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Jogos inesquecíveis


Palmeiras abre 2 a 0, Euller “pesca o Peixe” e sofre virada histórica em 21 minutos.

Palmeiras 2 x 3 Santos

Data: 04/06/2000, domingo, 11h00.
Competição: Campeonato Paulista – Semifinal – Jogo de volta
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público e renda: Não divulgados
Árbitros: Paulo Cesar de Oliveira e Ilson Honorato dos Santos
Cartões amarelos: Argel e Asprilla (P); Anderson, Caio e Claudiomiro (S).
Gols: Argel (32-1); Euller (08-2), Eduardo Marques (24-2), Anderson (33-2) e Dodô (45-2).

PALMEIRAS
Marcos; Neném, Argel, Roque Júnior e Júnior; Rogério (Taddei), Galeano, Fernando e Pena; Euller (Tiago) e Asprilla (Marcelo Ramos).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

SANTOS
Fábio Costa; Baiano (Eduardo Marques), André Luis, Claudiomiro e Rubens Cardoso; Preto, Anderson, Robert e Valdo; Valdir (Dodô) e Caio (Deivid).
Técnico: Giba



Giba mexe certo no time e elimina “algoz”

Técnico põe Eduardo Marques e Dodô no segundo tempo, time vira placar, e Palmeiras de Scolari fica fora da final

O técnico Giba foi apontado, por torcedores e jogadores, como o principal responsável pela virada histórica de ontem, que conduziu o Santos a uma decisão de Paulista após 16 anos. O ex-lateral-direito corintiano foi rejeitado pelo Palmeiras em 98, quando o cargo de técnico dos juniores do clube ficou vago. À época indicado pelo diretor de futebol Sebastião Lapola, Giba foi vetado pelo presidente Mustafá Contursi e pelo técnico Luiz Felipe Scolari, que sugeriu o nome de dois amigos seus do Rio Grande do Sul para a função.

No segundo tempo, ainda quando o Palmeiras vencia, Giba tirou o lateral-direito Baiano e colocou em campo Eduardo Marques. Depois, substituiu o apagado Valdir por Dodô. Os dois jogadores que entraram fizeram gols.

“O Giba é 80% do time”, afirmou o atacante Caio, que acabou sacado também. O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, tem a mesma opinião. “Ele tem uma parcela grande de importância (na conquista da vaga)”, declarou o dirigente. O técnico dedicou a vitória aos jogadores. “Eles são fora-de-série, merecem a classificação. Não foi sorte, foi trabalho”, disse Giba.

Sem Rincón, que defendeu a Colômbia nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, o Santos começou a partida nervoso. O time errava passes bobos e permitia que o Palmeiras tocasse a bola com liberdade.

O time do Parque Antarctica, mesmo com a vantagem do empate, partiu para o ataque desde o início. Logo a 1min, teve sua primeira chance, em chute do atacante Asprilla, a maior surpresa na escalação de Scolari.

Outra surpresa foi a não-utilização de Júnior na meia, como havia anunciado o treinador na semana passada. Sem Alex e César Sampaio, ambos com a seleção brasileira no Peru, Scolari preferiu compactar o meio-campo, recuando Pena para jogar ao lado de Rogério, Galeano e Fernando.

O Palmeiras continuava melhor e perdeu oportunidade aos 23min, em sua jogada mais típica, o “chuveirinho” para a área. Neném bateu escanteio, e o zagueiro Argel subiu livre para cabecear. O goleiro Fábio Costa, que substituía Carlos Germano, fez difícil defesa.

Cinco minutos depois, os santistas reclamaram pênalti em lance do zagueiro Roque Júnior sobre Caio. O atacante acabou levando cartão amarelo.

Aos 32min, Caio perdeu excelente chance. O atacante recebeu bom passe de Valdir, dominou a bola livre dentro da área, mas bateu fraco, à esquerda de Marcos.

O gol do Palmeiras aconteceu um minuto depois. Neném bateu falta pela direita e encontrou Argel, novamente livre, para cabecear. O zagueiro palmeirense desviou com força e não deu chance ao goleiro Fábio Costa.

Em desvantagem no placar, o Santos passou a errar ainda mais. No fim do primeiro tempo, os santistas perderam mais uma grande oportunidade de empatar. Aos 44min, Robert tocou a bola para Valdir, colocando-o na cara do gol. Sem marcação, o jogador bateu fraco, nas mãos de Marcos.

“Não está dando nada certo. Só isso”, resumiu o lateral Baiano, ao fim da primeira etapa.

O Santos voltou mais aceso no segundo tempo, mas, em um lance infantil do goleiro Fábio Costa, aos 8min, o Palmeiras ampliou. Após cruzamento, o goleiro saiu errado e avançou até perto da linha da grande área. Pena foi mais rápido, dominou a bola e recuou para Rogério, que cruzou de primeira para a área. Euller, sem marcação, só desviou para o gol vazio. Na comemoração, provocou os rivais, o que causou revolta nos santistas.

Aos 24min, o Santos começou a reagir. Eduardo Marques arriscou de fora da área e acertou o ângulo de Marcos, diminuindo o placar para 2 a 1.

Com o gol, o Santos passou a pressionar. O volante Ânderson, de cabeça, empatou aos 33min, após cobrança de escanteio, fazendo seu primeiro gol com a camisa do Santos.

Sentindo o cansaço pela maratona de jogos, o Palmeiras não conseguia conter a pressão do adversário. Para reforçar a marcação, Scolari colocou em campo Taddei e Tiago. Recuado, o Palmeiras sucumbiu.

Aos 45min, após cruzamento da direita, o atacante Dodô virou. Os palmeirenses ainda reclamaram de uma falta de Claudiomiro sobre Marcos no lance, mas o árbitro confirmou o gol que deu a classificação ao Santos. “Eu faço meu trabalho quieto. Entrei e, graças a Deus, fiz o gol. Mas espero ter uma nova chance nos próximos jogos”, afirmou Dodô.

Santistas viam partida perdida

Até os 24min do segundo tempo da partida de ontem, quando o Palmeiras ainda vencia por 2 a 0, quase ninguém no Morumbi acreditava que o Santos seria capaz de fazer três gols e se classificar para a final do Paulista.

Pela atitude em campo, nem mesmo os jogadores santistas.

Quando Eduardo Marques marcou o primeiro gol de sua equipe, nenhum jogador do Santos foi buscar a bola nas redes do goleiro Marcos. Eles voltaram para a sua metade do campo em ritmo de cooper, como se tivessem feito apenas um “gol de honra”.

“É verdade. Naquele momento eu falei: vamos buscar a bola. Mas cada jogador tem uma reação”, disse o volante Ânderson.

“Na hora (do primeiro gol), foi aquele alívio. Só depois passamos a acreditar e dizer: vamos, que ainda dá”, disse o atacante Caio, do lado de fora do vestiário santista, onde se aglomeravam cerca de cem pessoas, entre jornalistas, torcedores e diretores do clube.

Os jogadores do Santos criticaram a comemoração do atacante adversário Euller, que, ao marcar o segundo gol, fingiu fisgar um peixe com uma vara, em alusão ao símbolo do time rival. “Ele mexeu com quem estava quieto”, reclamou Claudiomiro.
“Eu não vi ele fazer isso, mas no vestiário o pessoal comentou. Foi falta de respeito”, disse Caio.

O zagueiro rival Argel foi ao vestiário do Santos entregar uma camisa a Claudiomiro. “Eu tinha prometido antes do jogo”, disse. Argel foi recebido com respeito e sem provocações.

Vaga vira título para torcedores

Sem ganhar um título de Campeonato Paulista há 16 anos, os torcedores do Santos comemoraram a classificação para a final da competição como se fosse a conquista antecipada do título.

Cerca de 5.000 pessoas, segundo a diretoria do Santos, foram à Vila Belmiro para recepcionar os atletas. Os jogadores, porém, não foram encontrar a torcida.

“Ainda não podemos comemorar nada. Teremos uma luta contra o São Paulo, que tem vantagem contra nós”, disse o presidente do clube, Marcelo Teixeira.

A torcida santista comemorou com entusiasmo a classificação na praça da Independência, no centro de Santos, e nos arredores da Vila Belmiro, sede da equipe santista. A diretoria do Santos não previa a festa e não havia preparado nada. Foram, então, improvisados alto-falantes e uma quermesse para receber os torcedores que compareceram ao clube.

“”O pessoal só está reclamando da falta de bebida”, disse Alberto de Oliveira Júnior, diretor social do Santos. “Fomos pegos de surpresa”, completou ele.

Quando soube, ainda no vestiário, da comemoração da torcida em Santos, o jogador Claudiomiro ficou emocionado. “Estou arrepiado”, afirmou.

Segundo a Polícia Militar de Santos, não foi registrado nenhum incidente grave durante a celebração da conquista da vaga. A PM escoltou os seis ônibus da caravana de torcedores que havia retornado do estádio do Morumbi até a sede do Santos.

Virada histórica conduz Santos à final após 16 anos

Dodô tira Palmeiras do Estadual com gol aos 45min do segundo tempo

Equipe enfrentará, em partidas nos próximos dois finais de semana, o São Paulo, que joga por dois resultados iguais

De forma dramática, o Santos derrotou o Palmeiras por 3 a 2, de virada, e vai disputar sua primeira decisão do Paulista em 16 anos. Em 1984, com o Estadual ainda jogado em turno e returno, o Santos, na última rodada, jogava pelo empate contra o Corinthians -sagrou-se campeão ao vencer por 1 a 0, gol de Serginho.

Ontem, o gol da vitória, marcado por Dodô, aconteceu aos 45min do segundo tempo. Até 21 minutos antes do fim da partida, o Palmeiras, que jogava por um empate, vencia por 2 a 0.

Os santistas, que eram maioria entre as cerca de 25 mil pessoas que compareceram ontem pela manhã ao estádio do Morumbi, comemoraram a classificação como se fosse um título.

A partir da próxima semana, o time dirigido por Giba começará a decidir o Estadual com o São Paulo, que anteontem à tarde eliminou o Corinthians.

O São Paulo, por ter feito melhor campanha na competição, terá a vantagem de jogar por dois resultados iguais. As duas partidas serão no Morumbi.

O time de Levir Culpi pode se isolar como o maior campeão paulista da década. Em nove edições disputadas no período, o chamado “trio de ferro” dividiu igualmente os títulos.

O Palmeiras conquistou o Estadual mais badalado do país em 93, 94 e 96. A equipe do Morumbi foi campeã em 91, 92 e 98. O Corinthians venceu em 95, 97 e 99.

No cômputo geral, o Corinthians continua sendo o maior campeão da história -ganhou o título 23 vezes. O Palmeiras vem em seguida, com 21 conquistas. O São Paulo está em terceiro, com 18. O Santos tem 15 campeonatos.

Santos e São Paulo não se enfrentam em uma final de Paulista há 20 anos. A última vez que decidiram o Estadual foi em 80, e o time do Morumbi levou a melhor.

As semifinais que terminaram ontem privilegiaram as equipes que priorizaram a competição regional desde o seu início.
O São Paulo foi a segunda melhor equipe da fase de classificação -perdeu para o Corinthians no saldo de gols- e, mais equilibrado, entra na final na condição de favorito ao título.

O Santos, que investiu R$ 20 milhões na contratação de dez jogadores -entre eles Carlos Germano, Rincón, Robert e Valdo-, teve uma trajetória atribulada.

Demitiu o treinador Carlos Alberto Silva no início da segunda fase, após derrota para a Lusa, e cresceu após a entrada de Giba, ex-técnico dos aspirantes.

Desde que Giba foi efetivado, o Santos não perdeu nenhuma partida. Foram oito jogos, seis vitórias e dois empates.
Contra o São Paulo, adversário na final, a equipe conquistou um empate e uma vitória, no jogo que marcou a estréia do treinador.

Já Corinthians e Palmeiras sempre deixaram claro que o objetivo maior do semestre era ganhar a Taça Libertadores -os dois decidem, amanhã, no Morumbi, uma vaga na final do torneio.

Com seus times cansados devido à maratona a que vêm sendo submetidos – o Corinthians jogou 41 vezes na temporada, e o Palmeiras, 40-, os técnicos Oswaldo de Oliveira e Luiz Felipe Scolari pouparam titulares e chegaram a escalar vários atletas juniores em partidas do Paulista.

Agora, abaladas com a eliminação do Estadual, as equipes buscam recuperar o ânimo para chegar à final da Libertadores.


Santos 1 x 1 São Paulo

Data: 13/05/2000, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 9.004 pagantes
Renda: R$ 98.630,00
Árbitros: Sálvio Spinola e Vladimir Vassoler.
Gols: Eduardo Marques (06-1) e Edu (20-1).

SANTOS
Carlos Germano; Baiano (Michel), Galván, André Luis e Rubens Cardoso; Claudiomiro, Anderson Luiz, Rincón e Eduardo Marques (Robert); Caio (Dodô) e Valdir.
Técnico: Giba

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Beletti, Wilson, Edmílson e Fábio Aurélio; Alexandre, Maldonado, Vagner, Raí e Marcelinho Paraíba (Souza); Edu (Fabiano) e França.
Técnico: Levir Culpi



Empate no clássico deixa disputa por vagas aberta

São Paulo e Santos ficam no 1 a 1 e são ajudados pela derrota da Lusa

São Paulo e Santos empataram em 1 a 1, na Vila Belmiro, e deixaram aberta a disputa pelas duas vagas do grupo 7 para as semifinais do Campeonato Paulista.

Uma vitória santista ontem teria deixado o São Paulo praticamente eliminado da competição. Santistas e são-paulinos foram favorecidos pela derrota da Lusa por 2 a 1 para o Guarani, ontem, em Campinas. Com os resultados da rodada, o Santos passou a dividir a liderança da chave com a Lusa. Cada um tem sete pontos na terceira fase. O São Paulo, com cinco pontos, ocupa a terceira colocação. Em último está o Guarani, que tem apenas três pontos. Santos, São Paulo e Lusa dependem apenas de seus próprios resultados nas duas rodadas finais para conquistar a vaga para a próxima fase.

Os dois times começaram a partida de maneira ofensiva. Aos poucos, o São Paulo passou a ter a posse de bola por mais tempo, mas a equipe da capital levou o gol quando estava melhor.

Comandados pelo técnico Giba, efetivado no lugar do demitido Carlos Alberto Silva, os santistas abriram o placar graças a uma falha da defesa rival, que deixou Eduardo Marques livre, dentro da área. Ele chutou no canto esquerdo de Rogério e colocou o seu time em vantagem, aos 12min do primeiro tempo.

Os são-paulinos mantiveram a calma após o gol e continuaram com a posse de bola por mais tempo. Como já havia acontecido em partidas anteriores, a equipe do técnico Levir Culpi teve dificuldades para finalizar. Os jogadores trocavam passes, mas não conseguiam fazer assistências para que os atacantes França e Edu pudessem receber a bola dentro da área. Assim, o gol de empate do São Paulo aconteceu com a ajuda dos adversários, aos 21min do primeiro tempo.

Belletti levantou a bola na área, ela bateu no lateral Rubens e depois no zagueiro André Luiz, que fez gol contra. Mas a dupla de arbitragem registrou o gol para o são-paulino Edu, que não tocou na bola nesse lance.

Após o empate, o São Paulo continuou melhor, mas faltou velocidade para surpreender a defesa do Santos.

No final do primeiro tempo, o time da casa conseguiu equilibrar a partida. Aos 45min, os santistas reclamaram que o zagueiro Wilson teria feito pênalti em Eduardo Marques.

As duas equipes voltaram do intervalo mais preocupadas em atacar, mas faltou eficiência.

Aos 14min, o técnico Giba tentou melhorar o desempenho do ataque santista colocando Robert no lugar de Eduardo Marques e Dodô na vaga de Caio. Em seguida, Culpi também precisou mexer. Ele perdeu Alexandre, que voltou após cumprir suspensão e se machucou. O chileno Maldonado entrou em seu lugar. As substituições não alteraram o panorama da partida, que continuou equilibrada.

Aos 33min, o Santos perdeu a sua melhor chance. O atacante Valdir avançou pela direita e tocou para André Luiz, que estava livre na área, mas chutou no travessão, assustando Rogério.

Aos 36min, um lance que começou com Fábio Aurélio e Rincón esquentou o clima. Os dois disputavam a bola e trocavam empurrões, quando Souza chegou e atingiu o jogador colombiano. Um tumulto envolveu os jogadores dos dois times, que ficaram trocando empurrões. Depois que a confusão foi controlada, Rincón e Souza foram punidos com cartões amarelos.

Nos minutos seguintes, os jogadores se descontrolaram e passaram a se preocupar mais em fazer atingir os adversários. Apesar das faltas violentas, ninguém foi expulso pelos juízes. Com esse nervosismo, as equipes não criaram mais chances para desempatar. “Eles jogaram com três volantes e isso diminuiu os espaços para o nosso time”, disse o zagueiro Edmílson.



Papel do Santos é fazer a 1ª vítima (Em 13/05/2000)

Sucesso repentino e pedido dos jogadores efetivam Giba no comando

Vitória no clássico de hoje praticamente liquida as chances de o São Paulo alcançar as semifinais e deixa time em situação privilegiada no Paulista

O clássico de hoje entre Santos e São Paulo, às 16h, na Vila Belmiro, vale a sobrevivência da equipe da capital no Paulista-2000, enquanto o time da casa busca a vitória para ter um conforto maior na reta final da competição.

Para vencer o mesmo adversário pela segunda vez seguida, o Santos aposta no técnico Giba, que ontem foi efetivado no cargo, como substituto do demitido Carlos Alberto Silva.

Uma derrota hoje deixa os são-paulinos com chances mínimas de classificação. Se for derrotado, o time do técnico Levir Culpi pode perder a vaga para as semifinais, mesmo se vencer as suas duas últimas partidas, contra Lusa e Guarani.

“O jogo contra o Santos será uma decisão para nós. Uma derrota nos deixaria em uma situação muito limitada”, disse o meia-atacante Edu.

Com quatro pontos, o São Paulo está na terceira posição do Grupo 7 da terceira fase. Se perder hoje, só poderá chegar a dez pontos. A Lusa, líder da chave, já tem sete pontos e busca uma vitória hoje contra o Guarani para ficar mais perto da vaga.
Mais tranquilo após ter derrotado o São Paulo por 2 a 1, na última quarta-feira, o Santos poderá se dar ao luxo de garantir a classificação com dois empates nos últimos jogos, contra Guarani e Lusa, desde que vença hoje.

Os santistas ocupam a segunda posição do grupo, com seis pontos. Santos e Lusa se enfrentam na última rodada e podem até se enfrentar precisando apenas de um empate para se classificar.

Nesse momento decisivo, os jogadores do São Paulo preferem evitar fazer os cálculos. “Se você começa a fazer contas, tira a confiança do time”, disse o zagueiro Edmílson.
Para reverter a situação desfavorável, os são-paulinos esperam contar até com a ajuda adversária.

Os atletas comandados por Culpi acreditam que podem tirar proveito do fato de a partida acontecer na Vila Belmiro.

Para eles, os jogadores santistas sentem dificuldades quando jogam em casa por causa das cobranças feitas pelos torcedores locais durante as partidas.

“A gente percebe que os jogadores do Santos ficam nervosos quando atuam na Vila e o gol demora para sair”, afirmou o volante Alexandre.

Ele disse ter vencido três jogos e perdido apenas um nas quatro vezes em que jogou na Vila Belmiro pelo São Paulo.

A última vez que os dois times se enfrentaram no estádio do Santos foi em fevereiro, pelo Rio-São Paulo, e a equipe da capital ganhou por 1 a 0.

Pelo Paulista, o último jogo entre os dois rivais em Santos foi em 1998, quando o São Paulo derrotou o rival por 3 a 2.

“O fato de a torcida ficar perto do campo nos obriga a ter mais atenção e motiva mais o nosso time”, disse Edmílson.

No Santos, com a confirmação de Giba, a diretoria desistiu da contratação de Oswaldo Alvarez, do Atlético-PR, que foi eliminado anteontem da Libertadores pelo Atlético-MG.

De acordo com Marcelo Teixeira, presidente do Santos, o apoio dos atletas foi determinante para que Giba fosse efetivado na vaga aberta com a demissão de Silva.
Alguns, como o goleiro Carlos Germano, chegaram a procurar o presidente para sugerir a permanência do até então interino.

Também pesou, segundo Teixeira, o desempenho da equipe na vitória de quarta-feira, quando o treinador dirigiu pela primeira vez o time principal do Santos.

“Houve uma unanimidade. O Giba demonstrou muita personalidade e se impôs pela competência”, disse o dirigente.

O novo treinador também recebeu elogios de Rincón, capitão da equipe da Vila Belmiro.
“Ele tem uma idéia clara do que é o futebol e colocou isso em prática”, disse Rincón.

Giba, que foi campeão brasileiro como lateral do Corinthians, em 1990, afirmou que os jogadores aceitaram facilmente sua proposta de trabalho. Após a derrota por 2 a 0 para a Lusa e a demissão de Carlos Alberto Silva, Giba escolheu 11 titulares e treinou o time intensivamente durante os dois dias disponíveis. “Eles acreditaram na proposta, assimilaram o pouco que eu passei e ficaram satisfeitos”, afirmou Giba.

Não será assinado um novo contrato com o treinador, que tem compromisso com o clube até o final deste ano.

Dodô reclama por ser reserva

O único jogador a demonstrar insatisfação com as mudanças que o técnico Giba fez no time do Santos foi o atacante Dodô, que perdeu a condição de titular. Além dele, estão no banco de reservas os veteranos Valdo e Márcio Santos e o meia Robert.

Ainda sob o comando de Carlos Alberto Silva, Dodô ficou fora em três jogos seguidos (Guarani e Lusa, pelo Paulista, e Coritiba, pela Copa do Brasil) devido a um machucado no joelho.

Ele voltou na quarta-feira, já sob o comando de Giba, no clássico contra o São Paulo, quando entrou no segundo tempo porque Caio se cansou.

Na concentração, horas antes da partida, Dodô chegou a demonstrar descontentamento ao tomar conhecimento de que ficaria na reserva.

“Na minha opinião, tinha de ser titular. Sou o artilheiro do time. Estou conformado, mas chateado. Não fico contente com o banco”, afirmou o atacante.

Giba não quis antecipar ontem se Dodô ficará na reserva, mas dificilmente o jogador começará a partida de hoje.

“Não quero sacrificar a estrutura da equipe para acomodar esse ou aquele dentro do time”, disse.

Segundo o treinador, o Santos possui pelo menos cinco opções para as duas vagas do ataque. Além de Dodô, ele tem à disposição Caio, Valdir, Deivid e Weldon. Os titulares hoje devem ser Caio e Valdir. “Se, para começar as partidas eu tenho cinco alternativas para dois lugares, eles que briguem para entrar no time.”


São Paulo 1 x 2 Santos

Data: 10/05/2000, quarta-feira, 21h30.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 24.762 pagantes
Renda: R$ 187.871,00
Árbitros: Paulo César de Oliveira e Ilson Honorato.
Gols: Eduardo Marques (31-1), França (44-1) e Robert (43-2).

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Beletti, Wilson, Edmílson e Fábio Aurélio; Axel, Vagner, Raí e Marcelinho Paraíba (Souza); Edu (Evair, depois Fabiano) e França.
Técnico: Levir Culpi

SANTOS
Carlos Germano; Michel, Galván, André Luis e Rubens Cardoso; Claudiomiro, Anderson Luiz, Valdo (Preto) e Eduardo Marques (Robert); Caio (Dodô) e Valdir.
Técnico: Giba (interino)



Santos vence São Paulo com gol polêmico

Equipe treinada por Giba ganha por 2 a 1 no Morumbi com um gol em que a bola quase não ultrapassou a linha

O Santos venceu o São Paulo por 2 a 1 no estádio do Morumbi com um polêmico gol. Aos 45min do segundo tempo, uma bola chutada por Robert, que tocou na trave e foi rebatida pela zaga são-paulina, quase não ultrapassou a linha do gol.

Com o resultado, o Santos assumiu a vice-liderança do Grupo 7, com seis pontos. O São Paulo está na terceira posição, com quatro pontos. Os times voltam a jogar no sábado, na Vila Belmiro.

Apesar da aparente boa fase são-paulina e da explícita crise santista, a partida foi equilibrada.

O Santos, dirigido interinamente pelo técnico Giba, começou inclusive melhor o jogo, explorando contra-ataques e erros do sistema defensivo do São Paulo.

Na primeira grande chance de gol do jogo, Valdir aproveitou trombada entre os zagueiros são-paulinos e chutou forte. O goleiro Rogério conseguiu espalmar.

Com dificuldade para furar o bloqueio santista, o São Paulo arriscou de longa distância. Aos 21min, Fábio Aurélio finalizou à esquerda do gol de Carlos Germano. Três minutos mais tarde, Marcelinho quase fez de falta.

O Santos, porém, continuou melhor. Após cruzamento da esquerda, Anderson desperdiçou com o gol livre na pequena área.

O São Paulo ameaçou com Raí, que, de cabeça, acertou a trave santista, aos 29min. Mas, passados mais três minutos, o Santos abriu o placar. Caio falhou ao chutar, a zaga desviou e, no rebote, Eduardo Marques marcou.

O gol santista melhorou o desempenho são-paulino. Na busca pelo empate, o time de Levir Culpi criou várias chances.

Aos 40min, França chutou cruzado, e a bola passou à esquerda de Carlos Germano, com perigo. Dois minutos depois, Marcelinho bateu bem falta, mas a bola passou por cima do gol.

O empate veio aos 45min. França dominou cruzamento da direita e tocou com estilo no canto esquerdo de Carlos Germano.

No segundo tempo, o São Paulo começou melhor, mas o Santos continuou ameaçando. Caio teve boa chance aos 5min, mas foi travado na hora do chute.

Um minuto depois, Marcelinho obrigou Germano a fazer boa defesa. Levir Culpi colocou então Evair. Ele serviu Raí aos 11min, mas o meia tocou para fora. Mais um minuto e Germano salvou o Santos em cabeçada de Edmílson.

O Santos respondeu com Valdir, que invadiu a área e chutou em cima do goleiro Rogério.

A partir dos 30min, o São Paulo pressionou, criou boas oportunidades, mas falhou na conclusão.

Aos 45min, o Santos, com um jogador a mais após a expulsão de Axel, obteve a vitória. Robert tocou forte na trave. A bola rebateu na zaga são-paulina e entrou. Belletti chutou a bola para fora do gol quase em cima da linha. Os são-paulinos ficaram revoltados. Rogério, exaltado, foi expulso. Belletti acabou o jogo no gol.

Técnico interino do Santos pode ser efetivado no cargo

O técnico Giba, que assumiu o comando da equipe principal do Santos após a demissão de Carlos Alberto Silva, pode ser efetivado no cargo, segundo Marcelo Teixeira, presidente do clube.

O dirigente negou que já tenha acertado a contratação de Oswaldo Alvarez, treinador do Atlético-PR. “Por enquanto, a nossa prioridade é o Giba. Confiamos nele”, disse Teixeira.

Giba, ex-lateral do Corinthians, estava treinando os aspirantes do Santos quando foi chamado para assumir a nova função.

Apesar de negar a negociação com Alvarez, Teixeira admitiu ter pensado em um substituto para Silva. “Fizemos contatos com pessoas que já tinham outros compromissos”, falou.

Giba está confirmado para a partida de sábado, também contra o São Paulo, na Vila Belmiro. Rincón, que não jogou ontem por estar contundido, deve voltar ao time.


Santos 2 x 1 Grêmio

Data: 30/10/1999, sábado, 18h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 19ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.772 pagantes
Renda: R$ 32.760,00
Cartões amarelos: Jean e Lúcio (S); Roger, Scheidt e Capitão (G).
Gols: Magrão (18-2), Dodô (21-2) e Eduardo Marques (33-2).

SANTOS
Zetti; Michel, Jean, Cláudio (Élson) e Fricson George (Eduardo Marques); Claudiomiro, Narciso, Caíco e Adiel (Aílton); Lúcio e Dodô.
Técnico: Paulo Autuori

GRÊMIO
Silvio; Zé Carlos, Ronaldo Alves, Scheidt e Roger; Capitão, Fabinho, Gavião (Itaqui) e Ronaldinho Gaúcho; Rodrigo Gral (Macedo) e Magrão.
Técnico: Cláudio Duarte



Santos vence e quer Libertadores

O Santos bateu ontem o Grêmio, na Vila Belmiro, por 2 a 1 e se aproximou do objetivo traçado pelo técnico Paulo Autuori. O time tem agora 26 pontos. O Grêmio permanece com 22 pontos.

Com poucas chances de passar para a próxima fase do Brasileiro, o treinador quer terminar a fase de classificação do torneio pelo menos em nono lugar, que daria ao time vantagem no torneio seletivo que definirá uma vaga na Taça Libertadores.

O jogo:

O Santos abusou das faltas para deter os gremistas no primeiro tempo. Na hora de criar, porém, o time esbarrou em seu grande número de passes errados.

Já a principal via de ataque do Grêmio foi pelo setor do lateral-esquerdo Fricson, que ontem fez sua estréia no Brasileiro-99.

Foi do Grêmio a primeira oportunidade de gol, numa falta cobrada por Ronaldinho, aos 3min.

O atacante Dodô foi o responsável pela resposta santista. Aos 10min, o atleta chutou de fora da área -a bola desviou na zaga e quase surpreendeu Sílvio.

Aos 14min, a defesa santista parou pedindo impedimento, após lançamento de Ronaldinho. Mas os gremistas não, obrigando Zetti dividir uma bola com Rodrigo Gral para evitar o gol gaúcho.

Irritado com a performance de sua equipe, o técnico Paulo Autuori tirou, aos 39min, Adiel para a entrada de Aílton.

A mudança não deu resultado imediato, obrigando o treinador a fazer outra substituição no intervalo -Élson no lugar de Cláudio.

As alterações deram, pelo menos, mais agressividade ao Santos, que passou a procurar o gol com mais ímpeto. Aos 15min, sozinho na pequena área, Narciso cabeceou nas mãos de Sílvio.

Porém foi o Grêmio que marcou primeiro. Aos 18min, Ronaldinho cobrou falta, e Magrão desviou: 1 a 0. O Santos empatou em seguida, aos 21min, com Dodô cobrando uma falta, que antes de entrar no gol bateu na trave: 1 a 1.

A equipe santista virou a partida aos 33min, num belo chute de Eduardo Marques, após jogada individual do meia Caíco: 2 a 1.

Santos e Grêmio buscam vaga em seletiva da Libertadores (Em 30/10/1999)

Com poucas possibilidades de avançar à segunda fase do Brasileiro, Santos e Grêmio participam hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, de outra disputa: a corrida por uma vaga na seletiva que definirá um representante na Libertadores.

Em 13º lugar com 23 pontos, o Santos ainda pode matematicamente se colocar entre os oito classificados para a etapa final do Brasileiro. Mas precisa vencer seu três últimos jogos -contra Grêmio, Flamengo e Cruzeiro- e contar com uma combinação de resultados de concorrentes.

“Nosso objetivo é ganhar as três partidas e ver no que vai dar. Se não conseguirmos, vamos disputar a seletiva. Uma vaga na Libertadores é privilégio de campeão”, afirmou o técnico Paulo Autuori.

Ele se refere ao torneio que reunirá do 9º ao 16º colocado, em sistema “mata-mata” . O vencedor terá direito de participar da próxima Libertadores da América.

Autuori quer o time disputando pelo menos o 9º lugar, para ter a vantagem de fazer a segunda partida dos jogos da seletiva em casa.

Para alguns dos jogadores, além da chance de disputar a seletiva, os últimos jogos do Santos pelo Campeonato Brasileiro serão a última oportunidade para demonstrar que têm condições de permanecer no clube no ano que vem. Esses são os casos do meia Lúcio, do zagueiro Andrei, do atacante Paulo Rink e até do recém-contratado Fricson George, todos emprestados.

Andrei, que não joga hoje porque cumpre suspensão, e Paulo Rink, que não estará nem mesmo entre os reservas, têm maior probabilidade de serem devolvidos a seus clubes -Betis e Bayer Leverkusen, respectivamente.

Devido à má fase técnica de Rink, Autuori disse que preferiu preservá-lo, pelo fato de o time atuar hoje na Vila Belmiro. “A própria torcida está receosa em relação a ele”, disse Autuori.

Alívio

O Santos terá pela frente um adversário que, mesmo já tendo descartado a possibilidade de classificação para as oitavas-de-final do Campeonato Brasileiro, estará motivado para lutar pela vitória.

A principal novidade na equipe do Grêmio será o goleiro Sílvio, que entra no lugar de Danrlei, machucado. No ataque, Magrão começará jogando, pois Agnaldo também se recupera de lesão.

No caso de Sílvio, sua escalação se deve ao rodízio estabelecido pelo técnico Cláudio Duarte entre ele e Murilo, o outro reserva.

O meio-campo terá o desfalque de Cleisson, destaque da equipe nos últimos jogos, mas que foi expulso contra o Sport.

Equatoriano estréia na lateral santista

O lateral equatoriano Fricson George, 25, faz hoje sua estréia em jogos oficiais pelo Santos com a obrigação de provar que tem futebol suficiente para ser contratado.

Inicialmente, o acordo com o Barcelona, de Guayaquil, previa o empréstimo do jogador até dezembro de 2000, mas o Santos insistiu e conseguiu reduzir o prazo para março. Ao final do empréstimo, se houver interesse, o passe do atleta custará US$ 1,3 milhão.

Segundo o técnico Paulo Autuori, Fricson George atuará nas três últimas partidas da primeira fase do Brasileiro porque serão jogos difíceis, que permitirão uma avaliação completa do jogador.

O lateral, que integra a seleção do Equador, disse não temer a estréia na Vila Belmiro, onde a torcida vaia os erros dos jogadores. “Confio em mim e creio em Deus. A única coisa que temo é Deus.”


Santos 2 x 1 Sport Recife

Data: 21/11/1998, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – Quartas de finais – Jogo 2 de 3
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 25.229 pagantes
Renda: R$ 252.075,00
Árbitro: Jorge dos Santos Travassos (RJ).
Cartões amarelos: Baiano, Athirson e Viola (S); Édson, Russo e Jackson (SR).
Gols: Eduardo Marques (32-1); Róbson (16-2) e Róbson Luís (30-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Sandro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso e Eduardo Marques; Alessandro (Messias), Viola e Róbson Luís.
Técnico: Emerson Leão

SPORT RECIFE
Bosco; Russo, Alexandre Lopes, Ronaldo e Édson; Sangaletti, Lima, Wallace Goiano e Jackson; Leonardo (Leandro) e Irani (Róbson).
Técnico: Mauro Fernandes



Juiz dá gol ilegal, volta atrás, mas Santos vence Sport na Vila

O Santos venceu o Sport, ontem, na Vila Belmiro, por 2 a 1, num novo confronto confuso entre as equipes pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro.

O tumulto desta vez aconteceu aos 22min do segundo tempo, quando o meia santista Eduardo Marques bateu de fora da área, a bola passou por fora da trave e abriu um buraco na rede, mas o juiz Jorge Travassos deu o gol.

Depois, em nova consulta com o auxiliar, anulou o lance.

Os incidentes do primeiro jogo -jogadores santistas brigaram com jornalistas e policiais pernambucanos- trouxeram tensão para a partida de ontem.
Foram estendidas ao redor do campo faixas como “A Vila (Belmiro) é nossa casa. Preserve-a”, para que não fossem atirados objetos no campo e o time corresse o risco de perder mando de jogo.

A PM da Baixada Santista, 220 homens, foi inteira para a Vila. A FPF enviou 40 seguranças. Além disso, a Polícia Civil destacou 10 homens para garantir a segurança dos jornalistas pernambucanos. Mas só apareceram duas das dez rádios esperadas. Não houve problema fora de campo.

Mas dentro, em três ocasiões, atletas dos dois times trocaram empurrões. No segundo tempo, o santista Athirson fez falta violenta em Róbson e só não foi expulso por complacência do juiz.

O nervosismo santista era evidente desde o início do jogo, pressionado pela necessidade de retomar a vantagem. O time tinha dificuldade na ligação do meio-campo com o ataque e insistia nos cruzamentos.

Assim, os melhores lances santistas eram criados em cobranças de falta do zagueiro Sandro. Aos 21min, ele bateu à esquerda, e aos 28min acertou a trave.

Quatro minutos depois, aproveitando falha do sistema defensivo do Sport, o Santos abriu o placar. Baiano cruzou, Eduardo Marques dominou e bateu cruzado.

Na segunda etapa, o Santos continuou com uma pressão estéril. Eduardo Marques, em jogada individual, criou a primeira chance aos 15min.

Em seguida, porém, Róbson escorou de cabeça cobrança de falta de Lima e empatou.

Nove minutos após o falso gol do Santos, houve um verdadeiro. Robson Luís recebeu dentro da área e acertou chute forte no ângulo do gol de Bosco.

Para Leão, juiz “afinou’

Para o técnico do Santos, Emerson Leão, o juiz carioca Jorge Travassos foi covarde na partida de ontem. Apesar da vitória, o treinador deixou o campo reclamando de dois gols anulados pelo árbitro.

“Ele afinou. A bola pode ter entrado por fora, mas ele deu o gol. Voltou atrás e afinou”, disse o técnico a respeito do lance em que Eduardo Marques chutou, e a bola abriu um buraco na rede por fora, aos 22min do segundo tempo.

O juiz consultou o bandeirinha e validou o lance. Depois, em nova consulta, anulou o gol. “Essa situação só pode ser resolvida de um jeito: acabar com todos eles (juízes). Estou cansado. Cansado. Em todo lugar é a mesma coisa”, declarou Leão.

Segundo ele, os critérios adotados pelos árbitros sempre acabam prejudicando sua equipe. “Futebol é isso aí. Quem manda é o juiz”, afirmou o zagueiro do Sport Ronaldo.

Ontem, a diretoria santista decidiu a renovação de contrato do técnico Leão para o ano que vem.



Santistas enfrentam Sport sob ameaça de eliminação (Em 21/11/1998)

Equipe paulista tem que ao menos empatar para seguir no Brasileiro

A pressão psicológica amedronta mais o Santos do que o time do Sport, adversário das 16h de hoje, pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, no estádio da Vila Belmiro, em Santos.

Como foram derrotados na primeira partida, em Recife, os jogadores santistas entram em campo com a obrigação de pelo menos empatar para não dar adeus ao Brasileiro. O Sport, agora, passou a ter a vantagem de jogar por dois empates.

Os fatores campo e torcida também contribuem para aumentar a responsabilidade, já que na partida disputada em Recife os atletas santistas entraram em choque com policiais e jornalistas que trabalhavam no jogo.

Os jogadores, no entanto, preferem mostrar mais preocupação com as qualidades do adversário.

“Na Vila, nós não vamos dar o espaço que eles tiveram lá”, afirmou o zagueiro Argel, que terá um novo companheiro no setor: Sandro.

O técnico Emerson Leão, que criticou o comportamento tático de seu time na derrota, irá modificar a equipe hoje.

Além da entrada de Sandro na zaga, no lugar de Jean, o técnico promove a volta de Alessandro no ataque, com Robson Luís sendo recuado para o meio-campo.

Leão quer o time atacando, mas não de forma desordenada. “Temos de ter tranquilidade para saber o momento certo de atacar. Não podemos ir com volúpia em busca do gol e dar espaço para o contra-ataque. Sabemos do potencial do adversário”, disse Leão.

Paz

A diretoria do Santos pede à torcida que evite atirar qualquer tipo de objeto dentro do campo. A preocupação é evitar que o árbitro detecte problemas e relate na súmula do jogo, o que pode impossibilitar o Santos, em caso de vitória ou empate, de mandar a terceira partida na Vila Belmiro.

Já o Sport quer definir hoje sua classificação às semifinais do Brasileiro para evitar o prolongamento do “clima de guerra” instalado após a partida de Recife.

“Reconheço que a briga entre os jogadores santistas, jornalistas e policiais em Recife criou um clima ruim”, afirmou o treinador Mauro Fernandes. “Nós, que não tivemos nada a ver, fomos os maiores prejudicados”, acrescentou ele.

Durante os treinos da semana, o técnico preparou a equipe para suportar dois tipos de pressão: a do time do Santos e a da torcida. “Eles vão partir com tudo para cima de nós”, afirmou Fernandes.

Paralelamente aos treinamentos técnico e tático, a equipe pernambucana realizou durante a semana um trabalho psicológico para tranquilizar principalmente os jogadores mais novos.

Comissão técnica e atletas se reuniram e conversaram pelo menos 30 minutos antes dos treinos. Jogadores mais experientes, como Lima e Sangaletti, reforçaram as palavras de Mauro Fernandes, que pediu calma durante a partida.

“Ninguém pode se envolver em provocações”, recomendou o treinador. “No campo não se deve fazer nada além de jogar futebol”, afirmou. “Estamos com a cabeça boa”, assegurou Alexandre Lopes.

“Vamos para Santos jogar bola, não lutar”, disse Sangaletti. “A única briga vai ser na bola.”

Viola descarta vingança na Vila

O atacante Viola, um dos protagonistas do tumulto em Recife no último domingo, afirmou que não encara a partida com o Sport como forma de se vingar do time pernambucano.

“O problema foi fora de campo. Somos profissionais, sabemos que o Santos lutou para conseguir o direito de mandar seus jogos decisivos na Vila Belmiro. Não podemos dar motivos para o Sport reclamar. Vamos ganhar o jogo dentro de campo. Temos condições.”

Segundo o atleta, o Santos não pode entrar em campo obcecado com a vitória.

“O time precisa pelo menos empatar para forçar a terceira partida. Temos condições de alcançar o objetivo, não importa quem marque o gol. Aqui prevalece o conjunto. Não temos um jogador de US$ 10 milhões, mas bons atletas que estão dando conta do recado”, disse o jogador, afastando a responsabilidade de ser o único atleta do Santos com a obrigação de marcar gols.

Viola afirmou que jogar na Vila Belmiro é um fator de tranquilidade para o time. “Aqui a equipe sente-se à vontade, toca a bola, sabe sufocar o adversário. É isso o que faremos, mas sem ir com muita sede e levar o contra-ataque.”

Pernambucanos buscam usar desespero do rival

Apesar do discurso de que seu time atacará até com seis atletas, o técnico do Sport, Mauro Fernandes, pela forma como treinou a equipe, deve privilegiar os contra-ataques para tentar aproveitar possíveis falhas de marcação decorrentes da necessidade de o Santos vencer a partida.

No esquema preparado, o meia Lima deve jogar recuado para ajudar o volante Sangaletti na marcação. Wallace e Jackson se revezarão na tarefa de dar assistência a Leonardo e Irani no ataque.

O lateral Russo cumprirá função tática considerada importante pelo treinador, atuando pelo setor direito como eventual terceiro atacante. “Podemos atacar com até seis jogadores e defender com nove”, disse Fernandes.

Utilizando esse mesmo esquema, o time pernambucano conseguiu encurralar o Santos em seu campo de defesa e vencer o primeiro jogo, em Recife, por 3 a 1.

Sabendo das dificuldades de finalização de seus jogadores, Fernandes diz achar que não poderá abrir mão por muito tempo do estilo de jogo “agressivo” que, afirma, foi o responsável pela boa campanha do Sport até agora.