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Vídeos: Reportagem Globo Esporte e pênaltis na íntegra.

Palmeiras 2 x 1 Santos – 4 x 3 pênaltis

Data: 02/12/2015, quarta-feira, 22h00.
Competição: Copa do Brasil – Final – Jogo de volta
Local: Allianz Parque, em São Paulo, SP.
Público: 39.660 pagantes
Renda: R$ 5.336.631,25
Árbitro: Heber Roberto Lopes (SC)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos de SP).
Cartões amarelos: Matheus Sales, João Pedro e Dudu (P); Gabriel (S).
Gols: Dudu (11-2), Dudu (39-2) e Ricardo Oliveira (41-2).

PALMEIRAS
Fernando Prass; João Pedro (Lucas Taylor), Jackson, Vitor Hugo e Zé Roberto; Matheus Sales e Arouca; Robinho, Dudu e Gabriel Jesus (Rafael Marques); Barrios (Cristaldo).
Técnico: Marcelo Oliveira

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, David Braz (Werley) e Zeca; Renato, Thiago Maia (Paulo Ricardo) e Lucas Lima; Marquinhos Gabriel, Gabriel (Geuvânio) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Dorival Júnior



Com gol de Prass, Palmeiras bate Santos nos pênaltis e festeja tricampeonato

A moderna arena do Palmeiras pulsou como o velho Estádio Palestra Itália na noite desta quarta-feira. Depois de vencer o Santos por 2 a 1 no tempo normal, o time da casa ganhou por 4 a 3 nos pênaltis com o goleiro Fernando Prass na cobrança decisiva e conquistou o tricampeonato da Copa do Brasil, primeiro título após a reforma do campo.

O atacante Dudu, vilão do vice paulista diante do próprio Santos, marcou os dois do Palmeiras. Nos minutos finais, Ricardo Oliveira fez o gol que provocou os pênaltis. Nas cobranças, além de defender o chute de Gustavo Henrique, Fernando Prass anotou o gol do título.

Fechado para reformas entre 2010 e 2014, o Palestra Itália foi reinaugurado em novembro do ano passado e diante do Santos recebeu 39.660 torcedores, um recorde da nova arena. Palco da conquista da Copa Libertadores 1999, o estádio não abrigava uma festa de título desde a conquista do Campeonato Paulista 2008.

Com o triunfo sobre o Santos, a Sociedade Esportiva Palmeiras comemora seu 12º título nacional, um recorde. Além do tri da Copa do Brasil (1998, 2012 e 2015), o clube ganhou a Taça Brasil (1960 e 1967), o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 1969), o Campeonato Brasileiro (1972, 1973, 1993 e 1994) e a Copa dos Campeões (2000).

O título é especial para Marcelo Oliveira, derrotado nas três decisões anteriores que disputou da Copa do Brasil (em 2011 e 2012 pelo Coritiba e em 2014 pelo Cruzeiro). Com o feito, ele se junta a Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari na galeria de técnicos campeões pelo Palmeiras desde 1977 – Flávio Murtosa, auxiliar do gaúcho, também triunfou.

Se não teve regularidade para brilhar nos pontos corridos do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras jogou o suficiente para bater adversários como Cruzeiro, Internacional e Fluminense nas séries eliminatórias da Copa do Brasil. Assim, além do título, o primeiro da gestão de Paulo Nobre, iniciada em 2013, garantiu uma vaga na Copa Libertadores 2016.

O jogo

Trajado com meias e calções brancos, como na final do histórico Campeonato Paulista 1993, o Palmeiras quase saiu na frente antes do minuto inicial. Pouco depois da saída de bola, Arouca cabeceou, Barrios desviou e Gabriel Jesus, livre, bateu para defesa do goleiro Vanderlei.

Inteligentemente, o Santos procurou explorar a fragilidade do jovem João Pedro na marcação. Aos sete minutos, Zeca desceu pela esquerda e cruzou para Marquinhos Gabriel finalizar. Após grande defesa de Fernando Prass, Victor Ferraz apanhou o rebote e acertou a trave.

O Palmeiras, como há muito não se via, ditou o ritmo do jogo e criou boas chances de marcar. Em uma oportunidade clara, aos 27 minutos, Robinho cruzou da direita para Lucas Barrios. O centroavante esperou o quique da bola e cabeceou para defesa de Vanderlei.

Gradualmente, o Santos aumentou o volume de jogo e equilibrou as ações, mas não conseguiu levar perigo a Fernando Prass até o final do primeiro tempo. Lesionado, o zagueiro David Braz foi substituído por Werley ainda na etapa inicial. Assim como Gabriel Jesus, trocado por Rafael Marques.

O marcador inalterado no primeiro tempo preocupou a torcida alviverde, mas o Palmeiras manteve a frieza e finalmente abriu o placar aos 11 minutos da etapa complementar. Lucas Barrios fez pivô e tocou para Robinho entrar na área. O meia cruzou e Dudu apenas empurrou para o gol. De tipoia, Gabriel Jesus deixou o banco para comemorar na beira do gramado.

Lucas Barrios, lesionado, saiu para entrada de Cristaldo. Em seguida, o técnico Marcelo Oliveira colocou Lucas Taylor no lugar de João Pedro, advertido com o amarelo. Dorival Júnior, por sua vez, tirou Thiago Maia e Gabriel e lançou Paulo Ricardo e Geuvânio.

O Palmeiras fez o segundo aos 39 minutos do segundo tempo. Em cobrança de falta pelo lado direito do ataque, Robinho levantou na área. De cabeça, Vitor Hugo desviou para o meio. Dudu acompanhou a jogada e completou para o fundo das redes.

A alegria alviverde durou pouco, já que o Santos fez sua torcida vibrar no setor visitante dois minutos depois. No lance que provou a decisão por pênaltis, Marquinhos Gabriel cobrou escanteio pelo lado esquerdo do ataque, Werley desviou de calcanhar e a bola sobrou livre para finalização certeira de Ricardo Oliveira.

Pelo Santos, Geuvânio, Lucas Lima e Ricardo Oliveira converteram seus pênaltis. Marquinhos Gabriel e Gustavo Henrique desperdiçaram. Pelo Palmeiras, Zé Roberto, Jackson, Cristaldo e Fernando Prass marcaram. Rafael Marques errou. E a Sociedade Esportiva Palmeiras ganhou por 4 a 3.

Bastidores – Santos TV:

Frustrado, Renato admite: “Sabíamos que isso poderia acontecer”

A perda do título da Copa do Brasil para o Palmeiras na noite desta quarta-feira caiu como um balde de água gelada sobre o Santos. Depois de uma recuperação incrível no Campeonato Brasileiro e uma campanha irretocável na Copa do Brasil, o Peixe termina o ano sem a vaga no G4 e sem o título nacional. Sendo assim, também sem uma vaga na próxima Copa Libertadores da América. Após o jogo. Renato, jogador mais experiente do elenco santista, com 36 anos, reconheceu que a equipe estava ciente do risco quando resolver priorizar apenas as finais diante do Verdão.

“Difícil, complicado. A gente sabia que poderia acontecer, mas a equipe está de parabéns, lutou até o final, mas, infelizmente, não conseguimos ser campeões”, comentou o volante, já na saída de campo, enquanto os palmeirenses iniciavam a comemoração.

Todos os outros jogadores do Peixe deixaram o campo rapidamente e em silêncio. Renato foi o único a falar antes de descer aos vestiários. O clima era de muita decepção, principalmente pelo futebol que a equipe apresentou no Palestra Itália.

Agora, o Santos finaliza a temporada no próximo domingo, contra o Atlético-PR, às 17 horas, na Vila Belmiro, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Em sétimo lugar na tabela de classificação, o clube luta apenas para entrar direto na fase de oitavas de final da Copa do Brasil no próximo ano.

Dorival chama Vila de “brejo” e assume responsabilidade pela derrota

Com um semblante sereno, obviamente nada feliz, mas, ao mesmo tempo, tranquilo, Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva ainda no Palestra Itália, logo depois do Santos acabar derrotado pelo Palmeiras nos pênaltis e, assim, perder a chance de título da Copa do Brasil. O treinador fez questão de chamar toda a responsabilidade pelo resultado negativo, mas fez algumas ressalvas em uma tentativa de explicar os motivos que colaboraram para o clube não alcançar seu objetivo ao fim da temporada.

“Futebol você perde num todo e a responsabilidade é do treinador, não dos jogadores. Assumo essa condição. Fizemos nosso melhor e realmente não foi uma grande noite. De todo o período que aqui estou, foi a partida mais abaixo em relação ao que a equipe vinha atuando e fomos penalizados com o resultado. A maneira como perdemos marca muito, porque a campanha era irrepreensível. Aguardávamos um final diferente, por tudo que o Santos havia produzido”, confessou o treinador, que só mudou a fisionomia, para mais sisuda, quando questionado se a equipe alvinegra teria caído de produção nesta reta final. Neste momento, não faltou reclamações até para a Vila Belmiro.

“Não, pelo seguinte: nós tivemos um campo muito pesado, praticamente jogamos em um barro, em um brejo contra o Flamengo. Foi a única partida que jogamos abaixo. Fomos para Joinville, Curitiba, novamente campos encharcados, pesados. Faríamos a final na quarta, tomamos todas as medidas possíveis. Fomos ao limite”, explicou, refutando criticar as últimas atuações do Peixe.

“Tudo foi debatido, conversado para as decisões e não vi a equipe caindo de produção. Fez uma boa partida na primeira final e estava preparada na segunda partida. Tem dia que não acontece, não produzimos. O Palmeiras tem méritos e fez o resultado”, exclamou.

Outro ponto que deixou Dorival Júnior mais incomodado do que o próprio resultado adverso nesta quarta-feira foi a crítica sobre a escolha da comissão técnica em mandar apenas os reservas nas duas últimas rodadas do Brasileiro, quando o Santos acabou derrotado em ambos e viu a chance de conquistar uma vaga no G4 ir por água abaixo, para apostar tudo na Copa do Brasil, que também não veio.

“Quem fala isso desconhece os fatos, o dia a dia. Jogamos 12 jogos com gramado enxercado, pesado. Pegamos a Vila com um campo pisoteado. Os jogadores não suportam. Braz acabou sentindo hoje. Jogamos quinta e domingo. O Palmeiras quarta e sábado, 24 horas de diferença. Não tirei jogadores em momento nenhum, até o momento que eles me pediram. As pessoas que falam, falam com desconhecimento de causa. Não tem ideia do que é você ficar torcendo para os jogadores não se machucarem”, esbravejou o treinador.

Dorival tenta explicar derrota, mas admite Santos perdido em campo

Dorival Júnior proporcionou uma cena rara no futebol brasileiro. Logo após conceder entrevista coletiva, o treinador do Peixe interrompeu a entrevista do técnico campeão, Marcelo Oliveira, e o parabenizou pela conquista da Copa do Brasil em cima do seu Santos. A cena rendeu aplausos de todos que estavam na sala de imprensa. O treinador do Palmeiras agradeceu ao gesto de Dorival, que mais cedo teve dificuldades para explicar os verdadeiros motivos para a derrota do Peixe por 2 a 1, no Palestra Itália, que acabou com o sonho de título e de uma vaga na Libertadores depois das cobranças de pênaltis.

“(O Palmeiras) prevaleceu em volume. Não conseguimos a troca de passes que sempre tivemos. Em alguns momentos, sentimos a desorganização. O Santos não jogou com a leveza que vinha jogando. Estávamos preparados, fizemos uma semana excelente. Infelizmente, foi uma noite em que as coisas não aconteceram, bem na partida mais importante”, lamentou o técnico.

Diante da falta de argumentos, Dorival Júnior preferiu reconhecer os méritos do alviverde da Capital, mas sem antes deixar de lembrar as possibilidades que o Peixe teve de construir uma vitória na Vila Belmiro, na primeira final, que lhe desse mais tranquilidade para a decisão.

“Criamos muito na primeira partida, procuramos jogar, envolvê-los em todos os sentidos, tivemos a penalidade, possibilidades reais. Não fomos felizes. Talvez fosse o momento do Palmeiras. Foi uma noite muito boa, as coisas encaixaram. O Santos não se achou. Temos que reconhecer que o Palmeiras foi mais eficiente e tem que ser parabenizado”, afirmou.

Por fim, o comandante santista refutou fazer qualquer tipo de crítica sobre a ideia de seus dirigentes em alterar a data da primeira decisão, o que acabou, aparentemente, favorecendo o rival, que teve oportunidade de recuperar jogadores como Arouca, enquanto o Santos, ao invés de enfrentar o Palmeiras embalado pelas vitórias, chegou para o “jogo do ano” com um sobrepeso em função da impossibilidade de alcançar o G4 do Brasileiro a uma rodada do fim do Campeonato Brasileiro.

“É hipótese. Prefiro não falar. Não sei o que aconteceria. Temos que reconhecer o valor do Palmeiras, mereceu. Se deu muito bem nos pênaltis. Tivemos uma campanha equilibrada no ano. O Santos passou por grandes adversários, se credenciou a chegar e talvez merecesse melhor sorte”, finalizou.

Rafa Marques chama R. Oliveira de “mau caráter” e Dudu ironiza “pastor”

Os jogadores do Palmeiras não pouparam críticas ao atacante santista Ricardo Oliveira após a conquista do título da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, no Palestra Itália. Inconformado com a provocação feita pelo centroavante no último encontro das equipes no Brasileirão, Dudu acusou o rival de se aproveitar de um discurso religioso para mascarar suas atitudes fora do gramado. O alviverde afirmou que comportamento adotado por Oliveira não é condizente com a função de pastor exercida por ele em igrejas evangélicas.

“Desse cara aí eu nem falo. Eu nem falo. O cara fala que é pastor e faz umas coisas dessas, tenta humilhar as pessoas de alguma forma. A pessoa tem que ter mais respeito. O cara tem uma carreira brilhante, não precisa ficar falando essas coisas e dizendo que é pastor para cobrir os erros dele. É uma coisa muito feia”, disse Dudu, em referência a uma careta que Ricardo Oliveira fez para provocar o goleiro Fernando Prass ao anotar um dos gols na vitória por 2 a 1 do Santos sobre o Palmeiras, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro.

A revolta do elenco palmeirense era tamanha que os jogadores imitaram a faceta do santista ao posarem para a foto do título. O atacante Rafael Marques chegou a pegar uma máscara do centroavante com um torcedor para usá-la na comemoração da conquista. “Foi pela falta de respeito que ele teve por nós. Ele tem que aprender a respeitar meus companheiros, não importa qual seja o resultado da minha equipe. Ele extrapolou no último jogo contra nós no Brasileiro. Isso mostra o quanto ele, além de ser mau caráter, também é mentiroso”, disparou.

Dudu, autor de dois gols na final, ainda pegou um microfone durante a volta olímpica e puxou um dos gritos da torcida para provocar o rival. “Santos o c…! Lugar de peixe é dentro do aquário”, gritou o atacante, acompanhado em seguida pela massa alviverde. Ao conceder entrevista, o jogador lembrou que o Palmeiras está classificado à Copa Libertadores e desejou sorte ao Santos na disputa do Campeonato Paulista.

“Quando o Santos passou pelo São Paulo, eles falaram que iriam ser campeões. Falaram que iriam humilhar a gente nos dois jogos. As coisas não são assim. Futebol é dentro de campo e tem que ser jogado. Para ganhar é preciso mostrar os motivos que te fazem ser campeão. Então, no ano que vem, quando eles forem jogar com a gente, eu acho que não vão falar mais isso. Vão ter mais um pouco de respeito. E boa sorte para eles no primeiro semestre. Eles vão jogar o Campeonato Paulista, estavam tão crentes de que iam disputar a Libertadores e que iriam nos humilhar nos dois jogos. As pessoas precisam ter mais respeito e humildade”, provocou o atacante.

Com vice e sem vaga no G4, Santos vai deixar de ganhar R$ 7,2 milhões

“Nadou, nadou, nadou… e morreu na praia”. A metáfora é antiga, mas resume bem a forma como o Santos encerra seu ano. Depois de se reerguer no primeiro semestre, passando por um início de temporada repleto de turbulências extra-campo e muita desconfiança, e que acabou ficando marcado pelo título do Campeonato Paulista, o alvinegro praiano encerra seus trabalhos, ainda com uma partida a realizar, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, antes das férias coletivas, com um gosto amargo na boca. A perda da Copa do Brasil e o insucesso na tentativa de ficar com uma vaga no G4 do nacional por pontos corridos já surtem efeito negativo imediato no clube. Com o fracasso nestas duas competições, o Peixe vai deixar de embolsar pelo menos R$ 7,2 milhões.

A derrota para o Palmeiras no Palestra Itália na grande decisão da Copa do Brasil fará com que o prêmio pago pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao campeão, de R$ 4 milhões, seja destinado aos cofres alviverdes. O vice-campeonato renderá apenas a metade do valor ao time da Vila Belmiro.

E depois de findar o jejum de cinco anos e entrar no G4 do Campeonato Brasileiro, o time de Dorival Júnior não conseguiu se manter no posto por mais de seis rodadas. Quando faltavam apenas quatro jogos para o fim da competição, a equipe emendou uma série de um empate e duas derrotas e caiu na tabela. Neste domingo, na partida de despedida, contra o Atlético-PR, em casa, servirá apenas para tentar amenizar o prejuízo.

Caso sustentasse a quarta posição, o Santos receberia R$ 3,2 milhões da CBF. Agora, dependendo de uma combinação de resultados, o máximo que o clube arrecadará com premiação são R$ 2,2 milhões, com um quinto lugar. Em um pior cenário, que é a oitava colocação (não há possibilidade do time terminar a competição abaixo disso), ‘apenas’ R$ 1,2 milhão serão repassados ao alvinegro praiano. Mantendo sua sétima colocação de momento, R$ 1,3 milhão serão pagos, com um acréscimo de R$ 100 mil se a equipe ficar em sexto lugar.

A ausência na próxima edição da Copa Libertadores da América também acaba frustrando planos do departamento de marketing para uma alavancada e valorização da marca em 2016. Confirmando-se a classificação do São Paulo no domingo, contando que Corinthians e Palmeiras já asseguraram suas vagas na competição continental, o Peixe terá muita dificuldade em atrair patrocinadores e parceiros com todos seus rivais locais tendo uma possibilidade de exposição muito maior na mídia.

Desde janeiro de 2013, o clube não chega a um acordo de no mínimo uma temporada para o espaço nobre da camisa. O famoso patrocinador master.

Apesar de “impacto”, Dorival pede calma e segue otimista para 2016

Perda de título para um rival costuma acarretar em desdobramentos internos e uma pressão muitas vezes insustentável para técnicos, jogadores e até dirigentes. No Santos, mesmo depois do fim do sonho de conquistar sua segunda Copa do Brasil e de ficar com uma vaga na próxima Libertadores da América, Dorival Júnior tenta minimizar a queda e prefere destacar o que enxerga de positivo diante deste cenário.

“Só lembrar o começo do ano. Terminamos um ano com uma equipe reconhecidamente forte. Infelizmente, não conquistamos a segunda final, mas chegamos com uma equipe montada, com jogadores numa crescente, despontando, aparecendo muito bem na temporada. Não vejo situação de desespero. Muito diferente do ano passado”, comparou o treinador, relembrando uma temporada que se encerrou cheia de incertezas e que antecedeu um momento de instabilidade muito grande no clube, com uma debandada de atletas, ações na Justiça e atrasos salariais.

Mesmo assim, Dorival não tentou mascarar as consequências de uma derrota que joga todo o esforço de um semestre inteiro por água abaixo. Para o treinador, ser vice realmente tem um peso muito grande no Brasil.

“Impacto sempre tem. No nosso pais, só se reconhece o primeiro. Foi o que falei para o Marcelo (Oliveira) na quarta passada. O segundo é a pior colocação, talvez pior que o último. Nunca é reconhecido, mas desvalorizado. Erramos em algum momento, alguém vai errar para o outro chegar a ser campeão. Perdemos. Mas não podemos baixar a cabeça”, comentou.

O plano era disputar a competição mais importante do continente. Agora, as coisas mudam um pouco. Os objetivos do Peixe para 2016 serão mais uma vez buscar essa vaga, pensando em 2017, mas principalmente tentar acabar com o jejum de 11 anos e conquistar o título Brasileiro, competição na qual o alvinegro praiano sequer conseguir obter um resultado melhor que um sétimo lugar nos últimos sete anos.

“Não muda o planejamento. Temos muitas coisas definidas. Conversamos nos últimos três, quatro meses. Chegamos a coisas muito mais boas do que ruins. Pegamos qualquer time de igual para igual. Tem que sair fortalecido. Mesmo que seja uma derrota doída, tem que se fazer presente em 2016. Algumas coisas serão corrigidas. O Santos se vê preparado para um ano muito melhor”, projetou Dorival Júnior, tentando manter seus jogadores e sua torcida animados com o futuro do time.



Vídeos: (1) Gols e (2) melhores momentos.

Santos 1 x 1 Corinthians

Data: 19/05/2013, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – Final – Jogo de volta
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 14.740 pagantes
Renda: R$ 877.256,00
Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima
Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse e Danilo Ricardo Simon Manis.
Cartões amarelos: Fábio Santos, Edenílson, Cássio e Romarinho (C).
Gols: Cícero (26-1) e Danilo (28-1).

SANTOS
Rafael; Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Júnior, Arouca, Cícero e Felipe Anderson; Neymar e André (Miralles).
Técnico: Muricy Ramalho

CORINTHIANS
Cássio; Alessandro, Gil, Paulo André e Fábio Santos; Ralf e Paulinho; Romarinho (Alexandre Pato), Danilo e Emerson (Edenílson); Guerrero (Douglas).
Técnico: Tite



Corinthians segura vantagem, empata na Vila, e é campeão paulista pela 27ª vez

Santos abriu placar, mas Danilo garantiu o 1 a 1 que deu mais um Estadual ao time do Parque São Jorge

Depois do fim do sonho do bi da Libertadores , o Corinthians recebeu um prêmio de consolo neste domingo. Contra o Santos na Vila Belmiro, com a vantagem do empate conquistada depois de vitória no Pacaembu, o Corinthians sofreu um gol de Cícero, mas respondeu imediatamente com Danilo e segurou o resultado até o fim. Este foi o 27º título paulista do Corinthians, o maior campeão do torneio.

O árbitro da decisão, Guilherme Ceretta de Lima, escolhido depois do afastamento e aposentadoria de Rodrigo Braghetto, desagradou os dois times. Os corintianos reclamaram de faltas invertidas e dos cartões amarelos (nenhum santista foi advertido). Os santistas reclamaram de um pênalti no primeiro tempo depois de mão na bola de Paulo André.

O Corinthians não conquistava um título na Vila Belmiro desde 1941, quando levou o título paulista daquele ano contra o Santos. Nos minutos finais do jogo a torcida corintiana adiou o apito final por atirar sinalizadores no gramado.

O jogo

A experiência da partida de ida no Pacaembu, quando o Santos foi apenas um espectador do jogo do Corinthians no primeiro tempo, fez com que Muricy Ramalho escalasse um time muito mais ofensivo.

Num 4-3-3, com Neymar, André e Felipe Anderson na frente, o Santos levou perigo mais vezes e fez o primeiro gol depois de chute preciso de Cícero aos 26, que aproveitou cruzamento de Felipe Anderson em cobrança de falta recebida por Neymar.

A resposta corintiana foi imediata. No primeiro ataque depois de sofrer o gol santista, Emerson teve chance de marcar, mas Rafael defendeu. No rebote, Danilo mandou para as redes.

A ducha de água fria nas esperanças santistas tornou o jogo mais favorável para o Corinthians. Paulinho, de falta, e Danilo, no lance seguinte, aos 41 minutos, acertaram o travessão de Rafael e colocaram o Corinthians mais perto de ir para os vestiários com a vantagem.

Um pouco antes, aos 36, os santistas reclamaram de pênalti. Bruno Peres cruzou e Paulo André se jogou para cortar a bola, que tocou seu braço. O árbitro mandou o jogo seguir avaliando que o toque não foi intencional. O zagueiro estava no limite da linha da área, próximo à linha de fundo.

O Corinthians terminou o primeiro tempo com cinco chutes em gol contra dois do Santos. Foram ainda duas tentativas para fora de cada lado. O Santos fez 13 faltas e o Corinthians, 11.

Na volta dos vestiários, sem substituições, o Santos teve as primeiras chances de ampliar. Mas André, com quem a torcida não tinha mais paciência desde o primeiro tempo, perdeu aos seis minutos a chance mais clara que teve no jogo. Miralles entrou em seu lugar aos 13 minutos.

Com a necessidade de marcar um gol para ao menos levar a decisão para os pênaltis, o Santos passou a encher a área corintiana de cruzamentos. Com poucas chances de entrar no campo de ataque com a bola nos pés, não restou outra opção ao time de Muricy Ramalho.

O Corinthians, sem Emerson, substituído por Edenílson aos 15, ficou mais veloz e teve boas chances de ampliar. Uma com o próprio Edenílson, logo que entrou em campo, quando não teve o domínio de bola em frente a Rafael e outra, mais clara ainda, com Romarinho, que sem marcação alguma acertou o pé esquerdo da trave esquerda do goleiro santista.

O Corinthians segurou o jogo até o fim e o Santos não teve mais nenhuma grande chance de evitar o título rival em sua casa. Pato e Douglas ainda entraram em campo, mas nada fizeram. O camisa 7 ainda perdeu chance clara nos acréscimos. Não fez falta. O Corinthians voltou a ser campeão na Vila Belmiro depois de 72 anos.

Tite impede volta olímpica dos jogadores do Corinthians e fica perto da torcida

Treinador corintiano pediu respeito aos torcedores do Santos e levou seus jogadores a comemorarem o título paulista ao lado dos poucos corintianos na Vila Belmiro

“Sem volta olímpica, vamos respeitar os santistas”, ordenou Tite, pouco após a entrega do troféu do Campeonato Paulista ao Corinthians . Ele preferiu que os seus jogadores, todos vestidos com a camisa 27 — referência ao número de conquistas estaduais do maior campeão de São Paulo –, ficassem perto dos 700 torcedores corintianos que ocupavam o espaço dos visitantes na Vila Belmiro.

“Fomos desclassificados, eles nos deram carinho. Estamos aqui para devolver esse carinho a eles”, afirmou o treinador, recordando a eliminação na Copa Libertadores . Na última quarta-feira, após empate com o Boca Juniors em partida de arbitragem histórica, o Pacaembu aplaudiu o atual campeão mundial e cantou o hino do clube por cerca de dez minutos.

“Nós brigamos. Fomos desclassificados daquela forma, lutando, não apelando, e eles reconheceram. O mínimo que podíamos fazer era ter um desempenho parecido. Jogou muito. Jogou muito! É para eles”, empolgou-se o gaúcho, que nunca havia conquistado o Paulista.

A cada resposta em suas entrevistas após o empate em Santos , Tite relembrou o reconhecimento recebido após o adeus à luta pelo bicampeonato sul-americano. Não só de torcedores mas também de dirigentes, algo que foi transmitido insistentemente aos atletas antes da decisão estadual.

“Foi um combustível que vi muito poucas vezes da vida. Ser desclassificado e ter considerável reconhecimento, ter tamanho carinho. Passei para os jogadores e para os funcionários que cada um deles tinha méritos naquilo. Perdemos, mas não fomos derrotados. E estava ali o reconhecimento do técnico com eles também”, contou.

Usando uma frase que adora — “não sei a dimensão” –, o gaúcho procurou não posicionar o Paulista em seu ranking de grandes conquistas recentes. Mas valorizou demais retribuir com um troféu os aplausos de quarta-feira: “Tem coisas que transcendem o futebol”.

“Vai ser difícil digerir”, afirma Edu Dracena sobre título perdido pelo Santos

Zagueiro lembra que o time precisa dar sequência ao trabalho para se manter competitivo na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro

O empate com o Corinthians por 1 a 1 neste domingo , na Vila Belmiro, não foi o suficiente para o Santos ficar com o título paulista. O zagueiro Edu Dracena reconheceu a força do oponente na decisão, mas lamentou a perda da taça.

“São as duas melhores equipes do futebol paulista, mas (final) é assim. Hoje (domingo), infelizmente, o Santos perdeu. Agora é levantar a cabeça. Uma hora se ganha, outra se perde”, afirmou.

Dracena agradeceu o apoio da torcida, que lotou a Vila, mas não viu o time conseguir reverter a vantagem do adversário, dentro de campo. “A torcida está de parabéns, pois nos incentivou o tempo todo, até o fim do jogo. Infelizmente, não pudemos dar esse título ao torcedor. Nem sempre a gente consegue o que quer”, ponderou.

O zagueiro lembrou que o Santos precisa dar sequência ao trabalho, visando a continuidade da Copa do Brasil e a disputa do Campeonato Brasileiro. “Não é fácil falar agora. Vamos tentar digerir essa derrota, mas vai ser algo muito difícil. Acredito nos nossos jogadores e na diretoria, para buscarmos a Copa do Brasil e o Brasileirão”, finalizou Edu Dracena.

Muricy reconhece esforço santista, mas vê título merecido do Corinthians

Técnico classifica gol de empate sofrido na Vila Belmiro como “castigo”, mas admite que rival foi superior nos 180 minutos da decisão

O Santos abriu o placar com o meia Cícero, mas cedeu o empate logo depois, com um gol do meia Danilo, e sem conseguir superar o Corinthians , viu o rival comemorar o título paulista neste domingo , em plena Vila Belmiro. Sem críticas, o técnico Muricy Ramalho reconheceu o esforço dos seus comandados dentro de campo, na tentativa de reverter a vantagem do rival.

“Em alguns momentos, nós jogamos bem e tivemos mais a posse de bola. Tivemos um bom volume de jogo na primeira etapa, quando estávamos melhores, mas tomamos um castigo, logo depois de fazermos o gol (Danilo empatou aos 28, dois minutos após o gol de Cícero). Se aquele gol não sai (no primeiro tempo), o jogo seria outro, pois poderíamos atrair mais o adversário e jogar no contra-ataque, explorando a nossa velocidade, que é uma das nossas principais características”, lamentou Muricy, que classificou a conquista corintiana como justa.

“Ás vezes, você quer muita coisa, mas você só dá aquilo que pode mostrar. Tivemos chances, mas não seguramos a vantagem, que era importante. O Corinthians, no total dos dois jogos, foi melhor. Nos 180 minutos, acredito que o título deles foi merecido”, analisou.

O treinador ressaltou ainda que, devido às mudanças promovidas no elenco para a temporada, o vice-campeonato do Paulistão não pode ser caracterizado como um resultado decepcionante. “É difícil, pois nós mudamos bem e chegamos longe na competição, até a final. Para um time que mudou tanto, está bom. É uma coisa natural, de quem teve de formar uma nova equipe. O nosso time anterior havia vencido tudo, mas terminou no ano passado. Esse ano, nós estamos montando uma nova base e temos que dar sequência”, concluiu.

Os santistas tentam esquecer a perda do título estadual e já voltam as atenções para a Copa do Brasil. Os alvinegros recebem o Joinville, na próxima quarta-feira, às 22 horas, na Vila, no duelo de volta da segunda fase do torneio. Com um empate, o time praiano se classifica para a etapa seguinte da competição.

Cícero critica arbitragem e vê erros na Libertadores influenciarem na decisão

Meia do Santos reclama de pênalti e faltas não marcadas em Neymar durante jogo contra o Corinthians na Vila Belmiro pela final da Libertadores

Autor do gol do Santos no empate com o Corinthians neste domingo, Cícero se mostrou inconformado com a atuação do árbitro Guilherme Ceretta de Lima na decisão do Campeonato Paulista. Irritado, o santista disparou contra o juiz e chegou a falar que Ceretta teve participação direta no resultado da partida.

Cícero acredita que as reclamações do adversário, acerca da arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla, no empate do clube de Parque São Jorge com o Boca Juniors (Argentina), na última quarta-feira, no Pacaembu, que tirou os corintianos da Libertadores, influenciaram no desempenho da arbitragem na final do Campeonato Paulista.

“O Corinthians saiu contra o Boca e todos falaram de arbitragem, quiseram tirar o foco. Aí ele (Guilherme Ceretta de Lima), chega aqui e não marca uma falta em cima do Neymar, na entrada da área (lance que envolveu o zagueiro Paulo André, no primeiro tempo). Só porque reclamaram durante a semana, prejudicaram o Santos aqui dentro. Quem pagou o preço foi o Santos”, desabafou o meio-campista.

Ceretta teve a sua escalação para apitar a última partida do Paulistão confirmada apenas na sexta. Rodrigo Braghetto iria comandar o duelo, mas foi trocado pela Federação Paulista de Futebol, pois foi comprovado que a empresa do árbitro, a Apto Esportes, prestava serviços ao departamento amador do Corinthians. Com isso, foi promovido um novo sorteio para a escolha do juiz que dirigiria a final. Após esse episódio, Braghetto anunciou a sua decisão de abandonar a arbitragem.

Mais calmo que Cícero, Léo evitou comentar a arbitragem do clássico. O experiente lateral-esquerdo preferiu destacar o mérito dos rivais no título estadual, mas admitiu que não foi nada agradável a sensação de ver o Corinthians comemorando na casa do Santos.

“Foi justa (a conquista do título). Enfrentamos uma equipe que soube jogar com o resultado nas mãos e ficou lá atrás, se defendendo bem e explorando os contra-ataques. Foi um gosto horrível (ver a festa corintiana)”, comentou Léo.

Mesmo sem título paulista, Laor parabeniza Muricy Ramalho

O mandatário está afastado do cargo de presidente do Santos, pois apresentou problemas de saúde e não está 100% recuperado

A perda do título paulista para o Corinthians, após o empate por 1 a 1 neste domingo, na Vila Belmiro, parece não ter afetado a confiança do presidente do Santos , Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, no técnico Muricy Ramalho. Debilitado, o mandatário, que está afastado do cargo para se recuperar plenamente dos seus recentes problemas de saúde, mostrou apoio ao trabalho do treinador no clube praiano.

Laor interrompeu a entrevista coletiva de Muricy, depois da final do Paulistão, e abraçado ao comandante, disse: “Parabéns, Muricy!”. Em seguida, o dirigente prometeu aos jornalistas presentes na Sala de Imprensa da Vila que irá conceder uma entrevista coletiva, nos próximos dias.

Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro esteve, por duas vezes, internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, neste ano. O presidente apresentou problemas cardíacos e, agora, segue tratamento orientado pelos médicos, em sua residência.

Para acompanhar o jogo decisivo do Paulista, Laor chegou ao estádio de bengala e teve todo o aparato médico à sua disposição, caso houvesse necessidade de atendimento durante a partida.

Enquanto Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro cuida de sua saúde, o vice Odílio Rodrigues ocupa interinamente a presidência santista, como já aconteceu em outras oportunidades.

Santos 1 x 3 Boca Juniors

Data: 02/07/2003, quarta-feira, 21h40.
Competição: Copa Libertadores – Final – Jogo de volta
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 74.395 pagantes
Renda: R$ 1.221.687,00
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Cartões amarelos: Léo, Fabiano e Fábio Costa (S); Cascini (BJ)
Gols: Tévez (21-1); Alex (30-2), Delgado (39-2) e Schiavi (49-2).

SANTOS
Fábio Costa; Wellington (Nenê), Alex, André Luís e Léo; Paulo Almeida, Renato, Fabiano e Diego; Robinho e Ricardo Oliveira (Douglas).
Técnico: Emerson Leão

BOCA JUNIORS
Abbondanzieri; Ibarra, Schiavi, Burdisso e Rodriguez; Battaglia, Cascini, Cagna (Caneo) e Villareal (Jérez); Delgado e Tévez (Canjelico).
Técnico: Carlos Bianchi



Boca Juniors conquista a Libertadores e vira o maior algoz brasileiro

O Boca Juniors venceu o Santos por 3 a 1, nesta quarta-feira, no Morumbi, em São Paulo, no jogo de volta da decisão da Libertadores, e conquistou seu quinto título continental, o terceiro nos últimos quatro anos.

O resultado frustrou os planos da equipe de Robinho e Diego de voltar a vencer o torneio 40 anos depois do bi conquistado pelo time de Pelé, sobre o próprio Boca, em 1963.

O clube argentino transformou-se ainda no maior carrasco do futebol brasileiro em decisões do principal interclubes da América do Sul.

Três das cinco conquistas boquenses aconteceram contra rivais do Brasil. Em 1977, superou o Cruzeiro, e, em 2000, foi campeão em cima do Palmeiras.

O técnico do Boca, Carlos Bianchi, que faturou sua quarta taça, sendo o treinador de maior sucesso na história da Libertadores, também tem contra os brasileiros seu melhor retrospecto. Curiosamente, conseguiu três dos títulos jogando contra times do Brasil e no estádio do Morumbi.

Em 1994, o atual técnico do Boca conduziu o Vélez Sarsfield a sua única conquista, sobre o São Paulo. Em 2000, já no comando do Boca, viu o time superar os palmeirenses.

Apesar da pressão da torcida santista que lotou o Morumbi (74.395 torcedores), o time argentino superou a pressão do rival nos primeiros minutos e, na única vez que chegou ao gol de Fábio Costa no primeiro tempo, abriu o placar.

O lance aconteceu aos 21min. Após falha em saída de bola de Alex, o Boca Juniors puxou o contra-ataque, e, próximo à área, Tévez tabelou com Bataglia e chutou para fazer 1 a 0.

O Santos, que precisava ganhar por dois gols de diferença para forçar, pelo menos, os pênaltis, criou uma ótima chance para marcar aos 7min, mas Villarreal salvou em cima da linha a cabeçada do zagueiro André Luís.

Após sofrer o gol, o time de Emerson Leão encontrou dificuldades para superar o bloqueio do rival. Os jogadores santistas também abusaram dos cruzamentos na área e facilitaram para a marcação boquense.

O empate do time da Vila Belmiro veio com o zagueiro Alex, que havia falhado no lance do gol argentino. Aos 30min, o defensor santista arriscou de fora da área e acertou o canto direito do gol de Abbondanzieri.

No entanto, aos 39min, no contra-ataque, Delgado, que fez o ótimo jogo pela equipe e vai jogar na próxima temporada no mexicano Cruz Azul, recebeu livre, logo após o meio campo, e tocou na saída de Fábio Costa.

Aos 49min, o goleiro Fábio Costa entrou violento, com os dois pés, em cima de Jérez, que recebeu livre na área, e o juiz Jorge Larrionda marcou pênalti. Schiavi cobrou e definiu o placar: 3 a 1.



Time da Vila usa 23 atletas e se repete apenas uma vez

Suspensão, contusão e tática levam Leão a banalizar noção de titularidade

A participação do Santos na Taça Libertadores de 2003 contradisse um rótulo que o time da Vila Belmiro carrega desde o Campeonato Brasileiro do ano passado: o de não possuir reservas capazes de substituir os titulares e manter o padrão de jogo da equipe.

Suspensões, contusões e opção tática, nessa ordem, fizeram o técnico Emerson Leão utilizar 23 dos 26 atletas inscritos pelo clube na competição continental, tornando o revezamento de jogadores uma constante.

Até mesmo quando não houve motivo de força maior (suspensão ou contusão), Leão mudou a equipe em busca de variações.

“Estamos provando que aqui todos sabem que são titulares e que podem ser aproveitados a qualquer momento”, afirmou o meio-campista Renato.

De fato, apesar de tantas mudanças, o clube chegou invicto à final, ostentando também o melhor ataque do torneio (29 gols).

No meio do percurso, ainda teve de driblar contratempos como a lesão que afastou Ricardo Oliveira por três jogos. Mesmo assim, o atacante se manteve na ponta da artilharia (nove gols).

Em apenas um jogo -contra o 12 de Octubre, no Paraguai, ainda na primeira fase do torneio- o técnico Leão conseguiu repetir a escalação do confronto anterior.

Na decisão de hoje, contra o Boca Juniors, o revezamento continua: com a expulsão de Reginaldo Araújo no jogo de ida, em Buenos Aires, mais uma vez o Santos será diferente. E, sem Elano, terá de procurar outro “polivalente”.

“Temos uma reserva de qualidade que auxilia o treinador. Tenho certeza de que quem se colocar ali [no lugar de Elano] vai se ofertar de maneira muito intensa”, afirmou Leão.

Roda-viva

A lateral direita é a posição na qual o rodízio foi mais frequente. Nada menos que quatro jogadores passaram pelo setor, entre eles Michel (que nem sequer está mais no elenco).

Se teve problemas em algumas posições, em outras Leão fez apostas altas e bancou seus jogadores menos famosos. Como a decisão de manter o goleiro Júlio Sérgio no jogo de volta das quartas-de-final, contra o Cruz Azul, mesmo após o titular, Fábio Costa, ter se recuperado de uma lesão.

Foi também diante da equipe mexicana que o zagueiro Pereira acabou saindo do limbo. Ele substituiu André Luiz, contundido, e não saiu mais do time titular.

Outro reserva, Fabiano, entrou para substituir Ricardo Oliveira e acabou se transformando numa espécie de 12º titular (foi dele um dos gols contra o Independiente Medellín, na semifinal).

O jogador simboliza o estilo mutante do time de Leão: polivalente, já atuou no meio e pode até jogar na lateral hoje.

Dois atacantes questionados pela torcida, William e Douglas, tiveram a chance de sair jogando contra o Cruz Azul, um em cada jogo. Não se firmaram, mas deram sua contribuição.

No Brasileiro, os reservas também fazem sucesso. No sábado passado, enquanto os titulares eram poupados para a final, o “segundo quadro” goleava o Bahia por 4 a 0. A atuação mereceu elogios dos titulares. “Aqui, muitas vezes alguém entra no time e vira destaque”, disse o zagueiro Alex.

Alguns atletas do elenco, entretanto, não participaram do rodízio. São os casos do lateral Léo, do meia Diego e do atacante Robinho, titulares nos 13 jogos realizados pelo Santos na Libertadores.

Alex, Paulo Almeida, Renato e Elano, com 12 presenças, vêm logo a seguir. O goleiro Fábio Costa participou de 11 partidas, e o atacante Ricardo Oliveira, de dez.





Goleiros:
Carlos Germano
Fábio Costa
Nando
Nei


Laterais:
Michel
Ceará
Rubens Cardoso
Dutra


Zagueiros:


Volantes:
Claudiomiro
Rincón
Elder
Anderson Luis
Marcelo Silva
Baiano
Paulo Almeida


Meias:
Caíco
Eduardo Marques
Robert
Valdo


Atacantes:
Dodô
Caio
Deivid
Valdir
Weldon
Adiel
Aílton


Técnicos:
Carlos Alberto Silva
Giba



Santos Futebol Clube

– Presidente: Marcelo Pirilo Teixeira (2000-2001)
– Patrocínio: Alphaclub (Master)
– Fornecedor: Umbro

Elenco:

G – Carlos Germano Schwambach Neto
G – Fábio Costa
G – Antônio Fernando Remiro Barroso (Nando)
G – Valdinei Cunha (Nei)

LD – Michel dos Reis Santana
LD – Marcos Venâncio de Albuquerque (Ceará)
LE – Rubens Vanderlei Tavares Cardoso
LE – Antônio Monteiro Dutra

Z – Márcio Roberto dos Santos
Z – Carlos Alberto Galván
Z – André Luis Garcia
Z – Fábio Pereira da Cruz

V – Freddy Eusebio Rincón Valencia
V – Claudiomiro Salenave Santiago
V – Élder Alencar Machado Campos
V – Anderson Luís Schveitzer
V – Marcelo José da Silva
V – Dermival Almeida Lima (Baiano)
V – Paulo Almeida Santos

MD – Aírton Graciliano dos Santos (Caíco)
MD – Eduardo Marques de Jesus Passos
M – Valdo Cândido de Oliveira Filho
ME – Robert Silva Almeida

A – Ricardo Lucas (Dodô)
A – Caio Ribeiro Decossau
A – Deivid de Souza
A – Valdir de Moraes Filho
A – Weldon Santos de Andrade
A – Adiel De Oliveira Amorim
A – Aílton de Oliveira Modesto

T – Carlos Alberto Silva
T – Antônio Gilberto Maniaes (Giba)



Histórico:

A nova diretoria do Santos, encabeçada por Marcelo Teixeira, movimentou o mercado: foram dez contratações e muitas brigas. O anúncio de Rincón, um dos melhores jogadores em aividade no país, bateu forte no Corinthians; o acerto com Carlos Germano irritou os vascaínos e fez com que o goleiro fosse afastado do Mundial de Clubes da Fifa; Robert interessava ao Palmeiras, e o Grêmio acusou o Peixe de atravessar seu negócio…

O Santos não vence uma competição tradicional há 15 anos e para um grande clube isso é sinônimo de crises. Crise financeira, principalmente. Com um elenco muito reduzido o Peixe teve que ir as compras.

Contando com o futuro acordo de um investidor forte, a CIE/Octagon, o clube investiu pesado. Os mais desconfiados, no entanto, perguntam de onde veio o dinheiro para montar um time praticamente novo, se a parceria com o consórcio, aprovada pelo conselho do clube em janeiro, ainda não havia saído do papel até meados de março? “Buscamos apoio do Clube dos 13, na Federação Paulista e no prestígio da minha família em Santos, que rendeu empréstimos bancários”, responde Marcelo Teixeira. Um investimento de alto risco, que após a contratação de Valdo passou dos R$ 25 milhões.

Desde a derrota roubada na final do Brasileiro 95 a torcida não ficava tão ansiosa pela chegada de um Paulista. O número de associados do Clube saltou 30% de dezembro de 1999 a janeiro de 2000 (são atualmente 4 mil sócios com a mensalidade em dia).

Quem chegou: Rincón, Carlos Germano, Galván, Márcio Santos, Valdo, Rubens Cardoso, Anderson Luís, Robert, Valdir e Fábio Costa. Voltaram de empréstimo Baiano (Vitória), Caio e Narciso (Flamengo). Este último começaria sua luta pela vida ao ser diagnosticado com leucemia.

Quem saiu: Zetti, Fricson George, Gustavo Neri, Cláudio, Andrei, Valdir, Elson, Sugawara, Marcos Bazílio, Piá, Lúcio, Aristizábal, Paulo Rink, Fumagalli, Juari, Camanducaia e Rodrigão.

Time-base: Carlos Germano, Baiano, Galván, Márcio Santos e Rubens Cardoso; Claudiomiro, Rincón, Robert e Valdo; Valdir e Dodô. Técnico: Carlos Alberto Silva.


Vasco 3 x 1 Santos

Data: 28/02/1999, domingo, 18h30.
Competição: Torneio Rio SP – Final – Jogo de ida
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 81.421 pagantes
Renda: R$ 695.500,00
Árbitro: Paulo César de Oliveira (SP).
Cartões amarelos: Gustavo Nery (S); Odvan, Paulo Miranda e Felipe (V).
Cartões vermelhos: Sandro (S) e Nasa (V).
Gols: Mauro Galvão (16-1), Alessandro (20-1); Juninho (21-2) e Zezinho (26-2).

VASCO
Carlos Germano; Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Paulo Miranda (Wagner), Nasa, Juninho e Ramón (Alex); Donizete (Zezinho) e Luizão.
Técnico: Antônio Lopes

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Sandro e Gustavo Nery (Michel); Marcos Bazílio, Claudiomiro, Caíco (Élder) e Jorginho (Rodrigão); Alessandro e Viola.
Técnico: Emerson Leão



Santos amansa e perde no Rio

Com menos faltas, time paulista cede vantagem ao Vasco, que pode até perder para conquistar Rio-São Paulo

O Vasco derrotou o Santos por 3 a 1, ontem, no Maracanã, na primeira partida da decisão do Torneio Rio-São Paulo.

Para chegar ao seu terceiro título na competição, o clube carioca pode até perder pela diferença de um gol a próxima partida, que será disputada nesta quarta-feira, às 21h30, no estádio do Morumbi, em São Paulo. Será a primeira final da temporada de 1999.

O Santos, que busca o seu sexto título, vai precisar vencer por dois gols de diferença para levar a decisão para os pênaltis.

Depois da polêmica que havia antecedido a partida sobre a violência do Santos em campo, que vinha cometendo uma média de 35 faltas por jogo, a equipe paulista cometeu apenas 27 infrações contra o Vasco, uma a menos que o adversário, reduzindo em 23% sua média.

Antes da partida, o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda, tinha ameaçado entrar com um pedido de indenização na Justiça caso um de seus jogadores saísse machucado de campo.

Miranda tinha protagonizado outra polêmica antes. Para mandar as partidas em seu estádio, São Januário, levou o time a um duplo W.O. com o Fluminense, na última rodada da primeira fase, e pôs em risco sua permanência no torneio.

O técnico Emerson Leão, do Santos, tachado como o mentor do jogo faltoso do time no torneio, queria provar que o Santos não é violento nem pratica o antijogo como afirmava o adversário.

As duas equipes acabaram tendo um jogador expulso de campo pelo juiz Paulo César de Oliveira. O zagueiro Sandro, do Santos, recebeu cartão vermelho aos 8min do segundo tempo. O volante Nasa, do Vasco, foi expulso aos 23min da mesma etapa.

O Vasco saiu na frente, com um gol do zagueiro Mauro Galvão aos 16min do primeiro tempo, quando o Santos dominava a partida e se mantinha no ataque.

A equipe santista conseguiu o empate pouco depois, com um gol de cabeça do atacante Alessandro.

O meia Juninho ampliou para o Vasco aos 21min.

O atacante Zezinho, que entrara no lugar de Donizete, fechou o placar para os cariocas.

A partida de ontem serviu como “”desempate” para o equilíbrio que havia marcado os 14 confrontos, até então, entre as duas equipes no Rio-São Paulo, com seis vitórias para os santistas, seis para os vascaínos e dois empates.

O Santos, com as maiores goleadas -5 a 1 em 1961 e 5 a 2 em 1962-, ainda ficou na frente no saldo de gols. No total, em 15 jogos (incluindo o de ontem), os santistas marcaram 26 gols, contra 24 do time carioca.

Santos e Vasco já chegaram a dividir o título do Rio-São Paulo em 1966, juntamente com Corinthians e Botafogo. Devido à Copa da Inglaterra, não houve tempo para desempate naquele ano. As quatro equipes foram consideradas campeãs pelos organizadores.

O Santos conquistou ainda o torneio em 1959, 1963, 1964 (ao lado do Botafogo) e 1997.

O Vasco só havia sido campeão sozinho no ano de 1958.

O clima de rivalidade que antecedeu o jogo culminou com o apedrejamento do ônibus que levava os jogadores santistas ao Maracanã por torcedores vascaínos quando chegava ao estádio.

Ao final da partida, técnico Leão resolveu voltar a reclamar da arbitragem, alegando impedimento na jogada que levou ao terceiro gol do Vasco.

“A TV tem o tira-teima. Eu só tenho a teima. Quem tira é o árbitro. Estou cansado de ser tirado”, afirmou ele.

Leão grita com os rivais e o juiz

Uma discussão com o técnico Leão provocou ontem ao meia Eduardo Marques seu afastamento do time santista. Dado como titular pouco antes de o jogo começar, o atleta nem foi relacionado para o banco de reservas. Em seu lugar, no time, ficou Caíco.

Leão e Eduardo Marques discutiram no hotel em que o time estava hospedado no Rio de Janeiro quando o treinador exigiu um melhor desempenho do meia.

Ao chegar ao Maracanã, o técnico tentou desconversar. “Ele não tinha nenhuma condição de jogar”, limitou-se a dizer.

O gerente de futebol do Santos, Marco Aurélio Cunha, tentou negar a briga dentro do time. “Não houve nenhum problema disciplinar. Foi apenas uma opção.”

Essa não foi a única briga que Leão protagonizou ontem. Durante a partida, o comandante santista ficou a maior parte do tempo fora da área reservada para ele e gritou com os seus jogadores, os rivais e o árbitro, o que lhe rendeu uma advertência. Ele pediu várias vezes cartão amarelo e vermelho para os adversários quando cometiam faltas em seus comandados.

A torcida vascaína também provocou o torcedor: “Leão, tu é gay. Tu é gay, que eu sei”. Ele respondia com gestos obscenos.

Nas rádio cariocas, Leão também foi personagem de gozação. Na rádio Tupi AM, toda vez que o técnico era citado, aparecia um jingle dizendo: “Como esse cara é mala”.

Ônibus santista é atacado

O ônibus que conduzia os jogadores do Santos foi apedrejado por torcedores vascaínos quando chegava ontem ao estádio do Maracanã. Pedras, garrafas e latas de cerveja foram arremessadas contra o veículo, que teve parte de sua lataria amassada.

Os vidros não foram quebrados, e nenhum integrante da delegação se machucou. Uma viatura da PM que estava próxima ao local evitou que o ataque fosse pior.

O presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, que estava no ônibus, mostrou-se indignado com o episódio. “Em São Paulo, não acontece isso. Foi terrível, não esperava que isso estragasse uma festa tão bonita. Não é possível que na virada para o século 21 ainda se utilize esse tipo de pressão”, afirmou o dirigente.

O incidente agravou a série de desentendimentos que marcou a preparação das equipes para a decisão. Os vascaínos acusaram o Santos de ser uma equipe que utiliza demasiadamente a violência para parar jogadas.

Como uma forma de intimidar o adversário, o vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, afirmou na última sexta-feira que entraria na Justiça comum caso um dos seus jogadores sofresse alguma contusão grave na partida. Disse ainda que entraria com uma ação também contra o árbitro se ele fosse conivente com a violência.

Alguns jogadores vascaínos que já trabalharam com Leão, como o atacante Donizete, disseram que o técnico manda os seus jogadores baterem nos adversários.

O Santos é a equipe que mais comete faltas no Rio-São Paulo. Até a partida de ontem, os santistas cometiam em média 35 faltas por partida -a média geral do torneio é de 25.

Além disso, o time já teve seis jogadores expulsos, mas foi beneficiado pelo regulamento da competição, que não prevê suspensão automática. Só o atacante Alessandro foi expulso duas vezes.

Na primeira partida entre os dois clubes na competição, Donizete teve de ser substituído após se contundir em um lance com Marcos Assunção.

Por causa do clima de animosidade, os torcedores do Santos que saíram de São Paulo para ir ao Maracanã (cerca de 400, que ocuparam metade do espaço reservado inicialmente) só entraram no estádio no fim do primeiro tempo, para evitar choques com vascaínos.

Vascaínos já festejam o título

Logo após o gol do atacante Zezinho, a torcida do Vasco iniciou a comemoração antecipada do título do Torneio Rio-São Paulo.

Eufóricos, torcedores do time carioca começaram a cantar “é campeão” -o time pode perder por um gol no Morumbi. Eles também gritavam hostilidades contra o Flamengo, o seu principal rival, e cantavam “olé” no final.

Ontem, o público foi de 81.421 pagantes. No final da partida, torcedores pediam o quarto gol.

Na quarta-feira, a estimativa é de que cerca de 5.000 vascaínos assistam ao jogo em São Paulo. “Falta o segundo jogo. O Vasco vai ter de correr dobrado em São Paulo. Não podemos entrar na euforia da torcida”, disse Juninho.

Preocupado com o excesso de faltas do time adversário, o atacante Donizete fracassou ontem na primeira partida da decisão. Depois de um péssimo primeiro tempo, o técnico Antônio Lopes o tirou de campo.

“Fui muito mal. Antes do início do jogo, havia pedido para não jogar por causa das dores no tornozelo, mas o Lopes achou melhor me escalar. Agora, acho difícil continuar”, disse Donizete. Ele perdeu um gol e ficou três vezes impedido.

Recuperando-se de uma contusão sofrida na primeira partida entre os dois times na competição, Donizete já havia anunciado que evitaria divididas com adversários.

Ex-jogador de Leão, no Verdy Kawasaky (Japão), Donizete foi o conselheiro dos jogadores do Vasco para tentar fugir da violência.


Santos e Vasco renegam vocação na final (Em 28/02/1999)

Paulistas tentam desmentir título de os mais faltosos, enquanto cariocas abandonam drible temendo contusão

O Vasco superou os rivais que apareceram pela frente com os dribles de Felipe e Ramon para chegar à final do Torneio Rio-São Paulo.

Já o Santos fez seu caminho cometendo faltas -pelas estatísticas, em geral, o time mais faltoso é o vencedor da partida.

E, agora, os finalistas prometem deixar de lado seus trunfos para chegar ao título, que começa a ser disputado às 18h30, no Maracanã.

A mudança no estilo de jogo da equipe carioca se deve à violência santista na competição.

Segundo o Datafolha, o drible foi a principal vantagem do time carioca no campeonato. De acordo com a pesquisa, o Vasco faz 35 tentativas por jogo, quando a média geral é de 26 dribles.

“Como o time do Santos tem um estilo muito forte, os jogadores vão ter que se movimentar e tocar rápido a bola para fugir das faltas. Não podemos prender muito o jogo. Se fizermos isso, vamos facilitar muito para eles”, afirmou o técnico do Vasco, Antônio Lopes.

A equipe paulista comete 35 faltas por partida (a média geral é de 25). Além disso, o time já teve seis jogadores expulsos, mas foi beneficiado pelo regulamento da competição, que não prevê suspensão automática. Só o atacante Alessandro foi expulso duas vezes.

“Leão foi meu treinador, e sei que fará uma marcação nos principais jogadores do nosso time. Esse é o estilo de jogo dele. Para surpreendê-los, decidimos jogar com mais velocidade e evitar o contato”, disse o lateral-direito Zé Maria, que foi comandado pelo técnico rival quando atuava na Lusa.

Na primeira partida entre os dois clubes na competição, o atacante Donizete, um dos destaques do time do Vasco, teve de ser substituído após se contundir em um lance com o volante Marcos Assunção.

A preocupação com a violência é tanta no Vasco que o vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, decidiu tentar pressionar os adversários.

Na sexta-feira, ele até ameaçou entrar na Justiça comum caso um dos seus jogadores sofra alguma contusão grave na partida. Disse que entrará com uma ação também contra o árbitro, se ele for conivente com a violência.

“Violência é balela”

Por seu lado, os jogadores do Santos minimizaram as declarações do dirigente vascaíno Eurico Miranda. E negam acreditar que foi estabelecido um “clima de guerra” para o jogo de hoje.

“Isso tudo é balela”, afirmou o zagueiro Argel, alvo preferido dos ataques de Miranda. “Eu quero que me mostrem fatos. Estou há um ano e dois meses no Santos e fui expulso apenas uma vez e ninguém está aí sem jogar por culpa minha”, afirmou.

Argel não acredita que as declarações de Miranda possam criar um clima propício para a ocorrência de jogadas violentas. “O Vasco, assim como o Santos, vai entrar para jogar. Eu conheço o Antônio Lopes e sei o tipo de jogo que ele aprecia”, disse o zagueiro. “Mas o Santos não vai mudar sua maneira de atuar. É um time determinado, sem estrelas e forte no conjunto”, conclui.

O goleiro Zetti também desprezou os comentários de Miranda. “Somos profissionais e respeitamos os colegas do outro lado. O Santos joga desta forma, é forte na marcação, mas não é violento. O futebol hoje é assim. É competitivo, corpo a corpo”, afirmou.

“Apesar disso, não somos um time que joga na defesa. Jogamos para a frente e fazemos gols, como já mostramos no Maracanã”, ressalvou Zetti, lembrando a semifinal contra o Botafogo.

O técnico Leão disse simplesmente que não comentaria opinião de quem quer que fosse sobre a possível “violência santista”, por achar que a alegação não se justifica e por ter sido já bastante debatida. “Essa história está desgastada. Para mim, não existe”, afirmou.

Ele comentou, no entanto, outras declarações de Eurico Miranda, como a afirmação de que foi dispensado do Vasco pelo dirigente em 1980. “Nessa época, o Eurico não passava de um coadjuvante no Vasco”, afirmou.

Leão afirmou também que para arrancar sua juba “é preciso muita coragem”. Provocador, Miranda havia afirmado que Leão sem a juba era um gatinho e miava.

Viola e Alessandro

O atacante Viola afirmou que não existe qualquer problema de relacionamento entre ele e o atacante Alessandro.

No final da primeira partida com o Botafogo, Viola havia reclamado de “individualismo” no time do Santos, sem citar nomes.

“Quiseram me jogar contra o Alessandro. A única coisa que eu disse é que, como jogo enfiado, por determinação do Leão, preciso receber bolas na área e, às vezes, essas bolas não chegam”, disse.

O atacante ironizou o comportamento de Eurico Miranda. “Eu tiro o chapéu para ele. Queria tê-lo no meu time, porque faz tudo o que quer e acaba sempre dando certo.”

Banco é trunfo rival, diz Leão

O técnico Leão afirmou que o Vasco leva vantagem em relação ao Santos pelos jogadores que tem à disposição no banco de reservas.

“Sem dúvida, eles possuem um banco tecnicamente melhor do que o nosso”, afirmou Leão.

No jogo contra o São Paulo, na quarta-feira, dois dos três gols do Vasco foram marcados por jogadores que estavam na reserva -um pelo meia Vágner (com passagem pela Roma, da Itália) e outro pelo atacante Guilherme (ex-Rayo Vallecano, da Espanha).

Já o Santos conta entre os suplentes com o meia Caíco, o lateral Dutra e o atacante Camanducaia.

O treinador santista deverá escalar o time com apenas dois atacantes (Viola e Alessandro), desistindo da experiência do ataque com três jogadores, pelo menos para este primeiro jogo da final.

Na semana passada, no primeiro jogo contra o Botafogo pelas semifinais, o Santos marcou apenas um gol, mesmo jogando com três jogadores fixos na frente.

Nos outros sete jogos que fez pelo Rio-São Paulo, o time marcou 15 gols, média de 2,14 por partida.

O atacante Viola, autor de três gols nos últimos três jogos do Santos, afirmou que recebeu orientação do treinador para jogar “mais enfiado”, tentando atrair a marcação dos dois zagueiros do Vasco.

Só nos dois jogos que o Vasco fez no Maracanã pelo Rio-São Paulo, a defesa do time carioca levou sete gols, média de 3,50 por partida.

O meia Jorginho, que se machucou no coletivo de sexta-feira, quando foi atingido por um carrinho do meia Arinélson, seria submetido ontem a uma avaliação médica para saber se teria condições de jogo. Até sexta-feira, o técnico Leão não tinha definido um substituto.

O goleiro Zetti, que teve o julgamento de sua expulsão contra o Palmeiras adiado para depois do encerramento do Rio-São Paulo, afirmou que o time está empolgado e que encara os dois próximos jogos como se fossem a final do Campeonato Brasileiro.

O Santos tenta seu segundo título na competição nos três últimos anos. Caso vença, será sua sexta conquista na história geral do Torneio Rio-São Paulo. O time já é a equipe com o maior número de conquistas na história da competição.

No geral, os times paulistas levam ampla vantagem contra os cariocas. Foram 15 títulos de equipes de São Paulo, contra apenas 9 dos clubes do Rio.