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Santos Campeão da Copa Conmebol de 1998

Recebido a bala em Rosário e com apenas 15 jogadores disponíveis no elenco, Santos conquista a Conmebol

Em 1998 o Santos tinha um bom time mas aos poucos foi perdendo seu elenco. Dos 25 jogadores inscritos na Conmebol, quatro foram negociados durante a competição (Ronaldo Marconato, Dutra, Fumagalli e Baez), três estavam contundidos (Argel, Jorginho e Lúcio) e dois suspensos (Jean e Viola). O resultado é que o Santos contava com apenas 16 jogadores em condições de jogo, sendo que três deles eram goleiros (Fernando Leão, o terceiro goleiro, não viajou com o time para Rosário).

Cheio de improvisações na escalação, com apenas três jogadores no banco e contra um caldeirão de 50 mil torcedores rivais, a tarefa do Peixe era complicada. Segurar um empate diante dos argentinos, inimigos declarados e eternos , seria (e foi) uma barra.

Em pé: Zetti, Anderson, Élder, Sandro, Claudiomiro e Marcos Bazílio. Agachados: Athirson, Eduardo Marques, Alessandro, Fernandes e Narciso.

A rivalidade começou fora de campo. Na chegada ao estádio até tiros foram ouvidos. “Foi a decisão internacional mais difícil que já disputei na minha carreira. Nunca havia sido recebido anes com pedras atiradas pelos torcedores argentinos e até mesmo tiros, disparados para o alto pela polícia.“, disse o goleiro Zetti. O goleiro contou que o grupo santista chegou a discutir se deveria ou não entrar em campo para disputar a final naquele clima de guerra e pressão. “Conversamos com o presidente da Confederação Sul-Americana, Nicolas Leoz, que nos garantiu que as pessoas estranhas seriam retiradas do campo, e só depois disso optamos por entrar para disputar o jogo”.

– Balas de borracha é o caralho! Não era para termos jogado! Fomos coagidos!“, bradou o técnico Émerson Leão ainda no gramado. A polícia argentina tem outra versão. Diz que os tiros eram de borracha e foram disparados contra os torcedores que tentavam se aproximar à força da delegação do Peixe. Leão definiu o ambiente de antes e durante a partida como uma “noite de terror”. “A decisão de levar 20 seguranças foi acertada. Pelo clima que encontramos foi uma conquista heróica.” O treinador garantiu que o jogo só foi disputado porque toda delegação foi ameaçada de morte. [pullquote]”Vieram os presidentes Nicola Leoz da Conmebol e o do Rosário Central. Disseram que seria difícil garantir segurança sem a realização da partida e que poderíamos morrer.”[/pullquote] Diante da situação Leão manteve uma conversa com os jogadores antes da partida começar, a reunião serviu como trabalho psicológico. “Pedi para jogarem com coragem e dignidade. Todos se uniram na base da amizade. Só assim conquistamos o título”, afirmou.

O técnico Leão passou por uma situação curiosa em Rosário. Suspenso por seis partidas internacionais pela Confederação Sul-Americana, o treinador pôde orientar a equipe do banco de reservas devido à falta de segurança no estádio. Leão só foi proibido de levantar para dar instruções, trabalho que ficou a cargo de Pedro Santilli, preparador de goleiros.

Antes de embarcar para a Argentina, Zetti havia dito que faria o “impossível” para confirmar a vantagem do Santos na competição sul-americana e cumpriu a promessa. Mesmo tendo passado recentemente por problemas particulares (seu pai morreu uma semana antes), Zetti comprovou a boa fase. Além de fechar o gol, comandou o jovem e inexperiente time santista como um autêntico líder e em nenhum momento foi dominado pela tensão.

Em campo o ambiente também não era dos melhores para os santistas. Enquanto o Rosário pressionava bastante (e parava nas mãos de Zetti ou no paredão Sandro e Claudiomiro) apenas Alessandro se encarregava de prender a bola no ataque fazendo o tempo passar. E o tempo passou. Empate de 0x0 que deu ao Santos um título internacional, que o Clube não conquistava desde 1969. Um título vencido na marra.

O título serviu para reforçar a política “pés no chão” retomada pela Diretoria após a saída do técnico Wanderley Luxemburgo no início de 1998. Mais do que o título, os dirigentes festejaram a confirmação do talento de vários jovens jogadores que começaram a se firmar na Vila Belmiro como Athirson, Marcos Bazílio, Eduardo Marques, Adiel, Fernandes e Baiano, todos entre 18 e 22 anos.

Elenco:
Clique aqui e conheça o elenco que conquistou a Copa Conmebol 1998.

Artilharia
04 gols – Viola (Santos) e Morales (LDU)

Artilheiros do Santos
04 gols – Viola
02 gols – Jorginho, Lúcio e Claudiomiro
01 gol – Narciso, Argel, Eduardo Marques e Adiel

Regulamento
A sétima edição da Copa foi disputada por 16 equipes em sistema de mata-mata.

Campanha:

# Data Ficha Técnica Local
Vídeo
1 15/07/1998 Santos 2 x 1 Once Caldas Vila Belmiro
N/D
2 21/07/1998 Once Caldas 2 x 1 Santos (penaltis 2×3) Palogrande
N/D
3 05/08/1998 LDU 2 x 2 Santos Casablanca
N/D
4 11/08/1998 Santos 3 x 0 LDU Vila Belmiro
N/D
5 09/09/1998 Santos 0 x 0 Sampaio Corrêa Vila Belmiro
N/D
6 23/09/1998 Sampaio Corrêa 1 x 5 Santos Castelão
N/D
7 07/10/1998 Santos 1 x 0 Rosário Central Vila Belmiro
8 21/10/1998 Rosário Central 0 x 0 Santos Gig. Arroyto

 

Classificação Final
Pos.
PG
J
V
E
D
GP
GC
SG
1 Santos (Bra)
15
8
4
3
1
14
6
8
2 Rosário Central (Arg)
14
8
4
2
2
9
5
4
3 Sampaio Corrêa (Bra)
11
6
3
2
1
6
6
0
4 Atlético-MG (Bra)
9
6
2
3
1
7
5
2
5 LDU (Equ)
7
4
2
1
1
8
7
1
6 Huracán Buceo (Uru)
4
4
1
1
2
6
6
0
7 Deportes Quindío (Col)
4
4
1
1
2
4
5
-1
8 Jorge Wilstermann (Bol)
2
4
0
2
2
2
5
-3
9 Once Caldas (Col)
3
2
1
0
1
3
3
0
10 Audax Italiano (Chi)
3
2
1
0
1
1
2
-1
11 Cerro Corá (Par)
2
2
0
2
0
2
2
0
12 Gimnasia La Plata (Arg)
2
2
0
2
0
1
1
0
13 Deportivo Italchacao (Ven)
1
2
0
1
1
3
4
-1
14 América-RN (Bra)
1
2
0
1
1
1
3
-2
15 River Plate (Uru)
1
2
0
1
1
1
4
-3
16 Melgar (Per)
0
2
0
0
2
2
6
-4

Galeria de fotos:

Jogos inesquecíveis



Vídeos: (1) Melhores momentos, (2) torcida acompanhando jogo em um bar e (3) chegada da delegação em Santos.

Rosario Central 0 x 0 Santos

Data: 21/10/1998, quarta-feira.
Competição: Copa Conmebol – Final – Jogo de volta (decisão)
Local: Estádio Gigante Arroyto, em Rosário, na Argentina.
Público: 50.000
Árbitro: Ubaldo Aquino (PAR).
Cartões amarelos: Cuberas, Cappelletti, Marra e Flores (R); Claudiomiro, Marcos Bazílio, Athirson, Sandro e Narciso (S).
Cartões vermelhos: Daniele (R) e Eduardo Marques (S).

ROSARIO CENTRAL-ARG
Buljubasich, Jara, Marra (Cappelletti), Gerbaudo e Cuberas; H. González (E. González), Daniele, Rivarola e Gaitán; Flores e Maceratesi (Ruiz).
Técnico: Edgar Bauza

SANTOS
Zetti, Anderson, Sandro, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Élder, Narciso e Eduardo Marques; Fernandes (Baiano) e Alessandro (Adiel).
Técnico: Émerson Leão.



Santos é campeão sob clima de guerra

Time conquista primeiro título internacional após a “era Pelé”; polícia chegou a dar tiros para conter torcida

Em partida marcada por tiros da polícia argentina, ameaças de Leão de não entrar em campo, brigas entre os jogadores e muitos objetos atirados contra os brasileiros, o Santos conquistou a Copa Conmebol empatando por 0 a 0 com o Rosario Central, fora de casa.

Com o resultado, o time da Vila Belmiro ganhou seu primeiro título internacional oficial desde a “era Pelé”. O último havia sido em 1969, quando o Santos conquistara a Recopa mundial, vencendo a Inter, por 1 a 0, na Itália.

Foi também o 13º título de um clube brasileiro nas três principais competições sul-americanas de futebol na década de 90 -Libertadores, Supercopa e Conmebol.

A partida começou com 40 minutos de atraso, porque os brasileiros temiam por sua segurança, depois de quase terem sido agredidos por torcedores argentinos ao chegarem ao estádio.

Para conter a fúria da torcida do Rosario, policiais tiveram de dar pelo menos 12 tiros, o que também serviu para assustar os santistas.

O técnico Emerson Leão, irritado, achava que o time não deveria entrar em campo, mas alegou que eles foram obrigados a jogar “para não morrer”. “Meus jogadores não tinham condições psicológicas para entrar em campo. Não tinham condição nenhuma, nenhuma, são jovens, todos com 20, 20 e poucos anos… Só entramos mesmo porque, se não tivéssemos entrado, poderíamos ter morrido.”

Mesmo com toda a pressão psicológica a que esteve submetido antes do jogo, o Santos surpreendeu no início. Quem esperava que o time de Leão entraria recuado, tentando segurar o empate, resultado que lhe garantiria o título da Conmebol, acabou vendo uma equipe brigando no meio-campo, com a marcação mais adiantada e tentando criar alternativas de ataque.

Mesmo assim, no primeiro tempo as três melhores chances foram do Rosario, duas com o atacante Flores, uma com o meia Rivarola. Nas três ocasiões, quem salvou o Santos foi o goleiro Zetti.

No segundo tempo, o Santos voltou um pouco mais recuado, mas o Rosario, aparentando nervosismo, diminuiu o ritmo, nem sequer conseguindo construir alternativas de gol.

A partir dos 20min da etapa final, com a necessidade de o time da casa marcar pelo menos um gol, levando a decisão para os pênaltis, o jogo ficou ainda mais tenso.

Em pelo menos quatro ocasiões, brasileiros e argentinos trocaram empurrões, causando a interferência do juiz, que acabou expulsando, em primeiro lugar, o santista Eduardo Marques, e depois, o argentino Daniele.
Terminada a partida, os jogadores do Santos nem conseguiram comemorar direito a conquista, com medo de que os torcedores argentinos invadissem o campo.

Os policiais e os seguranças contratados pelo Santos pediram para que o time tentasse deixar logo o campo, evitando problemas.

No final, o goleiro Zetti, emocionado, conclamou a torcida santista a comparecer à praça Independência, em Santos, para comemorar o título obtido na Argentina.

“Estou muito contente, envaidecido até. O coração está muito satisfeito e o título é para todo mundo, para os jogadores que estão machucados, suspensos, que não estiveram aqui”, comentou Leão.

“E estou muito mais contente ainda porque fui bicampeão em cima dos argentinos”, completou o treinador, referindo-se ao título que havia conseguido no ano passado diante do Lanús, quando dirigia o Atlético-MG.

Violência deixa Leão no banco

Suspenso por seis jogos pela Confederação Sul-Americana de Futebol, sob acusação de ter tentado agredir o árbitro Jose Luis da Rosa no primeiro jogo da final, Emerson Leão obteve autorização para assistir a partida de ontem do banco de reservas.

O “perdão”, segundo representantes da própria Confederação Sul-Americana, deveu-se à falta de segurança a que o treinador santista estaria submetido se tivesse visto o jogo das tribunas do estádio Gigante del Arroyito.

“Eu ter ficado no banco é o de menos. Perto de tudo o que aconteceu com a gente antes do jogo nem importância tem. Vocês, no Brasil, não têm idéia do que nós passamos. O jogo tinha que ter sido suspenso, como queria o nosso presidente”, desabafou Leão antes do início da decisão.

Mesmo não parando de reclamar da atitude dos argentinos, o treinador disse que nada se compara ao que ele passou na decisão da Conmebol do ano passado, quando comandava o Atlético-MG.

Na final do torneio de 1997, Leão foi agredido no rosto com uma barra ao tentar apartar uma briga entre atletas de seu time e jogadores, dirigentes e torcedores do Lanús, também da Argentina, que ficou com o vice-campeonato. “Aquilo foi uma loucura, uma barbaridade. Não entendo como a Confederação (Sul-Americana de Futebol) tolera uma coisa dessas”, voltou a vociferar ontem o técnico santista. “Jogar na Argentina é assim mesmo.”

Jogo tem 10% de penetras

A pressão contra os jogadores do Santos, principalmente antes do início da partida, foi ainda maior do que a esperada, porque pelo menos 5.000 penetras conseguiram entrar no estádio.

A capacidade oficial do Gigante del Arroyito é de 50.351 lugares, dos quais 32 mil nas gerais, o restante nas cadeiras.

Os argentinos, no entanto, haviam prometido que não venderiam mais do que 45 mil ingressos, de forma a evitar maiores confusões na arquibancada e, consequentemente, maiores problemas para os santistas, alvos fáceis da torcida local.

Como cerca de 5.000 pessoas conseguiram entrar no estádio, driblando a segurança, mesmo sem ter pago ingresso, o estádio ficou superlotado, contrariando os prognósticos iniciais dos argentinos.

Para Emerson Leão, tudo o que aconteceu na noite de ontem, desde a chegada do Santos ao estádio, representa uma vergonha para o futebol argentino. “Mais uma”, como o treinador fez questão de frisar.

Além da pressão da torcida, os santistas reclamaram do estado do gramado, com muitos rolos de papel higiênico atirados nas duas áreas e nas laterais do campo, rádios e ovos atirados contra os brasileiros e a polícia argentina.



Santos busca título inédito desde Pelé (Em 21/10/1998)

Time adota sigilo na final da Conmebol e leva seguranças para a partida contra o argentino Rosario Central

O Santos decide hoje à noite o título da Copa Conmebol contra o Rosario Central preparado para enfrentar uma batalha campal no estádio El Gigante del Arroyito, em Rosario (Argentina).

“Nossa expectativa é a pior possível. É nesse momento que se prova quem é um grande jogador”, afirmou o zagueiro Sandro, para quem os santistas disputarão uma partida de futebol dentro de uma “praça de guerra”.

A animosidade, decorrente da tradicional rivalidade entre Argentina e Brasil no futebol, foi reforçada pelos incidentes na primeira partida da final, em que o Santos venceu por 1 a 0 na Vila Belmiro.

Naquele jogo, a violência prevaleceu. Os argentinos tiveram três jogadores expulsos (Scotto, Carracedo e Bustos Montoya) e os santistas, dois (Jean e Viola). Nenhum deles atuará hoje. O resultado deu ao Santos a vantagem do empate hoje para chegar ao título, mas os argentinos deixaram o gramado comemorando. Se ganharem por dois gols de diferença, serão campeões. Uma eventual vantagem argentina por apenas um gol leva a decisão para a disputa por pênaltis.

Caso conquiste o título, o Santos voltará a ser campeão de um torneio internacional oficial pela primeira vez desde a “era Pelé”. A última conquista foi em 1969, quando o time foi campeão da Recopa Mundial, ao vencer a Internazionale por 1 a 0 na Itália.

Uma conquista do Santos também consolidaria a hegemonia brasileira na Conmebol. Desde 1992, ano de estréia do torneio, três brasileiros venceram quatro vezes a competição -Atlético-MG (92 e 97), Botafogo (93) e São Paulo (94). Os argentinos Rosario e Lanús ganharam em 95 e 96, respectivamente.

Para enfrentar os rivais na Argentina, o Santos montou uma operação “militar” para tentar contornar as adversidades no terreno inimigo. A delegação viajou ontem à tarde e iria passar a noite em Buenos Aires, a fim de que o sono dos jogadores não fosse perturbado pela torcida do Rosario.

“Os argentinos fizeram isso na Copa de 78 com a seleção brasileira e no ano passado não deixaram o Atlético-MG dormir”, afirmou o técnico Emerson Leão.

O técnico, campeão da Conmebol pelo clube mineiro em 1997, dirigirá o Santos das tribunas, por ter sido expulso na outra partida.

Por razões de segurança, Leão não autorizou a divulgação antecipada dos hotéis em que o Santos se hospedará em Buenos Aires e Rosario, para onde viajará de avião somente hoje pela manhã.

Como forma de evitar hostilidades, Leão abriu mão inclusive do treino de reconhecimento do gramado, ao qual o Santos teria direito, pelas regras da Conmebol.

Segundo o gerente Marco Aurélio Cunha, dez seguranças acompanham a delegação santista.

A diretoria do clube convidou para assistir a partida o presidente em exercício da Confederação Brasileira de Futebol, Alfredo Nunes. O objetivo é ter o dirigente como “testemunha” se o Santos vier a sofrer algum prejuízo. “Já comuniquei à Federação Paulista, à CBF e à Confederação Sul-Americana que se houver qualquer senão, qualquer coisa estranha, o Santos não entra em campo”, declarou o presidente Samir Jorge Abdul-Hak.

A indicação do árbitro paraguaio Ubaldo Aquino desagradou aos santistas. O juiz é o mesmo acusado de prejudicar o São Paulo no ano passado na decisão da Supercopa, ao marcar um pênalti supostamente inexistente em favor do River Plate, da Argentina.

Leão usa rádio para guiar time

O técnico Leão vai dirigir o time do Santos das tribunas do estádio Gigante del Arroyito. Munido de um aparelho de rádio, o treinador transmitirá suas instruções ao preparador de goleiros, Pedrinho Santilli, no banco de reservas.

Leão não estará em campo porque foi suspenso por seis jogos pela Confederação Sul-Americana, acusado de tentar agredir o juiz uruguaio Jose Luis da Rosa no primeiro jogo da final, em Santos.

“Não avisaram ninguém sobre o julgamento, e não me deram direito de defesa. O que interessava para eles era tirar o treinador do Santos. Isso é jogo de cartas marcadas, já estamos sabendo”, declarou.

Leão volta hoje a Rosario pela primeira vez desde 1978, quando defendeu a seleção brasileira como goleiro na partida contra a Argentina (0 a 0), pela Copa do Mundo. “Não tenho boas recordações e não gosto deles (os argentinos).”

A aversão do técnico aos rivais latino-americanos se acentuou após a decisão da Conmebol-97, contra o Lanús, em que foi agredido no rosto com uma barra de ferro ao tentar apartar uma briga.

No jogo de hoje, o técnico tem pouquíssimas opções para escalar o Santos. Devido às suspensões e contusões, somente 15 jogadores integram a delegação.

O atacante Alessandro viajou machucado. Ele sente dores na virilha, devido a uma pancada, mas diz pretender atuar mesmo assim. “Treinei com dores, mas acredito que não vão me incomodar durante o jogo”, disse.

Narciso não teme ser alvo

O volante Narciso, capitão santista, diz não acreditar que será o jogador mais visado pelos argentinos na final da Conmebol.

Narciso foi um dos protagonistas do lance que resultou na expulsão do santista Jean, na primeira partida da final, na Vila Belmiro, dando uma cotovelada no meia González. (FS)

Repórter – Você ficou marcado pelos rivais por causa da cotovelada?
Narciso – Acho que não, porque eles também bateram e, se fizerem isso de novo, será melhor para a gente, porque perderão jogadores (expulsos).

Repórter – Como os santistas vão se comportar em relação à arbitragem?
Narciso – Não podemos deixar a equipe deles crescer para cima do árbitro. Tem de haver uma pressão nossa também, porque dessa maneira o juiz terá de tentar apitar certo. Estamos jogando contra os adversários e contra os bandeirinhas e os árbitros.

Repórter – Como capitão, pretende conversar com o juiz antes da partida?
Narciso – Claro. Em jogos Brasil-Argentina, é sempre muito difícil. A partida fica truncada, e o árbitro tem de estar sempre perto do lance para ver a jogada corretamente, porque o jogador argentino é muito catimbeiro.


Jogos inesquecíveis


Flamengo 2 x 2 Santos

Data: 06/02/1997, quinta-feira
Competição: Torneio Rio São Paulo – Final – Jogo de volta (decisão)
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 70.729
Renda: R$ 775.555,00
Árbitro: Oscar Roberto de Godói (SP)
Cartões amarelos: Fábio Baiano, Bruno Quadros e Nélio (F); Ronaldão (S).
Gols: Ânderson Lima (33-1), Romário (37-1) e Romário (45-1); Juari (32-2).

FLAMENGO
Zé Carlos, Fábio Baiano, Júnior Baiano, Fabiano e Gilberto (Leonardo); Bruno Quadros (Iranildo), Moacir, Nélio e Lúcio (Márcio Costa); Romário e Sávio.
Técnico: Júnior.

SANTOS
Zetti, Ânderson Lima (Baiano), Sandro, Ronaldão e Rogério Seves (Juari); Marcos Assunção, Vágner, Alexandre (Caíco) e Piá; Macedo e Alessandro.
Técnico: Wanderley Luxemburgo.



Santos empata e é campeão do Rio-SP

Equipe fica no 2 a 2 com o Flamengo e conquista seu primeiro torneio sob direção de Wanderley Luxemburgo

O empate favorecia a equipe paulista, que tinha vencido o primeiro jogo, em São Paulo, por 2 a 1, na última terça-feira. É também o primeiro título do clube depois que o técnico Wanderley Luxemburgo assumiu a equipe, em dezembro.

O time soube suportar bem a pressão da torcida do Flamengo, que compareceu em grande número ao Maracanã, e a desvantagem no placar até os 31min do segundo tempo.

O Santos construiu sua vitória pelas laterais, com chutes de fora da área. O time saiu na frente, aos 30min do primeiro tempo, com uma cobrança de falta de Ânderson.

Logo, porém, Romário e Sávio mostraram que podiam fazer a diferença. Eles participaram dos dois gols com os quais o Flamengo virou o jogo, ainda no primeiro tempo.

No gol de empate, Sávio sofreu pênalti de Ronaldão. Romário cobrou e marcou, aos 35min.

Sete minutos depois, Sávio superou a marcação de Ânderson pela esquerda e cruzou rasteiro. Romário, no seu estilo, se antecipou e chutou da pequena área, sem chances para Zetti.

Em desvantagem, o Santos acabou beneficiado pelo cansaço de Romário e Lúcio, que pouco realizaram no segundo tempo. A equipe tomou conta do meio-campo, mas só conseguiu o empate com um outro chute de fora da área, de Juari.

O Santos chegou a estar em vantagem numérica, no início do segundo tempo. O volante flamenguista Bruno Qaudros fez sua quinta falta e cumpriu cinco minutos fora de campo.

Romário acabou sendo o artilheiro do torneio, com sete gols em seis partidas. Segundo ele, o Santos foi melhor nos dois jogos e mereceu o título.


Jogos inesquecíveis


Santos 0 x 0 Portuguesa – 2 x 0 nos pênaltis

Data: 26/08/1973
Competição: Campeonato Paulista – Final
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 116.156 pagantes
Renda: Cr$ 1.502.555,00
Árbitro: Armando Marques

SANTOS
Cejas; Zé Carlos, Carlos Alberto, Vicente e Turcão; Clodoaldo e Léo; Jair (Brecha); Eusébio, Pelé e Edu.
Técnico: Pepe

PORTUGUESA
Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco e Basílio; Xaxá; Enéas (Tatá), Cabinho e Wilsinho.
Técnico: Oto Glória



Armando Marques rouba a cena e divide o título do Campeonato Paulista de 1973

Zé Carlos perdeu o primeiro pênalti, que Zecão defendeu. Isidoro perdeu o segundo, que Cejas defendeu. Carlos Alberto fez o primeiro do Santos, a seguir. Calegari falhou na cobrança seguinte. Depois Edu fez o segundo gol do Santos e Wilsinho mandou a bola na trave.

Armando Marques, errando, apontou o Santos como campeão. No entanto, o regulamento determina que cinco devem ser as cobranças para cada equipe e, até então, cada time havia cobrado apenas três penalidades, restando um total de quatro pênaltis, dois para cada time. Como o Santos estava com vantagem de 2 a 0, ainda havia a possibilidade de novo empate, desde que a Portuguesa convertesse os dois pênaltis restantes e desde que o Santos jogasse fora duas oportunidades. Se o empate ao final dessa serie fosse caracterizado, a disputa de titulo prosseguiria, com a cobrança alternada de pênaltis.

Como Armando Marques resolveu encerrar com a série de cobranças, o Santos passou a comemorar a conquista. Os jogadores choravam e corriam, davam inclusive a volta olímpica. Os jogadores se retiravam aos vestiários, também chorando.

A confusão foi formada depois, quando Armando Marques, procurado por José Ermírio de Moraes Filho e por Paulo Machado de Carvalho, reconheceu o seu erro. Chegou-se a afirmar que as equipes voltariam ao campo e que as penalidades restantes seriam cobradas. Mas a Portuguesa não concordou com essa decisão. Os jogadores se trocavam rapidamente e deixavam o estádio, enquanto que os refletores do Morumbi eram apagados. Também os jogadores do Santos, tomando conhecimento da confirmação do erro por parte de Armando Marques, deixaram as comemorações, trocaram de roupa e começaram a se dirigir para o ônibus.

Enquanto isso, havia o corre-corre de dirigentes; do Santos, da Portuguesa, da Federação. Osvaldo Teixeira Duarte, assessorado pelo diretor jurídico, recusava-se a mandar a equipe para campo novamente, defendendo a tese da realização de uma nova partida:

“O senhor Armando Marques teve uma grande atuação. Mas falhou no momento da cobrança de penalidades e, inclusive, reconheceu o seu erro. Agora, nós da Portuguesa vamos dar entrada de um recurso na Federação Paulista de Futebol, pedindo a anulação da partida, com o base no erro de direito do juiz. O regulamento manda que sejam cobradas cinco penalidades por equipe e ele foi desrespeitado. Não podemos aceitar uma solução que nos prejudique”.

O presidente da Federação Paulista de Futebol, procurando contornar o problema, entendia que a solução deveria surgir hoje, quando de uma reunião com os dirigentes:

“Realmente, o senhor Armando Marques se equivocou. Agora precisamos encontrar a solução. Entendo que a partida terminou e que houve falha na cobrança de penalidades. Assim sendo, os penais restantes devem ser cobrados, em outra data. Mas para mim não existe possibilidade de anulação de partida, porque ela foi legal. A cobrança de pênaltis é parte extra e entendo que Pelé, Leo, Cabinho e Basílio devem cobrar os pênaltis que faltam”.

O público já estava longe do estádio, tentando encontrar melhor maneira de fugir do congestionamento. Alguns ainda comemoravam o titulo conquistado pelo Santos, não sabendo que nada ficara decidido. Os que levaram rádios portáteis acompanhavam o noticiário. O recorde de público e de renda provou o interesse pelo jogo e o congestionamento era esperado.

Armando continuava no seu vestiário, protegido por policiais. Mas não houve nenhuma manifestação hostil contra ele.
Pepe, tomando conhecimento do rumo dos acontecimentos, se mostrava contrário à idéia de novo jogo (“Se tiver que jogar de novo, não jogo”). No fim, os dois presidentes conseguiram se encontrar. E uma rápida reunião foi realizada. A Portuguesa concordou em não entrar com o recurso. O Santos aceitou dividir o titulo com o clube adversário. E a Federação proclamou ambos campeões, para evitar a ação do Tribunal de Justiça Desportiva que demandaria em muito tempo e por problemas originados pela ausência de datas disponíveis, caso fosse resolvido que novo jogo devesse ser realizado.


Ouça o áudio abaixo:

Em 28/09/2008 na Rádio Jovem Pan, no quadro Meu Dia Inesquecível no Mundo da Bola, o convidado foi o ponta esquerda Edu, que comentou a final e o erro do juiz Armando Marques.

Ataque dos cem gols conquista o Paulistão 1960

Em pé Zito, Dalmo, Calvet, Formiga, Mauro e Laércio. Agachados Dorval, Mengálvio, Ney Blanco, Pelé e Pepe.


























O Santos iniciou o ano de 1960 disputando dez partidas em excursão pela América do Sul. Foram integrados ao elenco Tite, que voltava de rápida passagem pelo Corinthians, e talvez a maior dupla de zagueiros que atuou pelo Clube na história: Calvet, que chegava do Grêmio e Mauro Ramos , vindo do São Paulo. A participação do Peixe no Torneio Rio São Paulo foi digna de esquecimento: uma vitória, quatro empates e quatro derrotas. O Fluminense foi o campeão.

Após o Rio SP, em 20/05/1960 o Santos partiria para nova excursão, desta vez na Europa, onde fez nada menos que dezoito partidas em 45 dias, disputando praticamente um partida a cada dois dias. Por isso não é exagero dizer que o Santos treinava no avião como diz o coringa Lima. Apesar da estafante rotina, o Santos venceu nada menos que quatorze jogos e perdeu apenas três jogos. Nesta excursão o Peixe conquistou o Torneio de Paris.

O Campeonato Paulista começou em 11/06/1960, porém o Peixe somente estreiou em 17/07, mais de um mês após os rivais, pois ainda não havia retornado da Europa. Na estréia o Peixe mostrou o cartão de visitas à Ponte Preta e goleou por 6×3 na Vila.

Devemos ressaltar a bela campanha da Portuguesa de Desportos, que teminou apenas dois pontos atrás do Peixe. Infelizmente (para eles) os anos dourados do time da Baixada estavam apenas começando.

Elenco:

Clique aqui e conheça o elenco que conquistou o Paulistão de 1960.

Artilheiro do Campeonato:

32 gols – Pelé (Santos FC)

Artilheiros do Santos FC:
32 gols – Pelé
21 gols – Pepe
11 gols – Coutinho
06 gols – Nei
06 gols – Sormani
05 gols – Dorval
05 gols – Airton
04 gols – Pagão
03 gols – Nenê
02 gols – Mengálvio
01 gol – Tite
01 gol – Pavão
01 gol – Zito
01 gol – Darci (Ponte Preta, contra)
01 gol – Mario (Taubaté, contra)

Curiosidades:

Em 11/12/1960, Éder Jofre, que acabara de conquistar o título mundial de boxe na categoria galo, chegou ao Estádio do Morumbi de helicóptero, antes do clássico São Paulo x Santos. A presença de Jofre parece ter contagiado os jogadores. A um minuto do final, Gonçalo, do São Paulo, foi expulso por ter dado um chute no estômago de Pelé, fora do lance (Pelé teria lhe dado um soco antes). Ao ouvirem o apito, que julgaram ser o do término da partida, Zito e o goleiro Laércio correram para cima de Gonçalo e o agrediram a chutes e socos, enquanto Pelé era retirado de campo. Os dois santistas foram expulsos. Pepe foi para o gol, mas a partida terminou em seguida.

Campanha:
Clique na ficha técnica da partida para ver escalação e o vídeo se disponível.

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Data
Ficha Técnica
Local
Vídeo
1º Turno
1
17/07/1960
Vila Belmiro
N/D
2
21/07/1960
Canindé
3
24/07/1960
Brinco de Ouro
4
27/07/1960
Vila Belmiro
N/D
5
31/07/1960
Vila Belmiro
N/D
6
03/08/1960
Vila Belmiro
N/D
7
07/08/1960
Palma Travassos
N/D
8
10/08/1960
Vila Belmiro
N/D
9
14/08/1960 Corinthians PP 0 x 1 Santos Fazendinha
N/D
10
17/08/1960
Vila Belmiro
N/D
11
21/08/1960
Palestra Itália
N/D
12
31/08/1960
Vila Belmiro
N/D
13
04/09/1960
Fonte Luminosa
N/D
14
08/09/1960
Vila Belmiro
15
11/09/1960
Morumbi
N/D
16
15/09/1960
Vila Belmiro
N/D
17
17/09/1960
Mário Mendonça
N/D
2º Turno
18
21/09/1960
Vila Belmiro
N/D
19
24/09/1960
Rua Javari
20
28/09/1960
Vila Belmiro
N/D
21
02/10/1960
Vila Belmiro
22
16/10/1960
Vila Belmiro
N/D
23
23/10/1960
Moisés Lucarelli
24
29/10/1960
Vila Belmiro
N/D
25
06/11/1960
Vila Belmiro
26
09/11/1960
Ulrico Mursa
N/D
27
13/11/1960
Alfredão
N/D
28
20/11/1960
Santa Cruz
N/D
29
23/11/1960
Vila Belmiro
N/D
30
30/11/1960
Pacaembu
N/D
31
04/12/1960
Joaquinzão
N/D
32
07/12/1960
Vila Belmiro
N/D
33
11/12/1960
São Paulo 2 x 1 Santos Morumbi
N/D
34
16/12/1960
Vila Belmiro
N/D


Classificação
PG
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Santos
50
34
22
6
6
100
44
56
73.5
2
Portuguesa
48
34
22
4
8
74
51
23
70.6
3
Corinthians
44
34
19
6
9
57
43
14
64.7
4
Palmeiras
42
34
16
10
8
63
48
15
61.8
5
Noroeste
40
34
17
6
11
63
46
17
58.8
6
Ferroviária
39
34
16
7
11
72
51
21
57.4
7
Guarani
38
34
14
10
10
59
52
7
55.9
8
São Paulo
37
34
13
11
10
74
56
18
54.4
9
Botafogo
33
34
13
7
14
52
59
-7
48.5
10
XV de Piracicaba
33
34
11
11
12
50
48
2
48.5
11
Comercial RP
31
34
13
5
16
57
64
-7
45.6
12
Taubaté
30
34
12
6
16
44
76
-32
44.1
13
Jabaquara
28
34
10
8
16
59
73
-14
41.2
14
Port. Santista
28
34
12
4
18
45
53
-8
41.2
15
América
27
34
10
7
17
43
62
-19
39.7
16
Juventus
24
34
8
8
18
52
75
-23
35.3
17
Corinthians PP
23
34
10
3
21
44
70
-26
33.8
18
Ponte Preta
17
34
4
9
21
44
81
-37
25



Galeria de fotos:





Créditos:
Imagens: TV Tupi
Fichas técnicas: Almir Espindola e Federação Paulista de Futebol (FPF).

Fontes:
– Comunidade Santos FC Acervo Histórico
– RSSSF Brasil
– Livro “Time dos Sonhos” de Odir Cunha
– Jornal Folha de São Paulo.