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O advogado Samir Jorge Abdul-Hak foi reeleito presidente do Santos para o biênio 98-99, na noite desta quarta. O candidato obteve 71,5% dos votos de 260 conselheiros do clube.

Abdul-Hak venceu o candidato da oposição, o ex-presidente Antônio Aguiar Filho, por 186 votos a 70. Houve três votos nulos e um em branco. Estavam aptos a votar 300 conselheiros. Quarenta não compareceram à eleição.

O vice-presidente da nova diretoria será o empresário José Paulo Fernandes, que vinha ocupando o cargo de diretor de futebol. O principal cabo eleitoral da situação foi o ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, homem-forte do clube. Pelé estava em Nova York (EUA) e não compareceu à eleição. Ele enviou um telegrama, reafirmando o apoio a Abdul-Hak.

O proprietário da Unicor (empresa patrocinadora do Santos), Renato Duprat, que se tornou conselheiro no ano passado, compareceu para votar em Abdul-Hak.

Após o anúncio do resultado da eleição, partidários da candidatura vitoriosa comemoraram com fogos de artifício, nas ruas próximas à Vila Belmiro.



Fonte: Jornal Folha de SP

Clube investe US$ 250 mil para avaliar jogadores

O Santos conclui neste mês a montagem de um dos mais completos e modernos centros de fisiologia do exercício do futebol brasileiro.

O clube e sua patrocinadora, a Unicór, importaram equipamentos (US$ 250 mil) para realizar avaliação e a reabilitação das condições atléticas dos jogadores.

“Como os aparelhos chegaram aos poucos, o ano que vem será o ano-chave. Teremos uma avaliação individual de todos os jogadores do clube, do infantil ao profissional”, afirma o fisiologista Fábio Mahseredjian, que coordenou a montagem do departamento.

Dentre os equipamentos, um dos mais sofisticados é o dinamômetro isocinético, que avalia a força e o equilíbrio muscular do atleta e reabilita grupos musculares ou articulações com deficiências.

Segundo o fisioterapeuta Luiz Alberto Rosan, o equipamento ajuda a promover um equilíbrio entre a musculatura do lado direito e a do lado esquerdo do corpo.

“Hoje, é básico ter potência e resistência nos membros dos dois lados. O jogador tem de saber chutar com as duas pernas”, diz.

À medida que o atleta realiza os movimentos, o aparelho registra e fornece os indicadores físicos, permitindo criar gráficos, tabelas e um banco de dados do desempenho de cada atleta.

Com base nisso, Rosan prepara programações específicas para desenvolvimento muscular ou recuperação dos jogadores.

O centro também é dotado de esteiras e bicicletas ergométricas, um sistema de análise de metabolismo, aparelho de bioimpedância (para avaliação da quantidade de gordura corporal) e pulsímetros (avaliação de frequência cardíaca durante as atividades).

O Santos também adquiriu um analisador de lactado, que mede a concentração de ácido lático (produto da degradação dos carboidratos) no organismo dos jogadores após uma partida.

A necessidade do aparelho decorre do calendário do futebol, que tem muitos jogos.

“Quanto maior a velocidade de remoção do lactado, melhor. Se o atleta não tiver acúmulo de ácido lático, estará mais descansado e com maior reserva energética para o próximo treino”, afirma Rosan.

Segundo Mahseredjian, o novo departamento deu autonomia e rapidez ao Santos para realizar as avaliações de seus atletas.
“Agora, a gente não precisa mais sair daqui (de Santos para São Paulo) para fazer qualquer tipo de avaliação, exame ou teste.”

Montagem da estrutura é exigência de treinador

A montagem do centro é resultado da contratação, em 96, do técnico Wanderley Luxemburgo e do gerente Marco Aurélio Cunha.

A criação do departamento foi uma das exigências de Luxemburgo e de Cunha. Luxemburgo, além de treinar o time, trabalha como um diretor técnico do Santos.

Ele foi o responsável pela formação de uma comissão técnica multidisciplinar, que inclui auxiliar técnico, preparador físico, treinador de goleiros, médicos, fisiologista, massagistas, fisioterapeutas e psicólogas. Está prevista ainda a contratação de uma nutricionista.

“O Luxemburgo é um profissional que valoriza o desenvolvimento de departamentos médicos e de fisiologia”, diz Fábio Mahseredjian, que realizou trabalho semelhante no Vitória e no Atlético-PR.

Ele faz parte de um grupo de fisiologistas vinculados ao Cemafe (Centro de Medicina de Atividade Física e do Esporte), órgão da Escola Paulista de Medicina.

Pertencem ao órgão os fisiologistas dos chamados “grandes” times paulistas -Turíbio Leite de Barros (do São Paulo), Renato Lotufo (Corinthians) e Paulo Zogaib (Palmeiras).



Fonte: Jornal Folha de SP

O Santos inaugura no jogo de domingo contra o Goiás o complemento do anel de arquibancadas do estádio da Vila Belmiro. A obra custou R$ 600 mil e garantiu a ampliação da capacidade do estádio de 22 mil para 26 mil lugares.

O gramado da Vila Belmiro também recebeu tratamento especial. Foram plantadas sementes de inverno, a fim de reforçar a grama bermuda (de verão), usada durante todo o ano, mas que se fragiliza nos períodos de frio.

Mas a ampliação do estádio não beneficiará o time, caso o Santos se classifique entre os oito finalistas do Campeonato Brasileiro. Na fase decisiva, o regulamento da competição exige estádios com pelo menos 40 mil lugares. Por isso, a equipe não poderá mandar seus jogos na Vila Belmiro.

A partida de domingo será a primeira que o Santos jogará em casa no Campeonato Brasileiro, depois de três jogos. Para atrair torcedores, o clube reduziu para R$ 5 o preço do ingresso para sócios e preparou um sorteio de prêmios no intervalo da partida.


A renúncia do presidente Miguel Kodja Neto ocorreu às 21h05, por meio de carta enviada ao Conselho Deliberativo do Clube. A renúncia foi feita 25 horas após Kodja ter sido reconduzido ao cargo por meio de uma liminar.

Eliminado do Campeonato Brasileiro, o Santos tinha ontem (29/11) dois dirigentes exercendo a presidência do clube. Miguel Kodja Neto e Samir Abdul-Hak.

Isso porque o presidente eleito Miguel Kodja Neto, afastado pelos conselheiros do clube desde o dia 10 de outubro por escândalo no Telebingo, retornou ao cargo por meio de uma liminar obtida na Justiça.

Mas a reunião do Conselho Deliberativo do Santos dia 29/11, com a participação de Pelé, decidiu manter Kodja afastado ao aprovar a auditoria da Trevisan e Associados feita em julho deste ano sobre as contas do presidente. A auditoria constatou irregularidades, apontou R$ 1,3 milhão de prejuízo referente ao Telebingo e Kodja pode ser excluído dos quadro associativo santista.

“A Trevisan descobriu inúmeras irregularidades. Existem despesas estranhas, como o pagamento de 838 outdoors para publicidade do Telebingo”, disse ex-presidente santista, Antônio Aguiar, representante do clube junto à Trevisan Associados.

A Folha apurou que um cheque no valor de US$ 100 mil, emitido pelo Santos durante a gestão de Kodja Neto, não teve o seu beneficiário encontrado.

O prejuízo pode ser maior. Segundo o presidente em exercício, Samir Abdul-Hak, “as dívidas com a divulgação do Telebingo na televisão giram em torno de US$ 2 milhões”.

Pelé, que participou da reunião como conselheiro, disse que, se ficar provado o prejuízo, Kodja deve ressarcir o clube. “Se não puder, que seja preso”, afirmou.

Resultado: o vice-presidente, Samir Abdul-Hak, se considerava no direito de exercer o cargo. “Estatutariamente, eu sou o presidente”, disse Abdul-Hak.

O impasse poderia ser resolvido em cinco dias. Este era o prazo que o Conselho tinha para recorrer da liminar concedida a Kodja. O presidente do Conselho, Edmon Atik, disse que iria recorrer.

Mas o impasse terminou hoje, com a renúncia de Miguel Kodja, que foi aconselhado por José Rubens Marino e outros diretores a fazê-lo.



Referências:

– “Santos pode expulsar presidente por irregularidades financeiras”. (Folha de S. Paulo, Caderno Brasil, p. 1-4, 15 nov. 1994).
– “Santos define futuro dentro e fora de campo”. (Folha de S. Paulo, Caderno Esporte, p. 4-3, 29 nov. 1994).
– “Permanece disputa por presidência do Santos”. (Folha de S. Paulo, Caderno Esporte, website, 01 dez. 1994).
– “Kodja renuncia à presidência.” (Folha de S. Paulo, Caderno Esporte, p. 4-1, 01 dez. 1994).