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Santos FC x NY Cosmos






Santos Futebol Clube x New York Cosmos


Retrospecto:

03 jogos
00 vitória
01 empate
02 derrotas
03 gols pró
05 gols contra
-2 saldo

Resultados:

01/10/1977 – Santos 1 x 2 NY Cosmos – Amistoso – New York, EUA
05/10/1977 – Santos 1 x 1 NY Cosmos – Amistoso – Detroit, EUA
13/03/1980 – Santos 1 x 2 NY Cosmos – Amistoso – Vila Belmiro – Santos, Brasil

pele-02Em um mundo que revelou tantos e tão variados craques, Pelé tinha que ser muito especial para se tornar, sem discussão, o melhor de todos.

Pelé foi o melhor, todos sabemos. Mas melhor por quê? Aos bem-aventurados que testemunharam o futebol do final dos anos 50 e meados dos anos 70, a pergunta, de tão óbvia, nem mereceria resposta. Só que o tempo passa e muitos se apressam agora a eleger novos reis do esporte. Talvez eles tenham razão. Para destronar Pelé é simples. Basta superá-lo em dez itens, que são tema desta matéria. Aviso: nós achamos que ninguém é capaz.

Alguém fez mais gols? Ganhou mais títulos importantes? Foi tão precoce? Reinou por tanto tempo? Ou mesmo perdeu gols tão lindos? Ser o melhor em um único desses itens já garantiria o nome de Édson Arantes do Nascimento nos livros da história. Mas Ele fez mais que isso. Foi insuperável também por ser tão completo quanto possível, por encantar platéias como ninguém, por ser atleta e profissional quando a fama já lhe permitiria uma rica aposentadoria… Enfim, Pelé foi o melhor do mundo de todos os tempos. Entende?

Ninguém marcou tantos gols

No dia 21/11/1964, o grande técnico Oswaldo Brandão comandava o Botafogo de Ribeirão Preto (SP). Nesta data, Pelé passou por seu caminho. Resultado: Santos 11×0, com oito gols do Rei, seu recorde em uma partida. Brandão caiu, como seria de se esperar. Mas até que se deu bem, foi para o Corinthians. Alguns dias depois, em 7 de dezembro, advinhe quem o Corinthians do recém chegado Brandão enfrentaria? O Santos de Pelé: 7×4, com quatro gols d’Ele. E Brandão recebe a discutível honra de ter visto seus times levarem doze gols do mesmo jogador em duas partidas seguidas.

Isto é Pelé. Onze vezes artilheiro do Campeonato paulista, das quais nove consecutivas. Capaz de marcar 111 gols na temporada de 1961 (tinha 20 anos e média de 1,48 gol por jogo) ou de chegara 58 gols no campeonato Paulista de 1958. Do primeiro contra o Corinthians de Santo André, em 1956, ao último, num amistoso da Seleção do Sudeste x Seleção do Sul, em 1983, foram 1281 gols. Que ele fez mais de 1000 gols, todo mundo sabe. Mas você tem idéia da idade de Pelé ao marcar o gol 500? Duas dicas: Romário atingiu a marca aos 31 anos. Bebeto, aos 35. Ao anotar o segundo gol (o tal 500) no empate de 3×3 contra o São Paulo dia 02/09/1962, Pelé tinha 21 anos e dez meses.

Ninguém foi tão completo

Pergunte em uma roda de amigos quem foi o maior driblador da história do futebol e logo aparecerá o nome de Garrincha. O gênio tático? Cruyff, com certeza. E o mais habilidoso? Maradona, que fazia misérias até com uma laranja. O Chute mais potente? Essa é difícil, Pepe, o canhão da Vila, Rivelino, quem sabe Nelinho, ou talvez o húngaro Puskas, que tinha uma senhora patada. A conversa pode durar horas e o nome de Pelé nem ser mencionado nesse ranking imaginário. Em compensação, alguém lembra das cabeçadas de Maradona, as bombas de Cruyff ou os dribles de Nelinho? Eis a chave do enigma Pelé. Camisa 10 nas costas, nota 10 em todos fundamentos.

Ele driblava curto, ganhava na velocidade dos adversários, tabelava com as canelas dos marcadores para receber na frente. Chutava forte ou colocado, o que fosse o caso. Era habilidoso e oportunista. Seu equilíbrio perfeito levava ao desespero os que tentavam derrubá-lo. Pelé pulava alto e aprendera com o pai, seu Dondinho, o valor de cabecear com os olhos abertos. Se alguém não entende o que significa ser um jogador completo basta lembrar de Brasil 4×1 Itália na final da Copa do Mundo de 1970. No primeiro gol, o cruzamento veio alto demais e Pelé estava bem marcado. Ele subiu muito, jogou a cabeça para trás e usou o movimento para dar uma pancada na bola.

No terceiro gol nem precisou saltar tanto. Por cabecear sempre de olhos abertos, descobriu Jairzinho no meio da área. No quarto, recebe a bola pressentindo a passagem de Carlos Alberto às suas costas. O passe de gênio e o Brasil é tricampeão.
Para encerrar a conversa amigos, a pergunta final derradeira. E o melhor jogador de todos, quem foi? Pelé. E ponto final!

Ninguém conquistou mais títulos

Em 21 anos de carreira, Pelé levantou todo tipo de taça. Foi campeão do Torneio Dr. Mario Echandi, na Costa Rica, em 1959. Venceu o Torneio da Amazônia, em 1968, e dois anos depois comandava o Santos na vitoriosa campanha do Torneio Internacional de Kingston, Jamaica. Muita gente não sabe, mas Pelé também é vencedor do Hexagonal do Chile de 1965. No total foram 59 faixas até a conquista de seu último título, o Campeonato Norte-americano, em 1977, pelo Cosmos.

Houve, é claro, glórias mais conhecidas – bem mais. Já em 1958, aos 17 anos, era campeão do mundo, título que repetiria em 1962 e 1970. No mesmo ano, em 1958, ele iniciou sua coleção de 10 títulos paulistas (venceu em 1958/60/61/62/64/65/67/68/69/73). Com Pelé em campo o Santos tornou-se o primeiro time brasileiro a conquistar a Taça Libertadores e foi logo bicampeão em 1962 e 1963. No embalo também levou o bi-Mundial Interclubes nos mesmos anos.

No currículo do Rei existem ainda seis títulos nacionais, nos tempos em que a competição e chamava Taça Brasil ou Roberto Gomes Pedrosa ( 1961/62/63/64/65/68). Só há um torneio importante que ele disputou e não ganhou: a Copa América. Quem disse que Ronaldinho, campeão de 1997, não foi melhor que Pelé em alguma coisa?

Ninguém encantou mais

Certa vez em New York, Robert Redford admirava: “Poxa, homem, como você é popular!” O ator rendeu-se ao ver Pelé dar dezenas de autógrafos enquanto ele, ao lado, não tirou a caneta do bolso. Na Copa de 1970, o italiano Tarcisio Burgnich tinha a missão impossível de segurar Pelé. “Pensei: ele é de carne e osso como eu. Me enganei.”

Adversários, pessoas indiferentes ao esporte mais popular do planeta, qualquer um. O magnetismo irradiado por Pelé, desde a década de 50, não poupou ninguém. Por onde passou, Pelé encantou. Todos os presidentes americanos, de Richard Nixon a Bill Clinton, quiseram apertar a mão do Rei. Dois papas (Paulo VI e João Paulo II) escancararam as portas do Vaticano para recebê-lo. A rainha Elizabeth II, da Inglaterra, sempre seríssima, chegou a arriscar uma graça ao pedir que Ele jogasse em seu Liverpool.

E assim como fazia brilhar os olhos dos poderosos, Pelé sabia se comunicar com os súditos. Jamais Ele deixou de atender um gandula, tratou mal algum fã mais inconveniente, fez cara feia para quem quer que fosse. Ao contrário. Fora os momentos de jogo, é duro achar uma foto em que Pelé não esteja sorrindo. Genial e ainda por cima simpático. Que Rei mais bondoso o mundo poderia querer?

Ninguém reinou por tanto tempo

Começou em 29/06/1958, apesar de alguns historiadores preferirem o dia 19 do mesmo mês, quando Ele marcou o gol da sofrida vitória brasileira sobre o País de Gales. Mas foram os dois gols da Final da Copa do Mundo jogando contra os suecos, donos da casa, que deram início ao reinado. Daí em diante Pelé seria o Maior de Todos, o Pérola Negra ou, simplesmente, o Rei.

Ninguém ficou tanto tempo em evidência, em tão alto nível. O meia argentino, naturalizado espanhol, Alfredo Di Stéfano dividiu opiniões se seria melhor que Pelé, mas só até o início dos anos 60. Antes , falavam em Puskas, o genial capitão da Hungria de 1954. Enquanto colecionava títulos e centenas de gols, Pelé viu “novos reis” despontarem: o moçambicano Eusébio e o irlandês George Best nos anos 60; o holandês Cruyff e o alemão Beckenbauer, nos 70. A década seguinte foi de Maradona, que ganhou sozinho a Copa de 1986, com algum destaque para o francês Michel Platini. Um ano, talvez até dez. Nunca além disso. Pelé, por sua vez, foi Rei até a despedida em 1977, quando deixou o Cosmos e o futebol. Ele atravessou três décadas em evidência. Não há comparação. Bem, houve o ponta Stanley Matthews, que brilhou dos anos 30 a 60, cultuado por muitos ingleses como o maior jogador de todos os tempos. Coisa de fanático.

Ninguém foi mais profissional

Era apenas uma homenagem. No dia 31/10/1990, Pelé completava 50 anos e a Seleção Brasileira faria, em Roma, um amistoso contra um combinado do resto do mundo. Ele entraria em campo, jogaria uns minutos e pronto. Mas Pelé levou a sério.

Um mês antes do jogo, iniciou um programa de recondicionamento físico que incluía corridas, musculação e durava quatro horas diárias. Ele perdeu rápido os 6 kg que o separavam dos 75kg ideais. O episódio dá a exata dimensão do profissionalismo de alguém que jamais se contentou em ser mito. Pelé sabia como poucos que era preciso lustrar a coroa para ela nunca perder o brilho.

Em 1958, aos 17 anos, Ele já era Rei do futebol. Mesmo consciente disso, treinou tanto ou mais do que os outros, correu atrás de bolas perdidas por vinte anos. Resistiu também à sina dos ex-jogadores barrigudos, que se encontram e vivem do passado. Tornou-se executivo do grupo americano Warner (que depois virou Time Warner) e manteve o nó da gravata impecável. Cumpriu à risca os compromissos com patrocinadores e correu feito juvenil em sua estréia em cargos de governo, no tempo de Ministro dos Esportes. Nem precisava tanto, os fãs compreenderiam se Pelé não suasse tanto o colarinho. Talvez seja por isso que alguns gênios nunca são esquecidos. Pelé, mesmo imortal, cumpria os mesmos deveres dos mortais.

Ninguém perdeu gols tão lindos

Pode alguém se orgulhar das mulheres que nunca conquistou? Pois Pelé pode e deve ter orgulho de três gols que não fez na Copa de 1970.

Primeiro, a petulância. Ele pegou a bola no meio de campo, viu que o goleiro Victor, da Tchecoslováquia, estava adiantado e chutou. Como esquecer o desespero do arqueiro correndo e agradecendo aos céus quando a bola saiu?

Depois, a perfeição. O cruzamento de Carlos Alberto foi alto, talvez perfeito para um grandalhão qualquer. Mas Pelé, que não era grande, saltou muito e, de olhos abertos, decidiu o que fazer. A cabeçada saiu forte como um chute, no chão, no canto direito. Indefensável, se o goleiro não fosse o inglês Gordon Banks, que se jogou na bola e processou um milagre.

Por fim, o abuso. Tostão deixou Pelé frente a frente com o goleiro uruguaio Mazurkiewicz. Os apavorados chutariam de primeira. Os mais calmos fariam o drible convencional. Ele driblou com os olhos e com o corpo, nada de tocar a bola, só dissimulação. Pelé deixou a bola passar por um lado e foi buscá-la do outro. Mazurkiewicz, rendido, viu Pelé chutar no contrapé do zagueiro que tentava evitar o gol. O chute, mesmo divino, foi parta fora.

Três jogadas preciosas que não viraram gol. Outros acertaram cabeçadas como a que Banks pegou. Gols após dribles de corpo também já foram vistos. Até Rivaldo já fez dois golaços do meio de campo. Pouco importa. O certo é que os gols perdidos viraram história. Foram a marca de um gênio que se deu o luxo de escolher o mais difícil, o improvável.

Ninguém jogou tanto pela Seleção

O Brasil voltou a campo diferente no segundo tempo. No lugar de Del Vecchio entrava Pelé. O Brasil perdia por 1×0 para Argentina em pleno Maracanã e o técnico Sylvio Pirillo tentava dar mais agressividade ao time, colocando aquele rapazola franzino de 16 anos, sensação do Santos. O garoto fez a sua parte e, aos 32 minutos, marcou o gol de empate. Infelizmente, um minuto depois, Juarez fez outro e os argentinos venceram a partida. Mas a história já tinha sido escrita: em 07/07/1957, Pelé fez sua estréia na Seleção Brasileira.

Nos quatorze anos seguintes, até se despedir da seleção, em 1971, Pelé acumulou o mais impressionante currículo entre todos os 872 jogadores que já vestiram a camisa amarela. Ninguém fez tantos gols. Foram 95 contra “meros” 67 de Zico, o segundo colocado. Houve quem defendesse mais vezes o Brasil. O lateral Djalma Santos (com 122 partidas) e o meia Rivelino (com 121) estão à frente de Pelé, que disputou 114 jogos. EM compensação, alguém mais disputou quatro Copas e fez gols em todas? Para ser exato, doze gols, um recorde*. Se não fosse por esses números, outro já bastaria para eternizar o seu nome na Seleção: três. Três títulos mundiais.

*Obs.: O recorde de Pelé foi quebrado em 2006 por Ronaldo, que marcou 15 gols pela Seleção Brasileira nas Copas de 1998, 2002 e 2006. Em 1994 ele não entrou em campo.

Ninguém foi mais atleta

Ele jogava sessenta, setenta partidas por ano. Nas turnês do Santos, era jogo dia sim e dia não. Apanhava feito cachorro dos becões que tentavam cancelar o show de Pelé. Foram vinte anos de maratona, correndo, driblando, sendo referência do Santos, da Seleção Brasileira e do Cosmos. Pelé não podia se esconder em campo, tomar um ar, deixar que seus companheiros decidissem a parada. Era correria para fazer seus gols e para escapar das botinadas adversárias.

É de se imaginar que um jogador que se submete a tal estresse físico tenha dedicado muito tempo ao departamento médico para curar as contusões em duas décadas de carreira. Pelé, no entanto, parecia inquebrável. Foram pouquíssimos estiramentos, nenhuma fratura e raríssimos jogos em que Ele não entrou em campo por problemas físicos. Na Copa de 1962, uma distensão na virilha direita o tirou do Mundial. Em 1966, na Copa da Inglaterra, foram as sarrafadas dos zagueiros portugueses a razão da volta mais cedo do Brasil. Mas o prontuário do rei não é muito mais extenso que isso. Ele era um superatleta.

Ao contrário dos craques contemporâneos, Pelé nunca treinou menos que os colegas de clube. Ele até ensaiava cobranças de falta ao final dos treinos. A natureza foi generosa com o Rei. Corria 100m em 11 segundos, saltava 1,80m de altura e 6,50m de distância. Jogava com competência basquete, vôlei e qualquer outro esporte que exigisse coordenação. “Tenho certeza que, bem treinado, Pelé seria um dos dez maiores do mundo no decatlo”, dizia o preparador físico Júlio Mazzei.

Ninguém foi tão precoce

Hoje, com tanta gente louca atrás de uma boa promessa (de futebol e de dinheiro), há quem pague 3 milhões de dólares por um garoto de 15 anos, como fez, recentemente, o Arsenal da Inglaterra. Mas em 1956, era espantoso ver um menino dessa idade assinar um contrato profissional com o bicampeão estadual. Essa foi só a primeira surpresa do documento datado de 08//06/1956. Três meses depois, no feriado de 7 de setembro, Ele estreou contra o Corinthians de Santo André. E aos 15 anos, dez meses e quatorze dias, fez o primeiro gol pelo Santos.
Como Pelé foi bom demais desde o começo, não levou nem um ano para chegar a Seleção. Foi convocado para jogar contra a Argentina, em 07/07/1957. Se você acha fácil, eis alguns outros exemplos de grandes craques: Romário (dois anos como profissional até estrear pelo Brasil), Rivaldo (dois anos), Zico (cinco). Caso semelhante e recente é de Ronaldo, que estreou no Cruzeiro em agosto de 1993 e em maio do ano seguinte abria caminho para ser tetra nos EUA. Ronaldo também foi campeão mundial aos 17 anos como Ele, mas ficou no banco. Já Pelé, terminou a primeira Copa como o consagrado autor de seis gols.

Galeria de fotos:





Fontes:
– Revista Placar
– Jornal Folha de São Paulo




O pré-contrato entre a Pelé Sports & Marketing e o argentino Diego Maradona, que possibilitaria a contratação do jogador para defender Santos ou São Paulo, foi desfeito ontem à tarde em Londres (Inglaterra).

O ministro extraordinário dos Esportes, Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, está em missão oficial na Inglaterra e aproveita para acompanhar o torneio internacional promovido pela federação de futebol local.

O presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, comunicou ontem oficialmente a decisão de Pelé. “Infelizmente, o Maradona mudou todas as cláusulas acertadas preliminarmente.”

“A princípio, o contrato seria de US$ 4 milhões por 28 meses, exclusivamente para exploração de sua imagem. Agora, ele quer receber US$ 15 milhões e, mesmo assim, só a partir de 31 de dezembro”, disse Hak.

Antes, Maradona quer defender o Boca Juniors, da Argentina.

“Ele quer US$ 3,75 milhões na assinatura do contrato, salário de US$ 3,75 milhões, acrescidos de parcelas do mesmo valor no 15º e 20º meses do acordo”, afirmou Hak.

As negociações entre a empresa de Pelé e Maradona começaram no dia 29 de abril, durante encontro entre Pelé e o argentino no Rio de Janeiro.

Na última sexta-feira, em Santos, Pelé se mostrou pessimista. “Houve precipitação. Não tem nada acertado. Esse tipo de acordo envolve inúmeras cláusulas”, disse.

Com relação ao Santos, que seria a primeira opção para Maradona jogar no Brasil, o presidente Samir Abdul-Hak afirmou: “Sempre fomos espectadores. O jogador nos foi oferecido e aguardávamos o desfecho das negociações”.



Fontes: Jornal Folha de SP – http://acervo.folha.uol.com.br/fsp/1995/06/08/20//529952
Vídeo: Wesley Miranda

Data: 01/09/1974
Competição: Troféu Ramon de Carranza
Local: Cádiz, Espanha
Árbitro: Mighelotti (ITA)
Gols: Neeskens (22-1) e Asensi (34-1); Neeskens (17-2), Asensi (27-2) e Pelé (41-2, de pênalti)

BARCELONA
Mora; Rifé, Torres, De La Cruz e Costa; (Albadelejo); Clares (Tomé) e Neeskens; Galego, Asensi, Cruyff e Marcial.
Técnico:

SANTOS
Wilson; Vicente, Marinho, Carlos Alberto e Wilson Campos; Léo e Miffin (Nelsi); Mazinho, Clayton (Cláudio Adão), Pelé e Edu.
Técnico: Tim



Santos, 1 a 4

Com um goleiro inseguro, laterais sendo driblados facilmente, zagueiros de área muito lentos e um meio-campo sem forças para ajudar a defesa e apoiar o ataque, o Santos foi goleado em Cádiz, ficando em último lugar no Troféu Ramon de Carranza.

O entusiasmo durou apenas até sofrer o primeiro gol. Daí em diante, o Santos, não conseguiu em momento algum se impor em campo, vivendo 90 minutos com apenas duas boas jogadas: uma bola na trave, aos 28′ do primeiro tempo, em chute de Clayton, e o gol de Pelé, na cobrança de pênalti que ele mesmo sofreu.

Esse gol do Santos aconteceu depois que o time já tinha errado demais e sofrido quatro gols. Tentou atacar com os ponteiros Mazinho e Edu, mas não deu certo pois o Barcelona manteve sempre os coordenadores recuados, dando cobertura aos laterais, além de Pelé sofrer marcação intensa pelo meio, sem que Clayton abrisse espaços, limitando-se a ficar fixo entre os zagueiros adversários, sendo sempre dominado.

Neeskens abriu o placar aos 22′ do primeiro tempo e o Barcelona passou a envolver o Santos com passes rápidos, iniciados em tabelas entre Cruyff e Neeskens, encontrando sempre Asensi e Marcial correndo à frente de Marinho e Carlos Alberto, que não sabiam a quem marcar.

A confusão do time santista começava na defesa, passando pelo meio-campo e atingindo o ataque. E foi muito fácil para Asensi fazer 2 a 0 ainda no primeiro tempo e consolidar a goleada aos 27′ da fase final, quando fez o quarto gol. Antes aos 17′, subindo livre de marcação, Neeskens tinha feito o terceiro e o Santos só conseguiu amenizar a goleada com o gol de Pelé, tendo sorte de não sofrer outros gols.

O fracasso do Santos

Em apenas dois jogos, a maior derrota do Santos: ele deixou o Brasil com a esperança de manter seu prestígio internacional, expor Pelé pela última vez aos torcedores europeus e garantir, no Troféu Ramon de Carranza, bons contratos para novas excursões.

Com o cansado Pelé, jogadores inexperientes como Wilson, Wilson Campos, Léo, Nelsi, Clayton, Mazinho e Cláudio Adão, o Santos sem Cejas e Clodoaldo, mas com todas outras estrelas que com Pelé garantiram a frequência das excursões, foi um time em decadência, amostra de um futebol sem vibração e sem criatividade.

A goleada diante do Barcelona certamente irá refletir nos planos dos dirigentes, que viam no Torneio a grande oportunidade do Santos reviver seus melhores momentos. E saiu tudo ao contrário. Nunca o Santos foi tão inexpressivo, confuso e sem vida como neste final de semana, representados por 180 minutos e um gol de Pelé cobrado de penalti.

Neste time onde o goleiro sofre gol de escanteio, os laterais não sabem se devem marcar os ponteiros adversários ou apoiar o ataque, os zagueiros de área se mantém lentos e confusos, e o meio-campo renovado com Nelsi, Miffin, Brecha, Léo, não encontra forças para ajudar o ataque, que vive da boa vontade de Pelé e dos dribles inconsequentes de Edu, sem que Clayton ou Mazinho consigam completar as jogadas.

Nessa derrota do Santos surge em evidência a falta de padrão de jogo, a lentidão dominando todas as tentativas de reação e o técnico Tim tendo a participação ativa na falta de ritmo da equipe: ele faz mudanças sucessivas, aparentemente não tem determinado funções. Miffin é um exemplo disso. Entrou no time sem saber o que fazer, como Clayton, que apenas com boa vontade procura entender-se com Pelé. Vítima de seus erros, o Santos acabou em último lugar no Troféu Ramon de Carranza. Saiu para tentar a reabilitação e vai voltar mais derrotado ainda.



Abaixo está disponível para leitura duas páginas do jornal Espanhol El Mundo Deportivo, edição publicada em 02/09/1974 referente a esta partida.