundo está liberado para retornar ao Vasco, dono do passe do jogador.

A decisão foi tomada um dia após o atacante criticar a diretoria, por causa de salários. O estopim foram declarações de Edmundo, publicadas ontem na imprensa, de que gostaria de ganhar na loteria para parar de jogar futebol. Na quinta-feira, depois do último treino do ano, ele reclamou de atraso nos vencimentos.

No site oficial do clube, a diretoria do Santos negou ontem que os salários estejam atrasados. “Apenas os vencimentos relativos a direitos de imagem permanecem em aberto”, diz a nota.

Em relação a Edmundo, assinala: “Compreendemos que um atleta profissional que declara publicamente que pretende ganhar na loto para poder encerrar sua carreira não apresenta mais a menor motivação para prosseguir no elenco do Santos Futebol Clube”.

Segundo sua assessoria, Edmundo decidiu que só vai se pronunciar depois de conversar com o presidente do Santos. Não ficou definido quando será o encontro -se durante ou depois do período de festas do final do ano.

A crise entre o atleta e o clube da Vila Belmiro começou com a decisão da diretoria de reduzir os salários dos jogadores. A medida atingiria principalmente as estrelas.

O atacante foi emprestado pelo Vasco ao Santos até junho de 2001, exatamente para contornar divergências com a diretoria do clube de São Januário e Romário.

Os vencimentos de Edmundo no Santos, incluindo os direitos de imagem, são de cerca de R$ 400 mil mensais, o que representa mais de 10% da folha de pagamento de todo o time, estimada em R$ 3,5 milhões.

Em entrevista à Agência Folha na quarta-feira, o dirigente Marcelo Teixeira disse que aqueles que não concordassem com a redução de salários teriam os passes colocados em disponibilidade. Edmundo, o goleiro Carlos Germano e meio-campo Valdo já tinham sido chamados para discutir o assunto.

No retorno das férias, o técnico Geninho também não poderá contar com Valdo. Ele foi liberado ontem do cumprimento do contrato, depois de fechar acordo com a diretoria.

Antes de Edmundo e Valdo, o colombiano Rincón, que ganha cerca de R$ 350 mil mensais, tinha sido liberado para acertar sua transferência para outra equipe.

O Santos volta a jogar no dia 14 de janeiro, no Morumbi, em partida beneficente contra o São Paulo. O amistoso será preparatório para o retorno oficial à temporada, contra o Flamengo, no dia 18, pelo Torneio Rio-São Paulo.

Confira a íntegra do comunicado oficial no site do Santos:

“A diretoria do Santos Futebol Clube vem a público manifestar seu mais profundo descontentamento com as declarações proferidas pelo atleta Edmundo e divulgadas pela Imprensa. Todos os atletas estavam cientes, comunicados que foram por esta diretoria, que em caso de não classificação do clube às oitavas-de-final da Copa João Havelange, o Santos encontraria sérias dificuldades financeiras. Isso deve-se ao fato de a diretoria anterior ter antecipado as cotas referentes à fase inicial do certame. Ou seja, o clube só teria direito a novos valores em caso de classificação à etapa seguinte da competição. Ainda assim, esta diretoria empreendeu um grande esforço e vem mantendo em dia os pagamentos dos salários dos jogadores, bem como os respectivos encargos previdenciários. Apenas os vencimentos relativos a direitos de imagem permancem em aberto.

Em nossa avaliação, aliás, como o Santos não se apresenta à mídia, devido à desclassificação da Copa João Havelange, parte deste ônus deve também ser assumido pelo elenco. No caso específico de Edmundo, compreendemos que um atleta profissional que declara publicamente que pretende ganhar na loto para poder encerrar sua carreira, não apresenta mais a menor motivação para prosseguir no elenco do Santos Futebol Clube. Nossa agremiação, de história gloriosa e presente pujante, quer contar somente com jogadores que estejam engajados nos mais nobres objetivos do clube: vencer e conquistar títulos. Dessa forma, comunicamos oficialmente que o atleta Edmundo, a partir desta data, não mais integra o elenco profissional do Santos Futebol Clube e será colocado em disponibilidade para retornar ao clube detentor de seu passe.”

Para manter Edmundo, Santos exige desculpas (Em 28/12/2000)

Atleta também terá de aceitar ganhar menos para jogar Paulista-2001

Além de um pedido público de desculpas, o atacante Edmundo terá de se enquadrar na nova política salarial do Santos e aceitar a redução dos seus vencimentos caso a diretoria volte atrás e decida manter o jogador no clube.

Dispensado porque cobrou publicamente o pagamento de remuneração em atraso, Edmundo não pretende aceitar a proposta de redução de salários que vem sendo apresentada às principais estrelas do time.

Essa proposta implica basicamente na suspensão do pagamento dos direitos de imagem, um dos componentes dos vencimentos dos atletas -os outros são o salário registrado em carteira e os prêmios por vitórias e títulos.

O presidente santista, Marcelo Teixeira, nega a possibilidade de rever sua posição de demitir Edmundo. Mas Eduardo José Farah, presidente da Federação Paulista de Futebol, quer ver o atacante disputando o Paulista-2001. Por isso, tenta demover Teixeira da decisão de dispensar o atleta.

Na contratação de Edmundo por empréstimo, a federação contribuiu com US$ 500 mil. O Santos pagou outros US$ 500 mil e, segundo Teixeira, deve ao Vasco, dono do passe do atleta, mais duas parcelas de US$ 100 mil, que vencem em fevereiro e março.

Edmundo tem contrato até junho de 2001 e ganha cerca de R$ 400 mil mensais, entre salário e direitos de imagem. Ele está no Rio, onde passa os feriados de final de ano, e ainda não teria sido oficialmente informado da dispensa. A reapresentação dos jogadores está marcada para o dia 3.

O Vasco, dono do passe de Edmundo, não reconhece a dispensa do atleta pelo Santos, mas admite envolvê-lo numa negociação com o Atlético de Madrid, para garantir a contratação do meia Juninho.

Além de Edmundo, a política de redução salarial deverá levar outros jogadores a deixar o Santos, além de Rincón, liberado para negociar com outras equipes, e Valdo, que já acertou sua saída.

Um deles poderá ser o goleiro Carlos Germano, que ganha R$ 180 mil mensais. Teixeira afirmou que um dos goleiros não permanecerá. O reserva Fábio Costa é pretendido por outras equipes. Germano interessa à Lusa, mas o clube paulistano não admite pagar o que ele recebe no Santos.

Os atacantes Caio e Dodô são outros dois cujos salários a diretoria pretende diminuir. Eles têm chances de serem incluídos, junto com outros atletas, numa troca por empréstimo com o Atlético-MG, do qual o Santos quer o atacante Guilherme e o meia Ramón.

Os laterais reservas Dutra e Rubens Cardoso também serão objeto de troca com outros clubes. Cardoso é pretendido por várias equipes, como Lusa, Flamengo, Fluminense e Atlético-MG.

O gerente de futebol Luiz Henrique de Menezes disse ontem que a escassez de dinheiro dos clubes está gerando dificuldade para a concretização dos negócios.

“Os preços estão altíssimos. Os de empréstimo, absurdos. Mas, uma hora, o mercado vai ter de se acomodar. Só quando um começar a ceder é que as negociações vão acontecer”, afirmou.

Apesar disso, o Santos pode anunciar duas contratações -o volante Vágner, do Bahia, e o lateral Luizinho, do Atlético-PR.


Santos 4 x 1 Botafogo

Data: 19/11/2000, domingo.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 24ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 1.221 pagantes
Renda: R$ 9.860,00
Árbitro: Oscar Roberto Godói (SP)
Cartões amarelos: Rincón e Léo (S); Rodrigo e Reidner (B).
Cartão vermelho: Sandro (B, 29-2).
Gols: Dodô (16-1), Donizete (37-1) e Claudiomiro (44-1); Ânderson Luis (29-2) e Edmundo (43-2).

SANTOS
Fábio Costa; Michel, André Luís, Claudiomiro e Léo; Ânderson Luís, Rincón, Valdo (Renato) e Robert (Canindé); Dodô (Deivid) e Edmundo.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

BOTAFOGO
Vágner; Vítor (Tinga), Sandro, Dênis e Misso; Marcelinho Paulista, Reidner, Alexandre Gaúcho (Daniel) e Rodrigo; Donizete e Túlio (Dimba).
Técnico: Antônio Clemente


Santos 3 x 1 Sport Recife

Data: 11/11/2000, sábado, 16h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 22ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.629 pagantes
Renda: R$ 49.610,00
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS).
Gols: Edmundo (11-1); Rincón (18-2), Ricardinho (25-2) e Edmundo (30-2).

SANTOS
Pitarelli; Michel, André Luis, Preto e Leo (Rubens Cardoso); Anderson Luiz, Rincón, Valdo (Renato) e Robert; Edmundo e Dodô.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

SPORT RECIFE
Bosco; Russo (Ricardinho), Sandro Blum, Márcio e Erlon; Sidnei, Leomar, Adriano (Sandro Gaucho) e Nildo (Irani); Tailson e Almir.
Técnico: Emerson Leão



Santos vence e segue na disputa

O Santos venceu o Sport, por 3 a 1, na Vila Belmiro, e se manteve na disputa por uma vaga na próxima fase da Copa João Havelange.

Com o resultado, o Santos atingiu 30 pontos e ocupa a 13ª colocação no torneio. Apenas os 12 times mais bem colocados continuam na competição.

O atacante Edmundo foi o destaque da partida. Marcou dois gols, deu o passe para o gol de Rincón e criou outras jogadas.

“Fui bem, o time foi muito bem. Agora é pensar no Guarani”, afirmou Edmundo, que estava incomodado com a campanha do Santos e seu jejum de gols na Copa João Havelange. O atacante não marcava desde o dia 7 de outubro, quando Santos empatou em 3 a 3 contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro.

“Não me lembro de ter ficado um período tão grande sem marcar gol. Isso incomoda qualquer atacante, mas hoje o que valeu mesmo foi nossa vitória, independente de quem marcou os gols.”

O Santos iniciou a partida dando espaço para o Sport atacar, o que irritou o técnico Carlos Alberto Parreira, que pediu a defesa para adiantar o posicionamento.

No primeiro avanço do Santos ao ataque, aos 11min, Léo foi derrubado por Sandro Blum próximo à grande área. Robert cobrou a falta e Edmundo marcou de cabeça. Durante a comemoração de seu 11º gol no campeonato, o atacante fez gestos como se tirasse o azar do corpo.

Mesmo atrás do marcador, o Sport manteve a tranquilidade e apostou nas jogadas de velocidade dos atacante Nildo e Taílson. Aos 21min, Adriano cobrou escanteio pela esquerda e Taílson subiu mais que a zaga santista, mas a bola bateu no travessão.

Novamente Taílson levou perigo ao gol do Santos, aos 29min, quando arriscou um chute de média distância. O goleiro Pitarelli espalmou para escanteio.

O Santos respondeu, aos 35min, quando Edmundo recebeu pela direita e chutou cruzado, obrigando o goleiro Bosco a fazer uma grande defesa. O atacante deixou o gramado no primeiro tempo aplaudido pela torcida santista.

No segundo tempo, o Santos voltou melhor posicionado em campo, criando situações de gol.

Aos 18min, Dodô iniciou jogada no meio campo, tocando para Edmundo que, com tranquilidade, esperou o avanço do volante Rincón pela direita. Rincón invadiu a área e chutou forte de pé direito, sem chances para Bosco.

“Foi um bonito gol. Não foi o primeiro e nem será o último com a camisa do Santos”, afirmou o volante colombiano, muito aplaudido pela torcida.

O Sport marcou aos 25min. Almir puxou o contra-ataque e na entrada da área chutou nas pernas do goleiro Pitarelli. No rebote, Ricardinho marcou de cabeça.

Aos 30min, Valdo cruzou da direita e Edmundo, sem pulo, de pé direito, marcou um golaço.

Rincón será julgado por expulsão

O volante Rincón será julgado amanhã pela comissão do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva pela expulsão no jogo contra o Flamengo, realizado em setembro, no Maracanã.

O volante colombiano foi citado no artigo 307 (desrespeito ao árbitro) e pode ser suspenso por até quatro partidas.

Outro problema é o meia Robert, que na quinta-feira terá julgado seu efeito suspensivo. Ele foi punido com três jogos pela expulsão no jogo contra o Santa Cruz. Se for mantida a punição, Robert não atuará mais nesta fase da JH.


Santos 3 x 3 Ponte Preta

Data: 07/10/2000, sábado, 16h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 16ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 3.743 pagantes
Renda: R$ 31.945,00
Árbitro: Alfredo dos Santos Loebeling (SP).
Cartões amarelos: Carlos Germano, Claudiomiro, Ânderson Luís e Preto (S); Dionísio, Ronaldão, Adrianinho e Marco Aurélio (PP).
Cartão vermelho: Piá (PP, 11-2).
Gols: Valdo (25-1); Piá (07-2, de pênalti), Edmundo (20-2, de pênalti), Ronaldão (24-2, contra), Marco Aurélio (37-2) e Marco Aurélio (47-2).

SANTOS
Carlos Germano; Marcelo Silva (Júlio César), André Luís, Claudiomiro (Preto) e Rubens Cardoso; Ânderson Luís, Renato, Valdo e Robert (Canindé); Dodô e Edmundo.
Técnico: Giba

PONTE PRETA
Adriano Basso; Dionísio (Macedo), André Santos, Ronaldão e Vágner; Fabinho, Mineiro, Adrianinho (Marco Aurélio) e Piá; Hernani e Washington (Fábio Vidal).
Técnico: Nelsinho Baptista



Santos entrega o empate no fim, depois de estar ganhando por 3 a 1

Falhas individuais levaram o Santos a empatar em casa por 3 a 3, com a Ponte Preta, que, desde os 12min do segundo tempo, atuou com dez jogadores.

Foi a terceira partida copnsecutiva sem vitória do Santos, que começa a ter a sua classificação ameaçada para próxima fase da Copa JH.

Ao final da partida, a torcida demonstrou a sua revolta com o técnico Giba e com os jogadores. O Santos chegou a estar vencendo por 3 a 1 até os 37min do segundo tempo.

A Ponte igualou o placar com um gol olímpico, de Marco Aurélio, aos 47min do segundo tempo. O goleiro Carlos Germano achou que a bola ia para fora e, quando tentou a defesa, não conseguiu segurá-la.

No começo do jogo o Santos tomou a iniciativa, criando boas jogadas com velocidade, acionando Robert, Edmundo e Dodô.

Logo as 7min, Dodô tocou para Edmundo que chutou para fora, com perigo.

A Ponte procurou atrair o Santos para explorar os contra-ataques, mas foi o time da casa que chegou ao gol.

Aos 25min, Edmundo (que foi o capitão do time ontem, no lugar de Rincón, suspenso) recebeu a bola e tocou com precisão para Valdo, que invadia a área em diagonal, pela direita. O meia chutou no canto direito de Adriano.

“Foi uma jogada bonita. Edmundo me deixou na cara do gol e só tive o trabalho de marcar”, afirmou Valdo, no intervalo.

Com o gol, o Santos se soltou ainda mais em campo, e, aos 33min, outra boa jogada de Edmundo, que fez o passe para Robert, da grande área, chutar de pé direito. O goleiro Adriano clocou para escanteio.

Nos dez minutos finais do primeiro tempo, a Ponte Preta passou a pressionar, aproveitando indecisões da zaga santista.

No segundo tempo, a Ponte chegou ao empate aos 7min, após um pênalti de André Luís, que, ao tentar dominar a bola dentro da área, perdeu para Piá e fez a falta. O meia cobrou e marcou.

Aos 11min, Piá foi expulso ao fazer falta em Robert (ele já tinha amarelo).

O Santos desempatou com Edmundo, aos 20min, cobrando pênalti sofrido por Júlio César. Foi seu 10º gol na Copa JH.

Aos 24min, Ronaldão marcou contra para o time santista, após cruzamento de Rubens Cardoso.

A Ponte Preta diminuiu aos 37min, quando Macedo cruzou da direita para Marco Aurélio concluir, e empatou aos 47min com o gol olímpico.

Torcedores pedem saída de treinador

Ao final da patida, a torcida do Santos berrava furiosa na Vila Belmiro. “Ô,ô,ô, queremos treinador”, gritavam pedindo a saída do técnico Giba.

Os jogadores também era alvo da ira. “Alho, alho, alho, time de merceários”, dizia o coro em alusão aos altos salários.

Ao final do jogo no vestiário, Giba afirmou: “Lamento os gols que estamos tomando”.

Questionado sobre a sua permanência no time, respondeu; “Isso faz parte do circo. Nosso trabalho é honesto, sério e profissional”.

O atacante Edmundo parecia inconformado. “Não entendo o time estar vencendo por 3 a 1, com um jogador a mais, e a Ponte ter mais vontade do que nós?”

“O Giba não tem culpa, e, nesse jogo, o culpado somos nós, jogadores”, completou.

Giba ganha nova chance no comando do Santos

A diretoria do Santos decidiu dar mais uma chance ao técnico Giba para tentar reabilitar o Santos na Copa João Havelange. Se o time não vencer o Vasco, no sábado, na Vila Belmiro, o treinador deve perder o cargo.

O Santos vem de duas derrotas consecutivas, contra Flamengo e Gama, e o empate de ontem contra a Ponte Preta. Em uma semana, o time caiu da quarta para a nona colocação.

No vestiário ao final do jogo contra a Ponte, os dirigentes santistas negaram que o nome do técnico Zagallo tenha sido cogitado para o lugar de Giba. Também descartam o de Nelsinho Batista, atualmente na Ponte Preta. O presidente Marcelo Teixeira decidiu manter Giba no comando, acreditando numa superação do grupo.

Embora não seja unanimidade entre os jogadores, Giba terá esta semana para corrigir os defeitos apresentados pela equipe no empate em 3 a 3 com a Ponte Preta. O time vencia por 3 a 1 até os 37min do segundo tempo e estava com um jogador a mais em campo.

Após a partida, Giba colocou a responsabilidade pelo resultado em cima do zagueiro André Luís e do goleiro Carlos Germano. “Voltamos a perder pontos por falhas individuais”, declarou.

André Luís falhou ao tentar dominar a bola dentro da área e cometeu pênalti, que originou o primeiro gol da Ponte Preta. Carlos Germano falhou no gol olímpico marcado por Marco Aurélio, o terceiro do time de Campinas, feito nos descontos.

A pressão da torcida, que exige o fim do tabu de 16 anos sem conquista de um título de expressão, atrapalha, segundo o treinador.

“A carência de título faz com que o trabalho aqui no Santos seja difícil. No dia-a-dia, vamos tentar mudar esse clima de pressão.”

O atacante Edmundo defendeu o técnico. “Nesse jogo contra a Ponte Preta, o treinador não teve culpa. Nós, jogadores, é que vacilamos em campo.” Ele atuou pela primeira vez como capitão do time.

O volante Rincón é o capitão do Santos. Na partida contra a Ponte Preta, Rincón cumpriu o segundo jogo de suspensão por ter sido expulso duas vezes na Copa João Havelange. Em outras ocasiões, o zagueiro Claudiomiro e o atacante Dodô haviam sido os escolhidos para substituí-lo.

Para evitar melindres pela escolha do seu líder em campo, Giba pode promover um rodízio, embora Rincón deva voltar à equipe diante do Vasco.

Quando estava no Vasco, Edmundo desentendeu-se com Romário justamente por querer ser o capitão da equipe. Levou a pior e acabou vindo de empréstimo ao Santos. No sábado, o atacante terá a chance de, pela primeira vez, enfrentar seu desafeto.

Insatisfeito, técnico pretende mexer na equipe

Insatisfeito com o rendimento do time na partida contra a Ponte Preta, o técnico do Santos, Giba, poderá promover mudanças na equipe. O goleiro Carlos Germano, que vem sendo bastante criticado, pode perder a vaga para Fábio Costa, que reivindica uma chance no time titular.

O zagueiro Claudiomiro voltou a sentir uma lesão no joelho esquerdo. Sangaletti e Preto disputam a posição. Léo está recuperado da contusão no pé esquerdo e volta à lateral esquerda.

No vestiário, após a partida contra a Ponte, os jogadores lamentavam os erros que permitiram ao adversário chegar ao empate, fazendo dois gols nos últimos dez minutos de jogo.

“Cometemos falhas, e isso não pode mais acontecer. Eu não consegui dominar a bola e fiz um pênalti desnecessário”, afirmou o zagueiro André Luís.

O atacante Julio César tem entrado bem no time e passa a ser uma opção tática, caso Giba decida escalar um time mais ofensivo. “Na hora em que o Giba optar pela minha presença, não vou decepcionar”, declarou.

Edmundo diz que Giba pediu desculpas ao elenco do Santos (Em 10/10/2000)

O atacante Edmundo disse hoje que o técnico Giba pediu desculpas aos jogadores por ter responsabilizado publicamente o zagueiro André Luís e o goleiro Carlos Germano pelas falhas que no último sábado levaram o Santos a ceder o empate à Ponte Preta após estar vencendo por 3 a 1.

Segundo Edmundo, o pedido foi feito na manhã de hoje, durante uma reunião entre Giba, os diretores de futebol Nicolino Bozzella e Luiz de Souza Júnior e os jogadores Rincón, Valdo, Carlos Germano e o próprio Edmundo, os mais experientes do grupo.

A reunião foi motivada por uma entrevista de Rincón no dia anterior. O volante e capitão do Santos saiu em defesa dos companheiros atingidos pelas críticas do treinador. Para o colombiano, faltou “personalidade e atitude” ao técnico para assumir sua própria responsabilidade.

Edmundo afirmou que o treinador aceitou a ponderação dos jogadores no sentido de que erros individuais não sejam mais apontados publicamente. “Foi uma atitude muito bonita da parte dele. O Giba entendeu que errou e pediu desculpas por isso”, disse.

A declaração de Giba aprofundou o mal-estar entre técnico e jogadores e melindrou alguns atletas. “Particularmente, acho que os problemas internos têm de ser resolvidos entre o grupo. Acredito que ele (Giba) tenha sido infeliz nas colocações que fez”, afirmou o goleiro reserva Fábio Costa.

“As coisas não são por aí. Eu não posso falar de você e você não pode falar de mim”, disse Carlos Germano.

A exemplo do dia anterior, Giba evitou abordar diretamente o assunto. O treinador disse que a reunião serviu para discutir “planejamento” e afirmou que, para ele, o caso está encerrado. “Tudo que tiver para ser discutido, será discutido internamente”, declarou.

Giba negou que a atitude de Rincón tenha semelhanças com a de Márcio Santos. Depois de exigir publicamente ser escalado como titular, o zagueiro foi afastado do grupo pelo técnico, por insubordinação. “O caso do Márcio Santos foi diferente porque foi sequencial. Ele reclamou várias vezes consecutivas”, afirmou Giba.

Os dirigentes condenaram as reações de ambos os lados (do técnico e de Rincón). “Nenhum dos dois tem autonomia para falar publicamente e criticar ninguém. Se a diretoria, que paga os salários, não faz isso, ninguém pode fazer”, afirmou o diretor de futebol Nicolino Bozzella.

Apesar de a reunião ter sido convocada para promover o entendimento, a posição de Giba continua desconfortável. Após três jogos sem vitórias (duas derrotas e um empate), um novo insucesso no sábado, na Vila Belmiro, contra o Vasco, poderá decretar a demissão do treinador.

“Uma mudança brusca neste momento não seria a melhor solução porque precisamos de tranquilidade. Mas futebol é resultado”, declarou Bozzella, para quem qualquer decisão sobre o futuro de Giba só será tomada após a partida de sábado.



Fonte: Jornal Folha de SP – http://acervo.folha.com.br/fsp/2000/10/08/20//566601

Santos 2 x 1 Atlético-PR

Data: 20/09/2000, quarta-feira, 20h30.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª fase – 13ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 3.246 pagantes
Renda: R$ 26.855,00
Árbitro: Fabiano Gonçalves
Gols: Edmundo (15-1, de pênalti); Robert (21-2) e Cocito (28-2).

SANTOS
Pitarelli; Wellington (Michel), Preto, Sangaletti e Léo; Rincón, Renato, Valdo e Robert; Edmundo e Dodô (Júlio Cesar).
Técnico: Giba

ATLÉTICO-PR
Flávio; Luizinho Netto, Gustavo, Reginaldo (Emerson) e Fabiano; Luis Carlos Goiano, Cocito, Kleberson e Kelly; Kleber (Rinaldo) e Lobatón.
Técnico: Artur Neto



Vaiado, Dodô ameaça abandonar o Santos

Contrariado com críticas da torcida no jogo com o Atlético-PR, atacante cria novo problema para o técnico Giba

O Santos assumiu a liderança da Copa João Havelange após a vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-PR, na Vila Belmiro, mas o técnico Giba ganhou um novo problema: devolver a motivação ao atacante Dodô.

Substituído por Júlio César no segundo tempo, o jogador deixou o campo vaiado pelos torcedores e ameaçou deixar a equipe.

“Não dá para jogar no Santos”, disse. Desde que chegou ao clube, no ano passado, Dodô foi alvo de críticas dos torcedores várias vezes em jogos na Vila Belmiro.

O treinador, que afirmou ter substituído o atacante porque ele estava rendendo menos do que pode, atribuiu a declaração do atleta ao “calor” da partida.

“Entendo que ele desistiu um pouco do jogo. A declaração deve ter sido motivada mais pela reação da torcida. No calor do jogo, o jogador se irrita”, declarou.

Giba, que colocou Dodô na reserva durante o Campeonato Paulista, também teve outro motivo para substituir o atleta pela primeira vez na Copa João Havelange. O treinador disse que necessitava de um jogador mais veloz no ataque para conter o Atlético-PR em seu campo de defesa.

Edmundo considerou “constrangedoras” as vaias da torcida e defendeu o companheiro de ataque. “Não é preciso falar da capacidade do Dodô. Ele já fez grandes partidas pelo Santos e é normal que faça partidas ruins. Acho que tem que ter tranquilidade neste momento”, afirmou.

A insatisfação de Dodô acontece justamente quando o treinador tenta superar a crise de relacionamento criada com os jogadores por causa de sua decisão de afastar Márcio Santos da equipe.

Os atletas foram contra a decisão. Giba decidiu afastar o zagueiro porque ele não aceitava mais ficar fora do time titular.

Ontem, o presidente Marcelo Teixeira afirmou que o clube já pagou ao Vasco a segunda das cinco parcelas pelo empréstimo de Edmundo. O clube carioca anunciou que vai à Justiça contra o Santos para garantir o pagamento da prestação de R$ 450 mil que vence em 31 de agosto.

De acordo com os dirigentes vascaínos, a primeira parcela, de R$ 900 mil, foi paga pela Federação Paulista de Futebol.

No final de setembro, o clube paulista terá que pagar a terceira parcela, no valor de R$ 450 mil. Em outubro e novembro, deverão ser pagas mais duas prestações, ambas de R$ 300 mil.

Segundo Marcelo Teixeira, o pagamento foi efetuado pelo Santos com dinheiro da venda do passe do lateral e volante Baiano para o Las Palmas (Espanha), por US$ 2,7 milhões. O presidente santista reconheceu ter atrasado o pagamento. Ele justificou o atraso dizendo que também não recebeu no dia previsto o dinheiro do clube espanhol.

“É estranho que o Vasco tenha vindo a público para reclamar porque também tem inúmeros pagamentos em atraso. Isso foi uma indelicadeza”, disse Teixeira.